15 de dezembro de 2017

EXPERIÊNCIA A FAVOR

Gods of Chaos, quarto trabalho do grupo aposta em melodias e climas mórbidos

Por João Messias Jr.

Gods of Chaos
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Em constante ascenção, o Chaos Synopsis mostra mais uma vez o motivo de cada vez mais fãs de metal olharem para o som do quarteto. Ao invés de ficarem presos no molde musical que os fez reconhecidos, Jairo Vaz Neto (voz e baixo), Luiz Ferrari  (guitarra), Diego Santos (guitarra) e Friggi Mad Beats (bateria), inserem novos elementos sem mudar a essência. 

A bola da vez aqui foi incorporar mais melodias no trampo das guitarras além de uma bem sacada dose de morbidez. Fusão que deixou as músicas marcantes e grudentas, o que pode atrair fãs de outros ,como o metal tradicional. Storm of Chaos e Serpents in Flames são exemplos do que fora dito no começo do parágrafo. Mas os caras não esqueceram da essência brutal que os fizeram conhecidos. Ouça a faixa de abertura Raising Hell e o som que nomeia o disco, essa com uma veia doom metal. 

Outros momentos de destaque ficam por conta da regravação de Cocaine (Andralls) e Black God, que conta com os convidados Uappa Terror e Wojciech Michalac nas vozes.

A capa, mais uma vez feita por Rafael Tavares merece uma citação. Rica em detalhes e privilegiando os tons preto e vermelho, seguramente é uma das melhores do grupo e do artista.

Um excelente trabalho dessa rapaziada de São José dos Campos que soube como usar a experiência ao favor.

14 de dezembro de 2017

A NECESSIDADE DE CRIAR ALGO NOVO

Após álbum e singles, banda retorna ao estúdio e lança novo trabalho

Por João Messias Jr.

T-Project
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Engana-se quem pensa que o Tiberius Project é um grupo novo. Com dez anos de estrada e capitaneado por Dibih Tiberius (vocal) e Dennis Martins (guitarra) tem na bagagem um álbum, participações em coletâneas e um single. Depois de um longo período longe dos estúdios e agora acompanhados por Fernando Guimarães (baixo), Daniel Passos (guitarra/teclado) e Assunção (bateria), soltam trampo fresquinho, o EP T-Project.

Musicalmente a banda passeia pelo metal, em especial o heavy e o thrash, sem querer ser um filho bastardo dos anos 80, com ótimos riffs e construções harmônicas e bateria marcante, que mostra logo a que veio em O Segredo.

Young Flowers Don't Have to Die conta com ótimos solos e vocais inspirados em caras como Alice Cooper. Santa Claus in Hell é divertida, com direito a riffs 'speed'. Starvation, que possui um interessante vídeo,  é mais cadenciada além de  possui solos de tirar o fôlego enquanto a longa United for Metal - The Hymm dá números finais ao trabalho.

Uma banda madura, formada por músicos experientes que só precisa tomar cuidado com os vocais. Por seguir uma linha não tradicional e usual, algumas ideias não ficaram legais, como na citada O Segredo. Talvez vozes mais retas resolveriam o problema. Algo para o grupo pensar a respeito. Principalmente para os próximos trampos.

9 de dezembro de 2017

NA CONTRAMÃO

Grupo abraça de vez o rock alternativo em novo trabalho

Por João Messias Jr.

Keep on Naked
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Keep On Naked, novo EP da banda Threesome faz uma espécie de viagem no tempo. Especificamente na década de 1990, período em que o fã de rock começava a se cansar das plumas e paetês vindas do hard rock e com isso, seguir algo mais despojado, simples e direto. Não era difícil ver fãs, antes com camisetas de formações como Guns and Roses e Bon Jovi, aderindo estampas do Nirvana e Sonic Youth.


O primeiro todos sabem, foi uma explosão mundo afora, com situações dignas de nota, contrastando com momentos constrangedores. Já o grupo liderado por Kim Gordon e Thurston Moore, embora tenha tido seus momentos nos holofotes, vai além, por não apenas englobar um estilo, mas uma estética que envolve o todo. Passando a resgatar a temática do "faça você mesmo", envolvendo as etapas de produção, gravação e conteúdo lírico, sem influências externas.

Vibração que encontramos no disquinho do quarteto hoje composto por Juh Leidl (vocal/guitarra), Fred Leidl (guitarra/piano/vocal), Bruno Manfrinato (guitarra), Bob Rocha (baixo) e Henrique Matos (bateria). O material possui duas regravações do CD de estréia, Every Woman, aqui chamada ERW, com aquela pegada despojada e que ao mesmo tempo bem chiclete, graças aos vocais bem encaixados de Juh.  Why So Angry, aqui batizada Sweet Anger vem um pouco mais pesada, mas com vozes que embora inusitadas, se encaixaram bem na canção, além de solos de tirar o fôlego.



A inédita My Eyes lembra um pouco o que a turma de Kurt Cobain fez no passado, apesar da voz de Fred Leidl fazer vir a memória Luiz Gustavo (ex-Pin Ups).

A inspiração noventista não ficou apenas no som. O trabalho foi concebido e produzido no próprio estúdio do quinteto, além do conteúdo lírico feito para provocar a reflexão no ouvinte, sem pregar e vender essa ou aquela temática.

Recado dado, agora é esperar a próxima investida da Threesome.

23 de outubro de 2017

ÚNICO

Melodia, rispidez e passagens atmosféricas atingem ápice musical em novo trabalho do grupo

Por João Messias Jr,

Magna Adversia
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Quem olha as fotos do experiente quinteto brasileiro, pode pensar 
que estamos diante de um grupo tradicional de black metal. Impressão injusta, pois o que a banda que conta hoje com T. Sword (voz), Mantus (guitarra), Ristow (guitarra), Vulkan (baixo) e Abyssius (bateria) engloba diversos elementos do estilo. Desde a agressividade dos primórdios dos tempos de Venom e Mayhem até o lance pomposo que ficou popularizado por formações como Dimmu Borgir e Cradle of Filth.

Sem ser cópia de nenhum dos grupos citados acima, o quinteto atingiu seu ápice criativo, criando um instrumental denso e pesado e vocais que ficam entre a rispidez e o desespero. Características que por si gerariam tranquilamente um material interessante, mas temos mais. Melodias sinfônicas e soturnas agregam mais ao material, o tornando mais mórbido e melódico.

Todos os elementos citados aparecem logo de cara em Infidels. Interessante que essa combinação de nuances gera um ritmo denso e hipnótico, que nos faz querer saber o que virá pela frente. A seguinte, Axis, as guitarras soam como uma sinfonia, enquanto Heartless soa como um hino de guerra graças a levada marcial.

A Two-Way Path figura entre os pontos altos do disco, graças ao seu andamento lento e sinfônico que ganha partes doom.

Acha que ouviu tudo? Communion tem partes que combinam o atmosférico e o folk, assim como Now I Bleed. Já Porcelain Idols é intensa e forte como seu título, que não se faz necessária a tradução, que faz a ponte perfeita para a faixa de encerramento.

Com os teclados a frente, Magna Adversia combina o etéreo e o brutal com melodias grudentas com vocais desesperadores que ficaram ao fundo, dando o contraste e a beleza necessária para a coroação desse belo trabalho.

Muito bem produzido pela banda e co-produzido por Oystein G. Brun (Borknagar) e uma arte de impacto, feita por Marcelo Vasco (que é o próprio Mantus) são o complemento necessário que fazem deste trabalho um dos melhores álbuns de 2017.

BRUTAL ELEGÂNCIA

Mix de black metal e heavy tradicional é a grande sacada da banda pernambucana

Por João Messias Jr.


Engraçado como são as coisas, vivemos uma época de quem ouve estilo  X, não pode escutar denominada linha musical Y e com isso vivemos uma cena musical no rock com infinitas segregações e com isso, muitas correntes radicais.

Até aí, tudo bem, mas se partirmos de que o rock é um estilo que se formou por ramificações como o blues, jazz, soul e o gospel, perceberíamos que essas divisões são uma bobeira sem fundamento, pois são das misturas que se saem coisas novas.

Tudo isso foi dito para citar a banda pernambucana Elizabethan Walpurga, que somente após 23 anos de luta, soltou seu debut, o álbum Walpurgis Night. É clichê dizer, mas a espera valeu a pena, pois o quinteto formado por Leonardo Alcântara (vocal), Breno Lira (guitarra), Erick Lira (guitarra), Renato Matos (baixo) e Arthur Felipe Lira (bateria) passeia com maestria pelo black metal e o heavy tradicional.

Fusão que aparece de forma marcante em Vampyre. Dona de solos empolgantes vocais desesperados, comandadas por um ritmo cadenciado e muita melodia. Características que aparecem também em Clamitat Vox Sanguinis essa com um "agravante", um show das dupla de seis cordas.

O resultado é tão empolgante que nos faz pensar que os caras jogaram o melhor logo para o início. E como é bom se enganar com isso. Os caras não só deixaram a peteca cair como mostraram mais uma bela sacada em The Elizabethan Dark Moon. Dona de um refrão lento que contrasta com passagens mais ríspidas e um clima folk que evidencia a criatividade dos caras.

Walpurgisnacht com seus sete minutos além de ser a saideira do álbum mostra uma espécie de síntese do que é o disquinho, que não apenas passou o recado com maestria, como surpreendeu. 

PARA QUEM SENTIU SAUDADES...

Sonoridade voltada ao metal melódico e temática voltada a doutrina espírita são os atrativos do disco

Por João Messias Jr.

The New Age of KARYTTAH
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Se você que está lendo essa resenha e for fã de bandas como Angra, Wizards e Stratovarius, tem tudo pra ser fã do Karyttah. A one man band formada por Fabio Loffs (vocal, guitarra, baixo e bateria programada) mostrou personalidade ao resgatar o metal melódico, cujo ápice ocorreu entre 1990 a 2000.

Só que Loffs (que contou com muitos músicos convidados) não criou um pastiche do estilo que consagrou os grupos citados no primeiro parágrafo, pois apesar dos bumbos duplos na velocidade da luz e vocais agudos, temos um disco competente.

Casos da climática New Age, que tem momentos que esbarram no rock progressivo e Never Say Never, essa uma curiosa mistura de Helloween com Gotthard. Claro que temos as faixas características do estilo como a faixa que nomeia o grupo. Essa leva ao leitor aos tempos dos Keepers, além de contar com um refrão que cola na mente.

Porém a temática é outro momento digno de nota. Ao invés de dragões e duendes, temos um conteúdo lírico baseado na doutrina espírita com temas baseados no amor ao próximo e a caridade (palavra que inspirou o nome da banda). Conteúdo que pode ser lido no encarte, por meio das citações e letras traduzidas.

Se você foi um daqueles caras que se emocionaram com lançamentos como Visions (Stratovárius), Wizards (Wizards) e Angels Cry (Angra), corra atrás. Além de ser brindado com um conteúdo lírico primoroso, direto e sem as alienações existentes no cristianismo.

9 de outubro de 2017

BRUTALIDADE E ENERGIA

Terceiro trabalho dos goianos combina de forma homogênea brutalidade e coesão

Por João Messias Jr.

Race of Disorder
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Apesar de manter a fidelidade no som, Race of Disorder, novo trabalho dos goianos do Mugo é surpreendente em muitos aspectos, que serão dissecados linhas abaixo. O mais marcante fica por conta da combinação homogênea de brutalidade, energia e coesão. Músicas trabalhadas e agressivas que não perdem a pegada, dessa forma, gerando momentos quebra pescoço.

Descrição que casa com as faixas Corruption e Terra de Ninguém, que seguramente estarão entre as favoritas dos fãs nos shows. Só que o álbum também apresenta outras nuances. Desde o clima caótico de Deliverance e a grooveada Seeds of Pain mostram novos contornos no som do quarteto.

Só que os ápices ficam por conta de Race of Disorder e Elo Quebrado. Ambas na faixa dos seis minutos, mostram um bom nível técnico, com passagens empolgantes sem perder a brutalidade.

A banda também foi feliz na produção, a cargo de Ciero (Oitão), que acertou nos timbres e deixou tudo na cara, além do acabamento em digipack e uma bela arte que coroa esse belo registro, que será escolha dos melhores do ano na lista de muitos.
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