7 de agosto de 2017

VITÓRIA DA PERSISTÊNCIA

Após idas e vindas, banda retoma as atividades e lança single

Por João Messias Jr.

Absurdium
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Não se trata de algo novo, mas corriqueiro para aqueles que não deixam os ideais morrerem. Quando se é adolescente, aquele sonho de montar um grupo, fazer shows e lançar discos é algo que todos que se aventuram pela música querem fazer. Porém, com o passar dos anos, novas responsabilidades e até uma nova forma de se pensar entram na vida como um rolo compressor. Aí temos de fazer escolhas, que nem sempre são os nossos ideais.

Essa linha de pensamento casa com a banda que resenharemos hoje, o Absurdium. Formada com o nome Healer, teve as atividades iniciadas no ano 2000 e após mudar para o atual, sofreu com as mudanças de formação e incertezas. Até que em 2015, o grupo retorna com uma nova formação, tendo Eric Kiriyama (guitarra), Wagner Fassi (bateria e vox) e Marcilio Spiti (baixo e voz). Com esse time lançaram o single Serpents of the Infernal War.

Bem produzido e com uma capa legal, o som do grupo também não decepciona. Transitando entre diversas escolas do Death Metal, apresenta momentos trabalhados a outros com muito peso e groove. Os vocais brutais e berrados são balanceados, dessa forma permitem uma audição tranquila do trabalho. Apesar de uma música não ser o melhor caminho de se avaliar um grupo, os caras mandaram bem e deixa uma boa impressão para os próximos lançamentos.

Uma vitória da persistência e competência musical.

6 de agosto de 2017

AINDA TEMOS MAIS...

Segundo DVD da coletânea de clipes, aposta em repertório que passeia do Thrash ao Rock and Roll

Por João Messias Jr.

DVD Roadie Metal Vol. 1
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Pois é, não bastou ousar fazendo uma coletânea de vídeos, mas sim bolar um DVD duplo, no qual a primeira parte fora comentada na semana passada, segue agora a segunda parte deste projeto, que aqui tem um caráter mais eclético, indo do Thrash ao Rock and Roll.

Elephant Casino - Believe: Com um vocal extremamente talentoso, o grupo chama a atenção pela sua forma de fazer Hard Rock. Não espere nada influenciado por Poison e Ratt, mas sim aquela linha mais introspectiva de grupos como Kings X, Galactic Cowboys e Dr. Sin da fase Insinity. Os solos de guitarra limpos e bem encaixados também se destacam.

SuperSonic Brewer - Blood Washed Hands: O ponto alto do disquinho. As gravações do EP são o cenário desta bela canção, que no começo soa como algo que o Zakk Wylde fez nos seus primeiros tempos de Pride and Glory ou em carreira solo. Porém o jogo de vozes (caprichadíssimas por sinal) fazem com que essa música funda Hard Rock e Southern Rock com extrema maestria. Para colocar no 'repeat' diversas vezes.

Demons Inside - Remorse Infected of Trauma: Bateria pesadona comandando tudo nesta música bem elaborada e cheia de groove. Alguns momentos lembram o clássico Dehumanizer (Black Sabbath). Só precisam encaixar melhor algumas passagens do vocal pra cair nas graças do público.

Jäilbäit - Take it Easy - Ai o bom e velho Rock and Roll, se não fosse ele, suportar o estresse cotidiano seria mais complicado. Essa é a ideia do quarteto alagoano. Tudo isso permeado por um metal classudo, de vozes esganiçadas e muita energia e como destaque a bela Wanessa Alves. Vale citar que por problemas autorais, hoje a banda se chama Prision Bäit.

Apple Sin - Apple Sin: Representantes do Heavy Metal Tradicional, os mineiros apostam numa ótima produção visual, tendo na canção um instrumental encorpado, voz na medida certa e o grande destaque: solos que nos remetem ao Mercyful Fate.

Cervical - Arquétipo: Energia e uma mensagem de conscientização. Esse é o recado dos cariocas, que transitam entre o metal e o Hardcore. Direto e sem firulas, o som é para pogar.

Galo Azhuu - Bruxa: Outro ponto alto do disquinho. Com mais que bem vindas referências do anos 70, com riffs e solos feitos com maestria e o clima místico da película deu um charme a mais na canção.

Exorddium - Heavy Metal: Assim como o título entrega, estamos diante de um som tradicional, que chama a atenção por ser simples e bem feito. Com referências diretas das primeiras bandas brasileiras do estilo, provaram aqui que "o menos é mais".

Magnéttica - Super Aquecendo: Rock and Roll despojado e feito por excelentes músicos. Apesar das boas intenções, soa deslocado pela coletânea ser "metal demais" para o som dos caras.

Basttardos - Despertar do Parto: Uma banda muito legal, num som que privilegia o peso e as vozes cheias de emoção, num som que transita entre o Hard e o Thrash.

Hellmötz - Wielding the Axe: Groove e peso mandam nesta canção.Num vídeo que lembra muito o modelo usado pelas bandas de Thrash do fim dos 80 e começo dos 90, fazem o cenário desta banda que faz um som bem feito e competente.

Burnkill - Cadáver do Brasil: Mais um exemplo de que o menos é mais. Produção simples, que tem como tema as manifestações que se fundem com os caras mandando seu Thrash de instrumental encorpado e vocais crus, que só precisam ser melhor lapidados.

Fallen Idol - The Boy and the Sea: Imagens de guerras e destruição em primeiro plano com o grupo atuando é a receita da banda, que funde o Doom Metal com o Metal Tradicional, onde o peso e os vocais, cantados de forma natural são os destaques.

The Phantoms of Midnight - Midnight:  Para aqueles que sentem falta daquele Metal Sinfônico de bandas como Nightwish, taí uma banda que podem gostar. Com os teclados na frente e executada por bons músicos, temos uma canção bem construída, porém sem novidades.

Dust Commando - P.O.T.U.S.: Outro ponto alto do disquinho. Instrumental pesado com vozes que vão do Alternativo ao Grunge e Stoner com um instrumental encorpado. Alice In Chains, Soundgarden são algumas referências desta banda que merece ser ouvida por mais pessoas.

Razorblade - Cuts Like a Razor: A bola fora da coletânea. Donos de um instrumental passável e um vocal que remete a grupos como Damien Thorne e Living Death, a banda precisa melhorar alguns pontos, como o vocal e a cozinha. Mas o pior é o vídeo, com imagens de mal gosto e clichês. Se uma banda pretende vislumbrar algo na cena, deve colocar o que tem de melhor a prova. Não o contrário.

Além dos vídeos, o trabalho apresenta extras como depoimentos das bandas participantes e um menu simples e eficaz, junto com uma bela embalagem, citada na resenha anterior.

Apesar deste segundo DVD oscilar mais entre as bandas participantes, assim como o primeiro volume, é uma bela forma de se conhecer novos grupos, talvez tendo alguns deles como suas futuras bandas de cabeceira.

31 de julho de 2017

O LANCE FEITO DA FORMA CORRETA

DVD duplo reúne 32 bandas de diferentes estilos dentro do metal

Por João Messias Jr.

DVD Roadie Metal Vol 1
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Por incrível que pareça, as coletâneas ainda são vistas por muitas pessoas como um balaio de gatos, onde fatores musicalidade e potencial não aparecerem de forma combinada, são o principal motivo de muitos não acreditarem neste tipo de trabalho.

Para que este tipo de negócio passe batido pela descrença é necessário um foco maior na qualidade musical, um projeto gráfico de primeira e talvez o maior atrativo: a condição de igualdade entre os grupos participantes.

Temos alguns exemplos que seguiram a risco como as coletâneas que as saudosas revistas Valhalla e Metal Mission fizeram num passado não tão distante. E em 2017 temos mais um nome de destaque para esta seleta lista: a Roadie Metal Vol 1, que reune 32 bandas em dois DVDs.

Mantendo o mesmo padrão gráfico dos CDs coletânea, o DVD vem com um excelente acabamento gráfico, com livreto e o mais importante: um encarte democratizado, onde TODAS as bandas entram com igualdade para conquistar o gosto de quem está do outro lado na poltrona.

A resenha de hoje será da primeira parte, cujo foco são as bandas mais extremas. E cumprindo com o quesito democracia, segue um vídeo a vídeo de cada uma das participantes:

Voodoopriest -  Juggernaut: Não havia melhor forma de se iniciar esse trabalho. Talvez a melhor banda de Death/Thrash nacional que aqui figura com um dos seus clássicos. Pesada, intensa e com uma linha pra cantar junto, perfeita para os palcos. Não é a toa que o vídeo foi gravado no Hangar 110. Outros destaques ficam pela dinâmica das guitarras, que fizeram a diferença aqui.

Tellus Terror - Bloody Vision:  Os cariocas mandam um Death/Black variado, com um excelente trabalho do vocalista Felipe Borges, que vai do operístico ao gutural, se saindo bem em ambos. O mais legal é que os integrantes da banda são os atores da película, num cenário totalmente dark, inspirado numa espécie de tribunal. Manteve o nível.

Death Chaos - House of Madness: Sangue e tortura são os ingredientes escolhidos por estes paranaenses. Num cenário onde prevalece por quase todo o tempo a banda ao vivo, com cenas isoladas de violência, se sairam bem com seu Death Metal agressivo e caótico.

Krucipha - Reason Lost: Se a sua praia for um Thrash cheio de groove com elementos da música brasileira, tai a banda. As cenas de cárcere privado mescladas com a banda em ação foram bem feitas, mostrando que não é necessário buscar banda gringa para curtir.

Division Hell - Bleeding Hate: Simples e bem feito. Com foco na performance com alguns efeitos aqui e ali, mostrou o poder do grupo nesta canção, cujo destaque ficam para os solos, que nos remete a referências como o Heavy Tradicional e a música clássica.

Tribal - Broken: Curiosa mistura de groove com climas minimalistas é a receita deste quarteto curitibano. Num vídeo que mostra a banda em ação mesclada a imagens que se passam por dentro do corpo humano. Trabalho bem feito, mas que dividirá opiniões.

No Trauma - Fuga: No esquema "quem sabe faz ao vivo", a banda optou por fazer uma gravação num espaço a céu aberto para que todos pudessem sacar o metalcore direto e reto praticado por eles.

Core Divider - No War: Pancadaria cheia de groove influenciada pelos momentos mais agressivos do Pantera. Formada por ex-integrantes da Skin Culture. A escuridão presente no video combinou com o clima de desespero emitido pelo grupo.

Monstractor - Immortal Blood: Taí uma banda que a galera deveria conhecer, graças ao seu Thrashão classudo com toques de Motorhead em mais uma película que tem como foco a performance.

Vorgok - Hunger: Esse grupo carioca tem tudo para ser a preferida dos thrashers. Formada por ex-integrantes de bandas como Explicit Hate e Necromancer, os caras chamam a atenção pela velocidade e coesão.

Heavenless - Hatred: Trio potiguar apresenta um Death Metal que bebe no lado tradicional do estilo. cujo vídeo tem como tema as atrocidades ocorridas pelo mundo, como a Ku Klux Klan e os ataques as mesquitas.

Matricidium - The Beating Never Stops: Aqueles que viveram o ápice das guerras entre as tribos urbanas sentirão arrepios ao assistirem este vídeo, embalado pelo metal da morte, muito bem executado pelo trio.

Forkill - Vendetta: Mais Thrash na área. O quarteto mete os pés no peito do ouvinte num cenário que mostra o verdadeiro lugar das bandas do estilo: o palco.

Ninetieth Storm - Death Before Dishonor: Sexteto capixaba aposta na agressividade do Deathcore e assim como a Heavenless, funde imagens de tragédias com a banda em ação.

Usina -  Destruição e Morte: Faixa título do mais novo trabalho do grupo, que mistura groove e extremo, que combinou com o roteiro, com um cenário inspirado no seriado "Oz".

Cursed Comment - Luftwalfe: Coube aos mineiros encerrarem essa primeira parte da coletânea com um vídeo simples, que capta cenas da banda ao vivo com o fundo os aviões alemães que destroçaram com tudo na segunda guerra mundial.

Apesar do foco no extremo, temos sons para todos os gostos e apesar do resultado não ser linear, temos aqui uma oportunidade de se conhecer bandas de forma justa e democrática.

Na próxima semana, a segunda parte do DVD.

JAMAIS JULGUE UMA OBRA PELA CAPA

Técnica, virtuosismo e passagens inusitadas é a receita vencedora do trio paulista

Por João Messias Jr.

Mechanical Healing
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Você já deve ter ouvido por aí aquela frase "Jamais julgue um livro pela capa, pois você poderá perder uma história incrível". Pois bem, a citação é a deixa perfeita para a nossa resenha de hoje, o álbum Mechanical Healing, da banda Darchitect.

Se olharmos a capa do trabalho, vem na mente um som na linha de bandas como Heathen e Forbidden. Se esperava algo na linha das bandas acima, pode encerrar a leitura por aqui. Agora, se quer ouvir um baita disco técnico e pesado, continue lendo.

O disquinho abre com Prellude to Illumination, que é começa bem na manha, de forma acústica e depois vira um "sabazão" dos tempos do Ozzy. Porém é Elevate Into Dark que mostra a real intenção dos caras. Death/Thrash com mais peso que velocidade, passagens empolgantes (inclusive quebradeiras) e um solo pra lá de virtuoso que caberia muito bem numa banda de Hard Rock.

A seguinte, S.I.S., a alternância de partes lentas com rápidas e trabalhadas chama a atenção, enquanto Holy Cross apresenta muito groove e peso, sendo perfeita para os shows.

Empolgou? O melhor ainda está por vir com Sabotagem e The Blood on my Hands. A primeira se destaca pela linha de guitarra esperta e inusitada, além de mostrar que música boa pode ser cantada em qualquer idioma. A seguinte é o ápice do trabalho. Em seus mais de sete minutos, temos muito peso, momentos acústicos, viscerais e vozes que vão das limpas até o gutural. Música que encheria de orgulho o saudoso mestre Chuck Schuldiner (Death), que onde quer que esteja, vê que o legado continua.

The Sailor é um curto instrumental que coroa esse belo trabalho e que com toda a certeza deve encher Alex Marras (guitarra), Lucas Coca (baixo/voz) e Gabe Gifoli (bateria) de orgulho, por uma estreia bem cuidada em todos os detalhes. Desde a capa, feita por Joe Pentagno (Krisiun, Motörhead) e um encarte feito por João Duarte (Angra, Korzus, Torture Squad) são ingredientes que fazem de Mechanical Healing um trabalho que tem tudo para cair no gosto dos fãs de um som mais técnico.

Apesar da discordância inicial, a junção capa e música produziram uma história incrível, que com certeza fará com que o nome Darchitect seja reconhecido pelo Brasil e mundo afora.

24 de julho de 2017

TERCEIRO E DECISIVO PASSO

Peso e modernidade são os novos ingredientes de Resilient, novo trabalho do trio de Americana

Por João Messias Jr.

Resilient
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O amigo que acompanha a estrada do rock, sabe que não existe uma regra, tampouco um manual de instruções para uma banda chegar ao estrelato. Tentativas, brigas, erros e acertos são elementos presentes na luta das bandas por um lugar ao sol.

Com a Pop Javali não é diferente. São 25 anos de carreira e há tempos contando com Marcelo Frizzo (voz e baixo), Jaéder Menossi (guitarra) e Loks Rasmussen (bateria) viveram de tudo um pouco. De shows vazios até aberturas para os icones Deep Purple e Uriah Heep, lançaram esse ano o seu terceiro álbum de estúdio, Resilient.

Para aqueles que acompanham a carreira dos caras, perceberam que a banda vinha dando uma cara mais pesada e moderna em suas canções. Fato evidenciado no CD ao vivo Live At Amsterdam (2015). E esses elementos aparecem com toda a força, o que agradará alguns e dará aversão a outros, como toda transição.

E como tudo isso funcionou em Resilient?

A New Beginning é um interlúdio de guitarra e abre caminho para Hollow Man, que é pesada e conta inclusive com partes mais viscerais, inclusive na bateria e mostra uma banda mais para o Noturnall do que Van Halen. E essa nova cara não fica restrita a essa música. Drying the Memories e Reasonable mostram que os caras curtiram esse lance mais pesado. Talvez decepcionando aqueles que conheceram a banda por meio de sons como Anything You Want e Healing No More. Já We Had it Coming tem um 'rip off' que convido o leitor a sacar qual é.

Porém, é na segunda metade de Resilient que temos os ápices musicais do disco. Shooting Star tem um instrumental que lembra muito a fase Brutal do Dr. Sin, enquanto Turn Around salta aos olhos com seu clima intimista. Já Undone se destaca pela bela interpretação vocal e um excelente solo. Aliás, vale citar que Jaéder Menossi é um guitarrista que merece ter seu trabalho divulgado a mais pessoas, em especial aquelas que acham que temos apenas caras como Kiko Loureiro (Megadeth, Angra)  e Eduardo Ardanuy (ex-Dr. Sin) como referências.

O encerramento do disquinho vem com dois momentos contrastantes e interessantes. A pesada e agressiva faixa título que mostra um jogo de vocais que une momentos agressivos aos já tradicionais do grupo. Renew Our Hopes é uma espécie de elo de dois mundos, unindo passado, presente e futuro da música do trio.

Junto a música bem feita, temos um projeto gráfico que combina com a proposta da banda, a cargo de João Duarte e uma produção limpa e definida, feita pelos irmãos Andria e Ivan Busic.

Assim como disse quando resenhei Live At Amsterdam, ousar pode não ser a receita para o sucesso, mas se olharmos para grupos como Kiss, Aerosmith, Rush e Metallica, constatamos que o elemento ousadia foi e continua sendo uma constante para a proliferação de seu legado.

18 de julho de 2017

O GRANDE ENCONTRO

Criadores e criatura se encontram em apresentação no Manifesto Bar

Por João Messias Jr.
Fotos: Caike Scheffer

O ano de 2017 é um ano mágico para este que escreve essas linhas. Além de marcar os dez anos do blog, são comemorados os vinte e cinco anos de estrada no rock, além de ser o ano que completo quarenta anos. Porém, a realização de um sonho marcará a minha vida não apenas por alguns dias e meses, porém por toda a vida.

Depois de anos com o desejo incubado, em 2016 resolvi que iria me tatuar e como esse tipo de arte é para toda a vida, teria de ser algo que sempre que mirasse o olhar, teria de me orgulhar. Decidi que seria sobre algo que amo, o rock e seria uma capa de álbum, afinal, antes desses tempos digitais, o que fisgava o futuro fã eram as capas dos vinis.

Voltando no tempo, só um pouco


Nessa época fiquei entre três capas, que terão suas homenagens na pele em outros momentos. A escolhida foi a do álbum Foundation, da banda Hatematter, cujo som e capa me conectaram de imediato. A mescla de metal tradicional, death metal melódico e o clima melancólico de bandas como Nevermore foi a deixa para que a banda ganhasse um fã e a minha pele sua primeira tatuagem, cujos traços tiveram início no dia do músico, 22 de novembro.

Batendo na trave até que o dia chegou


O mais engraçado é que apesar de ter entrevistado a banda e resenhado o Foundation, nunca havia visto a banda ao vivo, às vezes que tentei sempre esbarravam no quase, até que no dia 29 de abril esse encontro finalmente aconteceu.

Engraçado que, nesse dia, a casa teria dois eventos, um fest voltado a música cristã e o show do grupo seria a atração seguinte. Um detalhe merece menção: faziam mais de duas décadas que eu não ia a casa, ainda mais numa jornada dupla, mas a oportunidade seria única, afinal, estava de férias e depois disso, shows seria algo complicado de ir aos sábados.


Depois de conferir o primeiro evento, eis me frente a frente com a banda que prestei homenagem. Contando hoje com Luiz Artur (vocal), André Buck (guitarra), Lucas Emídio (bateria), e os fundadores André Martins (baixo) e Gustavo Polidori (guitarra), a banda subiu ao palco e fez um set especial de uma hora, que além das músicas de seus dois trabalhos de estúdio, Doctrines e Foundation, cujos pontos altos foram Left Hand of God e Ovethrow. 

Como se tratou de uma apresentação mais longa que a habitual, o show teve alguns covers e participações especiais, cujo maior destaque foi para Pinball Map (In Flames), que teve a participação de Victor Cutrale (Furia Inc.).

Uma apresentação profissional sem deixar de lado aquele clima descontraído, o que deu um clima intimista a apresentação, o que deu mais brilho a noite, que para este que escreve essas linhas, foi perfeita!

Pós show


O evento ainda contou com as bandas Amon Amarth Brazilian Tribute (formada por membros da Hatematter) e Eye of the King (King Diamond Tribute) que fez apresentações de alto nível, mas que me desculpem os tributos, a Hatematter detonou em cena. Em mais uma evidência de que temos uma cena forte, que conta com excelentes bandas e músicos, que fazem trabalhos bem produzidos e que só precisam que o público os valorize e os respeitem como devem ser respeitados. 

Pois para falar a verdade, é muito fácil comprar um ingresso do Iron Maiden e se portar como se tivesse numa micareta ao invés de prestigiar uma banda emergente do cenário. Isso tem de mudar já!

E afinal, quantas vezes você teve a oportunidade de mostrar aos criadores a criação que você fez na pele?

Veja outras fotos da apresentação em: 

19 de junho de 2017

ENTRANDO NA BRIGA

Trio do ABC paulista entra na briga por um lugar ao sol com o lançamento do EP Palhaço Triste

Por João Messias Jr.

Palhaço Triste
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Tempos atrás, escrevi a resenha da apresentação da banda Vint3. Show na ocasião, que marcava o lançamento oficial do seu primeiro trabalho físico, o EP Palhaço Triste. Se ao vivo o trio formado por André Barbosa (guitarra e voz), Nélio Borrozino (baixo) e Gabriel Diego já havia deixado uma boa impressão, as coisas ficam ainda melhores ao ouvir o disquinho.

Praticantes de um som que tem base no rock, mas que flerta bastante com o pop, porém com uma linguagem urbana e jovial, os caras começam metendo os pés no peito do ouvinte (para o estilo é claro) com as pesadas Vida Dura e Mente Louca, que fazem mais bonito do que muita coisa que é executada nas rádios rock da vida.

Mas o pulo do gato aqui são as seguintes. A faixa título, uma homenagem ao ator Robin Williams (1951-2014), que carrega introspecção e melancolia e a festeira Aprendiz, que conta com a participação da vocalista Joana Mellito.

Fora a música, o trio investiu no capricho da apresentação do material, numa embalagem criativa e bonita, além da ótima produção feita por Yuri Bertozzi.

Que tal dar uma chance para aqueles que buscam fazer as coisas corretas ao invés de consumir apenas o que é veiculado na grande mídia? Fica a dica...