19 de julho de 2010

INTERVIEW - DEVENTTER

Sem dúvida o Deventter é uma das bandas mais legais que surgiram nestes tempos, pois através do seu debut álbum, The 7th Dimension, deu uma nova cara a cena Prog Rock/Metal, unindo belas melodias a passagens intrincadas e influências mais contemporâneas, sem cair no jogo da repetição e da monotonia.
O seu mais recente trabalho, o conceitual Lead... On não apenas realça estas características, como mostra uma grande evolução da sua música que atualmente está enaltecida por uma grande carga emocional, como podemos ouvir em All Rights Removed.
Nesta entrevista, respondida pelos membros André Marengo, Felipe Schaffer e Leonardo Milani eles nos falam da origem do nome da banda, influências, entre outras coisas mais. Confiram a entrevista!
New Horizons Zine: Olá amigos! Vou iniciar a entrevista perguntando qual a origem do nome Deventter e o por que dar este nome a banda?
André Marengo: A escolha do nome Deventter surgiu através de uma lista de possíveis nomes para a banda. Na época, o Hugo Bertolaccini (tecladista da banda) estava à procura de um nome forte e com apelo sonoro. Após relacionar diversos nomes, escolheu Deventter. A título de curiosidade, Deventer (com um “t”) é uma cidade da Holanda, que inclusive foi palco de batalhas na 2ª Guerra Mundial.

New Horizons Zine: Apesar de estarem inseridos no nicho do Metal Progressivo, vocês possuem uma pegada mais rock que metal, onde eu percebi influências de bandas como Keane e Radiohead. O que vocês acham destas bandas e até que ponto elas servem de referência ao Deventter?
Leonardo Milani: Nós nos acostumamos ao título de Metal Progressivo, e creio que isso foi resultado das influências que a banda tinha na produção do primeiro álbum. Quando estávamos produzindo o Lead... On, percebemos que estávamos nos distanciando desse nicho, e chegamos a pensar em alguns outros rótulos para classificar nossa música. Mas percebemos que isso não era exatamente nosso problema, e resolvemos deixar para que a mídia especializada cuide disso.
Confesso que esses dois grupos provavelmente não foram bandas que definiram nosso pensamento musical. Eu pessoalmente gosto de Radiohead e um pouco de Keane, mas não o suficiente para que eu possa citar como uma influência. Por outro lado, com certeza que o nosso vocalista (Felipe Schaffer) é o que mais teve influência dessas duas bandas, o que é perceptível em algumas linhas de voz.
New Horizons Zine: Vocês possuem dois álbuns, no qual perguntarei algumas coisas, começando do debut The 7th Dimension, que foi destaque em várias publicações por apresentar novas características a já saturada cena do metal progressivo. Como foi desenvolver esta sonoridade para este primeiro trabalho?
André Marengo: Esta sonoridade se deve a fase em que estávamos na época de sua composição. Não tínhamos pretensão maior do que fazer um álbum sincero e de qualidade, sem limitações de estilos ou fórmulas prontas. E colocamos toda nossa energia para tal. As influências em comum, e as diferentes de cada membro da banda somaram-se para que o resultado fosse, pelo menos, algo diferente do usual. As composições surgiam naturalmente, e foram refinadas até o lançamento do The 7th Dimension.

New Horizons Zine: Outra coisa que chama a atenção, foi a produção e gravação, que por soar mais orgânica, enalteceu ainda mais o lado "rock" nos remetendo a bandas como Beatles, sendo enaltecido pela divisão das faixas em forma de "suítes". Me respondam: The 7th Dimension é um álbum conceitual e a sonoridade da gravação fora proposital?
Felipe Schaffer: Sim, o The 7th Dimension é um álbum conceitual que remete a toda uma situação que a banda passava na época. Tudo nesse disco foi gravado de uma maneira quase que “inocente” e muito verdadeira de nossa parte. O resultado é esse que todos podem conferir. Portanto, se observarmos por este ângulo, eu diria que a sonoridade do álbum foi sim proposital. Foi tudo aquilo que a gente precisava na época.

New Horizons Zine: E graças a estas particularidades, vocês participaram do festival Roça And Roll, que é organizado pelo pessoal do Tuatha de Danann e foram "open act" do Dream Theater num dos shows que a banda fez por aqui. O que vocês acharam destes shows e se ocorreram hostórias curiosas nestes espetáculos.
Felipe Schaffer: Esses shows foram frutos de toda a correria que a gente tinha feito desde então. Foram experiências únicas, maravilhosas e indescritíveis! De certa forma, serviram também como combustível pra que a banda não perdesse o pique.

New Horizons Zine: Com este até então grande momento que a banda, vocês se sentiram pressionados a fazer um novo trabalho?
Leonardo Milani: Realmente estamos muito empolgados com a repercussão do Lead... On, mas por enquanto pretendemos nos focar em trabalhar com as composições do que já temos em mãos, apresentando-as em shows e divulgando nossa obra, em termos gerais.
É fato, uma hora ou outra nós iremos fazer novos álbuns, mas se eventualmente sentirmos alguma pressão, ela terá origem dos nossos próprios objetivos, e não de fontes externas.

New Horizons Zine: E este novo trabalho, que atende pelo nome de Lead On, que ao mesmo tempo que mostra a sonoridade da banda intacta, vê uma banda aliando mais peso e melodia, deixando a sua música ainda mais marcante e pessoal. Vocês acham que os vários shows de divulgação e por terem gravado um CD anterior ajudaram a moldar a sonoridade do novo trabalho?
Leonardo Milani: Apesar de não ter participado da composição e gravação do primeiro álbum, posso afirmar com segurança que ele, e os diversos shows que fizemos com suas músicas, sem dúvida nos deram a experiência e a maturidade sem as quais jamais conseguiríamos criar algo como o Lead... On. Realmente tivemos um ótimo começo.
Sem contar, é claro, que o Lead... On é a continuação do The 7th Dimension, e todo mundo tem que começar de algum lugar!

New Horizons Zine: A faixa All Rights Removed é para mim a melhor faixa do trabalho, pois é uma bela balada que alia vocais melódicos e uma sonoridade quase pop que daria um belo vídeo. Existe a possibilidade de ser feita um clipe de promoção de alguma faixa de Lead On, em especial a já citada All Rights Removed?
André Marengo: Existe a possibilidade de se fazer um clipe, mas não sabemos para qual música ainda. A All Rights Removed seria uma ótima idéia, pois retrata, em linhas gerais, sobre como o mundo se tornou tão violento, sobre as pessoas que já não sabem mais a real motivação das guerras, ou por quem estão lutando, e continuam matando umas as outras, seja em guerras, ou por omissão e comodismo. Partindo do princípio de que somos todos irmãos, quando se mata alguém, você está matando seu próprio irmão. Além dessa música, outras dariam ótimos clipes, como a “Lead...Off”, faixa final do disco, a “6000”, “Down to the Apex”, etc.

New Horizons Zine: Ainda falando de Lead On, os vocais de Felipe Schäffer estão mais emotivos e cativantes. Quais os cuidados que você teve ao gravar este trabalho e qual a sua identificação com o conceito de Lead On para interpretar as canções?
Felipe Schaffer: Acredito que todo o conceito do Lead... On esteja impregnado em cada membro do Deventter. A banda sempre acaba canalizando toda essa energia na maneira que a gente toca, e isso é algo que eu realmente tento dar muita ênfase no meu trabalho vocal. Não só na hora de gravar e interpretar, mas na maneira em como foram compostas as letras e as melodias. Eu sinceramente não sou o tipo de vocal tão técnico e acabo dando preferência para a dramaticidade da obra. Portanto, eu tentei enxugar muitos elementos, e simplificar alguns aspectos para poder pesar mais a interpretação, dando um aspecto mais vivo, orgânico e até visceral para as músicas. Vejo como o discurso de cada um de nós nesse nosso trabalho.

New Horizons Zine: Vocês, juntamente com as bandas UGanga, Hellish War, Apocalypse e Banda do Sol fazem parte do cast da Som do Darma, que é comandada pelo grande batalhador do underground Eliton Tomasi. Como funciona esta parceria e o que ela representa para o Deventter hoje?
André Marengo: Essa parceria nos representa um laço de amizade, que se consolidou após nos conhecermos, visto que, não só alguns gostos musicais eram semelhantes, mas também a postura que adotamos, focada mais na arte e na cultura, do que na indústria maçante que está aí e que continua empurrando e enfiando sucessos, que duram no máximo 4 meses, em nossas cabeças. Essa parceria rendeu bons frutos e irá colher melhores ainda. A Som do Darma vem demonstrando um trabalho exemplar.

New Horizons Zine: No myspace de vocês temos além das músicas dos dois trabalhos da banda, tem uma belíssima versão para Eleanor Rigby dos Beatles. Há planos de lançarem esta música em algum trabalho da banda, visto que a versão ficou tão pessoal?
Leonardo Milani: Essa música é muito especial para nós. Inclusive foi a primeira música que gravei com o Deventter. O público em geral gosta muito – que foi o motivo de termos decidido gravá-la – e abriu várias portas na nossa carreira.
Nós já pensamos em utilizá-la como eventual faixa bônus de algum eventual lançamento, mas como os nossos trabalhos são essencialmente conceituais, fica bastante difícil de encaixá-la em alguma coisa. Por enquanto, não temos planos de lançar a “Eleanor Rigby”, e agora que ela já está no nosso MySpace há um bom tempo, acho que dificilmente isso irá ocorrer.

New Horizons Zine: Amigos, foi um grande prazer entrevistá-los! Deixem uma mensagem aos leitores do New Horizons Zine!
Felipe Schaffer: Agradecemos à galera do New Horizons Zine e a todos os leitores que acompanham e apóiam o rock nacional! Sem vocês nada disso estaria acontecendo! Vocês são responsáveis pela sua própria realidade, portanto, vamos fazer dela a melhor possível, sempre!

www.myspace.com/deventter

Fotos: Divulgação
Entrevista: The Rocker

13 de julho de 2010

INTERVIEW - RAVENLAND

Esse fora um dos trabalhos mais aguardados do ano que se passou, e só podemos dizer que ele compensou a espera, pois And A Crow Brings Me Back conseguiu a façanha de unir fãs do lado Underground e Mainstream da hoje mais que diversificada cena Gothic.
E nessa entrevista respondida pelos vocalistas Dewindson e Camilla, eles nos contam além da repercussão do álbum, as dificuldades e conquistas, a aparição da banda em uma novela,  novos integrantes e a participação de ambos no show do Moonspell.
Confiram!

New Horizons Zine: Passado algum tempo após o lançamento do seu primeiro álbum “Full” And A Crow Brings Me Back, como vocês vêem sua repercussão perante público e mídia?
Camilla Raven: Acredito que estamos tendo uma ótima repercussão, tanto da mídia especializada como do público. Percebemos também que estamos conseguindo expandir mais o conhecimento do nosso álbum para outras mídias e diferentes tribos. Isso é muito bacana, pois abre a mente das pessoas. Estamos recebendo muitas mensagens de elogio ao álbum e isso é gratificante, valoriza os nossos esforços para entregar um trabalho de qualidade e fazer com que a cena nacional seja mais reconhecida.
Dewindson Wolfheart: O CD realmente está sendo bem elogiado, obtivemos média entre 8 e 9 de 10 nos principais sites especializados, e média 8 nas duas principais revistas de Rock/Metal do nosso país, a Roadie Crew e Rock Brigade. Fora isso, todos os recados que temos recebido via orkut, myspace e youtube elogiam muito o disco. Saímos também em 2º lugar como banda revelação de 2009 e entre as melhores capas de 2009.

New Horizons Zine: Essa questão é para o vocalista Dewindson, houve uma época em que a banda “congelou” suas atividades, onde inclusive você foi trabalhar em outro estado, tendo inclusive a chegar a participar de outras bandas e projetos, e neste seu período em outro estado, você viu a oportunidade de reformular a banda. A apartir de que instante você percebeu que poderia ressurgir a Ravenland?
Dewindson Wolfheart: Eu fui obrigado a desativar a Ravenland quando ficamos por muitos meses sem baterista em 2003 e a gravadora Moonshadow Records havia fechado as portas sem lançar o nosso primeiro álbum “After the Sun Hides” já todo gravado e com a arte gráfica completa, isto me deixou muito mal. Neste mesmo ano recebi uma proposta para coordenar uma escola de informática em Fortaleza-CE, onde sempre quis morar, aceitei a proposta, lá eu quis recomeçar, mas nunca encontrei pessoas com o mesmo objetivo.
Acreditei que lá tivesse a oportunidade de reformular a RAVENLAND, mas a maioria da cena nordestina é composta por fãs de metal extremo, tanto que me envolvi em outro projeto lá em Fortaleza de uma excelente banda local chamada PANTÁCULO MÍSTICO de Pagan/Doom/Metal.

NHZ: E um fator determinante foi a entrada da vocalista e violinista Camilla Raven. Como você a conheceu e em que momento você viu que ela poderia integrar a banda?
Dewindson Wolfheart: Então, em 2004, uma aluna minha chamada Sara, me chamou para tocar baixo numa banda que ela cantava, a Thiphareth, ela me apresentou a líder e violinista da banda, Camilla, eu me encantei com o talento dela, daí, nossa parceria foi selada, logo integramos juntos também o Pantáculo Místico), mas após 6 meses juntos nestes projetos, o Andralls me chamou para cumprir umas datas com a banda devido a saída do Alex (ex-vocal do Andralls). Eu realmente não tinha mais a intenção de reativar a Ravenland até então, mas de iniciar uma nova banda com a mesma proposta.
A Camilla me apoiou muito e me incentivou bastante para que nós reativássemos a RAVENLAND. Como percebi nela a mesma empolgação e dedicação que eu possuía, nos tornamos parceiros musicais com o mesmo objetivo e por isso que a RAVENLAND tem crescido bastante, pois respiramos juntos o dia inteiro o mesmo ideal.

NHZ: Como uma forma de pré-divulgação do debut vocês fizeram um vídeo para End of Light. Como foi a escolha do local, figurino e o que acharam do resultado final?
Dewindson Wolfheart: Desde a primeira vez que vi aquele castelo em ruínas abandonado, pensei “Que lugar perfeito para gravar um clipe da RAVENLAND!” Mas quando assisti em um programa de TV sobre crimes não solucionados, e contava que além da família assassinada no local e todo o mistério que envolvia o crime, ainda por cima o castelo era visto como mal assombrado! Bem, não existiria lugar melhor, mais original e verdadeiro para gravarmos o nosso primeiro vídeo clipe. O figurino é o mesmo que usamos em nossos shows, temos o apoio da marca LADY SNAKE, a maior grife neste estilo Rock/Metal/Gótico, as roupas tem muito a nossa cara, transmitem a atitude que o nosso som possui, gostaríamos aqui até agradecer pelo apoio que eles têm dado não só a RAVENLAND, mas a toda a cena rock/metal nacional.
Ficamos muito satisfeitos sim com o resultado do vídeo clipe, o produtor Luiz Amorim fez um excelente trabalho diante do baixo orçamento que possuíamos. E imaginar que este vídeo clipe foi o primeiro de uma banda de Gothic Metal brasileira a entrar para a programação da MTV e é exibido até hoje. Sem falar em outros programas de metal que sempre o exibem também como o Stay Heavy, Metalsplash...

NHZ: O vídeo contou com a participação da atriz, apresentadora e vocalista da banda Insane Kreation, Elaine Thrash. Como surgiu o contato para a sua participação?
Dewindson Wolfheart: Conhecemos a Elaine quando a RAVENLAND foi convidada a dar uma entrevista no programa que ela apresentava, o METALSPLASH na All TV, então, ela se tornou fã, amiga e sempre nos apoiou, ela é uma excelente atriz e dançarina também, já participou de mais de duzentas peças teatrais, então, quando surgiu a idéia do clipe, ela seria a atriz ideal para representar a personagem.
Em shows onde podemos montar toda a nossa estrutura de palco, ela participa em duas músicas, encenando a personagem da capa do CD, não posso contar mais detalhes porque os fãs devem ir ao nosso show para comprovar tudo ao vivo e que faz parte de toda a magia que tentamos passar ao vivo.

NHZ: E ainda falando em vídeos, vocês pretendem fazer um para a faixa Soulmoon, como anda este projeto e se há uma previsão para o seu lançamento?
Camilla Raven: Pretendemos lançá-lo antes de mostrar algo do nosso novo álbum. Estamos ainda definindo alguns detalhes e em breve já começaremos a gravar.

NHZ: E os vídeos andam sendo algo corriqueiro para alguns músicos da banda, pois alguns deles apareceram em alguns capítulos da novela global Tempos Modernos, cujas externas ocorreram na Galeria do Rock. Como isto ajuda na promoção da banda?
Camilla Raven: A intenção é encaixar a RavenLand tocando em uma cena. Até agora não surgiu oportunidade, de acordo com a história. Mas eles gostaram muito da banda e comentaram que talvez role uma cena que será uma festa e poderá nos encaixar tocando. Isso seria ótimo, apesar de termos quebrado algumas barreiras, ainda é difícil divulgar a banda no Brasil e queremos ter a oportunidade de apresentar a banda para um publico maior. Então fizemos essa participação, que foi uma experiência legal, ver como tudo funciona. E a história também de defender a Galeria do Rock e estar presente para poder divulgar a banda por lá, foi bem legal.

NHZ: Agora vamos falar um pouquinho do álbum, que mostra que pode agradar fãs de várias vertentes do gothic, desde aqueles ligados no lado mais mainstream e de bandas como The Cure, The Mission e até algo mais pesado, como Paradise Lost e Theatre of Tragedy , além de um público fora deste nicho. Para vocês esta variedade de público acaba sendo mais um diferencial para a banda no meio de tantos lançamentos que surgem a toda hora?
Camilla Raven: Acredito que seja sim um diferencial. É ótimo saber que a RavenLand atraiu vários tipos de público. Isso significa que estamos conseguindo mostrar algo novo, algo nosso e quebrar barreiras. Tentamos misturar o Gothic pop 80’s com o peso do metal.
Dewindson Wolfheart: Eu sou bem eclético, venho da cena metal, sempre ouvi metal desde 1986 quanto tinha ainda nove anos, mas nesta época também o gothic rock e pop oitentista estava em alta e bombando nas rádios, então não teve como tudo isso não influenciar na minha formação musical, assim como refletir nas composições e direcionamento da RAVENLAND. Por isso nosso som agrada muito e conquista fãs diversificados.

NHZ: Além da música de qualidade, o álbum veio com participações especiais marcantes, como a do baterista Ricardo Confessori (Shaman/Angra) e do êx guitarrista do Theatre of Tragedy, Tommy Lindal. Como foi ter esses grandes nomes da música pesada no disco e quais palavras vocês podem definir suas performances no disco?
Camilla Raven: O Tommy é um grande amigo, poder ter o toque dele no nosso álbum foi simplesmente maravilhoso. Somos fãs de Theatre of Tragedy antigo e ele proporcionou um toque dessa época mágica do Gothic Metal em duas músicas nossas. Quando começamos a pré-produção do álbum com o Confessori, logo o nosso ex-batera teve que nos deixar por causa de problemas no joelho. Não é tão simples, somos uma família e queríamos procurar alguém com calma, alguém que tivesse os mesmos objetivos que os nossos para poder integrar a banda. Como o Confessori já estava conhecendo melhor as musicas, ofereceu-se para gravar a bateria, para que pudéssemos ter esse tempo. Ele é um excelente músico, apesar de já termos em mente o que queríamos na bateria, ele acrescentou muito ao trabalho. Enfim, é o cara que gravou o Holy Land, um dos clássicos do metal nacional, acho que essas palavras já bastam. (risos)

NHZ: E após o lançamento do disco vocês estão com um novo baterista e tecladista. Comente-nos como se deu a entrada de ambos na banda e o que podemos esperar de novidades no estilo da banda?
Dewindson Wolfheart: O Fernando Tropesso (baterista) foi e é a melhor opção como baterista da RAVENLAND, somos grandes amigos há cinco anos, tenho uma enorme admiração por ele tanto como amigo e também como músico. Já havia o convidado antes, desde 2006 quando reativamos a RAVENLAND. Ele sempre foi a minha preferência como baterista, mas ele nunca teve como aceitar porque não teria o tempo e a dedicação que a RAVENLAND precisava, então em 2008 após a saída do Ariel (antigo baterista) e após a gravação do CD, o convidei novamente e ele me disse que desta vez aceitaria por poder se dedicar 100% a banda.
Quanto ao Fermann (tecladista), já estávamos convencidos a usar samplers ao vivo, quando a Camilla insistiu novamente em buscar um músico e encontrou o Fermann na internet, logo então o convidou, e ele foi testado por nós, não só como músico, mas como pessoa e ele está conosco desde Maio de 2009, quando o CD já estava na fábrica.
Estamos vendo qual será a participação deles no novo disco, mas desde já gostaria de comentar que estamos tranqüilos, pois os dois são excelentes músicos e que possuem idéias fantásticas para nossas músicas.

NHZ: Vocês participaram do show do Moonspell no Brasil. Como pintou a oportunidade e qual foi a repercussão do público com os vocalistas da Ravenland?
Camilla Raven: Então, estávamos no camarim com eles, curtindo. Já tínhamos contato com eles pela net, mas era a primeira vez que nos encontrávamos com os Moonspell pessoalmente. E no camarim surgiu o convite e aceitamos honrados. Foi muito legal, pois estávamos entre amigos. Todos estavam muito a vontade, os Moonspell participaram do show do Tiamat e depois o Tiamat participou do show dos Moonspell, aquele foi um showzaço! Uma noite para recordar. Nas palavras de Fernando: “Uma noite eterna!”, com certeza. Com relação a repercussão, acho que foi ótima, foi uma surpresa para todos, ninguém esperava, nem nós mesmos esperávamos por isso. (risos)
Dewindson Wolfheart: Para mim que sou fã e amigo do Moonspell há alguns anos, foi uma satisfação muito grande cantar com eles ao vivo e aqui no Brasil. O Fernando Ribeiro é muito amigo nosso e trouxe alguns presentes para nós, assim como eu separei alguns LP’s para ele duma banda que sou muito fã também assim como ele, os dois primeiros discos do THE MIST.

NHZ: Antes de encerrar, qual o sentimento de hoje vocês terem um disco bem aceito, suporte de algumas empresas como a Lady Snake, participação em shows importantes, clipe veiculando em diversos lugares, vocês se sentem vencedores por terem passado por muitas dificuldades e manterem a banda viva até hoje?
Camilla Raven: Nos sentimos vencedores sim, mas temos um bom caminho ainda pela frente e muito o que conquistar ainda. Queremos muito mais e quebrar mais barreiras para a nossa música poder chegar a pessoas que ainda não tiveram oportunidade de conhecer a banda. Mas acho que demos um grande passo sim, pois sabemos das dificuldades de ser uma banda, levando em conta o estilo que fazemos no Brasil.
Dewindson Wolfheart: É fascinante ver o seu disco ser o preferido de alguém, sua música virar clipe, passar na TV e ouvir seus ídolos dizer que curtem o seu trabalho.

NHZ: Muito obrigado pela entrevista! Deixem um recado aos leitores do New Horizons Zine!
Camilla Raven: Nós é que agradecemos o espaço! Muito obrigada a todos! Quero vê-lo nos shows!


Fotos: Divulgação
Entrevista: The Rocker


EDITORIAL...

Em 2007, ou seja, há três anos, eu iniciava a primeira edição do New Horizons Zine, cheio de sonhos e expectativas, e curiosamente, no mesmo dia em que se comemora o Dia Mundial do Rock, e neste caminho ocorreram muitas coisas boas e ruins, mas o importante é poder estar dando continuidade a este projeto, que me ajudou muito (e continua ajudando) nos períodos difíceis que tive.
E hoje estou lançando esta nova edição, que como disse anteriormente, num primeiro momento não terá a sua versão impressa, mas há a intenção que tudo seja disponibilizado em formato PDF e enviado para quem estiver interessado, mas quando isso ocorrer, informo a todos!
Falando um pouquinho nesta edição, que terá seus conteúdos disponibilizados aos poucos, teremos de cara dois presentes a vocês leitores: entrevistas feitas com as bandas Ravenland e Deventter(em breve), cujos trabalhos figuraram entre os melhores de 2009 e continuam arrebatando tudo que encontram pela frente. As seções de álbuns e DVD’S continuarão ativas, assim como as News, My Honour (onde teremos um especial sobre o J-Rock), a On Target (que será uma seção de shows), e uma seção destinada a resenhas de livros lançados por personalidades do Rock, entre outras coisas mais, onde mais uma vez digo: tudo feito de quem ama este estilo que aniversaria hoje para todos que acreditam que o rock é mais do que guitarras distorcidas.
Obrigado a todos que acreditaram (e acreditam) no New Horizons e boa leitura a todos!

João Messias THE ROCKER – O Editor
Agradecimentos: Deus acima de tudo, meus pais (in memorian), minha esposa Kátia, meus irmãos Fernando e André, Eliton Tomasi (O Som do Darma), Airton Diniz (Rádio Shock Box), Rodrigo Montezzo (Rádio Shock Box), Khali (Scypher Magazine), Fernanda Duarte (Revista Rock Post), Fernando Mariano (Rede Ultra), Camilla Raven e Dewindson Wolfheart (Ravenland), Toninho (Programa Tudo Ao Vivo), Deventter, Império Social, Astafix, Elaine Thrash, ChimeraH, Andragonia, Ace 4 Trays e a todos que ajudam a manter a cena Underground viva!

Influências Sonoras desta edição:

Lacuna Coil – Visual Karma: Body, Mind and Soul (DVD)
Lacuna Coil – Shallow Life
Unsun – The End Of Life
Deventter – Lead On
Korzus – Discipline of Hate

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