5 de fevereiro de 2011

ELUVEITIE: TRIUNFO SUÍÇO NO BRASIL


Eluveitie
Foto: João Messias THE ROCKER

Eluveitie, Opus Tenebrae e Hawthorn
Local: Estúdio Emme
Data: 29/01/2011

Falando a verdade, conheci há pouco tempo som deste octeto suíço, que embalado pela grande aceitação de seus dois recentes trabalhos Evocation I (2009) e Everything Remains As It Never Was (2010) partiu para a sua primeira tour no Brasil e rendido pela magia do som dos caras, parti para conferir a única apresentação que fariam em São Paulo.
Após uma certa demora com a entrada, tive uma surpresa com o local da apresentação, pois não é uma casa de shows voltada ao metal, e sim destinada a apresentação de Stand Up Comedy, e que tem como decoração vários sofás espalhados nos quatro cantos, dando um ar bem cool!

Opus Tenebrae
Foto: João Messias THE ROCKER
Já com um ótimo público, tivemos a primeira banda de abertura, o quinteto santista de Celtic Black Metal Opus Tenebrae, que abriu de forma brilhante o evento com sua música extrema, ríspida e altamente climática, que tem como destaque o vocalista Opus, que mescla com extrema facilidade guturais e limpos, que não deve nada a cantores como Vortex (ex-Dimmu Borgir) e Vintersorg (Borknagar) além do instrumental muito bem coeso.
Uma pena a apresentação ter sido tão curta, mas após o final do show pensei comigo: "O que é isso" de tão bom que é o som da banda!

Hawthorn
Foto: João Messias THE ROCKER
Após mais um tempo de som mecânico (que chegou a irritar), entrou em cena o quinteto curtibano crstão Hawthorn, que promovia seu CD Thorns And Blood (2010), atacou numa linha mais voltada aos primórdios do Black Metal Escandinavo, com riffs gélidos, climas de teclados e com dois vocalistas, Amanda (também vocais líricos) e Guilherme (também baterista), e que me fez lembrar dos tempos que prestigiava shows na Zadoque (Comunidade cristã que tinha como público Headbangers, Punks, Góticos, cujo pastor era o vocalista/baixista do Antidemon, Batista, hoje chamada Crash Church)!
Assim como o Opus, mais um ótimo show, aliás vale destacar que apesar de terem estilos diferentes da banda principal, são excelentes, cada qual em sua vertente, e que merecem ser prestigiadas em shows individuais, não apenas como "Open Acts" de bandas internacionais.
Chigel Glanzmann - Eluveitie
Foto: João Messias THE ROCKER
Na hora do show do Eluveitie a casa simplesmente encheu, e praticamente não havia espaço para locomoções e tive que me desdobrar para tirar fotos, mas assim que começaram os primeiros acordes, com a intro Otherworld, o transe tomou conta, pois acabei me rendendo (e todos os presentes) a música dos caras, que apesar de serem uma banda que mescla diversos estilos e sonoridades, soam mais extremos ao vivo e os instrumentos étnicos como Gaita de Fole, flautas e Hurdy Gurdy (Viola de Roda) soam homogêneos com a massa sonora da banda, como pode ser visto nas primeiras músicas Nil e Bloodstained. O vocalista Chrigel Glanzmann além de ser muito bom ao vivo sabe interagir muito bem com a platéia e que após uma breve apresentação mandou nos brindou com mais sons de seu repertório, que teve seu auge com a quadra Thousanfold, Inis Mona, Slanias Song e Onmos (a melhor música da banda).
As vocalistas Meri Tadic (também violino) e Anna Murphy (também Hurdy Gurdy) possuem uma interessante postura de palco, pois nas músicas mais folk dançavam como camponesas e nas partes mais agressivas pareciam o capeta, mas sem perder o charme e tocando seus instrumentos com perfeição!
A partir de Kingdom Come Undone, Chrigel pediu para todos fazerem uma roda para o mosh pit e prontamente foi atendido, onde o local literalmente pegou fogo, e essa atmosfera também em (Do) Minion, AnDro e Primordial Breath. E na última música, Tegernako aconteceu algo mágico, pois duas imensas rodas foram abertas, onde todos os presentes se renderam ao clima Folk, encerrando esta ótima apresentação, que apesar de estarmos em Janeiro, já figura entre os melhores shows deste ano!
Foi muito bom deparar com a casa cheia e gente vindo de diversos cantos de São Paulo, como o ABC paulista, e até cidades do interior como Jacareí, Campinas, Americana e Ribeirão Preto. Que os próximos shows mantenham esta escrita para que cada vez mais sejamos brindados com espetáculos deste porte.
Resenha: João Messias THE ROCKER