30 de julho de 2011

QUARTAS INSTRUMENTAIS: "SE TODAS AS AULAS FOSSEM ASSIM..."

Por João Messias THE ROCKER

"Se toda aula fosse assim, não haveriam tantas desistências e péssimos profissionais no mercado"

Essa é a melhor definição da noite de aniversário do Rock, que foi comemorada em grande estilo.
Chegamos ao local, onde já se apresentaram bandas conhecidas da região como Montanha e Combate Vertical, me deparei com uma agradável surpresa: o local estava com poltronas, onde assim era possível assistir ao espetáculo com maior conforto e uma lanchonete ao lado.
E antes de iniciarmos a matéria em si, são necessárias algumas palavras a respeito de Rolando Castello Junior, que com 33 anos de estrada, um dos melhores do país na técnica de dois bumbos, já figurou por bandas cultuadas como Made In Brazil e Aeroblus e leva há decadas a Patrulha do Espaço, que sempre primou em seus lançamentos e performances ao vivo o Rock And Roll na sua verdadeira essência, sem modismos e modernices.
Diferente de um show, a noite de hoje foi dedicada a contar a história da bateria, mas ao contrário do que poderia se esperar, não foi uma aula com aquele monte de slides, data show e explicações tecnicas, científicas que imediatamente leva ao sono e o desinteresse. A aula aqui foi como o Rock And Roll pede: uma explicação direta, citando os grandes músicos e com um auxilio visual simples e funcional: banners com as fotos dos monstros do instrumento: dos anos 50/60/70, falando de monstros como todos conhecem como Ian Paice, John Bonham, Ginger Baker até desconhecidos do público, mas fundamentais para a história da bateria como Gene Kruppa, Earl Palmer (baterista que gravou todos os rocks dos anos 50), até os heróis brazucas como Dinho Leite (Mutantes)e Gustavo Schroeter (A Bolha, A Cor Do Som).
As explicações eram bem didáticas e de fácil compreensão (digo isso porque não sou músico), onde é interessante saber o que hoje é feito por um baterista, nos primordios do instrumento, eram executados por três, sendo uma pessoa no prato, outra no surdo e outra no surdo, e que após o formato definido, não houve uma evolução e sim um aperfeiçoamento do instrumento, que contradizendo o que muitos pensam, tem como as chinesas como uma das melhores.
Mas voltando a aula, outro ponto interessante foi que não ficou restrito as técnicas do instrumento, e acompanhado de seus companheiros de Patrulha, o guitarrista Danilo Zanite e o baixista Paulo Carvalho, a parte histórica era mesclada com músicas ao vivo, onde foram executados trechos de clássicos do The Who, Beatles, Stones, Purple, além de sons do Aeroblus (diga se passagem era muito pesado, técnico e elaborado para a sua época) e da própria Patrulha.
Uma pena que essa aula durou cerca de uma hora, e que não teve o público que merecia ter, pois apesar de ter acontecido no meio da semana e de ter jogo da Seleção, foi uma oportunidade única, que como eu disse nas primeiras linhas: "Se toda aula fosse assim, não haveriam tantas desistências e péssimos profissionais", além de agradecer ao Alan e a Prefeitura de Santo André por estarem incentivando a Cultura Musical em nossa cidade, mostrando as pessoas que é possível oferecer entretenimento de qualidade e de forma gratuita.
Procure conhecer mais sobre o trabalho do baterista nos sites abaixo:

27 de julho de 2011

CARRO BOMBA E BARANGA " O ROCK AND ROLL PRECISA DE VOCÊS"

Por João Messias THE ROCKER

Depois de três anos sem ir ao CCSP, estávamos lá para conferir a apresentação desses dois grandes nomes da cena nacional, que andando na contramão, conseguiram grande destaque na cena por cantarem em português, e como consequência desta ousadia, são as bandas de material autorial que mais enchem as casas de shows de SP!

Carro Bomba
Foto: Kátia Bucci
Fazendo parte do projeto Sintonia do Rock (que contou no domingo com as bandas Tomada e Cracker Blues), esta apresentação mostrou o que de melhor o Rock And Roll pode transmitir as pessoas: adrenalina e bem estar.

E a ida a este evento foi como se estivéssemos numa convenção rockálica, pois andando pela casa, você se deparava com pessoas importantes na cena, como Ricardo Batalha (Roadie Crew), Regis Tadeu (jurado do Programa Raul Gil), e o pessoal de bandas como Korzus, Reviolence, entre muitos outros "medalhões".

Como chegamos cedo, cerca de uma hora e meia antes do show, tive a impressão de que o público pisaria na bola (cheguei até a pensar que o Mick "Pé Frio" Jagger compareceria), mas assim que o Carro Bomba entrou mandando a música Bala Perdida, do seu mais recente trabalho, Carcaça, o público foi aparecendo como uma rajada de metralhadora e encheu a casa, mas não lotou!

Fabrizio Micheloni e Rogerio Fernandes
Carro Bomba
Foto: Kátia Bucci
Voltando ao Carro Bomba, a banda consegue manter a mesma pegada de estúdio, com o baixo estalado de Fabrizio Micheloni, Marcello Schevano emanando peso na sua Gibson SG, Heitor Schewchenko mostrando segurança nos bumbos e o vocalista Rogerio Fernandes mandou uma grande atuação, que ainda teve sons como Carcaça, Sangue de Barata, Combustivel (essa uma homenagem a Ronnie James Dio), Mondo Plastico, Overdrive Rock And Roll, essa do álbum Segundo Atentado, que está muito mais pesada e os grooves mais evidentes. Aliás, vale comentar que é interessante ver a evolução musical da banda, que começou como um Power Trio fazendo um som mais setentista e hoje como um quarteto, que apesar de manter a proposta inicial, flerta com o Thrash em diversos momentos.

O show encerrou com Punhos de Aço, do álbum numa grande apresentação que só não foi melhor pelo pouco tempo e devido ao som, os vocais terem ficado um pouco abaixo do instrumental, que persistiram no próximo show.

Xande e Deca - Baranga
Foto: Kátia Bucci
Depois de alguns ajustes e a troca de bateria e o convidativo pano de fundo, adentra ao palco Xande (guitarra/voz), Deca (guitarra), Soneca (Baixo e Coros) e Paulo Thomaz (Bateria e Coros), que juntos formam a Baranga, que proporcionou uma verdadeira celebração de Rock And Roll, cheia de peso e que com toda a certeza cairá nas graças de fãs de bandas como AC/DC, Rose Tattoo e Motorhead, com uma performance insana, principalmente o guitarrista Deca, que é uma figura a parte, danca, sola com a guita nas costas, joga a guitarra para o alto, toca junto com a galera, um verdadeiro Rock And Roller. Os caras são a trilha perfeita para a visita na Rua Augusta de caras como Paul Stanley (Kiss), Vince Neil (Motley Crue), Bret Michaels (Poison), Lemmy (Motorhead) e outros personagens da cena Hard/Rock/Glam!


Baranga
Foto: Kátia Bucci

A banda fez um set baseado em seus dois mais recentes trabalhos, mas sem se esquecer dos primeiros sons como Piratas do Tietê e Whiskey do Diabo, mas não dá para negar que os últimos álbuns são o que de melhor representa a Baranga hoje, como foi visto e ouvido em pérolas como O Céu É O Hell, Na Madrugada (que possui um vídeo muito legal), Garota Rocker, que foi dedicada a todas as garotas que estavam no show (muitas com a camiseta da Baranga aliás), Aplica Mais Uma Dose, que é a melhor música da banda, dona de uma melodia irresistível, perfeita para dançar (e quem disse que o Rock não foi feito para dançar) e pular!

A apresentação já rumava para o seu final, que foi com Vai Se Dar Mal, Filho Bastardo e o encerramento com Meu Mal, que teve um final bem Rock And Roll, com o baterista Paulão indo para a frente do palco (suas partes foram executadas pelo seu roadie) e a galera invadindo o palco. Apoteótico!

Uma noite perfeita e que somente uma frase pode encerrar esta resenha: " O Rock And Roll precisa (e muito) de vocês"!

25 de julho de 2011

DIAFANES: CORAGEM E OUSADIA

Por João Messias THE ROCKER
 

Diafanes
Foto: Katia Bucci

O Diáfanes é uma banda que possui 09 anos de vida, e possui dois álbuns, See Through e Obviously Clear, e lançou nesta semana lançou o EP Ennea , e possui um som que mescla diversas tendências musicais, que vai do Progressivo dos 70 ao Alternativo dos 90, World Music, além de flertes com a música Oriental e o Pop.
 
Taí algo que eu detesto escrever, mas se mostra necessário, que foi muito triste ver poucas pessoas nesta apresentação, ainda mais pela mesma ter sido gratuita e justamente na semana de aniversário do Rock!


E devido a ausência de público, o show em muitos momentos soou como um ensaio fechado, pois em muitos momentos o som ecoava muito, e pela ausência de "calor humano" muitos momentos parecia que estávamos em um espetáculo de música clássica, pois quem está acostumado a frequentar shows de rock, sabe que há muita interação entre banda e público, e não apenas palmas ao final das músicas.

Lorena Hollander e Ciro Visconti
Foto: Katia Bucci
E nesta apresentação além do EP, apresentou a nova formação, com o novo baterista , e duas backing vocals, iniciou a apresentação com um ritmo denso e hipnótico com muitas passagens não usuais no Rock/Metal, com riffs interessantes, importados dos anos 70, cortesia do guitarrista Ciro Visconti. O baixista Leandro de Cesar, merece uma citação, pois possui um estilo diferente dos baixistas de Rock, soando bem jazzistico em muitos momentos. A tônica da apresentação foram músicas pesadas, repletas de climas e diferentes sonoridades, baseadas em seus três trabalhos.


Durante a apresentação, o sexteto fugiu do padrão guitarra, baixo, bateria, pois em muitos momentos, a banda usou castanholas, Koto (instrumento tradicional do Japão), executados pela vocalista/guitarrista Lorena Hollander, Theremim (executado por Ciro Visconti). E apesar da sonoridade complexa, a banda faz tudo de forma muito bem feita, mostrando que ser um nome que pode ser visto com outros olhos, princiapalmente por aqueles que acham que não temos bandas criativas na nossa cena!


E o melhor ficou para o final, onde a banda mandou um som pesadíssimo, como guitarras a lá Tony Iommi, que teve a vocalista mostrando mais uma vez seus múltiplos talentos, ora tocando snujs, depois mostrando seus dotes de dançarina, dançando com véu e espada, que encerraram este, que foi um dos melhores shows que assisti neste ano!


Diafanes
Foto: Katia Bucci
Além de ousada musicalmente, mostrou que está a frente de muitos, pois após a apresentação, além de CD'S e camisetas, estavam disponibilizando gratuitamente o novo EP para quem havia trazido pen drives e mídias, além de todos serem muito solícitos, tirando fotos e conversando com o pessoal!


Como disse há algumas linhas lá em cima, foi muito triste assistir a mais um grande show com pouco público...e depois as pessoas reclamam que não temos eventos destinados a música e cultura na cidade. Mas de qualquer forma, preciso ir a futuros concertos da banda.
www.diafanes.com.br

7 de julho de 2011

MAIS ENTREVISTAS ESPECIAIS...

Dando continuidade ao mês comemorativo, seguem mais duas entrevistas!
Com vocês: Fernanda Duarte (Rock Post) e Edu Lawless (Rock Express):


Fernanda Duarte
Foto: Divulgação
Fernanda Duarte  - Editora Revista Rock Post

"Na verdade a revista foi idealizada quando sentimos que bandas underground têm um espaço mais restrito na mídia. E também foi uma forma de reviver as revistas que existiam antigamente e que traziam biografias simples e bacanas, com fotos e tudo mais. Isso é o que chama atenção do nosso público."

New Horizons Zine: Como você conheceu o Rock/Metal e quando percebeu que o som não era apenas uma distração e sim algo que te acompanharia dia a dia?
Fernanda Duarte: Bem, eu conheci muitas bandas de rock e metal ainda quando criança, minha irmã sempre gostou e eu acabava ouvindo por tabela. Sempre curti muito U2, Guns, Skid Row, Bon Jovi, Metallica entre outras. Mas foi na adolescência que conheci Helloween e comecei a ouvir mais bandas de metal. Quando entrei na banda Status eu tinha 18 anos, ai foi quando o metal deixou de ser apenas gosto e se tornou parte de minha vida.

NHZ: Quando e por que surgiu a vontade de criar um veículo para divulgar o estilo?
Fernanda: A Rock Post foi idealizada pelo Douglas e, juntamente com ele, eu abracei a ideia. No inicio nem seria uma revista para download, apenas mandaríamos por e-mail, mas logo de cara vimos que deixar a revista à disposição de todos no site seria a forma mais viável de distribuí-la gratuitamente. Na verdade a revista foi idealizada quando sentimos que bandas underground têm um espaço mais restrito na mídia. E também foi uma forma de reviver as revistas que existiam antigamente e que traziam biografias simples e bacanas, com fotos e tudo mais. Isso é o que chama atenção do nosso público. Infelizmente entendemos depois de um tempo que a galera gosta de reviver épocas de grandes bandas e com isso colocamos as novas juntas, na mesma edição, para que haja esta ligação do antigo com o novo.

NHZ: Para encerrar, cite cinco álbuns do estilo que mudaram sua vida!
Fernanda:

Helloween – Keeper of the Seven Keys Part 1

Helloween - Keeper of the Seven Keys Part 2

Metallica – Black Album

The Cranberries – No Need to Argue

Por último eu colocaria clássicos indispensáveis para se ouvir sempre, como uma seleção de Iron Maiden, Kiss, The Cult, Mr. Big, até Alanis Morissette (uma mistureba mesmo...risos)!

Edu Lawlwess
Foto: Divulgação
Edu Lawless - Editor dos Blogs:
Tudo Sobre Qualquer Coisa: http://tsqc.wordpress.com/
"Aprendi inglês sem nunca ter ido a uma escola de idiomas, apenas traduzindo musicas. Praticamente meus professores eram Paul Stanley, Gene Simmons, David Coverdale, Blackie Lawless, Dave Lee Roth."

New Horizons Zine: Como você conheceu o Rock/Metal e quando percebeu que o som não era apenas uma distração e sim algo que te acompanharia dia a dia?
Edu Lawless: Em 1983, quando eu estava completando 11 anos de idade o KISS veio ao Brasil pela primeira vez. Naquela época para mim o mundo era silencioso, eu nem sabia ou tinha noção que existia música até que uma revista dos mascarados do KISS me chamou a atenção numa banca de jornal. No meu aniversário daquele ano ganhei meus 4 primeiros discos do KISS e nunca mais parei de gostar de Rock. Aprendi inglês sem nunca ter ido a uma escola de inglês, apenas traduzindo musicas. Praticamente meus professores eram Paul Stanley, Gene Simmons, David Coverdale, Blackie Lawless, Dave Lee Roth...
Tem um texto muito legal que escrevi sobre essa época de 1983 sobre o Rock como um documento histórico de nossa sociedade tupiniquim (http://tsqc.wordpress.com/2009/06/24/o-rock-como-documento-historico/)



NHZ: Quando e por que surgiu a vontade de criar um veículo para divulgar o estilo?
Edu: Acho que o principal estilo que está no meu sangue é o Hard Rock dos anos 80. Mas por um tempo essas bandas foram simplesmente sumindo. Poucos novos trabalhos, poucas novidades. Com o surgimento do MySpace (quando o MySpace era muito mais legal e interativo) eu comecei a caçar e achar muitas bandas legais que eram trabalhos paralelos de alguns dissidentes das antigas bandas de hard (como o Freekshow e Naked Beggars de integrantes do Cinderella, por exemplo) e essas bandas acabavam linkadas com outras boas bandas. Então a idéia foi começar a mostrar essas bandas para o Brasil. Outro gênero que gosto muito de divulgar são bandas de Rock Feminina, pois curto muito do estilo.

NHZ: Para encerrar, cite cinco álbuns do estilo que mudaram sua vida!
Edu: Poderia usar o jargão da Dove “Depois que eu conheci o ROCK minha vida nunca mais foi a mesma”! Difícil pensar cinco álbuns... acho que esse ranking esta sempre em mutação a cada momento diferente da vida, mas vamos lá:

1) Alive II – KISS: Para mim o KISS – a banda preferida – tem dezenas de álbuns que fazem parte da minha vida, mas o ALIVE II foi um dos primeiros que meu primo me emprestou e que não saia da vitrola, a música e o som da galera de fundo gritando e cantando sinceramente tem a mistura perfeita de um álbum ao vivo... sempre ficava me imaginando no meio daquela galera.

2) The Crimson Idol – WASP: Conceitualmente o álbum mais fantástico que já ouvi. As letras mexem comigo e o álbum é um Metal Progressivo que te leva numa espécie de montanha russa. “The Great Misconception of Me” me arrepia sempre e nunca consigo ouvi-la apenas uma vez só.

3)  Vixen – Vixen: Quando vi o clip dessas minas no extinto Clip Trip alucinei de tão gatas que elas eram. E eles sorteavam todo dia o Disco delas e eu ficava ligando direto para tentar ganhar. Nem preciso dizer que nunca ganhei, mas fui comprar na loja e depois que ouvi achei fantástico e desde então me apaixonei pelo bandas de garotas no Rock.

4) Long Cold Winter – Cinderella: Essa é uma banda que gosto muito e esse álbum especificamente é ótimo do começo ao fim. ‘Don’t know what you got’ está no meu top 5 sempre.

5) Slippery When WetBon Jovi: Hoje para mim BJ já era. Acho que praticamente morreu depois do ‘These Days’. Mas o começo da banda foi fenomenal. Os 4 primeiros álbuns são animais. Nessa época BJ foi uma fase muito forte da minha vida, por isso esse álbum!


1 de julho de 2011

ENTREVISTAS COMEMORATIVAS

Dando início as matérias especiais, fiz algumas pequenas entrevistas, com pessoas que fazem muito pela cena através de seus trabalhos com Assessoria, Site, Revista, enfim, amigos que colaboram produzindo conteúdo.
E para começar os primeiros entrevistados são Costábile Jr (The Ultimate Press) e Khali (Scypher Magazine):

Costábile Salzano Jr – Assessor de Imprensa - The Ultimate Press e The Ultimate Music
http://www.theultimatemusic.com/


"Muitas oportunidades interessantes estão aparecendo e os leques estão se abrindo rapidamente. Honestamente, não pensei que meu horizonte iria se expandir tão rápido, mas isso é sinal de que o trabalho este sendo feito corretamente."

New Horizons Zine: Como você conheceu o Rock/Metal e quando percebeu que o som não era apenas uma distração e sim algo que te acompanharia dia a dia?
Costábile: Minha história dentro Heavy Metal começou de uma forma bastante curiosa. Desde criança, eu sempre gostei de músicas mais pesadas, agitadas até que um dia eu escutei uma música do Metallica na rádio, mais precisamente Dyers Eve, e aquilo me fascinou. Na mesma época, conheci o Sepultura por causa de uma matéria, que se não me engano foi exibida na Rede Globo. Mas, depois de um tempo e não me lembro o motivo, o Metal saiu um pouco de cena na minha vida. Porém, depois que sai da escola particular e me transferi para uma pública, conheci um amigo que era super fã de Metallica e ele definitivamente me colocou nos eixos. A partir de então, não sai mais.

Já em relação ao jornalismo especializado, tudo começou quando eu ingressei na universidade. Desde criança, eu queria ser jornalista esportivo, tenho paixão por futebol, mas eu estava tão ligado ao Heavy Metal, que acabei me aventurando por esta área e não sai mais. Comecei a escrever para alguns sites, mas a minha primeira matéria publicada foi na Rock Brigade, há 10 anos atrás, justamente com uma reportagem especial falando sobre o cenário da Baixada Santista.

Depois de um tempo, comecei a trabalhar como produtor do Ação & Reação, programa de variedades com audiência absurdamente alta da emissora Santa Cecília, e comecei a me relacionar com assessores de imprensa de prefeituras, políticos, artistas famosos, etc. Até que um dia me deu um estalo e eu quis desenvolver este trabalho em prol das bandas de Heavy Metal. E eu teria que começar por alguma que fosse de Santos. Comecei a pesquisar, conversar com amigos, até que eu descobri a Shadowside. Naquela época, a banda estava dando os seus primeiros passos e eu resolvi apostar. Enviei um e-mail apresentando a minha proposta, eles me responderam querendo marcar uma reunião, conversamos e desde então, faço parte da "Família Shadowside". São quase 10 anos trabalhando na divulgação deles. Felizmente, esta minha função tem ajudado muito no crescimento do grupo em todos os patamares e aberto portas para que eu possa cuidar da divulgação de novas bandas e diversos shows internacionais.

NHZ: Quando e por que surgiu a vontade de criar um veículo para divulgar o estilo?
Costábile: Confesso que pensei que seria assessor de imprensa exclusivo da Shadowside pro resto da vida (risos). Eu amo o trabalho que faço com eles, por isso pensava desta maneira. Porém, após todos esses anos divulgando as atividades da Shadowside e acompanhando a banda na estrada, acredito que a minha determinação acabou despertando o interesse de outras bandas e produtores de show.
Por isso, criei a The Ultimate Press, para fazer o mesmo trabalho que faço com a Shadowside, mas com outro nome. Em menos de um ano, a assessoria cresceu e agora é a The Ultimate Music - Assessoria de Imprensa, Management & Consultancy.

Hoje, tenho ao meu lado a Dani Nolden, vocalista da Shadowside. Ela tem uma visão de mercado excepcional, conhece todos atalhos e tem experiência suficiente para prestar consultoria para bandas novas ou que já tenham uma bela bagagem nas costas. Na verdade, o trabalho de um completa o do outro.

Muitas oportunidades interessantes estão aparecendo e os leques estão se abrindo rapidamente. Honestamente, não pensei que meu horizonte iria se expandir tão rápido, mas isso é sinal de que o trabalho este sendo feito corretamente.

NHZ: Para encerrar, cite cinco álbuns do estilo que mudaram sua vida!
Costábile: Só cinco? É muita injustiça (risos). Foram vários os discos que tiveram influencia na minha vida.
Metallica - Metallica (Black Album) [Na verdade, são todos os discos inclusive Load, Reload e umas quatro músicas do St.Anger]
Slayer - Reign in Blood
Katatonia - The Great Cold Distance
Paradise Lost - Draconian Times
Moonspell - Wolfheart
Megadeth - Countdown to Extinction
Testament - The Formation of Damnation
Sentenced - The Cold White Light
Amorphis - Tuonela
In Flames - The Jester Race
Cradle of Filth - Cruelty and the Beast
Dimmu Borgir - Enthrone Darkness Triumphant
Soilwork - Natural Born Chaos
Dark Tranquillity - Damage Done
Behemoth - Evangelion
Dream Theater - Awake
AC/DC - Back in Black
Sepultura - Roots
Theatre of Tragedy - Aegis
Dissection - Reinkaos
Gorgoroth - Incipit Satan


Khali – Editor Chefe Scypher Magazine:
http://www.scypher.com.br/


"A SCYPHER Magazine surgiu para disponibilizar ao público um “centro” de informações de qualidade, com matérias aprofundadas não apenas sobre música (embora esta seja o foco principal), mas também sobre cultura em geral e assuntos pertinentes à realidade dos brasileiros. "

New Horizons Zine: Como você conheceu o Rock/Metal e quando percebeu que o som não era apenas uma distração e sim algo que te acompanharia dia a dia?
Khali: Conheci o estilo quando ainda era adolescente – talvez pré-adolescente seja melhor colocado. Eu tinha 11 anos na época em que conheci Linkin Park, e a mudança já começou por aí: se antes a música não era parte dominante da minha vida, com o tempo ela passou a se tornar algo imprescindível no cotidiano. A partir daí fui conhecendo bandas novas, antigas, melhores, piores, e hoje eu diria que não há vida sem música! (risos)

New Horizons Zine: Quando e por que surgiu a vontade de criar um veículo para divulgar o estilo?
Khali: Digamos que no Brasil, o rock/metal, quando não atrai milhares de adolescentes histéricos (mais atraídos pela discutível beleza dos componentes do que pela qualidade da banda em si), é considerado um estilo “paralelo”. Eu mesmo cansei de ouvir pessoas falando que rock é “só barulho”, não transmite nada aos jovens, e um ou dois minutos depois essas mesmas pessoas estavam lá ouvindo suas músicas sertanejas falando das dores “de corno” e traições – ou mesmo seus funks enaltecendo a criminalidade.

Até aí tudo bem: cada um tem seu gosto e o direito de criticar ou ouvir o que quiser. O problema começa no momento em que a mídia “principal” no Brasil só dá ouvidos à grande massa – a “enorme” maioria das bandas de rock que podem ser consideradas de qualidade, e que estão no mainstream hoje, são aquelas que surgiram na época de ouro do estilo no Brasil. Ou seja: século passado, quando o rock era moda.

Existem muitos veículos hoje que abrem espaço para o rock “underground”. Alguns são bem-sucedidos, porque combinam público e qualidade. Outros têm público, mas não tem qualidade – outros têm qualidade, mas, por algum motivo, não atraem um grande público. A SCYPHER Magazine surgiu para disponibilizar ao público um “centro” de informações de qualidade, com matérias aprofundadas não apenas sobre música (embora esta seja o foco principal), mas também sobre cultura em geral e assuntos pertinentes à realidade dos brasileiros. Tudo isso em um formato diferente dos que já existem: mais chamativo, organizado, inovador, de forma a atrair a atenção não apenas de quem “já está no ramo”, mas também daqueles que acham que rock é “só barulho”. Queremos mudar este pensamento e acredito que este objetivo está sendo alcançado pouco a pouco, visto que a quantidade de acessos ao portal só aumenta a cada edição.

NHZ: Para encerrar, cite cinco álbuns do estilo que mudaram sua vida!
Khali:

1. Linkin Park – Hybrid Theory

Embora eu já tivesse ouvido outras bandas de rock anteriormente, Linkin Park foi a primeira que realmente fez a diferença para mim. Através dela, passei a dar mais atenção à música. E ficar mais atento aos grupos de rock. Infelizmente, a banda seguiu por um caminho que eu não gosto, e eu parei de acompanhá-los depois do Meteora.

2. Nightwish – Century Child

Foi o primeiro “estrondo” musical na minha vida, e tornou Nightwish a principal banda da minha juventude. Até hoje acompanho tanto o Nightwish quanto a Tarja – a separação dos dois foi uma tremenda infelicidade para nós, fãs, mas ambos seguem competentes no que fazem.

3. Evanescence – Fallen

Certamente um dos melhores lançamentos da primeira década. Conheci o álbum alguns meses antes de ele “estourar” mundialmente, e ele me apresentou a um estilo de rock mais “popular”. Antes de Evanescence eu evitava aquelas bandas adoradas por todo mundo, por receio de ficar no meio daquele gosto comum.
4. L’arc~en~ciel – Awake

Mesmo antes de começar a ouvir rock/metal, eu já ouvia música japonesa – iniciando pelos “anime songs”, passei a pesquisar e conhecer muitos artistas do outro lado do mundo. Mas este álbum foi marcante: através dele, conheci aquela que considero até hoje minha banda preferida. Foi a minha rendição definitiva à música japonesa e me abriu as portas para o J-Rock!
5. Shadowside – Dare to Dream

Depois de tantas bandas me abrindo as portas para tantas variações do rock, faltava uma banda brasileira para me fazer “olhar com outros olhos” para o cenário nacional.

Confesso que, apesar de fazer parte de um projeto que abre bastante espaço às bandas nacionais, nunca me considerei um fã da produção brasileira – seja mainstream ou underground. As únicas bandas que eu ouvia e gostava eram Titãs e Mindflow... Não pela qualidade das outras bandas em si ser inferior, mas a produção não me parecia tão “sólida”, não encaixava no meu gosto.

Aí caiu essa obra-prima do céu! Considero “Dare to Dream” a melhor obra brasileira que já ouvi, e ela não só me mostrou que o Brasil tem SIM capacidade de fazer frente aos grandes grupos internacionais, mas também colocou Shadowside entre minhas bandas preferidas.