1 de setembro de 2011

OLAM EIN SOF: ATEMPORALIDADE MUSICAL E SOMBRIA

Por João Messias THE ROCKER

Tendo em sua formação membros e êx membros de bandas extremas como Nervochaos e Arum, o Olam Ein Sof tem como proposta um som etereo e sombrio que consegue agregar num mesmo nicho fãs de música "normal" e fãs de Black/Death Metal. Nesta entrevista com Marcelo Miranda.
E o mesmo nos fala de shows, o significado do nome Olam Ein Sof e de outros projetos.
Confiram a entrevista!

Olam Ein Sof
Divulgação
New Horizons Zine: Marcelo você é conhecido por ter figurado em bandas como Nervochaos e ter o Arum. Como surgiu a idéia de montar uma banda, que embora sombria e com conceito lírico similar, tem um som mais atmosférico?
Marcelo Miranda: Em muitas músicas que compus para o Arum tinham partes acústicas. Um dia meu mestre na música Beto Vasconcelos me sugeriu desenvolver um trabalho somente com essas partes acústicas. Daí comecei a explorar isso tendo também como inspiração a música antiga (medieval, renascentista, barroco), músicas étnicas, folk, e outros estilos que estudava e ouvia, juntando tudo com a vivência que tinha no metal criei junto com a Fernanda o Olam Ein Sof. O conceito lírico é diferente do que sempre abordei no Arum e o som com certeza é muito mais atmosférico.

NHZ: E nome da banda, traduzindo para o português significa Mundo dos Infinitos, e representa muito bem esta sonoridade, pois há influências variadas no som de vocês. Como surgiu este nome para a banda?
Marcelo: Quando criamos o grupo pedi ao meu grande irmão Paullus Moura do Morcrof uma sugestão de nomes pois sempre fui péssimo para escolher nomes. Daí ele me enviou uma lista com vários interessantes e ao ler Olam Ein Sof, decidi é esse mesmo, pois teve tudo a ver com a nossa busca e proposta. O conceito por traz de Olam Ein Sof é muito profundo, porém na tradução simples que mencionou acima é tudo o que queremos para o grupo e como vemos a arte, sem limitações, barreiras e fronteiras.

NHZ: Assim como o som, o visual de vocês lembra um pouco os dos ciganos. Vocês já se apresentaram em festas do gênero e qual a aceitação da banda perante este público?
Marcelo: Especificamente nunca participamos de eventos ciganos, já estivemos em Sarau onde tinham grupos ciganos e os mesmos dançaram enquanto tocávamos, foi interessante. O figurino foi criado por uma amiga nossa que é especialista em figurinos de época, e ela quis remeter algo ao mundo antigo porém de forma artística mesmo. Já participamos de muitas festas e encontros medievais, onde fomos bem aceitos, até quando participamos de Animes e eventos do gênero.

NHZ: E o Olam Ein Sof fez 10 anos neste ano. Em sua opinião, como é continuar fazendo música num país que tem como regra gostar de tudo que está na mídia, independente de ter qualidade ou não.
Marcelo: Independente de tudo sempre continuarei a fazer música e estar envolvido nisso de alguma forma, é o meu prazer, meu trabalho, minha forma de conectar, enfim é parte da minha vida. Julgar a qualidade das coisas é sempre delicado e terão vários fatores para isso. O que penso em relação a mídia, especificamente as massificadoras é a falta de opções que dão para as pessoas que muitas vezes não tem acesso ou também não querem ter a outras informações. Isso é pensado também, uma forma de domínio de massas, algo que sempre ocorreu e sempre acontecerá, principalmente em um mundo que cada vez mais se volta para o materialismo, a aparência, o comodismo e a uma padronização de comportamento. A mim cabe continuar fazendo aquilo que acredito e que busco como forma de evolução.

NHZ: Ano passado vocês lançaram o álbum Ethereal Dimensions. Como está a sua divulgação até o momento?
Marcelo: A divulgação está boa, temos tido bastante show e fomos em alguns programas de internet também. O CD está sendo distribuído pelo site da Saraiva e também na Paranoid e Hellion na Galeria do Rock em SP. Algo interessante é que várias “tribos” gostam do trabalho do Olam Ein Sof, então acabamos tendo oportunidades de participar de eventos diversos e sempre temos onde nos apresentar e divulgar nosso trabalho.

Olam Ein Sof
Divulgação
NHZ: A banda consegue se apresentar em locais que normalmente uma banda de Black Metal não se apresentaria, como teatros e espaços culturais. Quais as diferenças de se apresentarem nesses espaços e por ser um público diferente, qual a aceitação do público ao Olam Ein Sof?
Marcelo: Bom, o Olam Ein Sof não é uma banda de Black Metal. A proposta do Olam é muito ampla e acaba atingindo como disse acima muitas pessoas diferentes incluindo pessoas que também ouvem Black Metal. Com certeza não vamos ser unanimidade onde nos apresentamos, mas a grande maioria das pessoas sempre aceitam muito bem nossa proposta e despertam interesse em conhecer mais sobre o nosso trabalho. Gostamos de nos apresentar em diversos tipos de espaços, cada um tem sua magia e proporciona uma experiência diferente para nós e para o público.

NHZ: E nestes anos podemos dizer que vocês tocaram em grandes locais, como na Virada Cultural em São Paulo. Qual a repercussão destas apresentações?
Marcelo: Participar desses tipos de eventos é muito bom para a banda, pois além do nosso público, acabamos tendo a oportunidade de mostrar o som para pessoas que nem imaginavam que pudessem ver o que estamos fazendo, então sempre a música consegue conquistar mais pessoas que muitas vezes acabam se tornando fãs também e acompanhando o nosso trabalho.

NHZ: Além dos shows em São Paulo, ano passado vocês se apresentaram na Colômbia, onde vocês tiveram uma ótima recepção, aparecendo em programas de rádio e internet. Como surgiu a oportunidade e se pensam em fazer uma nova tour que englobe outros países?
Marcelo: Essa tour foi um dos maiores momentos em nossa carreira como músicos e em nossas vidas pessoais também. Realmente a recepção foi muito boa, fizemos muitos amigos e conseguimos uma boa divulgação. A oportunidade surgiu com nosso grande amigo Pablo Villegas do grupo La Montana Gris. Em 2008 nos conhecemos quando eles vieram pela 3º vez ao Brasil, e nós fizemos apresentações juntos por São Paulo, ficaram em nossa casa e nos tornamos muito amigos. Daí ele conseguiu organizar tudo em julho de 2010 e pudemos ter a honra de conhecer um belo país e compartilhar com muitas pessoas nossa música. Pensamos sim em nova tour por outros países, inclusive pelo nosso também. Estamos sempre fazendo contatos, enviando projetos e aguardando propostas.

NHZ: Vocês também tem um outro projeto voltado a música irlandesa, o Hallstätt. Conte um pouco deste projeto!
Marcelo: Quando conhecemos o Pablo, em seu grupo eles tocavam muitos temas irlandeses, e gostamos bastante. Depois em outra vinda para cá tivemos oportunidade de aprender um pouco mais com ele. Daí em alguns lugares que tocávamos com o Olam, tipo pubs, tocávamos esses temas, mas uma hora sentimos que seria legal termos um projeto paralelo para executar essas músicas. Porque por mais que o Olam seja amplo, acaba tendo uma proposta mais introspectiva, etérea, e essas músicas geralmente são muito alegres e festivas. Então veio a idéia de criar esse grupo somente para estudar e interpretar essas músicas.

NHZ: Para encerrar, assim como eu, você é "das antigas" , e nestes anos, a cena musical passou por mudanças brutais. Fazendo uma comparação de todos estes anos, o que aconteceu de melhor e pior com a era da internet e dos downloads.
Marcelo: Tudo se transforma, estamos em constante mutação, podemos chamar de evolução ou qualquer outra palavra. Então comparar uma época com a outra sempre é complicado, porque se entrarmos numas de que há 10 anos atrás tudo era melhor, chegaremos a conclusão que o fim da nossa vida será muito ruim. Acho que o grande lance de tudo é buscar um equilíbrio e aprender a conviver com tudo o que vai aparecendo e não perder a essência e a sua busca, independente de avanços tecnológicos. Os verdadeiros valores sempre existirão. O que talvez nós “das antigas” acabamos sentindo é uma mudança muito rápida das coisas, Acho a internet interessante para divulgar seu trabalho, fazer contatos, conhecer pessoas e muitas coisas que seriam mais difíceis sem ela. O problema é quando as pessoas acabam transformando a internet na sua razão de viver, e por ela são escravizadas e acabam se tornando descartáveis assim como os seus próprios gostos. Como tudo na vida se você consegue usar a seu favor é uma excelente ferramenta agora se não consegue dominar com certeza será mais um robô e escravo das máquinas e de quem a criou.

NHZ: Muito obrigado pela entrevista! O espaço é de vocês!
Marcelo: Eu que agradeço o espaço e suas questões. Aos que se interessarem em conhecer um pouco mais do nosso mundo dos infinitos, entrem em nosso site , e lá terá links para todas redes onde estamos e informações sobre nossos shows e atividades.

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