21 de novembro de 2011

ZUMBIS DO ESPAÇO: HOMENS VIVOS QUE CONTAM HISTÓRIAS

Zumbis do Espaço
Foto Extraída do Facebook
Por João Messias THE ROCKER

Conhecidos por sua mescla inteligente de Punk Rock, Psychobilly, Country e Metal, que alia uma temática que fala de morte e sangue, mas com um fundo de verdade, tem em trabalhos como Aqui Começa O Inferno e Destructus Maximus seus pontos altos na carreira, pois os trabalhos possuem muita energia e podem ser ouvidos diversas vezes sem enjoar.

E nessa entrevista feita com o vocalista Tor, ele nos contou de coisas do passado, presente e futuro da banda como vocês podem acompanhar nas linhas abaixo!

NEW HORIZONS ZINE: Como é a primeira entrevista com a banda, vou começar perguntando do passado até chegarmos ao presente. Os Zumbis do Espaço tem uma sonoridade bem particular, uma mescla de Psychobilly, Punk Rock, Country e Metal. Quando vocês formaram os Zumbis, como foi desenvolver esta sonoridade?
Tor: Na verdade, foi natural, pois todos nós somos e éramos psicopatas de musica, gostávamos de vários tipos de musica e estilos, e fomos incorporando essas sonoridades as nossas influencias básicas que eram primeiramente bandas de Rock básico. Acho que chegamos ao nosso som no disco “Abominável Mundo Monstro” de 1999.

NHZ: E além da sonoridade, o que chama a atenção são as letras, que falam de sangue, morte, vampiros, baseada naqueles trash movies, mas sempre com um fundo de verdade. A intenção desde o início era ter essa mescla de sarcasmo e critica?
Tor: No começo, acho que queríamos só chocar e soar os mais insanos possíveis, mas o lance critico e do amadurecimento das letras veio com o tempo, acho que a partir do “Aberrações que somos” de 2002, passamos a compor melhor e nos expressar melhor aliando a insanidade com a realidade.

NHZ: O álbum Aqui Começa o Inferno mostrava uma nova faceta da banda, pois apesar da influência country sempre estar do lado da banda, vocês utilizaram instrumentos "reais" do estilo, como banjo, dobro, etc, que foram executados pelo convidado Joziel Wagner. Como surgiu esta idéia e se chegaram a pensar em efetivá-lo nos Zumbis.
Tor: O Joziel é amigo nosso há mais de 20 anos, é o melhor guitarrista que eu conheço, e sua presença sempre enriquece muito musicalmente, na época já tínhamos feito 3 albuns de estúdio e 2 ao vivo, vínhamos numa crescente com discos como Abominável, Aberrações, estávamos cada vez mais conhecidos e ao mesmo tempo ouvindo muita musica Country, eu queria fazer um álbum musicalmente superior aos outros e uma coisa que eu sentia muito desde a saída do Cromo era a falta de solos e arranjos nas musicas do Zumbis. Então eu convidei o Joziel pra ir para o estúdio com a gente, e acho que fizemos um grande disco, ele também tocou em todos meus discos solos e gravou varias guitarras no “Destructus Maximus”. Quanto a efetivar ele na banda sabíamos que era inviável, pois ele é muito ocupado e tem muitos compromissos como musico de estúdio e ao vivo em diversas bandas.

NHZ: Tor, e paralelamente aos Zumbis, você tem uma carreira solo mais voltada para o Country, como andam os trabalhos e como os fãs do Zumbis reagiram a eles?
Tor: Acabei de lançar meu terceiro disco solo, ele se chama “Quando se perde a Razão” e agora tenho uma banda muito boa pra me acompanhar, a partir de 2012 estaremos fazendo shows, quanto aos fans do Zumbis uns gostam e outros não, mas eu não me pauto por isso para fazer musica. Portanto não me influencia o que os outros pensam. Mas é lógico que eu fico satisfeito quando gostam e entendem esse trabalho.

NHZ: E apesar de lançarem álbuns com regularidade, o forte de vocês são as apresentações ao vivo, que já foram registradas em CD e DVD. O que representa para vocês estar em um palco?
Tor: O palco é aonde a mágica acontece, é o divisor de águas de uma banda, é a prova final, e onde poucos sobrevivem. Eu sei que em muitas noites fomos realmente matadores em cima do palco e acho que é por isso que estamos ai até hoje.

NHZ: Falando em apresentações, vocês fizeram há pouco tempo apresentações com a formação clássica. Como pintou essa oportunidade e qual a reação dos fãs ao ver este line up em ação?
Tor: Essas apresentações foram fantasticas. A maioria dos fãs do Zumbis, nunca puderam ver essa formação ao vivo, pois Cromo saiu da banda logo após a gravação do Abominavel, e não chegou a fazer a tour do album, e justamente foi esse álbum que nos levou a um publico muito maior, e o Cromo passou a ser uma especie de Lenda, pois ninguem nunca mais soube dele, ele se afastou da musica e só o reencontrei anos mais tarde quando eu chamei pra ele fazer alguns shows com a minha banda solo. Nessa época muitos fãs mais novos do Zumbis vinham com os discos da epoca pra ele autografar, e tambem não podemos esquecer que essa formação foi responsavel por albuns como a Invasão, Abominavel e os 3 EP's. Era o mínimo que a gente podia fazer em reconhecimento ao Cromo e aos nossos fãs.

NHZ: Vocês lançam seus trabalhos pela Thirteen Records. Como é a relação com o selo após tantos anos?
Tor: É ótima! Temos controle sobre nossa musica e todos nossos lançamentos, fazemos o que queremos e quando queremos. Não tem porque mudar.

NHZ: Vou citar fatos marcantes que aconteceram com a banda durante esses anos e queria sua opinião a eles:
• Morte de El Phantasma
• Shows com Marky Ramone
• Tributo ao Garotos Podres
• Apresentação na Virada Cultural em Santo André

Tor: A morte do El Phantasma foi muito triste, não só pela banda, mas por ele ser uma pessoa incrível, era novo e um excelente musico, tinha a vida toda pela frente e sofreu um acidente que ninguém teve culpa, mas afinal, são coisas que acontecem na vida.
Os shows com Marky foram legais, pois foi a primeira vez que viajamos em um esquema de turnê e tocando com um Ramone, o ver tocar toda noite realmente foi especial.
O Garotos Podres, das bandas desse estilo e época é a que eu mais gosto. Fizeram grandes musicas e são muito bons ao vivo. Fui convidado pelo Português, o baterista original do GP, para participar do tributo. Poderia ter escolhido qualquer musica deles, mas escolhi Verme porque a letra tem a ver com o Zumbis.
Adoramos tocar no SESC, a estrutura é sempre excelente e o publico que vai sempre é legal, é uma honra tocar em um evento como a Virada Cultural, e naquele dia tivemos a companhia do Zé do Caixão. Foi demais...

NHZ: Para encerrar, em 2010 os Zumbis fizeram 15 anos de estrada! O que podemos esperar dos Zumbis para o ano que vem?
Tor: Fizemos 15 anos em 2010, para 2012, esperamos lançar um novo disco de estúdio, já temos algumas musicas e queremos fazer algo realmente especial, fora isso é continuar tocando e encontrando os fans pelo País.

16 de novembro de 2011

ONSLAUGHT: O ENCONTRO DAS FORÇAS METALICAS NO ABC

Onslaught, Bywar, Blasthrash e Necromesis
Local: Central Rock Bar
Data: 02/11/2011

Por João Messias THE ROCKER

O Onslaught é um quinteto inglês que iniciou a sua carreira nos saudosos anos 80, e nesta década lançou três trabalhos: Power From Hell, The Force e In Search Of Sanity, este último inclusive contou com os vocais de Steve Grimmett (Grim Reaper). Mas após este trabalho a banda congelou as atividades, voltando no século 21,e no novo milênio lançaram três trabalhos dignos de nota: o CD ao vivo Live Damnation e os álbuns de estúdio Killing Peace e Sounds Of Violence, que mostram uma banda mais versátil, pesada e agressiva, que não teve medo de atualizar a sua música e limar os excessos do passado, fazendo desses novos registros seus melhores trabalhos!

E fezlizmente a tour dos ingleses não apenas passou pela capital e interior de São Paulo, como brindou os headbangers do ABC com uma das melhores apresentações ocorridas nesta ano, que ocorreu no Central Rock Bar, que numa iniciativa da produtora Seven Stars Management, que já trouxe bandas do exterior como God Dethroned, Elexorien, Besatt, Paul DiAnno, trouxe neste dia de finados o melhor do Thrash/Death Metal, que saciou a todos os fãs que estavam sedentos por música pesada de qualidade.

Necromesis
Foto: Katia Bucci
Chegando no local, as expectativas se concretizaram, pois apesar do pequeno atraso, ás 18 horas começou a apresentação da primeira banda da noite, o trio do ABC Necromesis, que foi uma grande surpresa, pois apesar de serem a única banda que não era Thrash , eles fazem um som que agrada em cheio os fãs deste estilo, pois eles praticam o que se chama de Technical Death Metal com muitas quebradas e virtuosismo, mas tudo em favor da música. Nesta apresentação eles tocaram sons de seus dois EP's, com destaque para os sons do novo trabalho, chamado Evolving To An Underworld, lançado há pouco tempo, que mostra uma múisica ainda mais técnica, porém com flertes com outros estilos, como o Heavy e o Progressivo, que se tiverem as merecidas oportunidades, vão dar o que falar!

Outro grande ponto a favor dos caras foi o cover, na verdade um medley instrumental com faixas do Rust In Peace (Megadeth), uma escolha bem pensada, e encerraram a apresentação com Demonic Source do primeiro EP, The Dark Works Of Art.

Blasthrash
Foto: Katia Bucci
A banda seguinte, o Blasthrash foi outra grata surpresa, pois eu não conhecia o som dos caras, e ao vivo eles impressionam, pois musicalmente eles vão num encontro do Crossover de bandas como SOD/MOD com o Thrash de bandas irreverentes como Sacred Reich e que apesar de terem uma postura bem descontraída, o som é muito bem executado, tendo inclusive direito a "paradinhas" e solos dobrados a lá Anthrax, ou seja, o negócio é bom mesmo!

E fizeram o público agitar muito (que desde a primeira apresentação já estava em bom número) com sons de seus dois trabalhos e uma versão muito bem vinda para Piranha do Exodus, que contou com muitas meninas bangeando neste som. Além da apresentação, outra coisa que chamava a atenção era o jeito que o vocalista Dario Viola ficava agitando, pois devida a sua postura insana, seus cabelos grudavam no teto do palco! Me veio na cabeça aqueles clipes antigos do MOD (banda de Billy Milano, êx-SOD), que combinou muito com a apresentação dos caras...hilário!

Bywar
Foto: Katia Bucci
Depois de alguns ajustes no som, o Bywar iniciou a sua apresentação, e como fazia mais de uma década que eu não assistia a uma apresentação da banda, percebi a grande evolução que os caras tiveram com o passar dos anos, pois embora o quarteto sempre tenha demonstrado qualidade, era muito preso as suas influências (principalmente do Thrash alemão) e hoje temos uma banda madura e competente musicalmente, com vocalizações corretas e um instrumental bem trabalhado, e com isso a banda não só manteve o pique da apresentação anterior, como colocou fogo no Central, com os moshes comendo soltos.

E esse pique foi mantido até o final com Thrashers Return, com a banda sendo ovacionada pelo público! Eu não posso mais ficar doze anos sem assistir a uma apresentação dos caras!

Onslaught
Foto: Katia Bucci
Já passavam das 21:30 quando o Onslaught começou a sua apresentação, onde podemos dizer que os caras mostraram o que é Thrash Metal, onde não é necessário um palco gigantesco, pirotecnia, apenas cinco caras com “sangue nos olhos”, que aliadas a muita técnica, coesão e agressividade fizeram uma das melhores apresentações internacionais ocorridas neste ano.

Repetindo o que eu disse lá atrás, este recesso só fez bem aos caras, pois comparado aos discos do passado, a banda deu um salto gigantesco, como pude presenciar ao ouvir como Killing Peace, Planting Seeds Of Hate, Born For War e Sounds Of Violence, que mostraram que esta formação é muito forte e intensa, e que o vocalista Sy Keeler é a voz da banda, seja nas vozes rasgadas, guturais e até em sua voz “normal”, que é digna dos melhores locutores de telejornais de horário nobre.

Onslaught
Foto: Katia Bucci
Só que haviam muitos bangers (como eu) que queriam ouvir os clássicos do passado e posso dizer que eles nos brindaram com as emocionantes Let There Be Death, Metal Forces (onde este escriba simplesmente deixou de escrever para ir bangear), Demoniac, Flame Of The Antichrist, Shellshock (única do In Search Of Sanity) e Power From Hell a última antes do bis, que teve de ser reiniciada graças a um banger mais empolgado que subiu no palco e acabou atrapalhando os músicos, mas como dizem por aí: “ Isso é Metal”

Antes de ir para o bis, duas coisas devem ser ditas: que as músicas antigas estão adaptadas a nova fase da banda, ou seja, mais diretas e sem aqueles flertes com o Metal Tradicional, o que não foi problema algum, tamanha a resposta do público, além de perceber como o álbum The Force (1986) é cultuado pelos Headbangers, por ter tido quatro sons executados pela banda.

Depois de Power From Hell, a banda começou o bis, onde destaco a versão para Bomber (Motorhead) que está presente no seu mais recente trabalho, um verdadeiro tributo a Lemmy e seus asseclas.

Onslaught
Foto: Katia Bucci
Depois de pouco mais de uma hora de show, era encerrada a apresentação dos ingleses, que com certeza deixarão saudades, e após a apresentação era possível tirar fotos com todos os integrantes da banda, e não só dos caras, pois o legal de celebrações como essa, você sempre encontra personalidades do Metal, como os caras de bandas como Woslom, Executer, Midnightmare, Korzus, Retturn, Seventh Seal, entre outras!

Mais uma vez tenho que agradecer a todos que puderam tornar isso possível: ao Tiago (Seven Stars Management) por trazer o Onslaught para Santo André, ao pessoal do Central por ceder o espaço, as bandas pelas ótimas apresentações, aos headbangers por terem comparecido e a você que acredita que o Heavy Metal é uma fonte rica de cultura e informação. Obrigado mesmo gente, pois apesar de quase 20 anos de cena e mais de 30 nas costas, eu ainda me emociono com essas coisas!