31 de julho de 2012

KAMALA: BUSCANDO O EQUILÍBRIO E A PERFEIÇÃO

Terceiro trabalho da banda tem como tema os sete pecados capitais mesclados ao Chakras e espiritualidade

Por João Messias THE ROCKER

Realmente é de espantar o que o quarteto de Thrash Metal Kamala conseguiu com seu terceiro álbum The Seven Deadly Chakras. Apesar de manter a conexão com seus dois primeiros trabalhos Kamala e Fractal, o quarteto formado na época por Raphael Olmos (Guitarra/Vocal), Andréas Dehn (Guitarra), André Rudge (Baixo) e Nicolas Andrade (Bateria) partiram para um projeto ousado: Um álbum conceitual.

E a banda simplesmente não apenas usou o consagrado tema, mas mesclou sua temática com os sete Chakras, o que deixou o trabalho mais forte e intenso, que tem como outro atrativo as fotos do encarte, que tem como modelo, a atriz de filmes adultos Bruna Vieira.

Nesta entrevista feita com Raphael, Andréas e Nicolas, o trio nos contou do surgimento das idéias para o novo trabalho, músicas, a escolha da atriz e muito mais!

Kamala: Raphael Olmos e Nicolas Andrade
Foto: Divulgação
NEW HORIZONS ZINE: O novo trabalho The Seven Deadly Chakras surpreende em muitos aspectos, os quais serão comentados durante a entrevista. Primeiramente, queria saber o porquê de terem usado como um dos conceitos do trabalho os sete pecados capitais?
Nicolas Andrade: Sempre tivemos a ideia de fazer algo conceitual, mas acredito que agora essa vontade tenha passado (risos)... Enfim, estávamos numa fase em que começamos a perceber as coisas que aconteciam com a gente e a nossa volta. Notamos que o número sete estava presente de várias formas.

Estávamos completando sete anos de banda, sete sempre foi meu número da sorte, nasci no sétimo dia do ano, todos na banda, na época, tinham nomes com sete letras, sete aqui, sete ali... começou a virar uma neurose... Começamos a pesquisar os significados do número sete, sobre sua ligação com o dívino e o profano e tudo foi tomando forma.
Os pecados caíram como uma luva para compor esse conceito, pois sempre tivemos a preocupação em trabalhar os problemas dos seres humanos, nada melhor do que tratar algo que faz parte de cada um. Querendo ou não você é um pecador, nasce de um pecado e o pecado se faz presente em todas as fases de sua vida... Para contrapor isso, buscamos de algo mais ligado à espiritualidade e aí entraram os sete Chakras. Tudo fez muito sentido.

NHZ: O novo álbum marca um amadurecimento de sua proposta musical, onde o som está mais pesado, moderno é técnico. Acredito que devido as músicas estarem mais trabalhadas, requer uma disciplina maior ao vivo. Como músicos, como o preparo para executar as novas canções?
Raphael Olmos: Não há segredo, o necessário para rolar tudo bem ao vivo são os ensaios. Eu, Nicolas e Andreas estamos há anos tocando juntos e recentemente, com a entrada do Diego (baixo), o nível da banda se elevou, pois ele é um músico muito dedicado e toca com muita pegada e segurança.

NHZ: Mais uma vez vocês trabalharam com o produtor e ex-baixista da banda, Ricardo Piccoli. O que os levaram a repetir a parceria e como é trabalhar com alguém que conhece a sonoridade que querem atingir?
Andréas Dehn: Desde a primeira vez que trabalhamos juntos, ficou claro que essa parceria iria longe. O Ricardo é o 5º membro da banda. Ele é um ótimo produtor, com um ouvido excelente e que compartilha da nossa visão.

É bom trabalhar com uma pessoa que entende o que os músicos buscam e que também consegue inovar sempre, desenvolvendo novos meios de produzir.

Capa do álbum The Seven Deadly Chakras
Foto Divulgação
NHZ: The Seven Deadly Chakras marca uma mudança no posto de baixista da banda. Quem é o novo músico e o que ele acrescentará no som da banda?
Raphael: Mais mudanças (risos)... Quem gravou o álbum, foi o baixista André Rudge, e pouco tempo antes do lançamento, resolvemos seguir caminhos diferentes. A cada trabalho lançado, a banda almeja novas metas e isso exige uma dedicação maior de cada um.



O André não estava focado como o resto de nós, então mesmo com todos os planos, optamos por buscar um novo membro para o Kamala. O Diego se encaixou perfeitamente e era exatamente o que procurávamos. Ele tocou por alguns anos nos Estados Unidos, tem uma boa experiência, um timbre muito forte, é muito seguro no palco e como disse, levou a banda para outro nível.

NHZ: No trabalho anterior, Fractal, vocês usaram as cores vermelho e preto, que combinavam com o conceito musical e visual, para este trabalho há um figurino para as apresentações ao vivo?
Raphael: Sim. Somos parceiros da Lady Snake há alguns anos, e tem sido excelente. Como a temática desse novo álbum é obscura, com nuances progressivas e mudanças climáticas, optamos por usar a cor preta, que traduz o lado profano, e o dourado que representa a riqueza espiritual, cores que também foram usadas no encarte.

Além das nossas roupas, a Lady Snake também cuida de vários itens do nosso merchandise, como camisas, moletons e calcinhas, esse último, uma ideia que surgiu por conta da faixa “Lust”.

NHZ: Ainda falando no aspecto musical, embora seja um trabalho sem inclinação para modismos, vocês não tiveram medo de utilizar elementos modernos no trabalho, como climas eletrônicos, vozes limpas, afinações mais baixas, além do uso de elementos étnicos. Como foi escolher esses elementos sem ferir a linha de som praticada pela banda?
Andreas: Parece que o mercado musical estagnou. Bandas novas estão se orientando em modelos antigos, seguindo os mesmos rumos de bandas de décadas passadas. Como artista, é importante estar aberto para todo tipo de música.

O Kamala sempre trabalhou com contrastes musicais, e sons eletrônicos, instrumentos e vozes étnicos são coisas que distinguem e somam na nossa sonoridade. Estamos sempre procurando evoluir e cada álbum marca o nosso crescimento.

NHZ: Músicas como Gluttony e Root apresentam contornos do Hard Rock. Quais bandas do estilo apreciam?
Nicolas: Culpa do Andreas... mas eu gosto disso! Eu sou fã de GN’R, do clássico ao atual, mas não acredito que isso tenha me influenciado.

Raphael: Não gostamos de repetir o mesmo álbum. Buscamos fazer músicas fortes, com muito groove e refrões marcantes. Acho que essa última característica,é muito presente no Hard Rock.

Andreas: Foi muito importante para nós, termos linhas de vocais e guitarras marcantes, que grudam na cabeça. Percebemos que no Fractal, as partes pesadas ficaram mais fortes e evidentes por conta das partes de melodias e étnicas.

NHZ: Interessante que o disco não é um disco apenas para “bater cabeça”, e sim para ser apreciado e entendido. Era essa a intenção de lançar um disco mais intenso?
Nicolas: Acho que sempre tivemos a intenção de entreter quem ouve nossa música, seja bangueando ou prestando atenção nas letras e composições. Eu gosto quando a música pode fazer parte da vida de alguém de alguma forma e é isso que espero com nosso trabalho.

NHZ: O disco é seu primeiro trabalho pela MS Metal Press. Como está a parceria e quais os planos para o futuro?
Raphael: O trabalho com a MS tem gerado bons frutos, como a boa visibilidade na mídia, a maior procura do público e claro, a organização. A parceria da MS Metal Records com a Voice Music, para a distribuição do álbum em todo país, nas lojas especializadas e nas megastores, tem sido muito importante também.

NHZ: Vocês já começaram os shows de divulgação do novo álbum pela sua região. Quais os planos para apresentações no Brasil e exterior?
Andreas: Tínhamos planejado uma tour na Europa para o final deste ano, mas devido ao acidente do Nicolas, foi cancelada. Incrível como ele se recuperou bem em três meses, sendo que o diagnóstico médico era de pelo menos seis meses afastado da bateria, e assim não foi possivel continuarmos com o plano.

Já tivemos contatos nos EUA e Europa, mas nada concreto ainda. Com o lançamento internacional do CD atual lá fora, inclusive com plays nas rádios de lá, estamos com muito mais respostas. O plano atual é aproveitar a temporada de festivais na Europa entre Junho e Agosto do próximo ano, mas nada certo ainda.
Estamos também recebendo mais respostas dos EUA, fortalecendo os contatos sérios para começarmos a planejar algo por lá.

Kamala: Andreas Dehn
Foto: Divulgação
NHZ: Outra parceria que fizeram foi com a produtora de filmes adultos, a X Plastic, como pintou o contato, a oportunidade para trabalharem juntos e para este tipo de entretenimento?
Nicolas: Tudo começou com um tweet deles recrutando bandas para participar de um DVD na época. Achei a proposta muito interessante. Desde então nós mantemos contato e espero que ainda possamos fazer alguns projetos juntos.

Nós acreditamos nos nossos parceiros, pois só fortalecemos os dois lados com isso tudo. É realmente muito importante para nós.

NHZ: E dessa parceria vocês conseguiram como modelo para a capa do álbum, a atriz Bruna Vieira. O que os motivaram na escolha dela e como foram as seções de fotos?
Raphael: Com a parceria da Xplastic, tivemos uma de nossas músicas como trilha de uma cena com a Bruna Vieira. Quando a temática do álbum começou a evoluir, pensamos que a melhor maneira para representar todo o conceito seria um corpo sofrendo com os pecados e os Chakras se desalinhando.
A Bruna tem uma imagem muito forte e achamos interessante a ideia de convidá-la. Começamos a conversar através do Twitter, apresentamos o projeto e ela gostou muito. Contamos com o fotógrafo Humberto de Castro, que já havia trabalhado conosco nas fotos da banda para materiais promocionais e encarte. Chegamos com algumas ideias, mas ao mesmo tempo o deixamos livre para acrescentar seu ponto de vista nas poses.

Novamente contamos com o trabalho do Luiz Moura (guitarrista da banda Thriven), que também foi responsável pelas artes dos nossos dois álbuns anteriores. O Luiz fez um trabalho incrível, ele é nosso Derek Riggs (risos).

NHZ: Para encerrar, agora com três álbuns “full”, pensam como próximo passo um DVD representando esse conceito usado em The Seven Deadly Chakras, com alguns músicos convidados executando os elementos étnicos, como as cítaras ?
Nicolas: Não temos planos para um DVD, mas temos algumas ideias para continuar a divulgação desse projeto. Algumas já estão em desenvolvimento e logo esperamos divulgar para todos.

NHZ: Obrigado pela entrevista! Deixem uma mensagem aos leitores dessa publicação!
Nicolas: Acreditem nos seus sonhos, transforme-os em um objetivo e materialize-os... É isso que estamos fazendo, é nisso que acreditamos e é para vocês que fazemos isso. Obrigado por todo apoio que vocês tem nos dado.

15 de julho de 2012

SEVEN7’H SEAL: PRONTO PARA ESTAR ENTRE OS GRANDES

Banda fez grande apresentação comemorando o Dia Mundial do Rock em Santo André

Texto e fotos: João Messias THE ROCKER

Leandro Caçoilo
O que é esse tal de Rock And Roll, que já é um senhor de mais de 50 anos e mesmo assim consegue arrastar multidões para compartilhar suas canções, seja num bar, em casa e como uma apresentação comemorativa, como foi na noite dessa quarta-feira. E a banda escolhida, foi uma “da casa”, o Seven7’h Seal, que com seus 17 anos de estrada apresentou a sua nova formação e um repertorio especial.

Com 40 minutos de atraso (o show estava marcado para às 20 horas) começou a rolar a intro, que abriu caminho para Pleasure Of Sin, Grave Of  Sadness, Seven7'h Seal e a nova Mechanical Souls, e essas músicas mostram a evolução do quinteto nesses quase 20 anos de estrada, pois se antes tinham um som com base no Metal Tradicional, hoje a banda abrange influências mais pesadas e contornos épicos e progressivos. Tudo indica que o terceiro trabalho da banda (que está sendo gravado) vai colocar a banda entre os grandes!

E boa parte dessa evolução está na voz de Leandro Caçoilo, que ficou conhecido pelos seus trabalhos no Eterna, Soulspell e HardAlliance, vem cantando numa linha mais agressiva e que continua sendo um dos melhores vocalistas do Brasil, com muita desenvoltura e segurança, como foi mostrado num medley do Black Sabbath, que deve ter deixado Dio Orgulhoso. Além de Leandro, outro membro que debutava na banda era o baixista Gustavo Marabiza (êx-Sacramento), que estava substituindo nesta apresentação Darcio Beer, que está no exterior. E o músico tirou de letra, agitando bastante, parecendo que estava com os caras há muito tempo.
Marabiza e Tiago Claro

Depois do momento Sabbath, vieram as próprias Imprint Memories, Beyond the Sun e King of Lies, que abriram o caminho para Painkiller (Judas Priest), onde segundo Caçoilo a banda não havia ensaiado, e os caras mandaram bem, tendo inclusive um banger que subiu ao palco para dividir as vozes.

Time to Go era o prenúncio que o show estava terminando, e para isso, encerraram em grande estilo: Highway To Hell do AC/DC, que trouxe mais alguns bangers para os backing vocals, que encerrou a curta apresentação (cerca de uma hora), com chave de ouro, que só não foi perfeita pelo som das guitarras ter oscilado um pouco e o público, que embora estivesse em bom número, merecia encher o recinto.

Parabéns a banda por estar vivendo seu melhor momento e por todos que estiveram prestigiando este evento!

11 de julho de 2012

WOSLOM: SEM SE ACOMODAR

Banda conta em entrevista sobre sua primeira tour européia e futuros projetos


Por João Messias THE ROCKER

A banda formada por Silvano Aguilera (V/G), Rafael Iak (G), Francisco Stanich Jr (B) e Fernando Oster (D) vem num grande crescimento após o lançamento do seu debut, Time To Rise (2010), pois os caras não ficaram parados esperando apenas os reviews de seu CD, e sim, outras formas de deixar seu som em evidência. Merecem ser citados um DVD com seus clipes e um projeto com tributos as bandas de metal como Red Front e Ancesttral.

Woslom
Foto: Ricardo Zuppa
E esse momento foi coroado com a primeira tour pela Europa, onde dividiram apresentações com grandes nomes do metal mundial, como o Entombed.

Aproveitamos e fizemos uma entrevista com o baterista Fernando Oster, que nos contou de como foram os shows no exterior, projetos e do sucessor de Time To Rise.

Confiram!

NEW HORIZONS ZINE: Vocês sempre estão com  novos projetos! Depois do CD Time to Rise, a banda lançou um DVD contendo seus clipes e making of. O que os motivaram a lançar esse trabalho e como está sua repercussão?
Fernando Oster: O DVD veio primeiramente como idéia de fazer uma promoção da banda com a mídia especializada, mas vimos que ele ficou sensacional quando assistimos aos clips na televisão grande, com alta definição. Realmente ali você percebe o quão legal eles são. Então passamos a comercializar o item como algo para colecionador, já que fizemos uma tiragem limitada.

NHZ: E depois lançaram um tributo as bandas nacionais contemporâneas, com gravações das bandas Ancesttral e Red Front. De onde surgiu a idéia e podemos esperar mais deste projeto?
Fernando: Tínhamos a idéia de tocar algumas músicas ao vivo de bandas a quais somos mais próximos. Aí as idéias foram surgindo, ao invés de tocarmos em algum show, queríamos filmar, daí veio uma outra idéia que seria de gravar ao vivo em estúdio. Acabou que fizemos 2 web clips das 2 músicas para homenagear estas duas bandas e ainda com um depoimento final.

E temos a intenção sim de continuar esse projeto, como eu mesmo disse anteriormente, fazer cover do Metallica ou do Iron Maiden é fácil e manjado, o legal é fazer cover das bandas que estão aqui do nosso lado e tem trabalhos espetaculares.

NHZ: Essa eu costumo perguntar nas minhas entrevistas: vocês contam com a Assessoria da Metal Media. Qual a importância desse tipo de serviço para uma banda em crescimento como o Woslom?
Fernando: Esse tipo de trabalho normalmente é feito pelo selo que lança a banda, funciona assim na Europa e nos EUA. Como somos uma banda independente, temos que optar por ter uma assessoria para promover nosso trabalho na mídia especializada, bem como ter outros parceiros para alavancar o trabalho.

Mas muita gente pensa que a assessoria vai fazer tudo pelas bandas, o que não é bem assim. A banda tem que trabalhar, e muito, mas muito mesmo, para que a assessoria apenas divulgue o seu trabalho. Então eu diria que esse serviço é importante, mas é apenas parte do conjunto todo.

Capa do CD Time To Rise
Imagem extraída da Internet
NHZ: Recentemente vocês voltaram de sua primeira tour pela Europa. Como foi esse giro e qual o saldo do giro e as lições aprendidas?
Fernando: Foi sensacional! Assim como a Metal Media, nós temos a Onfire Booking que trabalha como nosso manager para tour. Então essa é a primeira lição, fazer por conta própria uma primeira tour é muito arriscado e certamente pela falta de experiência, muitos detalhes serão esquecidos e chance de dar muita coisa errada é grande.

No nosso caso, não tivemos nenhum contra tempo, aprendemos demais como é a vida na estrada, o que não é nada fácil, mas é muito bom. Acho que nos encontramos como banda mesmo, depois dessa experiência.

Conviver por 40 dias juntos, trabalhando exclusivamente para a banda é algo que nunca tínhamos feito e isso nos deu uma bagagem enorme para prosseguir e também para escolher os caminhos a serem tomados daqui pra frente.

Então o que eu posso te afirmar é que o saldo foi 100% positivo.

NHZ: Muitas bandas vão fazer giros no exterior sem estrutura alguma e acabam passando por imprevistos e necessidades. Quais as preocupações com a organização que tiveram para que rolasse a tour pela Europa?
Fernando: Bem, como eu citei acima, primeiro foi ter um apoio de quem já fez isso antes. É fundamental. Nós viajamos em veículo confortável, levando o nosso backline e fomos bem preparados, pois já sabíamos o que encontrar.

Desenhamos uma rota e já sabíamos o quanto iriamos rodar, o quanto iriamos gastar, aonde iriamos tocar, cache, comida, local para dormir, tudo previamente pre acordado.

Não tivemos nenhum imprevisto, tudo correu muito bem. E essa é uma experiência única que eu recomendo a todas as bandas, que se planejem e que façam uma tour lá fora, mas que tenham consciência.

NHZ: Há alguma história engraçada que aconteceu na tour para nos contar?
Fernando: Cara, muita coisa engraçada acontece na tour a todo momento, as situações mais hilárias é quando alguém se excede nas bebidas e outras coisas (risos).

Mas aqui vou contar algo sobre os portugueses do Hunted Scriptum que viajaram conosco por 3 semanas. Só por serem portugueses e falarem com o sotaque deles é hilário por si só.

Estávamos na Dinamarca, em Copenhagen e eu e o Chico (o baixista Francisco) decidimos dar uma volta para conhecer a cidade. No meio do caminho encontramos o Nelson e o Malhão, que eram os 2 portugueses mais lesados de todos.

Acabou que nos perdemos na cidade e não conseguíamos voltar e os 2 portugueses insistindo em nos guiar o caminho, dizendo que sabiam o que estavam fazendo, que haviam sido escoteiros quando mais novos, etc... Saldo final, 3 horas perdidos, andando pra lá e pra cá em círculos e se não fosse eu perguntando pras pessoas na rua, estaríamos perdidos até agora.

Quando chegamos, pensei comigo mesmo, lógico que nos perdemos, deixamos o guia para 2 portugueses...

NHZ: Nesse giro, vocês tocaram com o Entombed. Qual a sensação de tocar com um dos ícones da música extrema mundial?
Fernando: Sim, não só com Entombed, mas em outros festivais com bandas de renome também!

Mas falando especificamente do Entombed, creio que essa foi uma experiência única que nos fez crescer como banda.

Chegamos ao local que primeiramente era uma casa de shows com uma infra-estrutura invejável. O organizador nos perguntou se o nosso backline estava ok e se poderíamos dividi-lo com as demais bandas nessa noite, incluindo o Entombed.

Num primeiro momento achei até estranho, pois isso não é usual aqui no Brasil. E depois do show os caras do Entombed nos agradeceram, pediram para trocar camisetas conosco, ficamos conversando sobre a nossa tour, sobre nossos trabalho, nos trataram como profissionais, assim como eles são.

Woslom
Foto: Ricardo Zuppa
Cada um fez o seu show, cada um vendeu seu merchandise, cada um recebeu seu cache e cada um foi para sua casa. Ou seja, tudo como deve sempre ser. Não vemos a hora de voltar para a Suécia (risos).

NHZ: Culturalmente, o que difere a cena européia da nacional?
Fernando: Olha, acho que o profissionalismo. Underground é underground em qualquer lugar, ou seja, somente a mídia especializada e pessoas que curtem a cena é que estão ali apoiando. Ninguém ta ali por dinheiro.

Também acho que a educação deles faz diferença no todo, pois reflete na organização e tudo mais. Tocamos na Bélgica e na Holanda que são países extremamente politizados e a organização dos eventos é sempre impecável.

Em alguns locais até nossa ansiedade era grande, pois sentimos até responsabilidade de fazermos bonito e representar bem nosso nome. Ou seja, no fim das contas, mesmo o underground acaba tendo uma parcela profissional.

NHZ: Para encerrar, quais os planos para o sucessor de Time to Rise?
Fernando: Nesse momento encerramos a tour do Time to Rise, faremos apenas alguns shows esporádicos, pois daremos foco direto na criação do nosso novo trabalho. Não vamos prometer data nem nada, pois ainda é muito cedo, o que podemos dizer é que estamos firmes no sucessor daqui pra frente.

NHZ: Obrigado pela entrevista! Deixem uma mensagem aos leitores dessa publicação!
Fernando: Nós que agradecemos a oportunidade de falar um pouco mais sobre a banda. Quem não conhece, acesse nosso site e confira nossos vídeos clips, nos acompanhe via Facebook (que é a moda do momento) e pra quem curtir, compareça nos nossos shows e venha falar conosco!

6 de julho de 2012

UNBLACKPULSE: MUTAÇÃO CHEIA DE GROOVE

Mescla de influências e groove são a base do primeiro EP do grupo

Por João Messias THE ROCKER

Capa do EP 2012:DoomsYear
Divulgação
Não é de hoje que as bandas mesclam influências variadas para tentar fazer  algo diferente que mesmo tempo caia no gosto do povo. Normalmente você acaba atingindo a metade dos objetivos, pois em muitos casos o público não aceita o flerte de determinados ritmos/estilos musicais.

Só que aqui o quinteto paulista acertou a mão em sua miscelânea, pois agregou estilos em que o denominador comum é a energia, e dessa forma a maioria dos fãs de som pesado lembrará desse nome com facilidade: Unblackpulse!

As três faixas do EP 2012:DoomsYear são cheias de vibração, groove, com cordas “gordas”, que vão numa linha White Zombie, Fight, Pantera, com riffs e solos furiosos e criativos. Mas o quinteto conta com dois grandes diferenciais: a bateria numa linha mais simples e reta e vozes variadas, como um Zak Stevens (Circle II Circle)  mais agressivo. Quando cito as influências, não se trata de cópia das bandas citadas, e sim uma referência para você leitor sacar a linha de som dos caras.

Aos aficcionados por novidades e bandas de qualidade, 2012:DoomsYear está disponível no site da banda, que se mostra pronta para um álbum “full”, e se conseguir as merecidas chances, será um destaque da cena pesada nacional muito em breve.