30 de novembro de 2012

BLUES RIDERS: “O ROCK PRECISA VOLTAR SER MAIS VISCERAL E MENOS ARTIFICIAL”


Por João Messias Jr.

Quem ouve pela primeira vez o nome Blues Riders, pensa de primeira numa banda de Blues. Só que o trio formado por Sidnei Hares (voz e guitarra), Áureo Alessandri, Álvaro Sobral (baixo) e que estão para anunciar um novo baterista vão muito além disso.

Com dois álbuns lançados, a banda faz um som com nuances do Blues, Hard e Classic Rock, a banda faz uma mistura pesada e visceral, com destaque para os solos bem elaborados, um bom jogo de backing vocals e vozes ardidas!

Nesta entrevista a banda nos falou um pouco da carreira, mudanças de formação e da “pegada” das bandas de rock hoje:

Blues Riders
Foto: Divulgação
NEW HORIZONS ZINE: A banda já lançou dois álbuns: Blues Riders na Cidade Rock (2000) e A Sagrada Seita do Rock’n’ Roll (2009). Como foi a divulgação e aceitação destes trabalhos em relação a público e crítica?
Blues Riders: Somos uma banda independente. Em ambos os discos, bancamos tudo do nosso bolso: gravação, mixagem, masterização, fotógrafo, maquiadores, modelos, prensagem dos CDs em Manaus (ambos tem livretos com todas as letras, diversas fotos, ficha técnica, etc).

Nos orgulhamos de termos feito o máximo que as possibilidades permitiam na época. O público sempre aceitou bem esses trabalhos nos prestigiando nas apresentações ao vivo e comprando nossos discos.

A imprensa especializada em geral sempre nos apoiou e incentivou muito, ainda que nunca tenhamos pautado nosso direcionamento pelo que diz a crítica.

NHZ: Vocês ficaram 15 anos com a mesma formação. O que ocorreu para que houvesse  mudanças de formação? Como chegaram aos novos membros e o que eles trouxeram para a banda?
BR: Não é fácil para banda nenhuma ficar 15 anos com a mesma formação. Quantas bandas nacionais o fizeram? Consideramos os Blues Riders uma banda privilegiada por ter conseguido isso. A primeira formação se comportou, para o bem e para o mal, como uma família.

De forma natural, o tempo a tudo desgasta. A primeira formação se diluiu após um longo processo de 5 anos em que havíamos perdido o entusiasmo e a magia de trabalharmos juntos.

Queríamos continuar adiante e por isso a outra metade da banda que estava desmotivada precisou partir para dar lugar aos novos integrantes que trouxeram de volta o entusiasmo e muita energia. A diferença foi impressionante. Uma experiência muito positiva sem dúvida.

Hoje Blues Riders conta com Sidnei Hares, que está completando 1 ano conosco nos vocais e guitarra e com Áureo Alessandri e Alvaro Sobral, fundadores da banda.
Novidade em primeiríssima mão: Um novo baterista será anunciado antes do final do ano.

O Rock não pára !

A Sagrada Seita do Rock And Roll
Divulgação
NHZ: Apesar do nome, vocês praticam uma mescla do Blues, Hard Rock e Classic Rock. Quais as bandas que influenciam diretamente o som de vocês?
BR: Nos primórdios da banda, em 1994 pra ser mais exato, éramos uma banda de Blues que também tocava Rock eventualmente.
Nosso objetivo sempre foi ser uma banda autoral e conforme as composições surgiam, víamos que naturalmente nos direcionávamos mais para o lado do Rock. Foi surpreendente e ao mesmo tempo inexplicável notar que quando compúnhamos um Blues, não conseguíamos deixar de acrescentar peso.
Decidimos manter o nome da banda pois mesmo tocando Rock, há uma mescla forte com Blues que pode ser percebida em grande parte do nosso trabalho.

Naturalmente tivemos muita influência do Rock inglês e americano dos anos 70, porém nunca quisemos que alguma influência específica ficasse evidente na nossa música.

Se alguém identificar algo nosso que pareça com alguma banda mais antiga, pode ter certeza que não foi intencional.

NHZ: O que vemos hoje são bandas de diversas vertentes do rock se preocupando cada vez mais com a execução, produção de suas canções, tornando o som calmo e chato, esquecendo do principal ingrediente que o estilo tem: energia. Vocês acham que o rock está se tornando cada vez mais erudito e acadêmico?
BR: Não. Ao contrário. O Rock não está acadêmico e nem erudito. Está burocrático e anêmico. Falta energia e atitude.

Há uma profusão de bandas totalmente inofensivas por aí. Você vê shows por aí e no final sai de lá sem nada a mais na bagagem.

Prefiro mil vezes assistir uma banda com atitude no palco e que cometa erros do que bandinhas comportadas tocando tudo com precisão e timbres pasteurizados.

O Rock precisa voltar ser mais visceral e menos artificial. Rock é emoção, não é perfeição.

NHZ: Conheci o som de vocês recentemente quando vocês foram uma das bandas de abertura do Golpe de Estado. Quais os benefícios que tocar antes de um grupo renomado pode trazer?
BR: O grande benefício é o fato de haver um prazer enorme em poder tocar com músicos de altíssimo nível e que, como é o caso do Golpe de Estado, são nossos ídolos de adolescência e grandes amigos.

Sempre que podemos, atendemos ao convite para abrir shows das grandes bandas nacionais que fazem Rock de verdade, pois eles merecem todo o nosso apreço e admiração pelo talento que tem e por nunca terem desistido da batalha.

Blues Riders
Foto: Divulgação
NHZ: Nesta apresentação percebi que os vocais são ardidos, lembrando até a banda gaúcha Rosa Tattooada. Podemos esperar um lado mais Hard em futuros trabalhos?
BR: O Sidnei Hares é quase 20 anos mais jovem do que os fundadores da banda. Ele trouxe técnicas e influências de outra geração e aportou com um talento enorme.

Estamos orgulhosos por trabalhar com ele, que é uma pessoa para quem música é um assunto muito sério.

Certamente o nosso novo trabalho, que está em desenvolvimento, contará com ingredientes diferentes, com novos sabores que deixarão nosso Rock’n’Roll ainda mais bacana de se curtir. Impossível dizer se estará mais Hard, mais Southern, mais Heavy ou mais Blues.

NHZ: Falando em futuros trabalhos, vocês já têm planos para um novo trabalho de inéditas?
BR: A fase de composição preliminar já começou. Todos já temos várias demos gravadas com rascunhos de músicas. Temos muito material e a próxima fase será analisarmos o material que cada um tem e começar a arranjar tudo.
O processo só não avançou mais porque 2012 foi o ano em que mais tocamos na história da banda e acabamos ficando com tempo curto.

NHZ: O que acham de bandas como Baranga e Carro Bomba, que conseguiram se destacar na cena cantando no idioma pátrio?
BR: São EXCELENTES bandas nacionais! Além da qualidade que apresentam, essas bandas merecem todo o crédito por fazer Rock cantado no nosso idioma. Essa é a forma mais legítima, senão a única, de caracterizar o Rock brasileiro: Cantá-lo no nosso idioma.

O Rock brasileiro, em seus primórdios, foi cantado em português. Com o tempo, e devido ao sucesso que o Sepultura alcançou no exterior, criou-se um séquito de bandas achando que Rock tem que ser obrigatoriamente cantado em inglês para ser bom.

Uma visão colonialista e limitada que só fez contribuir com a decadência do estilo no mercado brasileiro, entregando-o de bandeja a estilos ridículos como funk, sertanejo e pagode.

Na Argentina,  por exemplo, a maioria esmagadora das bandas de Rock cantam em castelhano com extrema qualidade e cativam o mercado argentino de Rock, que é hoje muito mais forte do que o mercado brasileiro.

Blues Riders
Foto: João Messias Jr.
NHZ: Qual a opinião de vocês em relação a casas de shows em São Paulo? Os espaços oferecem condições dignas para que as bandas possam executar seu som?
BR: O problema não é o espaço e nem a estrutura. O problema é a forma de pensar. Existem sim lugares fantásticos pra se tocar e pra curtir um som que são dirigidos por gente idealista e consciente do que é arte. Esse ano de 2012 foi especial pra nós pois tivemos a oportunidade de trabalhar com gente muito bacana.

Porém existem também os lugares que tem boa estrutura mas que são dirigidos por gente com mentalidade convictamente terceiromundista.

Há diversos donos de casas cujo objetivo máximo de vida é vender cerveja e cuja missão se restringe unicamente a isso. Contratam bandas de garotos que tem guitarras de madeirite pra tocar covers carne-de-vaca a noite toda em troca de cerveja.

Conceito? Arte? Qualidade? Nada disso lhes diz respeito e isso é um tremendo desserviço ao cenário rockeiro do país.

NHZ: Obrigado pela entrevista! Deixem uma mensagem aos leitores desta publicação.
BR: Nós estamos na estrada há 18 anos. Talvez seja teimosia, talvez idealismo. Pode ser também a nossa obsessão pelo impossível, o nosso amor pela miragem, um talento inato para o labirinto.

Nos caracteriza uma dureza de espírito típica dos que não se abatem, dos que insistem, dos que tem a coragem para o proibido... Aquela predileção pelo entusiasmo e pela integridade.
Nossa obra é para poucos pois só o depois de amanhã nos pertence. Alguns já nascem póstumos.

Nós somos os Blues Riders. NEVER STOP ROCKIN' !!!

27 de novembro de 2012

LIVE METAL FEST: UNIÃO UNDERGROUND


Festival reuniu as bandas Kyhary, Against Tolerance, Screams of Hate, Command6 e Trayce

Texto e fotos: João Messias Jr.

Primeiras Impressões e convidados ilustres

Marcelo Carvalho (Trayce)
Com a enxurrada de shows internacionais e nacionais (Gloria, Creed, Arch Enemy e Black Label Society), a primeira edição do Live Metal Fest, organizado pelo vocalista da banda Screams of Hate, Clayton Bartalo tinha o risco de ter poucos headbangers loucos para conhecer mais sobre as bandas nacionais.

Mas, contrariando todos os prognósticos e expectativas, o Inferno Club, localizado na baixa Augusta, recebeu um bom público, que com toda a certeza, saiu satisfeito pela qualidade de todas as bandas que se apresentaram no festival.

Além das bandas, a primeira edição do Live Metal Fest teve dois convidados ilustres: Rodrigo Branco (KISS FM) na discotecagem, que teve apenas sons de primeira como Benediction, Fight, Pantera e as brazucas Dr. Sin e MonsterO outro foi Vitor Rodrigues (Voodoopriest), que atacou de Mestre de Cerimônias apresentando as bandas que subiam ao palco.

As apresentações contaram com as bandas Kyhary, Against Tolerance, Screams of Hate, Command6 e Trayce, que apresentava o vocalista Marcelo Carvalho.

Kyahry: Tudo que tem Jackson vai bem

Luciano Bleker (Kyhary)
A primeira banda da noite foi o quarteto Kyhary, que mandou uma thrashera, que mescla as escolas dos anos 80 e 90 (Forbidden e Machine Head).

Com riffs gordos e um som redondinho, o quarteto mesclou sons do seu primeiro CD, como Bomb Man, a inédita Não Me Controlo e uma versão para Refuse Resist (Sepultura), que contou com Clayton (Screams of Hate) dividindo as vozes com Luciano Bleker.

E como os guitarristas “vestem” guitarras Jackson, tudo saiu conforme o planejado!

Against Tolerance – Experimentações Extremas

Hugo e Vitor (Against Tolerance)
Se havia um grupo que eu não esperava muita coisa era o Against Tolerance. O trio formado por Vitor Horvath (guitarra/voz), Hugo Bispo (baixo/vocal) e Biel Astolfi (bateria/vocal) fazem um som pesado, mas com algumas experimentações (alguns de seus membros eram do Undefined), com destaque para as interessantes camadas de vozes que produzem.

A apresentação teve como pontos altos as músicas Try Again,Fail Again, Fail Better; Dies Irae e as versões para As Daylight Dies (Killswitch Engage) e Redemption Song (Bob Marley), que tirando a introdução doom e umas quebradas, virou um som visceral que deixaria o rei do reggae orgulhoso.

Screams of Hate: Mesclando escolas

Clayton Bartalo (Screams of Hate)
O som do quinteto faz uma mescla interessante de várias vertentes do metal: passeia pelo Death dos anos 90 (Benediction/Gorefest) até tendências mais atuais como Fear Factory e Messhuggah, que para quem conhece sabe o que esperar: groove e peso.

Outra curiosidade da banda é que nas partes mais viscerais, o vocalista Clayton usa uma espécie de megafone, que proporciona mais brutalidade ao som. Tudo movido a instrumentistas que seguram muito bem nas cordas e bumbos.

Os destaques da apresentação foram às músicas Narcotic e Your Soul Will Pain, do EP Corrupted, além de uma versão para Arise (Sepultura).

O Screams of Hate foi a primeira banda que o público fazer inaugurar as rodas da noite!

Command6: Possuídos

Attílio Negri (Command6)
Uma piração extrema! Assim se pode definir o som do quinteto. Usando e abusando de influências como Slayer, Pantera e Machine Head, tem como destaque o vocalista Wash, que tem uma postura de palco insandecida, lembrando o mestre Vitor Rodrigues, além de  uma garganta privilegiada. 

A banda produz interessantes camadas de vozes, que ao vivo tem o auxílio de Johnny Hass (baixo) e Bruno Luiz (guitarra), e assim, executam algo insano e ao mesmo tempo bem trabalhado.

Da apresentação o ponto alto foi a execução de So Cold, do mais recente trabalho, Black Flag, que deixou o público a beira da insanidade, visto as rodas que permearam por toda a apresentação.

Trayce: O cara é do ramo

Alex Gizzi (Trayce)
O Trayce foi uma banda que passou por alguns  maus bocados nesses tempos. Primeiro, teve a mudança de nome (antigamente chamava Ace 4 Trays), logo as vésperas do lançamento de Bittersweet. Depois, ocorreu a saída do vocalista Diego Prado.  Não desanimaram, foram pra luta e  recrutaram Marcelo Carvalho, ex-Hateful, que ficou conhecido por ter participado do programa do Raul Gil.

A desconfiança pelo fato do vocalista ter participado deste tipo de programa foi logo água abaixo, pois o moço provou que é  do ramo e segura muito bem a bronca. Com um gogó que manda bem nos graves e os berros, conduziu o massacre por meio dos sons Price to Pay, Let it Burn, Land of Hatred, Made of Stone e Roll the Dice, que antes de sua execução, teve problemas no baixo, que teve de ser trocado. 

Aí a solidariedade entrou em cena com Hugo do Against Tolerance emprestando o instrumento para que o show terminasse.

Grande apresentação, que apesar dos problemas de retorno do vocal e o já citado caso do baixo, me deixou curioso para ouvir o frontman cantar sons como Edge of the World e New Home.

Saldo Positivo

O festival teve saldo positivo, com o término no horário, privilegiando aqueles que dependem do transporte público. 

Outro destaque foi o público, que mostrou sua força ao prestigiar todas as bandas, que cada qual no seu estilo, não devem nada para as gringas e que se tiverem a atenção merecida, tem tudo para atingirem o patamar de grupos como Krisiun, Korzus e Torture Squad.

Ficamos no aguardo da próxima edição, que rola em fevereiro do próximo ano!

25 de novembro de 2012

HELLISH WAR: “KEEP IT HELLISH” SERÁ UM MARCO NA CARREIRA DA BANDA”.

Quinteto apresenta novo vocalista e conta da gravação do terceiro disco de estúdio, Keep it Hellish.

Por João Messias Jr.

Logotipo
Divulgação
Com 17 anos de estrada, a banda Hellish War já passou por coisas boas como o respeito dos fãs de música pesada, se apresentar por muitos locais (incluindo o exterior) e ter três registros de respeito: os álbuns de estúdio Defender of Metal e Heroes of Tomorrow, além do ao vivo Live in Germany.

Mas, como toda história, existem os pontos baixos. No fim de 2011, o vocalista Roger Hammer deixa a banda. A partir de então, os membros remanescentes Vulcano e Daniel Job (guitarras), JR (baixo) e Daniel Person (bateria) partiram na busca de uma nova voz ao conjunto.

Depois de receberem material de candidatos de todo o Brasil, a banda oficializa a Thalita como a nova voz do quinteto campineiro. Mas essa história ainda não havia chegado ao fim.

Hora de recomeçar

Quando parecia que as coisas retomariam os rumos, a banda recebeu a notícia que a então nova vocalista não poderia ficar na banda. O baterista Daniel Person nos conta os motivos da saída da cantora: “Estar em uma banda como o Hellish War exige muita disponibilidade, pois os compromissos são freqüentes e isso acaba interferindo na vida pessoal de todos os envolvidos. A Thalita é uma vocalista extremamente talentosa, no entanto, neste momento precisávamos de alguém que pudesse dar 100% de gás junto com a banda. Desejamos tudo de bom para ela, e para o Roger também, afirma Daniel.

Hora de juntar os cacos e recomeçar.

A nova voz

Bil Martins
Divulgação
Depois de mais um período recebendo e ouvindo material, a banda encontrou seu novo frontman. Trata-se do vocalista Bil Martins, que já antes de ser efetivado, participou como convidado em alguns shows. O cantor já fez parte de grupos de tradição como Heavenly Kingdom, Dark Witch e Vetor.

Daniel conta os fatores que influenciaram na escolha do frontman: “: A afinidade pessoal e musical. Seu comprometimento e, é claro, toda a qualidade que ele demonstrou como vocalista de heavy metal, com um timbre e alcance que se encaixam totalmente com a sonoridade do Hellish War. Este tem sido um momento fantástico para nós, e temos certeza de que nossos fãs ficarão muito satisfeitos também, quando ouvirem nosso novo álbum, que já está praticamente saindo do forno”.

Com vocês, Bil Martins

Bil nos contou das expectativas de estar na banda, substituir a voz que era uma marca registrada do Hellish War e o que os fãs podem esperar dele: “É muito difícil substituir uma pessoa que foi a cara da banda durante tantos anos. Sei da responsabilidade que é assumir o posto de frontman de uma banda como o Hellish War. Estou honrado e grato por esta chance, os fãs podem esperar por um trabalho de alto nível, tanto de minha parte quanto dos meus novos irmãos de banda. Espero não decepcionar os antigos fãs e que os novos também gostem dessa nova fase.  

Para os mais ansiosos, Bil contou suas influências: São de bandas dos anos 80 como Grave Digger, Virgin Steele, Judas Priest, Blind Guardian, Grim Reaper, além de outras vertentes como Destruction, Amon AmarthHard Rock dos anos 70 como Deep  Purple, Rainbow e Uriah Heep, afirma o novo frontman.

Prova de fogo

Daniel Person
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O novo vocalista já entra para a banda numa prova de fogo: gravar às vozes do novo disco de estúdio, Keep it Hellish. Daniel Person conta o que os fãs podem esperar do disco quanto à sonoridade: “Keep it Hellish” é HEAVY METAL do início ao fim! Estamos muito ansiosos para mostrar esse trabalho pra todos vocês; vejo este novo play como a combinação perfeita entre a sonoridade dos nossos dois primeiros álbuns de estúdio, Defender of Metal e Heroes of Tomorrow. Acreditamos que Keep it 
Hellish será um marco na carreira da banda, demos o nosso melhor durante todo o processo de composição das músicas, e a essência do que é o Hellish War está ali, do início ao fim”, finaliza o baterista.

Cena nacional

Apesar de existirem aqueles guerreiros de cena, que prestigiam os shows independentes, divulgam para todo o planeta por meio das redes sociais, há algumas coisas que nos decepcionam, como o que ocorreu na última quarta-feira (21), aqui na região do ABC, onde se apresentaram as bandas Mad Old Lady, Tornado e Mark Boals (ex Malmsteen, Royal Hunt), onde haviam apenas “testemunhas”, jornalistas e fotógrafos em sua maioria.

O músico exprimiu uma opinião sobre fatos como o citado acima: “É realmente uma pena que eventos como o que você mencionou, bem organizados e com bandas excelentes, não consigam fazer com que as pessoas saiam de casa. Um fator que exerce bastante peso neste ponto é a internet.  Antigamente, para se ver uma banda ao vivo, você necessariamente tinha que ir até o show dos caras; hoje, está tudo no youtube. É claro que não é a mesma coisa, mas as pessoas só saberão da diferença caso se dêem a chance de assistir a pelo menos um bom show. Acho que o desafio está aí, as bandas e produtores precisam dar um jeito de começar a trazer público novo para os seus eventos.

Show de Sorocaba
Divulgação
Além da “geração internet”, o baterista mostrou o outro lado da questão, inclusive com alguns perrengues ocorridos com a banda: “Uma boa parcela de culpa está também nas mãos de muitos produtores e organizadores de eventos, com certeza não podemos isentá-los, pois não basta ter boa vontade para se organizar um bom show: é preciso ter planejamento e um mínimo de estrutura. Consigo contar nos dedos de uma mão quais foram os festivais underground de heavy metal onde tocamos e que não houve atrasos no cronograma das bandas. Houve situações onde o Hellish War estava marcado para tocar à meia-noite, e subimos ao palco às 3:30 da manhã. Para o público, isso é muito chato, este tipo de coisa não pode acontecer. É um desrespeito. Portanto, essa desorganização afasta, e muito, o público dos shows. E com certeza cabe às bandas também fazerem o seu papel, dando o sangue em cima do palco, mostrando porque estão ali e fazendo valer o ingresso de quem foi ao show para prestigiá-los.

De volta ao Front

Pegando uma carona no nome do CD da instituição Golpe de Estado, o Hellish War estará se apresentando no dia 14/12 em Sorocaba (cartaz acima), no Asteroid, promovendo a estréia de Bil Martins após sua oficialização na banda.

Agora é olhar para frente e pensar que todos esses perrengues só serviram para uma coisa: mostrar como o nome Hellish War é forte, presente e importante para a cena underground nacional.

Keep it Hellish!

22 de novembro de 2012

CHAOSFEAR: MÁQUINA DE RIFFS

Guitarras são o ponto alto do novo trabalho da banda

Por João Messias Jr.

Legacy of Chaos
Divulgação
Com mais de uma década de batalha nas costas, alguns CDs e muita história para contar, o quarteto Chaosfear poderia viver apenas do passado e deixar que os materiais lançados até então fizessem a cabeça e a mente dos headbangers

Só que o quarteto formado atualmente por Fernando Boccomino (vocal e guitarra), Eduardo Boccomino (guitarra), Anderson de França (baixo) e Billy Houster (bateria), ao invés de proclamar glórias passadas, resolveu criar um novo capítulo na sua história. O thrash dos caras fará sucesso com a galera fã de bandas como Testament, Forbidden e Heathen.

O novo EP, batizado Legacy of Chaos, é de longe o melhor trabalho feito pela banda, não que os anteriores sejam ruins, mas tudo aqui está mais visceral e trabalhado, com destaque para as guitarras dos irmãos Boccomino, que unem melodia, peso e muitas paradinhas, numa performance inspiradora, como pode ser ouvida nas três músicas do trabalho: Spit out Your Hate, Legacy of Chaos e When the Sky Turns Red, tudo numa excelente gravação e com uma cozinha extrema e talentosa!

Muito bom!

17 de novembro de 2012

EDU LAWLESS: “ESSE CALENDÁRIO TERÁ OS MAIS BELOS E BEM REPRESENTADOS 365 DIAS DO ANO DE 2013”

Calendário Metal Pin Up Girls contou com festa de lançamento e tarde de autógrafos no dia 10 de novembro

Por João Messias Jr.

Edu Lawless: Criador e Criação
Foto: Pri Secco
Com pouco tempo de estrada e usando a criatividade, o portal Rock Express vem se destacando na imprensa do Rock graças às coberturas de shows, entrevistas, resenhas que vem feito durante sua (ainda) curta existência.

Agora, a equipe liderada por Edu Lawless parte para um projeto ousado e que se realmente apoiado pelo público rocker (em especial o masculino) tem tudo para se tornar uma atração anual: o calendário 2013 Metal Pin Up Girls, que conta com um acabamento gráfico de primeira e com modelos de dar água na boca.

Um papo com o mentor

Muitas vezes, pensamos que um projeto deste porte passa por aqueles famosos brainstorms, onde surgem aqueles delírios, dias e dias de projetos, idealizações, brigas e discussões. Edu nos contou que a idealização de tudo foi um fruto de sua mente: “Para mim parece muito claro que o Rock esta relacionado à sensualidade das garotas, talvez pela minha tendência mais Hard Rock de sempre ver os vídeos das bandas na década de 80 e 90 com aquelas beldades contracenando com as bandas, pensei: todo mundo usa calendário o ano inteiro, então porque não ilustrá-lo com beldades com atitude bem Rock´n´Roll, ai deu nisso”, finaliza o mentor do projeto.

Edu com as modelos no lançamento
Divulgação
Depois da aceitação do projeto, as próximas etapas seriam a escolha das modelos e uma forma de arcar com os custos de um trabalho ambicioso e até vanguardista, se tratando de underground. Primeiramente, para a escolha das modelos eles optaram pela democracia: “Foram os leitores do site que escolheram as beldades. Nós colocamos a cada mês no ar uma votação das minas que querem participar e a galera vota. A mais votada se torna uma METAL GIRL e já entra para o Calendário”, completa Edu.

Apesar de feito de forma independente, o calendário contou com patrocinadores como a loja Belladonna, de Belo Horizonte e o apoio internacional do Monsters of Rock Cruise: A Belladonna acreditou no nosso projeto e dessa forma enviou como prêmio um modelo exclusivo do catalogo da loja, que as garotas estão usando no ensaio fotográfico. Tivemos um grande apoio internacional do Monsters of Rock Cruise que acreditaram na ideia, e que apesar de não envolver grana, acaba tendo um grande peso na divulgação internacional.”

O  lançamento

Após todo o processo de idealização, seleção e investimentos, era a hora de fazer o lançamento do calendário. Para isso, a equipe do Rock Express fez algo que levou os fãs de Hard à loucura: uma tarde de autógrafos com algumas das modelos e uma festa no dia 10/11, no Inferno Club, em São Paulo. Edu nos contou dos momentos do evento: “Para nós foi um grande sucesso ver a felicidade das garotas presentes e o clima de conquista de termos alcançado um objetivo. Acho que conquistamos nossa finalidade, que era lançar o Calendário e mostrar para todos que fizemos o que planejamos. Foi sensacional.”
Edu encerra a entrevista com uma frase que fará a alegria de muitos marmanjos que apreciaram o conjunto da obra: “Quem tiver esse calendário, terá os mais belos e bem representados 365 dias do ano de 2013, sem dúvida alguma”, finaliza o mentor do projeto.

Quem somos nós para duvidar?

As modelos

Essa matéria não seria completa sem pelo menos uma palavra de algumas das modelos que emprestaram sua beleza ao calendário.

Cyntia Marangon

Cyntia no calendário
Divulgação
A modelo conheceu o trabalho do Rock Express quando ainda morava no Canadá. Cyntia nos conta como surgiram as conversas: “Começamos a conversar, e ai ele lançou essa ideia no seu site em janeiro, onde foi realizada a primeira votação pública para a escolha da primeira Metal Girl do ano. Depois disso, conversamos a respeito e encaminhei algumas fotos minhas, e participei da votação do mês seguinte, fevereiro”, afirma a modelo, que nos conta sua reação quando teve o maior número de votos do mês em que competiu: “Para minha surpresa, acabei ganhando com uma margem bem expressiva de votos, foram mais de 60%. Voltei a morar no Brasil depois de uns meses, e as coisas se tornaram mais fáceis, a respeito de fazermos um ensaio fotográfico especifico para o Calendário. Enfim, fiquei e ainda estou bastante feliz com o resultado.

Cyntia durante autógrafos
Foto: Pri Secco
Cyntia já tem experiência com os cliques, pois já havia participado de fotos para sites, calendários, mas essa era a primeira vez que posou para um calendário. Ela nos conta que por ser uma rocker, fã de música pesada, não houve o lance de encarar um personagem: “Acredito que fui eu mesma o tempo todo, pois além do estilo, e da música, as roupas e os sapatos utilizados nas fotos do ensaio, para o Rock Express e para o Calendário, são minhas, e também não posso deixar de mencionar que cada menina ganhadora da votação do mês foi presenteada um corset da loja Belladonna.

Depois de atravessar todas essas etapas, ela nos conta empolgada do resultado final: “Desculpa pelo palavrão, mas ficou FODA! Nós não havíamos visto o resultado antes do lançamento que aconteceu no último sábado dia 10, todas nós estávamos muito ansiosas para vermos o Calendário finalizado, não tínhamos nem ideia do seu formato, do design, absolutamente nada. Particularmente, eu achei sensacional, material de ótima qualidade, as fotos ficaram ótimas, sem falar em todas as Metal Girls que embelezam cada mês, cada uma em seu estilo.

Além de modelo do Metal Pin Up Girls, Cyntia também faz resenhas, entrevistas e fotos para o portal Agenda Metal: www.agendametal.com.br

Valéria Storer

Valéria Storer "A Bela"
Divulgação
A nossa segunda entrevistada é de Curitiba (Paraná) e nos conta como conheceu o projeto: “Conheci por meio do Facebook, dei uma pesquisada para entender melhor o propósito do calendário e resolvi mandar algumas fotos para ver se teria chances de participar, já que adoro concursos. Fui uma das duas candidatas de uma votação e fui escolhida a Metal Girl de Maio por votação popular”, finaliza empolgada Valéria.
Assim como Cyntia, Valéria é adepta do bom e velho rock and roll e disse que não houve nervosismo para ser fotografada para o ensaio: “Acredito que sim, caso contrário, não teria aguentado fotografar usando um corset apertado tentando fingir que respirava normalmente (risos).”, afirma Valéria. Ela continua: “Acho muito divertido fazer fotos, então não tive nenhuma espécie nervosismo na hora dos cliques. Mas devo admitir que a espera para ver como elas tinham ficado me deixou um pouco ansiosa por não saber se elas estavam tão boas quanto eu esperava que tivessem ficado.
Ansiedade que foi suprida positivamente com o produto final acabado: “Simplesmente amei! Fico muito feliz e orgulhosa por ser uma Metal Girl e fazer parte desse projeto incrível organizado com muito profissionalismo pelo Rock Express!
Valéria Storer "AFera"
Duvulgação
Valéria Storer além de modelo é estilista e dona da marca Hell on Heels Clothing. Se quiserem saber mais sobre a marca, acessem a página dela no Facebook: www.facebook.com/hellonheelsclothing
Os próximos passos
Edu nos conta dos próximos passos, inclusive com votações em andamento, para uma nova publicação, mas com um novo tema: o Fetiche: “Como existe uma divergência entre as PinUp Modernas e as Vintages , acabamos tendo alguns narizes torcidos. Então mudando para temática Fetish apenas abrimos o leque para todos os estilos, afinal qual Banger não gosta de ver uma mina numa bela calça de couro colada (risos). Nesta nova empreitada, nós também agregamos uma nova patrocinadora, a Sweet Sam, que tem um Atelier de moda alternativa e que desenvolverá uma modelo exclusivo e personalizado para cada uma das Metal Girls. Vai ser uma loucura esse ano e as etapas já estão rolando no site!
Para saber mais das votações e do próprio Rock Express, acesse o portal dos caras: www.rockexpress.net.br.
Bandas como Cinderella, Poison, Danger Danger, Faster Pussycat, Tuff, entre outras deste período, ficarão muito felizes quando souberem do lançamento Metal Pin Up Girls 2013.

15 de novembro de 2012

MINDFLOW - QUATRO HOMENS COM UM DESTINO: O SUCESSO


Banda fez apresentação comemorativa ao seu nono aniversário

Texto e fotos: João Messias Jr.

Rafael Pensado
Com nove anos de estrada, trabalhando de maneira independente, além de uma infinidade de apresentações pelo Brasil e exterior (inclusive em países como a Coréia do Sul), o quarteto Mindflow, formado por Danilo Herbert (vocal), Rodrigo Hidalgo (guitarra), Ricardo Winnandy (baixo) Rafael Pensado (bateria) soube com o passar dos anos reinventar a sonoridade, deixando de lado o Prog Metal calcado em nomes como Dream Theater e Symphony X, para uma sonoridade mais pesada, que lembra grupos como Disturbed, Messhuggah e Mr. Big.

Para comemorar a data, a banda promoveu um evento especial nesta noite de 10 de novembro: uma apresentação diferente, onde o quarteto executou um repertório especial, que contou com músicas dos primeiros trabalhos, efeitos especiais e músicas inéditas que farão parte do seu quinto álbum.

A coletiva

Danilo Herbert
Antes do show, por volta das 18h20, houve uma coletiva de imprensa, onde além do NEW HORIZONS estavam presentes o pessoal de veículos como Menina Headbanger, Portal do Inferno, Rock Brigade, A Ilha do Metal entre outros.

Dentre as perguntas, os pontos mais relevantes foram quando os membros (principalmente Danilo e Rodrigo) comentaram sobre a tour com o UFO pelos Estados Unidos, onde segundo os membros rolou numa boa, sem brigas e com uma grande amizade, a emoção de terem sido open act do Megadeth no mês de setembro e uma grande novidade para os primeiros dias de 2013: mais uma tour pela terra de Barack Obama com o pessoal do The Used.

De negativo apenas o fato de alguns veículos terem feito perguntas óbvias, cujas respostas são facilmente encontradas no site da banda ou nas redes sociais, que infelizmente figuraram no lugar de perguntas com melhor conteúdo.

A apresentação

Rodrigo Hidalgo
Às 19h20 o quarteto começa com todo o peso, com Lethal e Reset the Future, do terceiro trabalho, Destructive Device, o primeiro trabalho que a banda mergulhou em novas referências, deixando a música mais pesada, vibrante e orgânica. Após essas músicas, Danilo agradecia ao público (que compareceu em bom número) pela oportunidade de estar celebrando mais um ano de banda. Suffer Up and Deal foi a primeira inédita da noite, que apresenta a evolução marcada em Destructive Device e 365, mas com mais feeling e com mais contornos do Hard Rock, que agradará aos fãs de Nickelback e Mr. Big. Fato que foi comprovado posteriormente por Urban Hero e Take it to The Limit, onde apontaram que o melhor trabalho dos caras está por vir.

Depois das poderosas Breakthrough, Break Me Out, Under An Alias e a cadenciada The Ride, houve um momento de nostalgia, que teve como destaque a bela balada Invisible Messages, que abriu caminho para a cheia de groove Walking Tall, uma das agressivas da banda.

Ricardo Winnandy
Uma pena que após uma breve pausa, a banda executou Destructed Device, que encerrou a memorável apresentação. Após a última música, o evento contou com o sorteio de uma guitarra.

Mas a noite estava apenas começando, pois ainda teve um after show, realizado no Manifesto, mas esse que escreve essas linhas não tinha mais forças para nada.

Só tenho que encerrar agradecendo a banda, fã clube e a todos envolvidos na realização do evento pela perfeita organização, numa noite em que o poder da música mais uma vez uniu fãs para um único propósito: comemorar o sucesso de quatro mentes: Danilo Herbert, Rodrigo Hidalgo, Ricardo Winnandy e Rafael Pensado.

9 de novembro de 2012

BALLS:"SEMPRE EXISTIRAM BANDAS FAZENDO UM SOM DAS ANTIGAS”

Por João Messias Jr.

Sabe aquele disco alto astral que logo na primeira audição você se pega dançando e fazendo "air guitar"
Essas sensações são causadas pelo debut do quinteto Balls, que é formado por  Danilo Martire (voz), Pi Malandrino e Fernando Gargantini (guitarras), Paulo Pascale (baixo) e Lauro Santhiago (bateria) que com um Rock and Roll básico, que conta com a malícia do Hard Rock e com vocais discursados conseguem quase que apagar a imagem sisuda que o estilo tem hoje.
Graças a sons como Ela tem Tudo, Tocando a Gente Se Entende e Eu Era Como um Rei, eles tem tudo para alcançarem até o mainstream.
Nessa entrevista feita com a banda, eles nos contam das coisas boas e ruins de um grupo que luta por um lugar ao sol.
Confiram:

NEW HORIZONS ZINE: A banda lançou o primeiro CD, que leva o nome da banda neste ano. Como está a repercussão e o que estão achando dos resultados?
Capa do álbum Balls
Divulgação
Balls: A repercussão está ótima, todo mundo que gosta de rock e ouve o CD, tem elogiado bastante. Não só as canções, mas também os arranjos, a mixagem, a produção. Para uma banda com pouco mais de um ano, conseguimos caminhar bastante, mas ainda é muito pouco.

NHZ: Vocês lançaram o trabalho em formato digipack e em SMD para sair com um preço mais acessível para o consumidor. Como chegaram nesta forma de lançar o álbum?
Balls: Além do SMD, consultamos algumas empresas que fazem o formato CD. O preço era quase o dobro, portanto optamos pelo SMD. Mas tem o outro lado da moeda também, com o SMD não conseguimos tocar em grandes lojas de discos como FNAC, Saraiva e Cultura, é preciso ter o álbum em CD. Ano que vem vamos lançar o segundo disco, dessa vez em CD. Ainda não temos uma data, provavelmente no segundo semestre. Já temos 5 músicas prontas que inclusive vem sendo executadas nos shows.

NHZ: Tempos depois do lançamento do CD, vocês tiveram uma mudança de formação, com a entrada de Paulo Pascale no lugar de Alexandre Fávero. Quais os motivos da troca e como chegaram ao atual membro das quatro cordas?
Balls: O Alexandre foi o segundo baixista, o original era outro. A troca foi uma decisão conjunta, por divergências musicais e pessoais, o Alexandre já não compartilhava do mesmo ideal da banda. Já o Paulo havia tocado com o Lauro (batera), eles são amigos de longa data. Nós convidamos, ele aceitou. Musicalmente foi a melhor coisa que aconteceu com a Balls, ficamos mais pesados e mais coesos. Nossa “cozinha”, modéstia à parte, é fantástica!


NHZ: Acabei conhecendo o som de vocês numa apresentação que fizeram como abertura para o Golpe de Estado. Essa é uma situação de duas vias: pois se por um lado acaba apresentando o som para mais pessoas, por outro, muitos só querem saber de ver a banda principal, o que pra mim é um erro. Para vocês, qual o lado bom de fazer essas “aventuras”?
Balls: O lado bom é levar seu som para um outro público, para pessoas que nunca ouviram falar da banda. Só assim vamos conseguindo fãs e aparecendo. É super válido.

Balls
Divulgação
NHZ: Outras apresentações de destaque da banda foram a participação dos festivais São Judas e Lollapalooza. Como se deu a participação do Balls e quais os frutos conquistados?
Balls: Conseguimos o contato da produção do Lollapalooza, mandamos e material e eles gostaram! Nos mandaram uma mensagem dizendo, “vocês estão dentro”. Para nós foi sensacional e nos sentimos bastante orgulhosos. Estamos colhendo alguns frutos, muito lentamente, mas estamos. Por exemplo, conseguimos colocar nosso clipe no Multishow. O grande lance é continuar trabalhando, sem trabalho e investimento a coisa não anda. Se tivéssemos alguma forma de ajuda financeira ou patrocínio, talvez estivéssemos mais expostos e colhendo mais frutos. Esse é um problema de todas as bandas independentes... grana.

NHZ: Para encerrar a questão de shows, percebi algo interessante. Enquanto 90% das bandas, ora fica mais leve ou pesada, vocês não causam espanto, tamanha a fidelidade com o CD, o que é positivo. O que pensam sobre isso?
Balls: Nosso som é básico, a gravação do CD também foi, assim fica mais fácil reproduzir ao vivo aquilo que está em disco. Também achamos isso positivo, fora que mostra que estamos ensaiados e entrosados.

NHZ: Vamos falar um pouco da parte musical: as guitarras são muito afiadas, sincronizadas e com simplicidade, acabam fazendo belos solos por todo o trabalho. Como vocês fazem a construção de bases e solos?
Balls: Realmente existe uma grande harmonia e entrosamento entre os guitarristas, o Pi e o Fernando. O mais importante é que sempre foi assim, desde a primeira vez que tocaram juntos. Quando um toca uma base ou um riff, o outro já sai tocando algo diferente que complementa, que se encaixa, e isso sai naturalmente. Alguns solos são montados, outros saem de improviso durante a confecção do arranjo.

NHZ: O álbum possui uma audição agradável, que mescla o Classic Rock com a malícia do Blues e Hard, feito para curtir, dançar e esquecer dos problemas da vida pós-moderna. Músicas que podem ser grandes hits como Ela tem Tudo, Tocando a Gente se Entende e Seguindo em Frente. Quais são e foram as principais influências da banda para a concepção so Cd?
Balls: Southern Rock, Blues Rock britânico, Glam e Glitter Rock, basicamente é isso.


NHZ: De alguns anos pra cá, voltou de forma mais forte o interesse pelo Classic Rock, com bandas como Yes , Uriah Heep e Kiss lançando bons discos, o Black Sabbath gravando um novo trabalho com a formação clássica e até tentativas de uma volta do Led Zeppelin. Além disso, temos bandas relativamente novas executando esse som das antigas como Grand Magus. O que pensam sobre a redescoberta da música dos anos 60 e 70?
Balls: Não achamos que seja uma redescoberta, sempre existiram bandas fazendo um som das antigas e as bandas clássicas por ora lançando bons trabalhos. O problema é que quase nunca isso é divulgado e mostrado pelos meios de comunicação de massa. Com a internet, ficou mais fácil, existe espaço para todo mundo mostrar o seu trabalho e pessoas, fanzines e blogs como esse, dispostos a ajudar e divulgar sem querer jabá ou algo em troca.

NHZ: Algumas letras falam de mulheres e sexo. Embora falem de forma direta, passam longe do esquema da baixaria. Qual o cuidado que a banda tem com as letras em falar de “tudo mas não de tudo”?
Balls: É isso que você falou aí, tomamos um certo cuidado para não ficar vulgar ou adolescente demais. Basta trocar uma palavra ou uma frase para não deixar a coisa virar baixaria ou ir direto demais ao ponto. É bom que as pessoas escutem a letra e pensem, criem suas próprias interpretações, etc... As músicas novas vêm apimentadas, agurdem!

Balls
Divulgação
NHZ: Essa é para o vocalista Danilo Martire. Gostei da sua forma de cantar, que soam como discursos, além de dar um toque todo especial ao som de vocês. Como chegou nesta forma de soltar a voz?
Danilo Martire: Acredito que foi por causa da preocupação em se fazer entender, por causa das letras em português. Nós contamos uma história bem legal em cada música, então eu procuro fazer com que as pessoas escutem e compreendam o que a gente tem pra dizer.

Mesmo no rock, o português é todo articulado, o que acaba dando uma característica sonora única em bandas como a Balls e outras que defendem um rock totalmente brasileiro.

NHZ: Gente, obrigado pela entrevista! Deixem uma mensagem aos leitores desta publicação.
Balls: Gostaríamos primeiramente de agradecer a você pela resenha do show, do CD e por abrir espaço em seu blog, muito obrigado João. Aos leitores, pedimos que entrem no nosso site e página do Facebook para acompanharem as novidades e checarem a agenda de shows. Estamos a mil por hora e não vamos parar. Ano que vem CD novo e muitos shows! Abraços a todos, keep on rocking!