24 de dezembro de 2012

HORA DE CURTIR AS FESTAS....

Amigos!

Depois de um ano corrido, com (felizmente) mais coisas boas do que ruins, além de algumas mudanças necessárias para a nossa evolução, o momento agora é de curtir as festas com a família e/ou com as pessoas queridas.

Desejo para todos os amigos e pessoas que batalham pela cena do rock/metal boas festas, com muita saúde , paz e que logo nos primeiros dias de 2013 teremos uma retrospectiva com o melhor deste ano que foi embora, mas de uma forma diferente!

Aguardem!

Mais uma vez boas festas, paz e saúde a todos!

Valeu!

João Messias Jr.

21 de dezembro de 2012

KRISIUN: UM TRIBUTO PARA A MÚSICA EXTREMA


Além dos gaúchos, evento contou com as bandas Anonymous Hate, Eutanos, Vital Remains e Malevolent Creation

Texto e fotos: João Messias Jr.

Krisiun
O último sábado (15) foi um dia que os fãs de metal não tiveram do que reclamar, pois em cada canto da região da capital haviam espetáculos destinados aos fãs do estilo, seja ele fã de metal moderno, rock pesado e metal extremo.

Este último pode ter recebido um dos “casts” mais poderosos que já vieram por esses lados. Imagina ter numa mesma noite as lendas do metal extremo Krisiun, Malevolent Creation e Vital Remains, acompanhadas dos equatorianos do Eutanos e os brazucas do Anonymous Hate no já tradicional Carioca Club, que recebeu um excelente público

Quem não viu, perdeu

Eutanos
Infelizmente, graças ao nosso transporte público, cheguei às 16h30 e acabei perdendo a apresentação do Anonymous Hate, uma pena. 

A segunda banda da noite foi o Eutanos, que faz um som interessante, que lembra muito aqueles grupos oitentistas, com uma mistura de Speed/Death/Black/Thrash/Heavy muito bem trabalhado (pegar formação), com destaque para o vocalista James Peterson, com um vocal agudo e fino, que varia em momentos agonizantes e esgoelados. 

A única pisada na bola foi a do público, que estava todo do lado de fora do Carioca Club e apenas algumas testemunhas presenciaram o som dos equatorianos.

Possessão Demoníaca

Vital Remains
Tem coisas que sabemos que são clichês, mas que funcionam muito bem num show, como a abertura da apresentação do quinteto Vital Remains. Todos de costas ao som de uma intro. Podemos dizer que apartir daí eles ganharam o público. 

Tendo como personagem principal a figura do vocalista Brian Werner, que parecia o demônio da Tazmania correndo de um lado para outro, com uma voz assustadora, que ao lado dos seus asseclas fizeram um set forte, agressivo e extremo, com destaque Where is Your God Now? e Hammer Down the Nails, dedicada a Chuck Schuldiner.

Outros destaques da apresentação deles foi o desempenho dos guitarristas Tony Lazaro e o brasileiro Bill Hudson (Circle II Circle/Cellador), e o baixista Gator Collier, que também se mostrou um excelente vocalista.

De volta aos anos 90

Malevolent Creation
Adeptos do Death Metal Tradicional, o Malevolent Creation mostrou como é possível ser brutal, extremo, agressivo e cativante “apenas” com gutural, guitarra, baixo e bateria.

Phil Fasciana pode ser considerado com as devidas proporções uma espécie de Tony Iommi do Death Metal, por não inventar malabarismos e criar riffs mórbidos e cadenciados e claro, o vocalista Bret Hoffmann, que possui uma voz monstruosa. Tudo isso “temperado” por sutis doses Thrash.

Além da apresentação impecável, dois fatores chamaram a atenção: a voz “normal” de Bret, que lembra daqueles fazendeiros americanos e Phil Fasciana estar fumando no palco segundos antes de começar a apresentação.

O número 1 do metal extremo

Krisiun
Os gaúchos do Krisiun há algum tempo são considerados o principal nome do metal extremo mundial. Eu acompanho os caras ao vivo desde o final dos anos 90 e seguramente posso dizer que a evolução do trio formado pelos irmãos Max, Alex e Moyses Kolesne é assustadora, principalmente após o álbum Bloodshed, onde sabiamente, encontraram o equilíbrio entre riffs cadenciados e o peso do metal extremo.

Antes de falar das músicas, vale citar como um power trio consegue fazer um som  "cheio", com detalhes e sem buracos, algo que poucas bandas neste formato conseguem executar com maestria.

A apresentação dos gaúchos mesclou sons de toda a trajetória, que teve como grandes momentos Combustion Inferno, Vicious Wrath, Black Force Domain e na versão para In League of Satan (Venom) foi um dos grandes momentos do set, pois contou com o pessoal das bandas Eutanos, Malevolent Creation e Vital Remains, com Brian Werner dando mosh e tudo mais.

Apocalyptic Victory encerrou a apresentação do trio, que deixou todos os presentes que lotaram o Carioca saciados.
Que 2013 seja brindado com shows tão bons quanto esse!

19 de dezembro de 2012

ILL NIÑO: O LADO EXTREMO DO NEW METAL

Texto e fotos: João Messias Jr.

Um pouco de história

Ill Niño
O New Metal é um dos estilos mais odiados pela galera que ouve música pesada. Tendo como características as guitarras dissonantes ou com “apitos”, vocais com várias incursões ao Rap/Hip Hop, dreadlocks e um visual que fica mais próximo dos manos do  Bronx  que da Califórnia, se é que me entendem.

Passados quase 20 anos de sua chegada, ele possui algumas ramificações, tendo bandas que fizeram sucesso na grande mídia (Linkin Park, Staind e Link Bizkit), que apesar de serem destaques do estilo, pouco (ou nada) possuem de metal na música. Do outro, temos bandas que se destacaram pelas características citadas lá no primeiro parágrafo, mas com muito peso e agressividade. Alguns exemplos são Slipknot, Soulfly, Machine Head e o próprio Ill Niño.

Tendo como base a multiculturalidade, ao começar dos seus integrantes, que se dividem entre brasileiros, peruanos e americanos  fizeram muito barulho no começo deste novo milênio com álbuns como  Revolution, Revolucion. Outro fator de sucesso foi o bom trabalho da gravadora Roadrunner, que na época passou a investir em grupos nessa linha.

De lá para cá, a banda passou por algumas mudanças de formação e mesmo sem o aparato da poderosa gravadora, se manteve estável. Graças ao sistema de financiamento coletivo por meio do canal Ativaaí, que já trouxe Soulfly e recentemente fechou com o Eluveitie, foi possível trazer o sexteto para mais uma apresentação no nosso país.

A casa escolhida foi o Via Marquês, que só nesse ano acolheu artistas nacionais e internacionais como Viper, Soulfly, Mark Farner, entre outros, que para minha surpresa estava lotada de fãs sedentos para o show da banda. Surpresa, pois nessa chuvosa noite de sábado (15) foram realizados dois grandes festivais.

As bandas de abertura

The Silence
Antes do Ill Niño houveram quatro bandas de abertura. A primeira foi o Skin Culture, que é liderada pelo carismático Shucky Miranda, fez o público pular e cantar a plenos pulmões as músicas da banda, que seguem uma linha meio Soulfly e Machine Head, com músicos fantásticos. Grande abertura e aproveito para dizer que são caras que merecem tocar em locais maiores.

A segunda banda foi uma surpresa. O The Silence, apesar de ter em suas fileiras músicos que figuram e figuraram em bandas como Paura, Treta e Dead Fish, e o som possuir diversas passagens metal/hardcore, há texturas diferentes, vozes mais agonizantes, que aliado ao uso de sintetizadores, dão uma cara perturbadora ao som. Foge da mesmice.

O lado mais leve do estilo

EDC
As outras duas bandas já caminham na vertente mais comercial do estilo. O EDC, por causa das camadas de vozes ( muito bem feitas por sinal), lembram a Nação Zumbi com passagens mais pula-pula. O quinteto destilou sons de seus 10 anos de carreira, com destaque para Pássaros, atual vídeo do grupo e Mais um Dia, que foi cortada de forma abrupta.

O C-Real estava fazendo seu show de despedida e o som praticado é parecido com o da banda acima, mas possuem um tempero regional mais acentuado, tanto que contam com um percussionista na formação (que também responde pelo teclado). Pela qualidade apresentada, deveriam repensar sobre essa decisão, principalmente pela música Entre Vermelhos. Mas como sabemos que viver de arte no Brasil é um sonho para poucos...

A hora mais aguardada

Ill Niño
Só que já era uma da matina e todos queriam Ill Niño e o sexteto formado atualmente por Cristian Machado (voz), Ahrue Luster e Diego Verduzco (guitarras), Lazaro Pina, Dave Chavarri (bateria) e o brasileiro Daniel Couto (percussão) não deixou ninguém parado. Com uma performance energética, músicas pesadas, que aliadas a uma pegada brutal e uma grande atuação do frontman, a banda mostra que com o passar dos anos só fez bem a sua música, pois estão mais pesados, variados e experimentais. Não tem como não se empolgar com o dueto percussão e bateria e músicas como God Save Us, Unreal, What Comes Around, até o encerramento com a clássica Liar, de Revolution, Revolucion, que recebeu o reforço de Shucky Miranda nos berros.

A banda saiu ovacionada pelo público, principalmente por causa dos discursos do vocalista sobre a maconha e quando o percussionista citou que o público brasileiro era muito melhor que o da Argentina e provou que apesar do nome New Metal causar urticária para muitos fãs de som pesado,  bandas como o Ill Niño merecem no mínimo o nosso respeito.

13 de dezembro de 2012

WORST: NA VELOCIDADE DA LUZ


Banda com menos de um ano após de atividades  lança  álbum de estréia

Por João Messias Jr.

Na velocidade da luz!

Essa é a definição da trajetória da banda de HC/Metal WORST!

WORST
Divulgação
Formada pelos medalhões da cena paulistana Thiago Monstrinho (Voz - Chorume), Douglas Melchiades (Guitarra – One True Reason), Ricardo Brigas (Baixo – Música Diablo) e Fernando Schaefer (Bateria – Paura) lançaram com menos de um ano de atividades o primeiro álbum, “Te Desejo Todo O Mal Do Mundo”, que transita pelas antigas e atuais escolas do HC/Metal, sendo a trilha perfeita para muitas rodas e pescoços dilacerados.

Nessa entrevista com o baterista Fernando Schaefer, o músico nos conta da trajetória vencedora da banda.

NHZ: A história de vocês é interessante, pois teve como ponto de partida uma conversaentre dois bateristas: Fernando Schaefer e Thiago Monstrinho. Quando surgiu a ideia de trabalharem juntos, e musicalmente, como é ter “dois” bateristas na banda.
Fernando Schaefer: Somos amigos há muito tempo e sempre quisemos ter uma banda juntos. O jeito foi o Monstrinho ter ido pro vocal. Musicalmente ter dois bateras na banda é ótimo! Sendo sempre os músicos (bateristas) mais inteligentes das bandas,  tendo dois,  a coisa flui com mais rapidez!
Quem sofre com as infinitas divisões de tempo são os “cordistas” (risos)!

NHZ: Todos os membros do WORST fazem parte de outras bandas como Paura, One True Reason e Chorume. Como fazem para que as agendas não entrem em conflito e para que as ideias musicais não entrem em confronto?
Fernando: Com a Internet é fácil conciliar as agendas. Marcou em uma está marcado em todas. A junção das idéias dos músicos não deixa isso acontecer.

NHZ: Comente os lados positivos e negativos de se ter uma banda formada por músicos com ampla bagagem musical.
Fernando: Negativo? Nenhum!
Positivo é que você compõe e grava muito rápido, não cai em roubada, seu trabalho é muito mais valorizado e assim por diante.

CD Te Desejo Todo o Mal do Mundo
Divulgação
NHZ: Interessante é que rapidamente vocês já tinham músicas próprias e com menos de um ano de banda já soltaram o CD “Te Desejo Todo O Mal do Mundo”. O que estão achando da divulgação e repercussão do trabalho?
Fernando: Está sendo ótima! Trabalhamos com uma equipe muito eficiente. Desde a Against, que lançou o álbum logo que terminamos e também cuida do Merch da banda impecávelmente, além do excelente trabalho na nossa assessora de imprensa,  Damaris Hoffman.

Tudo tem seu tempo, mas o WORST graças a tudo isso está num um ritmo bem acelerado.

NHZ: Além de ser o primeiro trabalho físico da banda, é o debut da até então loja de roupas Against. O que os motivaram a abrir um selo para lançar o CD e o que estão achando da parceria?
Fernando:  Ótima!  O Paulo Bixo e a Against acreditaram no trampo do WORST desde o começo.

NHZ: Para promover o trabalho, vocês fizeram um vídeo da música Vícios. Como está a divulgação do clipe?
Fernando: Está bem legal, uma vez que está só no Youtube,  nem poderíamos querer que fosse de outra forma.

NHZ: Além da tijolada, que mescla as escolas antigas e modernas do Thrash/HC, vocês possuem grande preocupação com as letras, evidenciando o sofrimento, injustiças existentes no caos pós-moderno. Qual a importância da mensagem para o WORST?
Fernando: Não damos muita importância à mensagem. É mais uma retratação da realidade.

NHZ: Com esse ritmo rápido de trabalho, podemos esperar um 2° CD para o próximo ano?
Fernando: Com certeza! Já começamos a compor!

WORST
Divulgação
NHZ: Estarei citando algumas bandas e queria a opinião de vocês sobre elas: Madball, Agnostic Front, Cro-Mags e Korzus.
Fernando: O Korzus foi a minha escola de bateria. Se sou um batera “ok”, hoje em dia,  devo muito a banda.

Amo todas as outras bandas que citou.

NHZ: Para encerrar, conte da gravação do novo clipe para a música “Enterrado”, que será feita durante a apresentação do dia 16/12 em São Paulo. Vocês estão preparando alguma outra surpresa e se pretendem gravar todas as músicas para um lançamentoem DVD?
Fernando: Não tem surpresa não. Será um clip ao vivo com o áudio do álbum. Sobre um DVD, ano que vem sai com certeza!

NHZ: Obrigado pela entrevista! Deixem uma mensagem aos leitores do NHZ!
Fernando: Obrigado a todos!
FAÇA O HARDCORE CRESCER NO BRASIL!

5 de dezembro de 2012

PSYCHOTIC EYES: “SOU MUITO FRUSTRADO POR NÃO VER O 'I ONLY SMILE BEHIND THE MASK' LANÇADO FISICAMENTE”


Por João Messias Jr.

Quem trabalha de forma correta, sempre colhe os frutos. Não importa de que forma, mas a recompensa sempre aparece. O trio de Technical Death Metal, Psychotic Eyes vem recebendo excelentes críticas ao seu segundo trabalho, I Only Smile Behind the Mask. As resenhas positivas têm destaque ao nível técnico atingido pela banda e pela produção, assinada por JF Dagenais (Kataklysm).

 Nesta entrevista com o guitarrista/vocalista Dimitri Brandi, o músico nos conta da repercussão do trabalho, a opção de lançarem apenas de forma virtual, entre outras coisas.
 A palavra é sua, Dimitri:

Dimitri Brandi
Divulgação
NEW HORIZONS ZINE: Vocês estão na estrada há mais de uma década. Conte como era praticar death metal em 1999 e como avaliam a aceitação ao estilo hoje.
Dimitri Brandi: O death metal já foi o estilo mais popular de metal no Brasil. Quando o Sepultura estourou no mundo, na época de Beneath the Remains e Arise, todo mundo queria cantar gutural. Era uma situação parecida com o que aconteceu depois com o estouro do Metal Melódico, em que todas as bandas novas queriam soar como o Stratovarius. Quando começamos a banda em 1999, os estilos mais extremos de metal estavam por baixo. O que pegava era o metal melódico e o gothic metal com vocais femininos. Aos poucos o thrash foi ressurgindo, até estourar aquela onda de revival do Thrash oitentista, que não nos beneficiou, pois nunca quisemos soar retro. Durante a década de 2000 surgiram grandes trabalhos no Death Metal, principalmente de bandas como Behemoth, Nile e Kataklysm. Mas o estilo não recuperou a popularidade que teve antes, nem aqui no Brasil. Hoje são poucas as bandas que tocam Death em nosso país, mas felizmente são grupos excelentes.

NHZ: Em 2007 vocês lançaram o primeiro álbum full de vocês, que tem o nome da banda. Como foi a aceitação do CD?
Dimitri: Excelente, ficamos muito felizes e orgulhosos! O disco foi produzido pelo Alex Nasser, grande amigo e músico, ex-baterista do Avalon e do Scars. Lançamos o CD de maneira independente, arcando com todos os custos de gravação, prensagem, divulgação e distribuição. O disco foi muito elogiado pela crítica e pelo público, o que nos rendeu aparecer entre as bandas revelação e nas votações de melhores do ano. Mas também serviu de lição. Aprendemos como é difícil ser uma banda independente. Não conseguimos boas vendas, não conseguimos agendar uma turnê, shows de lançamento, nada disso. Mesmo investindo bastante no produto, por exemplo, fizemos um encarte de 16 páginas com todas as letras traduzidas, mas isso pouca gente comentou. Essa decepção serviu de aprendizado para o segundo álbum.

NHZ: Após o primeiro trabalho, a banda sofreu mudanças de formação, se tornando um trio. Como foi adaptar as canções a esse formato?
Dimitri: Foi um desafio para todos nós, mas principalmente para mim, que acabei virando o único guitarrista. Agora não tinha mais uma segunda guitarra para me apoiar, e eu deveria solar sem guitarra base, o que exige mais em termos de timbre e composição, pois o solo tem que chamar atenção mesmo sem uma base. Para isso precisei da ajuda dos mestres, tipo Alex Lifeson(Rush) e o Victor Smolsky (Rage), guitarristas que são extremamente hábeis nesse quesito, que jamais precisaram de alguém fazendo base para eles. Mas a formação de trio exige mais de todos os músicos, a bateria e o baixo tem que estar muito mais encaixados, sincronizados e entrosados. Felizmente eu toco com dois músicos fantásticos que são o Alexandre Tamarossi (bateria) e o Douglas Gatuso (baixo), que adoram a proposta de Power-trio, são entrosados e técnicos como poucos.

Psychotic Eyes
Divulgação
NHZ: Dando um salto no tempo, vocês contaram com o auxílio do produtor e músico do Kataklysm, JF Dagenais para a concepção do que veio a ser o álbum I Only Smile Behind the Mask. O que os motivaram a essa escolha e se no Brasil não havia ninguém que pudesse fazer esse trabalho?
Dimitri: Desde a primeira vez que ouvi um disco produzido pelo Dagenais eu imaginava que ele seria o produtor perfeito para o Psychotic Eyes. Foi com o disco “Epic” do Kataklysm. Até hoje me impressiono com a qualidade dos timbres, com o peso e agressividade que o JF Dagenais conseguiu, sem nada soar embolado, tudo nítido. Era esse tipo de som que imaginávamos para o nosso som, precisamos de peso, mas mantendo cada instrumento em seu lugar, eu gosto de ouvir os detalhes dos pratos da bateria, dos fraseados de baixo, sem que um instrumento cubra os demais. No Brasil temos excelentes produtores, vários profissionais muito esforçados, plenamente capazes de realizar esse trabalho, mas o Dagenais foi uma escolha pessoal, além de uma excelente oportunidade de aprender como é trabalhar no padrão “gringo” de qualidade. Foi uma chance que não poderíamos perder, pois ele ouviu nosso primeiro CD, gostou e aceitou a proposta de trabalhar conosco. Tudo correu tão bem que já o convidei para trabalhar novamente conosco, no nosso terceiro trabalho, e ele já aceitou!

Devida à colaboração de JF, vocês chegaram a conversar sobre fazer algumas apresentações no Canadá, ou mesmo por Europa e Estados Unidos?
Dimitri: Não. Ele não se envolve no agendamento dos shows do Kataklysm, eles são muito profissionais e lá fora rola uma separação especifica de atividades. Ele é o guitarrista da banda, e só. Chegamos a comentar sobre uma turnê conjunta na America do Sul, mas isso sempre depende dos produtores locais, e infelizmente aqui no Brasil temos preconceito contra as bandas brasileiras. As bandas do exterior conseguem tocar aqui porque são convidadas pelos mesmos produtores que rejeitam as bandas nacionais.

NHZ: Outra particularidade é que vocês contaram com Rodrigo Nunes (ex-Drowned e Eminence) para gravar os baixos. Houve alguma conversa para que ele ficasse na banda? Como chegaram ao atual dono dos graves, Douglas Gatuso?
Dimitri: Seria impossível o Rodrigo ficar na banda, pois ele mora em Belo Horizonte e não tem vontade nenhuma de se mudar pra São Paulo (risos). Ele é um excelente amigo e baixista, e fez um trabalho excepcional. No meio da gravação ficamos sem baixista, então liguei para ele pedindo socorro e ele prontamente se dispôs a ajudar. Fui a Belo Horizonte e ficamos dois fins de semana trancados no estúdio do Marcos do Drowned, compondo as linhas de baixo e gravando ao mesmo tempo. Depois que terminamos a gravação, precisávamos de um baixista e por indicação de outro grande amigo, o Bodão do Side Effects, apareceu o Douglas, que é também guitarrista de diversas bandas. É um excelente guitarrista, mas como baixista ele é um dos melhores do Brasil, com certeza o melhor com quem já toquei. Lamento que ele não tenha gravado o “I Only Smile Behind the Mask”, mas com certeza ele vai mostrar um trabalho ainda mais foda no nosso próximo álbum.

I Only Smile Behind the Mask
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O disco em si aponta grande evolução, cheio de músicas intrincadas e ao mesmo tempo, pegajosas. O que os bangers estão achando do disco?
Dimitri: Temos recebido somente comentários positivos por parte do público. As pessoas entenderam nossa proposta de misturar Death Metal com progressivo, sem esquecer dos estilos tradicionais do metal, como o Heavy Clássico, o Thrash e até mesmo o Hard Rock. As críticas também têm sido em sua maioria, positivas. Alguns críticos não gostaram, mas outros elogiam até de um jeito exagerado, dizendo que fizemos uma obra-prima. Isso me deixa muito orgulhoso, mas confesso que acho exagerado, ainda temos muito a aprender e a evoluir como banda. Poucos discos são obras primas, embora tenhamos alguns assim aqui no Brasil, com o último do Drowned, o “Tales of Death” (Zênite),  “Traitors Executers” (Side Effectz),The Hangman Tree” (The Mist), “Innocent Rise” (Monasterium), etc. Se “I Only Smile Behind the Mask” figurar entre esses, estarei satisfeito! 

NHZ: Vocês fizeram o show de lançamento no Carioca Club, ao lado do Korzus e Torture Squad. Como foi o evento em si, visto que o público foi para assistir as bandas citadas e o que pensam da realização de eventos como esse em casas de porte médio, como o Carioca?
Dimitri: Com certeza foi o melhor show da nossa carreira. Tocamos muito bem e o público adorou, respondendo muito bem ao nosso som, mesmo sem conhecer-nos, afinal o “I Only Smile Behind the Mask” sequer havia sido lançado. Apesar do público estar lá para ouvir Korzus e Torture Squad, temos que ter em mente que os fãs do metal nacional são muito mais receptivos às bandas novas do que aqueles que só ouvem bandas estrangeiras. Assim, mesmo sem conhecer nosso som o público do Carioca deu um show à parte, respondendo muito bem e de maneira empolgada.

NHZ: Vocês optaram por lançar de forma digital, disponibilizando para download gratuito. Como estão os acessos e as críticas?
Dimitri: A divulgação está excelente, mostrando que acertamos na escolha. O álbum já foi muito mais baixado do que o primeiro foi vendido. Ou seja, mais pessoas tiveram acesso à nossa música. Isso é o mais importante, para nós o principal é que a música atinja as pessoas, as toque de alguma maneira. Não temos a pretensão de fazer lucros com nossa arte, o que importa é que ouçam nosso som e gostem daquilo que fazemos. Além disso, precisamos reconhecer uma verdade: ninguém mais compra CDs, ainda mais de bandas de metal brasileiras. Se tivéssemos lançado o CD da maneira tradicional, amargaríamos um enorme prejuízo, e não teríamos nem metade da divulgação que o lançamento virtual propiciou.

Há algum plano para que o álbum tenha o formato físico?
Dimitri: Eu adoraria, pois antes de ser músico eu sou um fã de metal, e adoro ter o CD em mãos, ler o encarte, acompanhar as letras. Quem começou a ouvir metal com LPs de vinil entende o prazer indescritível que é ouvir um disco acompanhando as letras e “viajando” na arte gráfica. Então eu sou muito frustrado por não ver o “I Only Smile Behind the Mask” lançado fisicamente, mas eu não sei se será possível.

As músicas que mais curti no trabalho foram Throwing Into Chaos e Dying Grief. Ambas apresentam técnica e coesão. Como foi (e continua sendo) a preparação para a execução nos palcos?
Dimitri: Obrigado! Suas escolhas foram muito boas (risos). Throwing into Chaos já foi apresentada ao vivo, temos aberto todos os shows com ela. É uma música perfeita para abrir uma apresentação, com a bateria furiosa, o riff galopado estilo Grave Digger e os refrãos guturais. Já Dying Grief é uma música muito difícil de ser bem executada ao vivo, mas temos ensaiado ela repetida e exaustivamente, até preparamos um improviso bem setentista para a hora do solo.

Psychotic Eyes
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Outro som que chama a atenção é The Girl, que é baseada em Geni e o Zepelim (Chico Buarque). Essa canção pode definir todas as variantes do som do Psychotic Eyes. Podemos dizer que essa canção representa o que é o Psychotic Eyes?
Dimitri: Acho que sim. Creio que seja a minha música preferida da banda. Com certeza é o solo que mais gosto de tocar. Também é outra faixa muito difícil de ser bem executada. Algo que admiro muito nela é a linha de bateria. O Alexandre fez um arranjo que é uma verdadeira obra-prima, a bateria vai contando a história, com o ritmo sendo alterado à medida que as emoções transmitidas pela letra vão sucedendo. O fraseado de baixo também é muito interessante, e gosto muito da forma como a música transita entre vários estilos do metal. Há riffs Thrash, fraseados de Hard Rock e melodias de Doom Metal. Tudo isso dentro de uma mesma faixa, contando uma história de forma bem épica.

NHZ: Recentemente vocês estiveram na Expomusic, a maior feira de música da América Latina. Como enxergam essa oportunidade de divulgação do som e aproximação dos fãs?
Dimitri: Esses eventos são excelentes, mas achei a feira deste ano fraquíssima. As marcas não trouxeram nenhuma novidade interessante e havia poucos fãs. Mas tivemos a oportunidade de gravar uma excelente entrevista para o Stay Heavy, e só isso já fez o evento valer à pena.

NHZ: Para encerrar, vou citar algumas bandas que fazem um som na mesma linha de vocês e queria a sua opinião sobre elas: Necromesis, Cangaço, Death e Sadus.
Dimitri:
Necromesis: Adoro o som desses caras! Gostaria muito de tocar com eles algum dia!

Cangaço: É uma banda que me dá muito orgulho da cena brasileira, mas não acho o som deles parecido com o nosso, apesar de excelente. Fiquei muito orgulhoso quando eles tocaram no Wacken, pena que não ganharam. Sempre quis tocar no Nordeste, já acompanhei shows lá, principalmente em Recife, e sei que é uma das cenas mais fortes do Brasil. Pena que nunca tivemos a oportunidade de sair daqui do sudeste.

Death: É a minha banda preferida! Chuck Schuldiner é o maior gênio da música do século XX, em todos os estilos. É um compositor erudito, que deveria figurar ao lado de Bach, Beehoven, Tchaikovsky e Villa Lobos, e só não é reconhecido porque escolheu emprestar seu talento ao seu estilo preferido, exatamente o mais extremo da música, que é o Death Metal. Além disso, ele era um guitarrista extraordinário e um letrista profundo, verdadeiro poeta da arte extrema.

Sadus: Estaria mais confortável falando do Cynic, mas acho elogiosa a comparação do Psychotic Eyes com o Sadus, a banda que revelou um dos maiores baixistas de todos os tempos, Steve DiGiorgio. Acho a banda excelente, mas creio que faltava um “algo mais”, é uma música extremamente técnica, mas em que às vezes falta empolgação. São poucos os compositores que conseguem acertar o ponto ideal, entre a mistura da técnica e a emoção. Chuck era o melhor de todos, mas outros também o fazem, como Jeff Waters (Annihilator)  e Dave Mustaine (Megadeth).

NHZ: Obrigado pela entrevista! Deixem uma mensagem aos leitores do New Horizons Zine.
Dimitri: Muito obrigado pelo espaço e parabéns pelo excelente trabalho que vocês fazem! Ao leitor do zine, eu quero transmitir a mensagem de que vocês são a elite dos fãs da música de qualidade feita no Brasil. Quem acompanha zines é o público diferenciado, que tem cuidado e amor pela música, que não se deixa levar por modas nem aceita que a mídia diga o que se deve ouvir. Obrigado e parabéns, o Psychotic Eyes existe para ouvintes como vocês.

Dowload Gratuito de “I Only Smile Behind The Mask”:
http://psychoticeyesbrazil.blogspot.com.br/p/downloads_27.html