29 de janeiro de 2013

TRAYCE: “BITTERSWEET UNE DOIS SABORES OPOSTOS, MAS QUE FAZEM TOTAL SENTIDO JUNTOS”

Por João Messias Jr.

Mudanças de nome, formação e censura no Youtube. Esses seriam motivos para qualquer banda desanimar e até entregar os pontos. Não foi o caso do quinteto paulista Trayce. Formado atualmente por Alex Gizzi e Fabrício Modesto (guitarras), Rafa Palm Ciano (baixo), Marcelo Campos (bateria) e o novo vocal Marcelo Carvalho seguem firmes, numa vibração promissora, que tem tudo para chegarem ao ápice da carreira.

Nesta entrevista feita com o Marcelo Campos, o mesmo nos conta dos acontecimentos citados acima e o atual momento da banda:


Capa do álbum Bittersweet
Divulgação
New Horizons Zine: Vocês passaram por alguns perrengues antes e após o lançamento do álbum “Bittersweet”, as quais citarei no decorrer da entrevista. Vamos começar com a mudança de nome às vésperas do lançamento do novo CD. O que ocorreu para que o antigo nome Ace 4 Trays fosse substituído pelo atual?
Marcelo Campos: O nome “Ace 4 Trays” não estava soando bem para o mercado exterior. A criação da banda já foi caucada na idéia de que iríamos expandir nosso trabalho para fora do Brasil, por vários motivos, entre eles por conta do estilo de som, pois na época não havia uma cena local como temos hoje, pelas composições serem em inglês, etc. Várias pessoas da gringa nos incentivaram a mudar o nome, pois algumas portas se fecharam pelo fato do nome não fazer sentido algum. Então decidimos fazer esta mudança de vez ás vésperas do lançamento do novo álbum para que a gente não se prejudicasse ainda mais no futuro. Foi uma atitude arriscada já que estávamos a um tempo tentando estabelecer nosso nome na cena, mas analisando hoje, não poderíamos ter feito escolha melhor.

NHZ: Aproveito para parabenizar a banda pela preocupação com os títulos dos dois trabalhos. O primeiro “Roll The Dice” (Jogue os Dados) mostra uma banda underground expondo seu primeiro CD ‘full’ enquanto o novo CD, “Bittersweet” (Agridoce) dá a receita do que encontrar, brutalidade e melodia. Conte sobre a escolha dos títulos e se a intenção era essa mesmo.
Marcelo: Muito obrigado, que bom que gostou. Quando escolhemos o nome “Roll The Dice” tínhamos em mente que por ser nosso primeiro trabalho, estávamos dando uma espécie de “start”, entrando em cena, “lançando os dados” literalmente, dando a cara pra bater e apostando nossas fichas naquele momento. “Bittersweet” surgiu quando notamos que as letras num contexto geral expressavam sentimentos em comum entre elas, algumas com uma visão mais otimista e outras com uma visão mais pessimista sobre as coisas. Nosso ex-vocalista deu a idéia de intercalarmos essas músicas, criando uma mistura de sentimentos, mostrando de alguma forma que o bem não vive sem o mal, e vice-versa. Por isso escolhemos a palavra “Bittersweet” (Agridoce, em português), que une dois sabores opostos, mas que fazem total sentido juntos.

Trayce
Divulgação
NHZ: O novo CD é forte e possui uma forte carga emocional, sendo possível dizer que é o balanço perfeito entre o underground e o mainstream. Músicas como “Land Of Hatred” e “Look At Yourself” podem figurar nas rádios rock do país. O que pensam sobre isso?


Marcelo Campos: Acho que essa veia mainstream vem das influências que temos. Somos extremamente ecléticos, também ouvimos outros estilos de música fora do Rock e isso só faz com que nossas mentes permaneçam abertas na hora de compor, não existe limitação. Amamos Pantera com a mesma intensidade que amamos Alice In Chains por exemplo, entre outras bandas. Talvez esta gama de diversidades faz com que o nosso trabalho tenha um diferencial. Seria ótimo se as rádios rock dessem mais espaço para as bandas de Metal independentes, não só para nós, mas a todas que trabalham de forma profissional e que sobrevivem no underground.

NHZ: “Price To Pay” foi a música escolhida para ser o vídeo. Mas o clipe, por conter cenas de ‘nudez’ (apenas a atriz com os seios de fora) fez com que o mesmo fosse censurado. Isso ajudou ou atrapalhou na divulgação do trabalho?
Marcelo: Acho que mais atrapalhou do que ajudou. Já lemos por aí que se trata de um clipe “polêmico”, mas está longe, muito longe disso. As pessoas que nos “deduraram” para o Youtube talvez tenham achado isso (risos). O clipe foi concebido a partir de quando encontramos o diretor (André Vidigal) e ele se interessou pela idéia, pela música e entrou de cabeça no projeto. O intuito era que o clipe saísse dos padrões, queríamos algo com mais arte e menos pose... ...algo que fizesse as pessoas se questionarem. Na primeira semana de lançamento o vídeo estava com uma crescente incrível de acessos até alguém denunciá-lo como conteúdo impróprio, só por aparecer alguns seios. Não havia conotação sexual, mas mesmo assim foi julgado como. Isso fez com que as pessoas tivessem mais trabalho para assisti-lo, e claro, isso interferiu no número de views.

Trayce
Divulgação
NHZ: Vocês mantiveram a tradição iniciada no trabalho anterior “Roll The Dice” nas baladas. Aqui “Falling” faz a vez. Para vocês, qual a importância de ter uma música deste estilo no álbum? Já executaram essa música ao vivo?
Marcelo: Nós gostamos de baladas (risos). Na real, como eu citei anteriormente, na hora de compor nós não impomos limites e jamais pensamos com cunho comercial do tipo “as garotas vão gostar dessa música”. “Falling” simplesmente surgiu através do nosso guitarrista Alex Gizzi que nos apresentou a música, de cara nós adoramos e começamos a lapidá-la. Ela deu o tipo de contraste que o álbum precisava. É um outro lado do Trayce que nós achamos interessante mostrar, ela veio como um respiro em meio a toda ira demonstrada nas outras composições. Não é o tipo de música que dá para se tocar em todo o show, ela tem uma vibe toda especial, mas quando a executamos ao vivo é impressionante o número de pessoas que a cantam e se emocionam.

NHZ:Mesmo com um ótimo disco nas mãos, a banda teve a saída do vocalista Diego Prado. O que ocorreu para essa mudança?
Marcelo: Logo após o show de lançamento do disco, ele demonstrou não estar mais com a mesma empolgação que o restante da banda em fazer uma nova turnê e trabalhar o novo material que tínhamos em mãos. Ele enfrentou problemas pessoais e pediu um tempo para banda, para colocar as coisas no lugar e isso fez com que o Trayce ficasse parado por meses, com o disco recém-lançado em mãos, com ótima receptividade por parte do público e crítica especializada, e datas sendo recusadas devido a nossa atitude de respeitar e preservar o momento dele. Após este longo período de espera, ele mesmo escolheu sair da banda. Tivemos que nos reestruturar e tentar recuperar o tempo perdido.

Trayce no Live Metal Fest
João Messias Jr.
NHZ: Hoje a banda conta com Marcelo Carvalho (ex-Hateful), que ficou conhecido pela participação no programa de calouros do Raul Gil e por ter participado do CD do Eclipyka. Como chegaram até ele e no que o fato dele ter aparecido na grande mídia pode ajudar a banda?
Marcelo: Eu já conhecia o trabalho do Marcelo Carvalho desde 2009 através de vídeos na internet, antes mesmo de sua participação no programa Raul Gil. Eu já havia visto o clipe do Ecliptyka (que por sinal é ótimo), mas não tinha me ligado que ele se tratava do mesmo cara que eu havia visto pela internet anos atrás. Após abrirmos testes para escolher o novo vocalista, me lembrei dele e fui atrás de saber como estava sua carreira. Foi então que descobri sobre sua participação no programa Raul Gil e entrei em contato. Apresentei o trabalho da banda e mesmo estando em um momento bom com seu projeto solo, ele se interessou pela gente e topou fazer parte do Trayce. Claro que o fato dele ter aparecido na grande mídia nos ajudou, muitos fãs que ele conquistou passou a nos acompanhar e nosso público também passou a acompanhar o trabalho dele. Então foi um casamento que deu muito certo para ambas as partes.

NHZ: Vocês já se apresentaram com a nova formação no Live Metal Fest, na Capital e em Jundiaí, com o Eclyptika. Como foram essas apresentações e como o novo vocal está integrado ao grupo?
Marcelo: Foram shows sensacionais. Não sabíamos como o público iria receber “o novo Trayce”, como iria receber o Marcelo, mas logo no final da primeira música sentimos que todos os medos e problemas que havíamos enfrentado tinham acabado ali. O Marcelo além de uma grande pessoa e profissional, sabe como interagir e cativar o público. O entrosamento está rolando com muita naturalidade, está muito mais fácil de se trabalhar. Encontramos alguém determinado e com o perfil que precisávamos para continuar, que nos transmitisse segurança e confiança.

NHZ: Voltando a falar do Live Metal Fest, o que acharam da iniciativa de juntar algumas bandas para mostrar ao público que temos bandas de rock/metal de qualidade?
Marcelo: Esta iniciativa partiu do nosso amigo Clayton Bartalo (vocalista do Screams Of Hate) que tinha a proposta de fazer com que esse festival acrescentasse a cena, com uma estrutura digna e que valorizasse o trabalho das bandas. Na primeira edição tivemos a honra de ter o Vitor Rodrigues (vocalista do Voodoo Priest, ex-Torture Squad) como mestre de cerimônias e o projeto deu tão certo que outras duas edições já estão agendadas, inclusive o Trayce participará da próxima que acontecerá dia 16/02 na Inferno Club em São Paulo, junto ao Screams Of Hate, Command6, Holiness, Hatematter e Hammathaz, todas bandas de excelente qualidade e expressão no underground!

Trayce no Live Metal Fest
João Messias Jr.
NHZ: Para encerrar, visto que estamos acabando o ano, quais os discos nacionais e internacionais que mais agradaram vocês?
Marcelo Campos: 2012 foi um ano muito produtivo para o Metal, principalmente o nacional. Gostaria de destacar os seguintes álbuns:

Nacionais:
- Command6: Black Flag
- Ancesttral: Bloodshed and Violence
- Error: Own Hell
- Rygel: Imminent
- Thriven: Bag Of Scumbags
- Screams Of Hate:Corrupted
- John Wayne: Tempestade
- Fai: Crença Sem Fim
- Andragonia: Memories
- Hatematter: Doctrines
- Defensa: Gigantes Pela Própria Natureza
- Savant Inc.: Híbrido
- Heptah: Master Of Delusion
- Threat:Overcome
- This Grace Found:Seasons Of Madness
- Claustrofobia:Peste

Internacionais:
- Testament:  Dark Roots of Earth
- Lamb Of God:Resolution
- Stone Sour:House Of Gold & Bones Part 1
- As I Lay Dying, Awakened
- Rush:Clockwork Angels
- Kiss:Monster

NHZ: Obrigado pela entrevista! Deixem uma mensagem aos leitores dessa publicação!
Marcelo Campos: Primeiramente, gostaria de agradecer ao NEW HORIZONS pelo espaço e parabenizar pelo ótimo trabalho. A cena precisa de mais veículos como o de vocês. Muito obrigado a todas as pessoas que curtem, apoiam e acompanham o Trayce. Estamos com muitos projetos para 2013 e a força de vocês é fundamental para fazer tudo acontecer. VIVA O UNDERGROUND.

26 de janeiro de 2013

AÇÃO DIRETA: O MELHOR TRABALHO DA CARREIRA

“Novo disco do quarteto, Worldfreakshow mostra que é possível atualizar sua música sem o uso de tendências e modernismos”

Por João Messias Jr.

Capa do álbum Worldfreakshow
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Com 25 anos de carreira, o quarteto do ABC paulista,  Ação Direta,  poderia estar vivendo do seu glorioso passado, fazendo poucos shows e algumas tours, entre outras coisas que algumas bandas com muito menos glórias e prestígio fazem ao atingir certo tempo de estrada.

Formado atualmente por Gepeto (voz), Pancho (guitarra), Gallo (baixo) e Marcão (bateria), os caras capricharam no oitavo trabalho da carreira. 

Com o sugestivo título de Worldfreakshow, a banda chegou ao ápice da sua mistura inspirada de metal, thrash, hardcore e crossover, fazendo canções fortes e grudentas, perfeitas para serem executadas ao vivo, como Zeitgeist e Forced Needs, essa com ótimos riffs lentos, cadenciados e grudentos.

Outro aspecto de destaque são as participações de peso, com “elementos” de bandas como Krisiun (Worldfreakshow), Test (O Pacto), Korzus (Useless Complex), Dead Fish (Bem Sabe Qual É) e Ulster (Caspa do Diabo), dona de uma letra muito bem sacada

A qualidade sonora possui mais um atrativo: as canções mesclam os idiomas português, espanhol e inglês, sem perder a medida, mostrando que esse tipo de problema não rola com os caras. O trabalho tem como “recheio” a ótima produção de Marcello Pompeu e Heros Trench com a própria banda, que é bem orgânica e o acabamento num caprichado digipack.

O quarteto chega ao "Jubileu de Prata" apresentando seu melhor trabalho até agora. Para quem conhece o som do quarteto sabe que os caras não possuem um disco ruim.



24 de janeiro de 2013

COMMAND6: "AS LETRAS DESSE DISCO SÃO UMA CRÍTICA AO COMPORTAMENTO HUMANO INDIVIDUAL E SOCIAL"


Por João Messias Jr.

Raiva, atitude, peso com um frescor de novidade!

Command6
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Essa é a definição que se tem ao escutar o segundo trabalho do hoje quarteto paulista Command6. Atualmente formado por Wash (voz), Bruno Luis (guitarra), Johnny Hass (baixo) e Bugas (bateria) expressa letras com dizeres sinceros.

Junto às letras conscientes temos um som que caminha por várias vertentes do metal que não caem na previsibilidade e que tem como recheio camadas de vozes que deixam às canções especiais, como o caso de Sunshine, que pode ser considerada uma das músicas mais inusitadas de 2012.

Nesta entrevista com a banda, eles nos contaram do trabalho, shows e muito mais!

NEW HORIZONS ZINE: Ano passado vocês lançaram o segundo álbum, chamado “Black Flag”. O que estão achando da divulgação do trabalho?
Bugas: A galera tem recebido muito bem o disco, tem rolado diversas oportunidades de entrevistas e etc. Enfim, estamos fazendo o possível para fazer a divulgação do disco chegar o mais longe possível.

Johnny Hass: Recebemos muitas mensagens de pessoas de fora de São Paulo e fora do Brasil, porém 2013 vai ser o ano para consagrar o “Black Flag”.

NHZ: Antes de falar das músicas em si, vale a pena citar a arte da capa, pois ela mostra a bandeira do Brasil envolta de manchas pretas. Como surgiu esse conceito e isso tem a ver com o lado político do país?

Wash: Em primeiro lugar, gostamos de deixar bem claro que não se trata de um disco conceitual apesar das letras terem uma certa conexão. O lance é que as letras desse disco são uma crítica ao comportamento humano individual e social. E nesse caso nada melhor que assumirmos esse desvio de conduta também, e como brasileiros, colocarmos a bandeira do nosso país manchada de preto simbolizando essa atitude negativa.                                  
Capa do álbum Black Flag
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NHZ: Musicalmente vocês apostam na fusão de várias vertentes do rock e metal, tendo como base o instrumental pesado e trabalhado, acompanhado de uma rifferama thrash.

Como é juntar diversos estilos e linhas musicais para fazer o som do Command6?

Bugas: Para nós é muito natural. Cada um curte um estilo de som e na hora que as ideias se juntam, sai um disco estilo Black Flag (risos).

Bruno Luis: É uma mistura de todos os estilos de música que já ouvimos. Nós nunca conseguimos saber como cada música soará até o final do processo de composição e isto com certeza define o estilo do Command6.

NHZ: No meio de todo o peso, vocês se preocupam com as linhas vocais e backing vocals, onde criaram linhas interessantes como em Ace in the Hole. Qual a importância dessas camadas de vozes?

Bruno: Existem lugares onde podemos explorar mais linhas de vozes e timbres diferentes e muitas ideias do Black Flag surgiram durante as gravações. Essa experiência é sempre refrescante.

Wash: É importante porque acima de tudo fazemos música e queremos atingir o maior número de pessoas possível tocando no nosso estilo.

Outro fator é que queremos e gostamos de expandir nossos limites como instrumentistas e compositores. Assim, tudo que nos parece bom, nós colocamos na nossa música.

NHZ: Outro exemplo é a faixa Sunshine, que pode ser considerada a faixa mais diferente que fizeram, pois ela lembra muito o período do grunge e principalmente o Audioslave. O que acham dos estilos que citei?


Bruno: A Sunshine é uma música voltada para a melodia, e nós tivemos muito cuidado com as harmonias de voz. Com certeza, um dos melhores refrões do álbum.

Wash: É curioso você dizer isso porque eu sempre senti que essa música tem uma pegada de metal tradicional (risos). Além disso, durante as sessões de gravação dos vocais, nosso produtor, Adair Daufembach, me pediu pra usar o David Coverdale (Whitesnake) como referência para cantar.

Mas pode ter certeza que temos influência de grunge e o Audioslave tem uma obra excelente. Mas acho que a música do Black Flag que se aproxima mais deste estilo é a So Cold.


Command6
Divulgação
NHZ: Ainda falando dessa música, vocês pensaram na possibilidade dela NÃO ser incluída no álbum?

Bugas: Que eu me lembre não. Alias, algumas músicas foram limadas desse disco, mas não a Sunshine.

Bruno: Pelo fato desta música ter um estilo tão peculiar, acreditamos que ela seria fundamental para a dinâmica no “Black Flag”.


NHZ: Vocês surpreenderam até na escolha do cover, pois fizeram uma versão para Maior Abandonado (Barão Vermelho), que inclusive contou com a participação do vocalista do Kiara Rocks, Cadu Pelegrini. Como foi o processo da escolha da canção e do convidado?

Bruno: O Kiara Rocks é uma grande banda de hard rock cantado em português e achamos que seria interessante essa mistura de estilos.

Johnny: Nós sempre vimos que as bandas faziam versões de bandas gringas e já consagradas, como queremos inovar até mesmo no cover, decidimos escolher um som que deixa todos os nossos rótulos no chão e fazer um cover do Barão Vermelho que é uma banda que todos nós admiramos e escutamos desde pequenos, e para a escolha do Cadu, acabou acontecendo naturalmente, conhecemos ele e vimos que ele mandava muito bem, e certamente foi a escolha perfeita, pois quando ele foi gravar, parecia que ele nasceu para cantar ela, foi muito legal e muito proveitoso para a banda.


NHZ: Infelizmente nem tudo são flores para a banda, recentemente o guitarrista Attílio Negri deixou o grupo. Como vocês encaram esse processo de trocas de formação e se já tem algum substituto em vista.

Bugas: Troca de formação é sempre trabalhoso. É triste, mas temos que encarar a realidade. Temos muito trabalho a fazer e já estamos resolvendo essa questão. Em breve anunciaremos quem irá se juntar ao time! Bola pra frente...

Bruno: A ideia de mudar a formação nunca foi bem vinda no Command6, mas nós não podemos permitir que alguém não esteja feliz neste grupo. Sem confiança e sinceridade, não acontece nada.


Command6 no Live Metal Fest
João Messias Jr.
NHZ: Vou citar alguns vocalistas e queria a opinião de vocês à eles: John Bush (Armored Saint, ex-Anthrax), Vitor Rodrigues (Voodoopriest, ex-Torture Squad) e Tom Araya (Slayer).

Wash: John Bush canta demais e deveria ser mais ouvido e respeitado. Na boa, costumo ouvir muita gente se referindo a vocalistas, bem meia boca, como mestres e tal, mas na verdade não serviriam nem para levar água para o John Bush no palco (risos).


Vitor Rodrigues é uma lenda e um baita talento, e não posso deixar de dizer que tive a oportunidade  de conhecê-lo pessoalmente e saber que ele é um cara muito gente fina. É daquele tipo de pessoa que é saudável estar perto Quanto ao Chileno... escute a música Black Flag com atenção e você vai saber o que penso dele (risos)!


NHZ: Para encerrar, recentemente vocês participaram da primeira edição do LIVE METAL FEST, que também contou com as bandas Trayce, Screams of Hate, Against Tolerance e Kyhary. Qual a importância desses festivais para as bandas independentes de metal nacional?

Bruno: Fantástico! O Live Metal Fest veio para revolucionar a cena de metal nacional e com tantas bandas de qualidade em dias como hoje, chega a ser um absurdo algo como isto ter demorado tanto para acontecer!


Johnny: Com certeza precisamos de mais festivais como esse, sei que todos que estavam lá gostaram, pois em um domingo chuvoso, dia de Formula 1 em São Paulo e com o ENADE, o festival estava cheio!  A galera como sempre representou demais.

Mais pessoas deveriam abrir os olhos e ver que a cena do metal aqui no Brasil é forte, e que se tivesse um pouco mais de dedicação e investimento por parte das casas de show e dos organizadores renderia muito dinheiro para eles.


Command6 no Live Metal Fest
João Messias Jr.
NHZ: Obrigado pela entrevista! Deixem uma mensagem aos leitores desta publicação.

Bugas: Em 2013 teremos muitas novidades! Fiquem ligados...

Bruno: Apóiem as bandas nacionais! Vamos mudar esta cena para melhor! E de uma vez por todas!

Wash: 2013 é o ano do Command6. Sei disso porque vamos trabalhar muito para levar nossa música para todos os lugares. Acompanhem a banda e me corrijam se eu estiver errado (risos). Saúde e abraços a todos!

Johnny: É isso ai galera como deu para perceber 2013 vai ser um ano cheio de novidades e vamos trazer para vocês muitas novidades, aguardem que vem uma porrada de shows e conteúdo do Command6. Abraços!

18 de janeiro de 2013

SUICIDAL ANGELS: THRASH METAL À GREGA

Apresentação de quarteto mostrou que a Grécia possui um dos nomes mais poderosos do estilo

Texto e fotos: João Messias Jr.

A banda grega Suicidal Angels deu aos bangers o que eles queriam: Thrash Metal e pescoços dilacerados. Os gregos, formado atualmente por Nick Melissourgos (vocal/guitarra), Angel Kritsotakis (baixo) e Orfeas Tzortzopoulos (bateria) apresentaram muitas novidades. Além do novo álbum, Eternal Domination, foi uma das primeiras apresentações do guitarrista Chris Tsitsis com a banda.

Nesta noite atípica, com muita chuva e frio em pleno verão, foi a minha primeira vez no Hangar 110, localizado próximo ao metro Armênia. Conhecido por sua tradição no punk/hardcore, a casa está acostumada a receber atrações nacionais e internacionais de renome como Matanza, Ratos de Porão, At the Gates, só para citar alguns.

Renê Simionato (Guillotine)
A primeira banda que se apresentou nesta noite foi o quarteto Guillotine, que apresentava a nova formação, com o baixista Renan Carrenho (ex-Depressed), que junto aos asseclas Rene Simionato (guitarra/vocal), Luis Pizano (guitarra e vocais limpos) e Gil Oliveira (bateria, Necromesis), apresentaram novos sons, alguns com contornos épicos e setentistas, que junto ao habitual Speed/Heavy/Thrash tem tudo para conceber um registro no mínimo interessante.

O show do quarteto encerrou com Terminator, que possui um dueto de guitarras de fazer inveja aos grupos de NWOBHM.

Baita show de uma noite que estava apenas começando!

A realização de um sonho

Flávio Soares (Leviaethan)
Quando eu era garoto, não trabalhava e dessa forma não tinha capital para comprar discos. Então para comprar os bolachões, juntava jornal, latinha, e garrafas vazias. Claro, nunca dava para comprar os álbuns de bandas consagradas, mas felizmente dessa forma conheci diversos tesouros da cena nacional, entre eles o Leviaethan. Foi a realização de um sonho ver Flavio Soares (baixo/vocal), agora acompanhado pelos asseclas Manoel e Denis Blackstone (guitarras) e Ricardo “Ratão”(bateria).

A apresentação dos gaúchos foi especial por alguns aspectos. O primeiro é que estavam em divulgação do relançamento em CD do primeiro álbum, Smile (1990) e o outro que se apresentavam num formato diferente de habitual. Como o vocalista Flávio estava inapto para tocar baixo (segundo ele, graças a “uma merda” que ele fez no Ano Novo), a banda se apresentou com uma guitarra apenas, com Manoel fazendo às vezes no baixo.

Foi realizar mais um sonho ouvir canções do debut como The Last Supper, AIDS e Echoes From the Past, que embora sejam cruas e nos remetam aos primórdios do Thrash, esbanjam energia. Além delas, o quarteto executou, Disturbed Mind e as novas The Time Has Come (Yours) e Hell is Here, que farão parte do terceiro trabalho da banda.

Só faltou o hino Pimponetta, mas nada que ofuscasse o brilho dessa apresentação.

Nessa hora, o público começava a encher a casa e ocorreram as primeiras rodas.

Nova formação

Adriano Perfetto, Helio Patrizzi (frente)
e Enrico Ozio (Bywar)
Já com um ótimo público, quem também apresentava nova formação era o Bywar, que agora atua como um trio. Adriano Perfetto (guitarra/vocal), Helio Patrizzi (baixo) e Enrico Ozio (bateria) seguram bem as pontas neste formato e penso que outra guitarra não faz falta ao som dos caras.

Disse em outras resenhas, mas se torna pertinente falar: quem conhece o som dos caras desde a sua fundação, nos anos 90, percebe que os caras se livraram das influências germânicas e hoje praticam uma música própria, original, oitentista e livre de modismos.

Assim como o Guillotine, essa foi a melhor apresentação que vi dos caras!

Grécia em crise? No metal, não!

Nick Melissougos (Suicidal Angels)
Após umas "introduções" com músicas atípicas para o público, às 22h30 em ponto, começou a apresentação do Suicidal Angels. De forma direta, os gregos deram o que o público (que já lotava a casa) queria: muito thrash. O legal dos caras é que embora possuam aquela “pegada” européia, escapam do esquema alemão, provando que é possível absorver influências do som clássico e montar uma cara própria.

O nível técnico dos caras é muito bom, alternando riffs pesadíssimos e solos vindos do Metal Tradicional, com destaque para Chaos (The Curse is the Burning Inside), a pegajosa The Pestilence of Saints, com um refrão sensacional, Reborn in Violence, Moshing Crew e o encerramento com Apokathilosis.

Alguns fatores fizeram dessa apresentação algo marcante, que embora ainda estamos no começo do ano, tem tudo para figurar entre as melhores de 2013: a postura do vocalista/guitarrista Nick Melissourgos, que soa como uma espécie de "general" ditando ordens para o público, além de uma postura (apenas em cima do palco) sisuda, de fazer inveja para Dave Mustaine (Megadeth) e Ritchie Blackmore (Blackmore’s Night). Dessa forma, o músico “convocava” os bangers para subir ao palco e saltar ao público.

Outro fator de orgulho foi ver o baixista Angel Kritsotakis, tocar com a camisa do Krisiun, evidenciando a importância do trio gaúcho na cena extrema.

Apesar de um show curto, com pouco mais de uma hora, foi uma  excelente noite de Thrash com toda a certeza! Vamos cruzar os dedos e torcer para virem novamente, de preferência para um local maior!

12 de janeiro de 2013

OS ÚLTIMOS DIAS DE 2012...

EPs virtuais, entrevistas e festivais foram os maiores destaques da segunda metade de 2012

Por João Messias Jr.

Amigos!

Seguem nas próximas linhas a segunda e última parte da retrospectiva de 2012.

Kamala
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Começo com as entrevistas, onde os destaques foram o editor da Extreme Brutal Death, Cássio Antestor nos conta da cena cristã e sobre o novo formato da revista, que deixou de ser impressa e passou ao formato virtual e gratuito, que pode ser baixada no portal da revista.

O quarteto Kamala, conhecido por trazer muitas experimentações no seu Thrash, apostou num "plus" para elevar ainda mais o trabalho apresentado no álbum The Seven Deadly Chakras. A capa do CD foi estampada pela atriz de filmes adultos, Bruna Vieira, que com seu belo corpo e diversas tatuagens, no mínimo fará que as pessoas descubram a banda.

Dimitri Brandi, guitarrista e vocalista do Psychotic Eyes foi outro que figurou por aqui, nos contando o porquê do novo trabalho "I Only Smile Behind the Mask" ter sido lançado apenas no formato virtual e como foi ter o trabalho produzido por JF Dagenais (Kataklysm).

O duo Tehilim Celtic Rock foi outro grupo que concebeu seu quarto CD neste formato. Além da nova forma de lançamento de Back to the New, o álbum marca mudanças no som, que recebeu mais contornos Hard e do Praise (louvor).

EPs virtuais

Continuando com a parte do download, alguns lançamentos neste formato foram resenhados aqui, com destaque para o som cheio de groove do UnblackPulse, a mescla de metal e eletrônico do Instincted, o metal diferenciado do Tier (que tem tudo para atingir o mainstream) e a rifferama thrash do Chaosfear.

A oportunidade de conhecer novas bandas

Bill Hudson (Vital Remains)
Foto: João Messias Jr.
Por mais que a internet esteja aí para facilitar o conhecimento e quebrar certas barreiras, não há melhor forma de se conhecer novas bandas por meio dos shows. 

São Bernardo recebeu no mês de aniversário da cidade três dias destinados a festivais gratuitos, onde cada dia foi agraciado com apresentações de um estilo. Claro que um dia foi destinado ao Metal, que além das consagradas Necromancia, Ação Direta e Seven7'h Seal, apresentou grupos como Woslom, Forka, entre outros.

A primeira edição do Live Metal Fest foi outro destaque, pois mesmo sendo realizado num dia em que haviam apresentações de grupos como Black Label Society, Creed e Arch Enemy, contou com um bom público, que saiu satisfeito com as apresentações das bandas Kyhary, Against Tolerance, Screams of Hate, Command6 e Trayce.

Os últimos dias de 2012 receberam algumas apresentações de destaque, como a vinda do grupo Ill Niño, que mostrou que o New Metal possui bons representantes, além de nos brindar com apresentações de grupos como Skin Culture e The Silence (essa, composta por membros e ex-membros do Paura e Dead Fish), que tem um som pesado e ao mesmo tempo experimental.

Para encerrar, merece créditos a apresentação do Krisiun, que contou com os grupos gringos Vital Remains, Malevolent Creation e Eutanos, além dos brazucas do Anonymous Hate. Realmente o trio gaúcho é motivo de orgulho para os bangers brasileiros, pois além de serem os headliners do evento, mostraram o porquê de serem considerados os maiores nomes da música extrema no mundo.

Nos próximos dias aguardem as primeiras matérias inéditas deste ano.

5 de janeiro de 2013

ÓTIMAS LEMBRANÇAS...


A primeira matéria do ano vem em forma de retrospectiva do melhor do 1° Semestre de 2012

Por João Messias Jr.

Sei que TODO MUNDO sempre fala que um ano foi melhor do que o anterior e por meio de gráficos e todas aquelas estatísticas que estudantes de marketing e administração adoram comprovam o quão produtivo foram os doze meses de tal período.

Patricia Tapia KHY
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Eu não estou fazendo demagogia e nem querendo apenas vender o peixe, mas o ano de 2012 ocorreram coisas muitas legais para o NEW HORIZONS. Uma delas foi o dobro de matérias publicadas em relação aos anos de 2010 e 2011.

Claro, não foi uma intervenção divina e houve muito trabalho envolvido. Mas o principal fator foi a confiança do público, bandas e assessorias em relação ao blog. Fica aqui meu muito obrigado pelo voto e como uma forma de agradecimento, resolvi fazer uma retrospectiva que será dividida em duas partes. A primeira, correspondente ao período de janeiro a junho, vocês conferem agora:

Tristeza momentânea

Os primeiros meses do ano ficaram marcados pelo fim da banda Rei Lagarto, que após o ótimo álbum The Forgotten Road, os integrantes resolveram seguir caminhos diferentes. Dentre os novos projetos, o vocalista Fabiano Negri veio logo com duas bandas novas, que à exceção da voz, muito pouco lembra o seu antigo grupo: Unsuspected Soul Band, que é um tributo à música negra e o Dusty Old Fingers, que possui uma sonoridade setentista e tem como tema do primeiro álbum a vida do eterno guitarrista dos Rolling Stones, Brian Jones.

Mulheres com garra

A alegria também marcou a primeira metade do ano. Bandas como a santista Shadowside e a paraense Madame Saatan, que embora possuam propostas musicais diferentes, tem em comum o fato de ter lindas vocalistas e executarem músicas fortes, intensas e que podem servir como uma trilha sonora para encarar as batalhas urbanas.
Os discos em si possuem histórias interessantes, como a primeira, que gravou o álbum Inner Monster Out no exterior e a Madame, em Sampa, com o produtor Paulo Anhaia, conhecido por seus trabalhos com grupos como CPM 22, Fresno, Resgate e Fates Prophecy.

Novidades vindas da Espanha

Outra novidade foi o fato de ter sido publicada a primeira entrevista com um grupo de língua espanhola. Patrícia Tápia (Mago de Oz, ex-Nexx) nos contou as novidades de seu atual trabalho, o KHY, que diferente do Hard/Heavy praticado por seus grupos, surpreende positivamente pelo fato de mesclar guitarras pesadas com um efeitos eletrônicos, que soam interessantes.

Giro no Nordeste e Hard dos 80

Uma amizade que gerou um intercâmbio. Sim, é o que podemos dizer que ocorreu entre as bandas Necromesis, do ABC paulista e os pernambucanos do Cangaço. Após proporcionarem aos novos amigos do nordeste a oportunidade de tocarem aqui no Sudeste, os manos retribuíram a gentileza para que os paulistas conhecessem as terras de Lampião e ACM. Dessa forma, fizeram os bangers lá de cima conhecer seu mais recente trabalho, o EP Evolving to an Underworld.

Já o Slippery provou o que independente de estilo e época, a boa música sempre terá espaço nos meios de comunicação. O primeiro álbum “full” do grupo, chamado First Blow mostrou que o Hard oitentista tem espaço em todas as casas de shows e na prateleira de CDs dos bangers.
Sons como a faixa título, Follow your Dreams e a competente versão para Night of the Demon (Demon) já podem ser consideradas clássicas e assim, cravaram um lugar na história Hard no Brasil.

Shows, shows e mais shows

Mark Farner
Foto: João Messias Jr
Claro, houveram muitas apresentações de peso tanto dos gringos, como das bandas daqui. Confesso que foi uma difícil escolha destacar os melhores, mas alguns que mereceram uma menção a mais foram os pocket shows da RavenLand, cujas canções no formato acústico, ficaram mais sofisticadas e obscuras, além de provar que a banda está no auge criativo, principalmente pelo jogo de vozes entre Dewindson Wolfheart e Juliana Rossi.

Além de apresentar o novo guitarrista, a banda Combate Vertical mostrou novas músicas que apontam um direcionamento mais pesado e que têm tudo para fazer um segundo disco tão poderoso quanto o debut Imagem de Deus.

Os veteranos do Necromancia fizeram o lançamento do seu terceiro CD, que tem o sugestivo título de Back From the Dead, mostrando que assim como o Hard Rock, o Thrash Metal nunca vai morrer, pois o trio soube atualizar sua música sem soar tendenciosa.
Para encerrar, uma das melhores apresentações vistas na vida: Mark Farner. A eterna voz do Grand Funk Railroad veio pela primeira vez ao Brasil. Dono de uma energia e carisma incomparáveis, esse senhor que já tem mais de 60 anos, não apenas lotou o Via Marquês em São Paulo, como fez todo mundo dançar ao som de We’re American Band e The Locomotion.
Esses foram alguns dos destaques do primeiro semestre de 2012. Logo logo tem o período de julho até  dezembro.