28 de abril de 2013

MORDY REX E IMPERIA: ROCK AND ROLL E POSITIVIDADE

“Grupos mostram que é possível fazer rock and roll passando bem estar em suas letras sem cairem no discurso religioso”

Por João Messias Jr. 

Reviver
Divulgação
Muitos adolescentes quando entram de cabeça no mundo do rock and roll, pensam que a rebeldia do estilo fica destinada as bebedeiras, roupas surradas e letras negativas. Mas os mais espertos logo caem na realidade que a verdadeira “ira” é poder fazer algo mais pelo estilo.

E nessa “busca”, temos os que escrevem matérias, fotografam e tocam, mas neste último é onde aparecem os poetas das futuras gerações. Por meio de suas letras, inspiram futuros livros, protestos e movimentos. Felizmente hoje, temos grupos que tem na mente que é possível colocar peso e distorção no seu som e passar algo de bom com suas canções, como é o caso dos dois grupos que irei comentar hoje: Mordy Rex e Impéria.

Vamos começar falando do Mordy Rex, que embora tenha um nome que divide opiniões (por soar engraçadinho), apresenta um rock variado que possui influências de bandas como Black Sabbath, Soundgarden, Golpe de Estado e o rock nacional dos anos 80.

O quarteto formado por Alan Amorim (voz/guitarra), Paulo Gianotti (guitarra), Flávio Carvalho (baixo) e Roger Alves (bateria) aposta em seu primeiro EP, chamado Reviver, num rock and roll puro e simples. Mas apesar da receita citada há pouco, a banda se destaca por alguns aspectos fundamentais: riffs ganchudos, um vocalista talentoso e claro, as letras, que te levantam.

Um dos exemplos está na faixa-título, que conta sobre uma pessoa que perde tudo e se levanta para encarar o que vem depois. Outro destaque é Estar com Você, que sem soar piegas, mostra como é bom dividir seu tempo com alguém que te faça sorrir.

A embalagem é muito criativa, num formato digipack, bem simples, mostrando que é possível criar bons produtos sem gastar tanto.

Em Dias Assim
Divulgação
Embora praticante do rock and roll, o Impéria, formado por  Marcio Deliberalli (voz), Felippe Deliberalli (guitarra),Ricardo Ueno (baixo),  Flavius Deliberalli (bateria) possui uma sonoridade bem diferente, pois possui uma sonoridade mais pesada e encorpada, com solos virtuosos e muitas mudanças de andamento.

Os maiores destaques do CD são a semi-balada O  Povo do Caos, os bons riffs de Em Dias Assim, a pesada Alta Voltagem, a acústica Dias de Paz. Só que o melhor ficou para o fim: as versões elétrica e acústica para Eu Sou o Que Eu Sou, ambas com um resultado muito bom e agradável aos ouvidos nos dois formatos. Não posso deixar de citar a excelente produção, feita por Fernando Magalhães.

Apesar de terem de acertar alguns detalhes no vocal, a banda mostra que pode ser uma alternativa para os fãs de rock não radicais, pois suas canções são fortes, tem apelo e o principal: tem algo a dizer. Como alguns  da faixa Alta Voltagem: “Deixo o mundo da ilusão/Para me Conectar/Falo das forças do Coração/Ouço a Verdade e a Emoção/Sinto uma Nova Pulsação/Que faz o Coração Chegar.

Dois trabalhos que contradizem toda a imagem “malvada” do rock and roll e provam que é possível SIM transmitir positividade e seguir o coração, sem cairem no panfletarismo.

Parabéns Mordy Rex e Impéria!

23 de abril de 2013

FORKA: “SOMOS VITORIOSOS SIM, PORQUE O PRINCIPAL E GOSTAR DO QUE FAZ.”


Com dez anos de estrada, o quinteto do ABC paulista pode comemorar mais uma vitória em sua carreira. Formado atualmente por Ronaldo Coelho (voz), Samuel Dias e Alan Moura (guitarras), Ricardo Dickoff (baixo) e o novo baterista Caio Imperato tem em seu terceiro álbum, Black Ocean, um amadurecimento em sua proposta musical, onde o som está mais brutal e sem tantos elementos hardcore. Nesta entrevista com o guitarrista Samuel Dias e o baixista Ricardo Dickoff contam do atual momento, a escolha do novo homem das baquetas e muito mais.

Confiram:

Por João Messias Jr.

NEW HORIZONS ZINE: Black Ocean apresenta um amadurecimento da sua
sonoridade, com a banda mais brutal, trabalhada e com menos partes hardcore. Como foi desenvolver esse novo conceito musical sem perder as características da banda?
Forka
Vivi Carvalho
Samuel: Tudo está relacionado ao tempo. Conforme ele vai passando, vamos aprendendo a deixar a banda soar como gostaríamos de ouvir no disco: rápido e pesado ao mesmo tempo.

NHZ: Essa é para os guitarristas, pois músicas como Nation of Ashes apresentam muita dinâmica e sincronismo musical. Visto que tocam juntos desde o primeiro CD, qual o entrosamento de vocês no palco?
Samuel: Na verdade nós conhecemos desde moleques e já passamos muitas coisas até mesmo fora da banda. Então, quando subimos no palco, tocamos como se estivéssemos fazendo algo a mais, dentro de inúmeras coisas que já efetuamos juntos. Esta música foi uma das primeiras composições do álbum.

NHZ: Continuando a falar dos sons, vocês colocaram trechos em português nas canções Empire Surrender e Forgiveness Denied. Vocês pensam em incluir mais passagens desse tipo ou até músicas inteiras em nosso idioma?
Ricardo: Fizemos um teste e a aceitação foi muito positiva, colocando os trechos em português entendemos que trazemos o publico mais próximos da banda. E com certeza para trabalhos futuros estaremos aprimorando essa ideia.

Black Ocean
Divulgação
NHZ: O trabalho da arte é muito bonito e reflete essa nova sonoridade, com a predominância da cor preta, com uma espécie de senhor dos mares totalmente maléfico. Quais as inspirações que os motivaram a criar esse conceito gráfico mais brutal?
Ricardo: A arte foi confeccionada pelo Rafael Tavares. A nossa intenção foi uma arte desenhada e quando ele apresentou este contexto do crânio sobre o mar, piramos e deu indícios de predominância sobre todos nós.

NHZ: Junto com o novo CD, a banda apresenta o novo baterista, Caio Imperato, que possui um estilo diferente do anterior, Rodolfo Salviatto, pois aposta numa linha mais cadenciada e se encaixou como uma luva na proposta musical de vocês. Como surgiu a oportunidade de juntá-lo ao Forka.
Samuel: O Caio foi uma indicação do Amilcar do Torture Squad. Ele é um cara novo, de mente aberta em relação a musica, um batera bem técnico que estuda muito e bem tranquilo como pessoa, um achado!

NHZ: Recentemente tive a felicidade de comparecer na festa de lançamento do novo CD em Santo André, que contou com a abertura do Negative Control e teve casa cheia e a satisfação de todos os presentes. Como foram os preparativos dessa comemoração e se os resultados foram de acordo com o planejado?
Ricardo: Nossa, foi muito gratificante para nós. A galera colou em peso além do publico,  muitos amigos que apoiam a banda do começo foi muito positivo. Tentamos deixar o clima de festa mesmo os preparativos foram simples e as participações da galera do Negative Control e do DJ Matiello complementaram perfeitamente.


NHZ: As apresentações da banda são marcadas por muita energia e entrega. Para vocês, qual a preocupação de fazer um bom show e mesmo assim, se divertirem no palco?
Ricardo: Acreditamos que o prazer tem que vir tanto da banda quanto do publico. Fazemos isso espontaneamente e acreditamos que funciona, pois um show é marcado por diversão, e é isso que fazemos. Já tentamos combinar algumas coisas no palco mais quando o som começa, todo o combinado some.

NHZ: Vocês se consideram vitoriosos após muita batalha e terem chegado ao terceiro trabalho, momento considerado crucial para as bandas?
Forka
Foto: Vivi Carvalho
Ricardo: Já passamos por muitas coisas são 10 anos de banda e a cena não ajuda muito. Isso ao longo do tempo vai dando experiência e você vai aprendendo a como lidar com as dificuldades que uma banda independente tem. Estamos buscando muito mais, más tudo que conquistamos até hoje podemos dizer que somos vitoriosos sim porque o principal e gostar do que se faz.

NHZ: Obrigado pela entrevista! Deixem uma mensagem aos leitores dessa publicação.
Samuel / Ricardo: Agradecemos o espaço e desejamos sorte a todos, pois sem este espaço não chegamos ao publico. Esperamos que tenham curtido e que vamos continuar fazendo o que sabemos de melhor: um barulho independente,  más com todo o profissionalismo possível.
Abraços a todos! Nos vemos na estrada.
www.forka.com.br

19 de abril de 2013

H.E.AT : GRUDENTO E SACANA, COMO O HARD ROCK DEVE SER

"Terceiro álbum, de 2012, apresenta todos os ingredientes que fizeram do estilo sucesso de vendas nos anos 80"

Por João Messias Jr.

Address the Nation
Divulgação
Afinações baixas, levadas com groove, vozes mesclando calmaria e tempestade. Esses são ingredientes são encontrados em 9 de 10 bandas atuais, que procuram por diferenciais para conseguir sucesso de público e mídia. Apesar de curtir grupos que utilizam os elementos acima, tenho de assumir que adoro discos que embora não apresentem nada de novo, transbordam emoção. Como as bandas de hard rock que a sua maneira, resgatam o que de melhor aconteceu nos anos 80. Um dos casos é o sexteto sueco H.E.A.T, que com seu terceiro trabalho, Address the Nation, lançado em 2012, prova que o estilo permanece vivo e com muita saúde.

Na bolachinha, a exceção da produção cristalina, tudo nos remete aos áureos tempos do estilo: canções grudentas com levadas sacanas e sensuais que tem o mérito de ser executado por grandes músicos, com destaque para o vocalista Erik Grönwall, que faz a sua estreia na banda. O moço, vencedor do "Idolos" de seu país, diferente de seus colegas de estilo, não usa a voz anasalada e usa e abusa do gogó potente e de grande alcance, como pode ser ouvido logo nas duas primeiras faixas: Breaking the Silence e Living on the Run.

Apesar da ótima impressão inicial, o melhor ainda está por vir, com Need Her e In and Out of Trouble, esta, com o bem sacado uso do sax, que soa como uma guitarra, proporcionando ótimos duetos. Estas faixas são temperadas por um belo trabalho vocal, que foge um pouco do hard e busca influências do pop oitentista, de caras como Richard Marx, que as tornam os melhores sons do disco.

Outros destaques ficam para Heartbreaker, que lembra um pouco os primórdios do Europe e It's All About Tonight, que remete aos cristãos do Guardian, além do trabalho do encarte, que sugere que o trabalho seja ouvido no máximo volume.

Recomendado para fãs do hard rock e curiosos em saber o porque do estilo ter feito tanto sucesso nos anos 80.

18 de abril de 2013

PANZER: “HOJE QUASE NAO HÁ LUGAR DECENTE PRA UMA BANDA DE METAL SE APRESENTAR”


Formada nos anos 90, o Panzer foi um dos principais nomes do thrash nacional neste período. Com dois CDs lançados, Inside (1999) e The Strongest (2001), o quarteto, que teve como última formação Élcio Cruz (voz), André Pars (guitarra), Maurício “Cliff” Bertoni (baixo) e Edson Graseffi (bateria), e logo após um show no ABC, encerrou as atividades.

Após um silencio de mais de uma década, a banda ressurge com uma nova formação, que além dos remanescentes André e Edson, conta agora com Rafael Moreira (voz) e Rafael DM (baixo). Desde então, foram produzidos dois materiais no ano passado: o single Rising e o EP Brazilian Threat. Ambos, além de manter a pegada característica, tem como diferencial a inserção de elementos do stoner rock e do death metal, estes evidenciados nos vocais de Rafael.

Nesta entrevista feita com o guitarrista André Pars, ele nos conta do passado, presente, futuro e sobre o aguardado Panzer Fest, que será realizado em junho e que além da banda, terá grandes nomes do metal nacional.

Confiram:

Por João Messias Jr.

Panzer - Rising
Divulgação
NEW HORIZONS ZINE: Antes de falar do presente, vamos ao passado para ligar os fatos. Se não me falhe a memória, no ano 2000, a banda realizou sua última apresentação num festival no ABC paulista. O que aconteceu para que a banda entrasse num longo hiato?
André Pars: Muita coisa aconteceu! A gente ja estava numa fase meio estranha. A banda ensaiava de mau humor, o que seria o terceiro disco estava nos deixando loucos, conflitos internos ocasionados por falta de maturidade, pessoas de fora que de uma forma ou de outra colaboraram para que as tensões aumentassem, etc.
É difícil explicar, mas não houve um motivo único, foi uma somatória de fatores e chegou num ponto que não víamos mais sentido em continuar juntos. Paramos logo depois daquele show. O show foi um dos nossos melhores, mas foi o fim. Cada um já estava por si...

NHZ: Passada mais de uma década, vocês resolveram reatar a banda. Vocês sentiram que havia uma sensação de algo inacabado?
André: Com certeza. O terceiro álbum nunca foi lançado e a banda na época estava muito bem. Simplesmente na época, jogamos tudo fora. Queríamos continuar, mas ao mesmo tempo, dar um rumo novo a tudo. Por isso, o novo disco não terá nada do que seria o terceiro álbum composto há mais de 10 anos. Estamos de volta e vamos continuar por muito tempo. Aprendemos com o passado e pretendemos não errar de novo. O Panzer era algo muito bom pra ser jogado fora.

NHZ: Da formação clássica, ficaram o guitarrista André Pars e o baterista Edson Grasefi. Como foi chegar aos atuais membros, Rafael Moreira (voz) e Rafael DM (baixo) e porque não voltaram com os antigos integrantes?
André: Quando a banda resolveu voltar, a formação seria a eu (André) na guitarra, o Edson na bateria e o Élcio nos vocais. O baixista não estava definido. O Panzer até então nunca havia tido um membro definitivo nas quatro cordas. Todos foram convidados. Mas quando a banda retornou, o Élcio, que hoje mora em Vitória, chegou à conclusão de que a distância seria um problema e achou melhor deixar o posto. O Edson conhecia o Rafinha vocalista e fizemos um teste com ele. O cara é um animal! Aí foi certo de que a vaga era dele. Quanto ao baixista a historia foi mais complicada, pois dessa vez , queríamos um baixista definitivo. Fizemos por volta de dez testes com baixistas diferentes e no fim fechamos com o Rafael DM, que além de ser muito bom, tem tudo a ver com o que a banda pensa e procura. Ele conhecia o Rafinha e não foi cotado inicialmente pois tocava já em outra banda. Hoje temos a certeza de que esse time tá muito forte e que ainda vai trazer muita coisa boa.

Panzer 2013
Carla Santos
NHZ: Desde o retorno, foram lançados dois materiais: o single Rising e o EP Brazilian Threat, que mostram uma banda mantendo os traços do passado, mas sem medo de atualizar o som. Essa tendência é percebida principalmente nos vocais de Rafael, que mesclam com vertentes como o death metal e o stoner, sem soar forçado, como podem ser ouvidos em Burden of Proof. Como surgiu a decisão de inserir esses elementos?
André: O Panzer sempre misturou coisas no som e nunca teve medo disso. No passado, ninguém no Brasil tinha coragem de assumir esse lado stoner e nós fizemos isso. Misturamos Black Sabbath com Thrash sem medo de ser feliz. Hoje, isso é relativamente comum, mas há 12 anos atrás era quase que um suicídio, pois o que tava na moda era o Nu Metal, o Metal Melódico e nosso som era muito fora dos padrões. Colocamos um pouco de groove em levadas mais porradas também, imprimimos simplicidade quando a moda era ser exibido, etc...Essa é nossa marca. Acomodar jamais. Se for pra fazer o mesmo disco sempre, não tem sentido a banda lançar um trabalho novo. Pelo menos a gente enxerga assim. Acredito que se você faz as coisas com devoção, paixão e com sinceridade, as pessoas percebem isso e chegam à conclusão de que as misturas no som são naturais e não forçadas...Os novos integrantes se encaixaram nessa proposta pois também pensam assim. Portanto se você ouvir o Rafinha cantando um som mais stoner ou um som mais death metal, vai ver que ele o faz com naturalidade. Essa é a nossa intenção. Não ter limite pra criar, mas sempre respeitando os fãs e o passado.

NHZ: Os dois trabalhos estão disponíveis para download no site da banda. Como estão os acessos qual parte do país tem procurado o som da banda? E o exterior?
André: Já perdemos a conta. Os acessos são muitos. Tocamos em rádios por tudo que é canto do mundo. Tá muito legal a recepção. A galera em geral curtiu essa nova fase da banda.
No Brasil, a galera ainda tem o pé atras de lançamentos não-físicos, mas mesmo assim a aceitação é enorme. Temos muitos fãs no Sul e Nordeste. Tanto é que estamos com planos de turnês bem legais pra esses pontos do país.

NHZ: Ainda falando dos trabalhos, eles foram concebidos de forma muito rápida. As canções eram sobras de estúdio do passado ou todo o material todo foi concebido para essas ocasiões?
André: Apenas a Red Days era uma musica que já existia. O restante é novo. Trabalhamos assim...rápido. Não ficamos perdendo tempo lapidando muito um som. Se ele for bom, já nasce semi-pronto. O excesso de polimento pode estragar um trabalho. Gostamos dessa simplicidade e crueza. Ela reflete nosso espírito.

NHZ: Quais os planos para um álbum completo?
André: Até junho estaremos com um álbum na praça. Esperem pois a banda vai vir mais forte do que nunca. É o velho Panzer, mas com uma cara nova.

NHZ: Antes de encerrar, comente-nos sobre o Panzer Fest, que como o
Panzer - Brazilian Threat
Divulgação
próprio nome diz, é um festival onde além do Panzer se apresentarão os grupos Command6, Forka, Woslom e Nervochaos. Quais os fatores que os fizeram escolher o cast?
André: A ideia do Fest é abrir espaço em São Paulo, pois hoje quase não há lugar decente pra uma banda de metal se apresentar por aqui. Fora que algumas casa não se dignam nem mesmo a pagar um cache decente pra quem toca. No Fest é diferente, as bandas dão o seu melhor e recebem por isso, afinal é o trabalho deles.
Essas bandas do cast são muito boas. Eu realmente curto o som deles e os caras da banda também. Era muito importante que a primeira edição do Fest fosse com bandas que tivessem uma proximidade com o Panzer e também muita qualidade. Acho que quem for ao fest vai assistir grandes shows. E esse é apenas o primeiro de muitos que o Panzer irá encabeçar.

NHZ: Muito obrigado pela entrevista. Deixem uma mensagem aos leitores desta publicação.
André: Nós é que agradecemos a atenção e oportunidade. Para a banda, isso é muito importante. Gostaria de deixar um recado pra galera. Todos nós que curtimos som pesado e que reclamamos de não haver muitos shows, somos um pouco culpados disso. O metal nacional tem muito a mostrar e tem muitas bandas daqui que simplesmente arrebentam os gringos. Peço que a galera compareça aos eventos nacionais, e vá prestigiar. Só assim, a nossa cena cresce e se torna forte. Material o Brasil tem de sobra. Estamos tentando ajudar, fazendo a nossa parte. O Panzer fest acontece em 15 de Junho. Vamos prestigiar o Metal nacional!
www.panzermetal.com.br


13 de abril de 2013

OPTICAL FAZE: TRILHANDO SEU PRÓPRIO CAMINHO

Quinteto vindo de Brasília aposta na mescla de influências para criar um novo trabalho, sem seguir escolas ou padrões

Por João Messias Jr.

The Pendulum Burns
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Quando digo que sou um afortunado por ter essa oportunidade de conhecer e divulgar bandas do
rock/metal, não falo isso para parecer sisudo ou que “eu posso e vocês não”, mas sim para mostrar as pessoas que em todos os cantos do Brasil e do mundo temos bandas que não devem em nada aos grupos consagrados. E como isso é prazeroso.

Vamos citar o quinteto brasiliense Optical Faze, que para conceber seu segundo disco, The Pendulum Burns, não poupou esforços. Gravaram com o renomado produtor Rhys Fulber nos EUA e trouxeram na bagagem um dos melhores discos do ano. Mesclando o gótico, o metal e algumas coisas do eletrônico e industrial fizeram um trabalho caótico, denso, que tem tudo para agradar fãs de metal e praias mais soturnas.

A abertura com Trail of Blood aponta uma vertente que começa lenta, mas pesada, com algo interessante, que passa por outras faixas: a hora do refrão segue as marcações dos segundos do relógio, algo muito bem explorado pelos grupos góticos dos anos 80, o que passa mais credibilidade ao trabalho. Outro plus desse som é a participação do guitarrista Jed Simon (Strapping Young Lad).

Além dela, outros sons de destaque são Mindcage, que começa com pianos e depois se transforma num arrasta quarteirão, Pressure, Carved,  Colapse, cujo refrão se aproxima do hard rock, e Red Sun, cujas vocalizações, nos fazem lembrar do Depeche Mode. Aliás, o grupo recebe uma homenagem com uma versão maravilhosa para Never Let Me Down Again, que conta com os vocais de Leah Randi.

Fica difícil não dizer sobre o material gráfico, que é um dos mais bonitos lançados neste ano, cuja arte feita por Michael Karcs, explora muito bem os tons de azul e vermelho, além da embalagem em digipack que deixa o trampo irresistível.

Parabéns a todos os envolvidos: Jorge Rabelo (guitarra), Matheus Araujo (voz e guitarra), Pedro Gabriel (teclado), Renato de Souza (bateria) e Vicente Junior (baixo), que por meio deste trabalho, me faz sentir cada vez mais forte, motivado e com energia para fazer o que mais amo, por mais 20, 30 anos.

10 de abril de 2013

LIVE METAL FEST: A CONSOLIDAÇÃO DO EVENTO

Segunda edição do festival contou com apresentações das bandas Command6, Screams of Hate,Trayce, Forka, Hammathaz e Holiness

Texto: João Messias Jr.
Fotos: Bárbara F.Luiz

O festival Live Metal Fest, idealizado por Clayton Bartalo (Screams of Hate), chega a sua segunda edição e tem como proposta apresentar bandas nacionais de qualidade para o público, que (infelizmente) prefere se restringir aos shows gringos e bandas covers. Com a missão de mostrar para os bangers o que temos de melhor, foram convocados os grupos Command6, Screams of Hate, Trayce, Forka, Hammathaz e Holiness.

Essa nova edição acabou tendo sua data alterada, que devida a tragédia ocorrida em Santa Maria, que acabou resultando na interdição de diversas casas no país, dentre elas o Inferno Club, local da apresentação. Após a adequação da casa com as normas de segurança, o festival foi realizado no dia 29/3, sexta-feira santa. O que poderia significar pouco público, mas o Inferno Club acabou recebendo um ótimo público.

Além das bandas, o LMF teve a animação da web rádio Máquina Sonora, que animava o público com clássicos do rock/metal como Megadeth, Motorhead, Ozzy, Iron Maiden, entre tantos outros, além de sortearem kits com  materiais dos grupos participantes nos intervalos das apresentações.

A realização de um sonho

Às 16h40, começaram as apresentações e a primeira banda que entra no palco
Stéfanie Schirmbeck
Holiness
é o quarteto gaúcho Holiness. Radicado em São Paulo e atualmente formado por Stéfanie Schirmbeck (voz), Cristiano Reis (guitarra), André Martins (baixo, Hatematter) e Cristiano Reis (bateria) é um grupo que pode ser uma ponte entre fãs do underground e mainstream, pois suas canções possuem riffs e solos grudentos, que unidos a bateria complexa e os vocais doces de Stefanie , se tornam um nome a ser ouvido aos fãs de grupos como Evanescence e Lacuna Coil.

O show do grupo mesclou músicas novas e sons de seu primeiro CD, Benath the Surface, onde os destaques foram o single Dead Inside e as “antigas” The Truth e Mine, que confesso ter realizado um sonho ao ver/ouvir essa canção, que graças ao vocal “clean” de Stefanie e melodias fazem dela um som muito, mas muito especial para esse que escreve essas linhas.

O mais legal do show foi que apesar de ser a primeira banda, tinha muita gente presente para assisti-los.

Novo nome na pista

Jr. Jacques
Hammathaz
Vindo de Sorocaba e com dez anos de estrada, a banda Hammathaz tem um som que mescla as escolas do Metalcore e Deathcore, que pode agradar fãs de bandas como Killswitch Engage e Pantera, essa banda mais sentida nos vocais de Jr. Jacques.
Confesso que foi uma grata surpresa ouvir o som dos caras, que possui muitas camadas/texturas, cheio de detalhes mesmo, com destaque para a dupla das sete cordas, que manda muito bem nos riffs, bases e solos, além de não ficarem presos na velocidade, privilegiando o peso.

Os destaques da apresentação foram Crawling, Save Your Self, The Old Ways, e a “saideira”, que contou com Clayton dividindo os vocais num medley com clássicos do Sepultura, onde foi “concebida” a primeira roda da noite.

Momentos de tensão

O Forka é uma banda do ABC paulista, que possui um bom tempo de estrada
Alan Dias
Forka
e recentemente lançou seu terceiro trabalho, chamado Black Ocean, que marca uma nova fase no som, pois está mais brutal e com menos elementos HC.

Conhecida pela entrega e postura descontraída, a banda entrou mandando a intro Luna e a faixa-título de seu recente trabalho. Mas essa apresentação seria diferente, pois apesar do som vir de forma clara ao público, a banda enfrentou problemas no som. Após uma pausa, mandaram Own Blood e Last Confrontation, com destaque para o novo batera, Caio Imperato, um achado para o som dos caras, pois o músico é preciso, técnico e não fica “espancando” o instrumento, usa a força apenas quando necessário!

Ao executar Screaming in the Shadows, já com os referidos problemas de som, parou de tocar e encerrou a apresentação antes do previsto com uma versão para Angel of Death (Slayer), que alegrou os que estavam na pista, mas frustrou outros que queriam ouvir mais  sons do quinteto.

Atenção gravadoras

Marcelo Carvalho e Fabrício Modesto
Trayce
Se eu fosse um agente de gravadoras “major”, se houvesse uma banda que eu indicaria o trabalho, seria o Trayce. Assim como o Holiness, o quinteto formado atualmente por Marcelo Carvalho (voz), Alex Gizzi e Fabrício Modesto (guitarras), Rafael Palm Ciano (baixo) e Marcelo Campos (bateria) é um nome que merece ser ventilado para mais pessoas.  Principalmente pela habilidade em construir passagens melódicas e brutais sem perder o contexto, como foi visto/ouvido em Look At Yourself, Price to Pay, Land of Hatred, que estão um pouco mais agressivas com o atual vocal.
E falando no cantor, o cara é um espetáculo, faz caretas, fala uma penca de palavrões e pula feito um maluco, o que dá um “plus” no show dos caras.

Com boa vontade da mídia, o Trayce tem tudo para conquistar um público muito maior.

Ódio

Já havia visto apresentações da banda Screams of Hate antes, mas essa se
Clayton Bartalo
Screams of Hate
destacou das outras, pois essa teve um ingrediente adicionado: ódio.

Sim, o quinteto  tocou como se fosse a última apresentação de suas vidas e mandaram um som pesado, extremo e cheio de groove, que para aqueles que gostam de referências, é uma (grande) evolução de trabalhos como World Demise (Obituary), só que mais visceral e compacto.

Um dos ingredientes da apresentação cheia de gana foi o vocalista Clayton, que durante o refrão de uma das musicas do set, que dentre outras coisas (será que foi por causa do som?) dizia ter muito orgulho do que fazia. O show teve como destaques músicas do novo CD, que estão mais dinâmicas e extremas, as “clássicas” Fight (que contou com o antigo vocalista, Marcelo), a desgracenta Revanche e uma insana versão para Fucking Hostile (Pantera), que contou com Wash, do Command6.

Outro sonho realizado

Wash
Command6
Após a poderosa apresentação do Screams, coube ao Command6 a responsabilidade de encerrar o festival. Quem pensou que o público ficaria apenas observando o show do hoje quarteto formado por Wash (voz), Bruno Luiz (guitarra e voz), Johnny Haas (baixo e voz), Bugas (bateria) se enganou, pois os presentes arrancaram o último suspiro de energia.

Executando canções do aclamado Black Flag, a banda quebrou ossos com as canções Crush the World e Lies So Pure, onde, reforçada de Alex Gizzi do Trayce, mostravam um poder de coesão e domínio dos presentes, com músicas cheias de dinâmica, peso e melodia, com destaque para Wash e Johnny, que estavam totalmente insanos.

Após So Cold, veio o ápice do show: deixou o palco Alex e entrou Tiago Domingues e executaram Sunshine, o grande hit dos caras, que mostram quão enraizado o hard rock está presente nos corações dos bangers. Só que depois dessa canção, já com Alex de volta ao palco, a banda continuou a dementia com a faixa-título do novo CD, que mescla na mesma canção Forbidden e Alice In Chains, o que prova o nível dos caras.

Jesus Cry, do debut Evolution? seria a canção que daria números finais ao evento, mas como ainda havia tempo, mandou uma apoteótica versão para Slave New World (não precisa dizer de quem é), que encerrou de forma digna o fest, que tem tudo para estar entre os “tops” dos grupos underground.

Saldo Final

Mesmo com alguns problemas de som nas apresentações, o II Live Metal Fest faz por merecer um lugar na agenda dos headbangers. Com duas edições e uma terceira por vir, mostrou que a cena nacional possui grandes nomes nos mais variados estilos musicais. E como eu disse numa resenha anterior, já passou do momento de ficarem babando ovo apenas para grupos consagrados e prestarem mais atenção nas bandas de seu estado e país.

Outras fotos do II Live Metal Fest podem ser vistas em:
http://www.facebook.com/BarbaraLuizFotografia?notif_t=fbpage_fan_invite

8 de abril de 2013

MR.KAOS: HONESTIDADE ACIMA DE TUDO

Trabalho do quarteto possui como referências grupos como Charlie Brown Jr, Strike, O Rappa e Frejat

Por João Messias Jr.

Quando você se aventura pelo ramo da imprensa do rock, tem em mente que
Paz, Amor e Atitude no Baguio
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vai apenas ouvir e escrever sobre suas bandas e estilos favoritos. No começo pode até ser assim, mas com o tempo, aparecerão em sua mesa (ou no  portátil) grupos que pouco, ou nada tem a ver com o seu background musical e cabe ao crítico se atualizar para no mínimo ter o que comentar sobre esses trabalhos.

Como foi no caso do novo trabalho do quarteto paulista Mr. Kaos, chamado “Paz, Amor e Atitude no Baguio”, que reúne influências de artistas que não sou fã, como Charlie Brown Jr, Strike, O Rappa e um pouco de Frejat, que graças aos canais de clipes, não há como não conhecer boa parte de suas canções. Mas aqui acontece que a música praticada pelos integrantes é honesta e bem feita, muitas vezes superior a dos grupos/artistas citados, por ter um pouco mais de peso e maior cuidado com as harmonias.

Essas qualidades já aparecem logo nas primeiras faixas, onde destaco Tanto e Mais Uma Vez, que quando percebemos, já estamos cantarolando, graças às melodias vocais bem encaixadas. Outros destaques são Sua Voz e Nada Mudou, a influência do vocalista do Barão Vermelho se torna mais evidente.

Multidão conta com um solo inspirado, além de tudo estar muito bem gravado, aliás, a bolachinha foi produzida pela dupla do Korzus: Heros Trench e Marcello Pompeu, este último participa do trabalho, mostrando novas facetas de sua voz.

Aliás, como eu sempre digo, se a banda formada por Karim (voz e guitarra), Heder Stefano (guitarra), Thiago Kazuo (baixo) e Hub (bateria) tem tudo para atingir as grandes massas, basta o povo que se diz fã de rock, prestar atenção nas novidades que aparecem e parem de se lamentar quando um ícone da música se vai. Pois depois que um deles deixa esse mundo o que vão fazer? Deixar de ouvir música?

Reflitam!

3 de abril de 2013

CAUÊ LEITÃO: CORDAS DIFERENCIADAS


Guitarrista do Andragonia lança seu primeiro disco solo e prova que a música instrumental pode ser acessível e ouvida por diversas pessoas

Por João Messias Jr.

Lab Guitar Experience
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Vou ser franco: quando se falava de música instrumental,  sempre tive minhas reservas, pois apesar de saber que existem artistas que usam a técnica a favor da música, grande parte dos colegas virtuosos curte aquele lance narcisista de fazer canções e discos para si próprios, causando desespero a quem vai ouvir e avaliar.

Tanto que nesses mais de 20 anos de vida no rock, escutei apenas um disco instrumental, que foi The Extremist (Joe Satriani), que é uma aula de como fazer boa música. Esses tempos, chegou na minha caixinha de correio o primeiro disco solo do guitarrista Cauê Leitão, conhecido pelo seu trabalho com o Andragonia. E logo na primeira audição o moço mostra como que a música instrumental pode SIM ser ouvida por muitas pessoas.

Como todo disco do estilo, há muitas partes velozes, com muito peso, dissonâncias e texturas, onde Cauê mostra toda a sua técnica e que não está para brincadeira, como nas faixas Faith in a Miracle, Chaos in the Ropes e Taken By the Feeling. Só que o músico encontrou uma receita que deu super certo aqui e tem tudo para ser o diferencial dele em relação aos seus colegas de cordas: a sensibilidade.

Essa parte é vista em dois momentos: nas faixas Beyond the Fight e Reflection in Groove, que possuem um clima soul, influenciado pela bossa nova e o blues, que surpreendem e principalmente pelas intimistas de charme pop Into the Cloud e Power of a Warrior, que se recebessem vozes, perderiam totalmente o sentido.

Para ouvir, admirar e principalmente, surpreender.