29 de agosto de 2013

ROCK IN RUA: SIMPLESMENTE ROCK

“Oitava edição de retorno mantém variedade de vertentes rockeiras com shows das bandas Sol de Papel, FDR, Instinto, Necromesis e Salário Mínimo”

Texto: João Messias Jr.
Fotos: Anderson Pedro

Sol de Papel
Foto: Anderson Pedro
O último domingo de agosto (25) foi mais uma data marcada pelas diversas apresentações pelo ABC e São Paulo (Soufly, Angra, Saturn, entre outros) e depois do público frustrante dos shows de metal no Aniversário de São Bernardo, confesso que as minhas expectativas não eram nada boas com relação á oitava edição do Rock in Rua.

O evento, realizado em frente ao Vol. 4 Rock Bar, conhecido como Bar do Carlão contou com uma boa estrutura e apresentações dos grupos Sol de Papel, FDR, Instinto, Necromesis e Salário Mínimo.

As apresentações começaram às 14h20 com a banda Sol de Papel. O quinteto formado por Pedro Rubiani (voz), Rodrigo Galvão e Luiz Camata (guitarras), Bruno Pessoti (baixo) e Gustavo Pupo (bateria) faz um rock and roll variado, que carrega influências dos anos 60, com destaque para as melodias limpas e sofisticadas da dupla das seis cordas. Algumas músicas que chamaram a atenção foram Talvez e Um Pouco de Alma. Um grupo que merece ser conhecido.

FDR
Foto: Anderson Pedro
A segunda banda do dia foi o FDR (Fênix Dreamer). O quarteto chama a atenção pelo nível elevado dos músicos, principalmente o do guitarrista/vocalista Diego Schubert e do baterista/vocalista Felipe Schubert, que possuem um nível musical privilegiado. A banda mandou músicas próprias como Força de Uma Nação, Provas e Batalhas e Reação de Risco, além de covers competentes para  Jump (Van Halen) e Kashmir (Led Zeppelin). 

Mas foram nas versões que a banda deu algumas escorregadas, como em Enter Sandman (Metallica) e Man In The Box (Alice In Chains). Por serem tão bons, poderiam ter feito um show com mais sons próprios.

Instinto
Foto: Anderson Pedro
Já com um bom público, às 16h30, o quinteto Instinto subiu ao palco. Com um visual que nos remete aos grupos grunge e stoner, Thiago Consani (voz), Pedro Marcon e Nobru Bueno (guitarras), Bruno Martins (baixo) e Julio Carvalhal (bateria), apresentou sons de seus dois trabalhos: o álbum Máquina de Pecados e o EP Origem.

A faixa título do CD é empolgante e tem tudo para agradar fãs de grupos como Kiara Rocks, assim como Manipulação e a swingada Mal Necessário. Assim como o pessoal do FDR, poderiam ter investido mais em canções autorais, embora tivessem mandado versões competentes para Sweet Home Alabama (Lynyrd Skynyrd) e Highway to Hell (AC/DC).

A hora do metal

Necromesis
Foto: Anderson Pedro
Depois de passear por estilos mais “calmos”, era a hora do metal. E quem deu boas vindas ao estilo foi o quarteto Necromesis. Mayara Puertas (voz), Daniel Curtolo (guitarra/voz), Gustavo Marabiza (baixo) e Gil Oliveira (bateria) enterraram de vez as desconfianças quanto ao seu futuro. Podemos dizer que a banda hoje está “MUITO BEM, OBRIGADO”. 

Com uma performance inspirada da linha de frente, comandados pelos berros e urros de Mayara, a banda desfilou o material dos seus dois trabalhos, o EP Evolving to an Underworld e a demo The Dark Works of Art, com destaque para The Dark Works of Art, Unlives As Undeads e Demonic Source, que encerrou o show. Para quem conhecia a banda de outros tempos, vale lembrar que o technical death metal com doses thrash está lá, mas com contornos mais brutais (voz) e progressivos (baixo).

Salário Mínimo
Foto: Anderson Pedro
O encerramento da noite ficou por conta do Salário Mínimo. Já se passavam das 19h quando China Lee (voz), Daniel Beretta e Junior Muzilli (guitarras), Diego Lessa (baixo) e Marcelo Campos (bateria, Trayce) mostraram o porquê de serem reverenciados como um dos grandes nomes do hard/heavy nacional, o que foi evidenciado logo nas primeiras notas de Eu Não Quero Querer Mais, composição do segundo trabalho, Simplesmente Rock, de 2009, principalmente pelas guitarras grudentas e seu refrão, que lembram os hinos das torcidas de futebol.

Mas o público, que já estava em ótimo número, queria ouvir sons dos anos 80. E eles foram premiados com Beijo Fatal e Dama da Noite do debut, Beijo Fatal, de 1987. Só essa trinca valeu a apresentação, pois a banda é muito forte ao vivo, principalmente China Lee, que mesmo aos 30 anos de carreira, não está enganando nos agudos (viu Bruce Dickinson).

Salário, Carlão e  bandeira da Lusa
Foto: Anderson Pedro
Em Sofrer, China estendeu a bandeira da Portuguesa, clube paulista que disputa a primeira divisão nacional. E o cantor aproveitou o gancho para comparar a Lusa e o rock, que possuem poucos, mas fiéis seguidores.

Só que o público queria rock. Daí,  mandaram uma versão para Sociedade Alternativa (Raul Seixas), que ficou com a cara da banda, Delírio Estelar, de 1984, da coletânea SP Metal, regravada em Simplesmente Rock. Essa canção foi dedicada a Beto Peninha, locutor do saudoso programa Sessão Rocambole, da 97FM. Infelizmente o show estava no fim e a banda mandou Doce Vingança, Jogos de Guerra e Cabeça Metal. Uma ótima apresentação e mais um sonho realizado.

Parabéns para todos os organizadores, que dessa forma, transmitem cultura à população por meio desse tal de rock and roll, que mesmo sendo um senhor com mais de 60 anos, continua arrastando multidões e multidões de camisas pretas.

27 de agosto de 2013

ATTOMICA: PARA FAZER FRENTE AOS CLÁSSICOS

“Trabalho lançado em 2012 entra para a história como um dos melhores discos do quinteto”

Por João Messias Jr.

Attomica 4
Divulgação
Devido ás mudanças de formação e até de nome, que chegou a ser grafado com apenas um “T”, o quinteto de Attomica, de São José dos Campos chegou a ver nuvens nebulosas quanto ao seu futuro.

Pois é, mas naquelas viradas que estamos acostumados a assistir nas partidas de futebol, a banda formada na época por Alex Rangel (voz), J.P. (guitarra), Amadeus (guitarra, substituído por Jonas Kaggio), André Rod (baixo) e Friggi Mad Beats (bateria, também Chaos Synopsys) ignorou os tabus existentes e presenteou os thrashers e fãs de música pesada com um disco que honra de forma positiva sua história.

O CD, em formato digipack e possui uma arte lembra o debut, começa com Blood Bath, que começa cadenciada e um excelente trampo de bateria, que sintetiza o que vem pela frente. Aliás, sábia decisão de fazer um som mais cadenciado, fugindo dos grooves do metal extremo e metalcore. Voltando, Down the Drain é dona de um refrão que cola. A trinca Yakuza, Night Killer e Black Death é perfeita para os shows, pois são donas de energia. Wanted tem uma das primeiras surpresas do trabalho. Algumas partes instrumentais nos remetem a Kashmir (Led Zeppelin), o que foi muito bem sacado pela banda. Outras podem ser encontradas em Mysterious Lady, que possui uns climas Black Album (Metallica), mas apenas climas, pois depois se transforma em mais um hino de guerra do trabalho.

Se terminasse assim, seria perfeito, mas os caras resolveram fechar o disquinho de forma inusitada. O tema instrumental Amén vai à contramão do trabalho, pois é um hard/heavy com um tempero fusion muito legal, que surpreende, afinal, quem não gosta de ser surpreendido, mesmo que de vez em quando? Vale lembrar que o som contou com as participações de Pyda Rod (guitarra) e Vagner Alba na bateria.

Sei que muitos fãs devem estar perguntando sobre o vocal... então, vamos lá. Alex Rangel foge dos clichês do estilo, indo numa linha mais limpa e discursada a lá D.R.I., que em muitos momentos do disco soam como pedidos (ou ordens?) para a luta pelos nossos ideais ou mesmo um bom mosh.

Para fazer frente aos clássicos. Se estiverem a fim de conhecer a banda, pode começar com este sem receio!

23 de agosto de 2013

SÃO BERNARDO: 460 ANOS COM MUITO ROCK

“Aniversário da cidade contou com nove horas de muito rock e metal”

Texto e fotos: João Messias Jr.

Há três anos, no mês de seu aniversário, a cidade de São Bernardo do Campo proporciona uma grande festa para todas as tribos, dedicando um dia para cada estilo musical. Nessa mistura de ritmos, o último sábado teve sua edição metal, que contou com as bandas Eyes of Beholder, Necromesis, Guillotine, Souldier, Woslom, Bioface, Depressed, Negative Control, Seven7h Seal, Forka, Panzer, Necromancia e Ação Direta.

Local e estrutura

Dias antes, houve a notícia da mudança de local, deixando de ser realizado no Paço Municipal, passando para uma área na Av. Kennedy, também no centro da cidade. Um local maior e que possibilitaria abrigar mais pessoas, além de uma melhor visualização das apresentações por todos os cantos. Na véspera do evento, já era possível por meio das redes sociais o tamanho do palco, que não deveu em nada para os de eventos mainstream.

Tudo no horário

Eyes of Beholder
João Messias Jr.
Além da estrutura, São Bernardo tem como tradição o horário cronometrado, ou seja, tudo obedeceu a um cronograma rígido de horários, o que no fim possibilitou que todos voltassem para casa sem correrias e atropelos.

Toda essa organização teve início às 12h em ponto com as tradicionais bênçãos do Dr. Rock (personagem conhecido da nação roqueira do ABC) com a banda Eyes of Beholder. 

Com sete anos de estrada, o quarteto, formado por Erick Lentini (guitarra), Bruce (baixo), Bruno (bateria) e Claudio Marques (voz), mostrou seu competente heavy/thrash com nuances hard para quase ninguém, uma pena. O set curto teve como destaques I don’t want to change e uma versão correta para Walk (Pantera). 

A banda lança no mês de setembro seu primeiro álbum pela qualidade apresentada,  merecem ser ouvidos por mais pessoas.

Necromesis
João Messias Jr.
Às 12h45 a segunda banda do evento, o Necromesis começou seu set. Confesso que é muito difícil escrever sobre bandas das quais é fã (e isso ocorreu várias vezes neste dia), mas pelo que vi, o time que hoje conta por Mayara Puertas Alecrim (voz), Daniel Curtolo (guitarra e voz), Gustavo Marabiza (baixo) e Gil Oliveira (bateria) tem um futuro promissor. 

Mesmo com a sensível mudança de som, que está mais brutal (vocais) e complexo (baixo), a proposta musical continua lá, como pudemos ouvir em Dark Works of  Art e Unlives As Undeads, que fechou o show. Fico imaginando o que sairá desta fusão de estilos. É uma banda que torço muito!

Guillotine
João Messias Jr.
O Guillotine subiu ao palco com uma novidade. Para esta apresentação, a banda formada por Renê Simionato (voz e guitarra), Luis Pizano (guitarra) e Renan Carrenho (baixo) contou com Amilcar Christófaro (Torture Squad) nas baquetas. 

De todos os shows que vi da quarteto, esse foi o mais agressivo (e melhor), com destaque para a versão para Orgasmatron (Motorhead) e The Fallen Ones, faixa título de seu novo EP. 

Para quem não conhece, a banda pratica uma mescla de speed/heavy/thrash que lembra as bandas que a Woodstock lançou aqui nos anos 80.

Público começava a chegar

Souldier
João Messias Jr.
Já eram quase 14h quando o Souldier começou seu set. 

Lançando seu primeiro CD, a banda formada por Eduardo Furlan (voz), Rodrigo Neves (guitarra), Jesley Augusto (baixo) e Eric Kosimenko (bateria) mostrou ao público (que começava a chegar) um heavy/thrash bem construído e competente. 

Os destaques foram a faixa The Soul of a Soldier, que além de lembrar um pouco o Metal Church (fase Mike Howe), é dona de ótimos solos. 

Outros grandes momentos foram In the Name of the War e uma versão para Symphony of Destruction (Megadeth).

Woslom
João Messias Jr.
Conhecidos pelo thrash trampadíssimo e performances insanas, o Woslom mais uma vez mostrou o porquê de tamanho reconhecimento. Silvano Aguilera (voz e guitarra), Rafael Iak (guitarra), Francisco Stanich Jr. (baixo) e Fernando Oster (bateria) surpreenderam com a abertura do set, com Haunted by the Past, do já clássico Evolustruction. 

A canção, que soa como um hino de protesto proporcionou a primeira roda do dia. Mas era apenas o começo. Soltos e à vontade no palco gigante, os thrashers mandaram sons como Souless (S.O.T.D.), Pray to Kill e a faixa título do segundo disco, cujo refrão foi gritado a plenos pulmões. 

Infelizmente o show chegou ao fim com Breathless (Justice’s Fall) e Time to Rise, faixa que dá nome ao debut. Se ficarem sabendo de um show dos caras na sua cidade, não titubeiem, vai que a diversão e satisfação são garantidas, principalmente pela postura insana do guitarrista Rafael Iak, que não para um minuto.

Bioface
João Messias Jr.
Saindo do thrash e caminhando para o metalcore era a hora do Bioface.  

A banda, que tem dez anos de estrada, pode se considerar na contramão do estilo, pois se concentram no peso e nos bons riffs de guitarra, o que geram canções fortes e intensas como Mente Alterada, Atos Impunes, Reagir (dona de riffs thrash), Corrosão e En Theos, que fará parte do próximo álbum da banda. 

Só tenho que parabenizar a trupe formada por Marco Aurélio (baixo), Marcelo Antônio (guitarra), Maikon Queiroz (bateria) e Régis Carbex (Vox) pelo puta show.

Depressed
João Messias Jr.
O evento passava da metade com a entrada do DepressedContando com o “temporário” Renê Simionato (Guillotine, que já fez parte do grupo) na bateria, Stella Ribeiro (baixo), Rodrigo Amorim e Rodrigo Jardim (guitarras) e Giovani Venttura (voz), mostraram um death metal forte, intenso e brutal.

Num daqueles casos inexplicáveis da história da música, o grupo (ainda) não possui um material lançado, mas a hora que canções como Afterlife in Darkness, Reborn in Hellfire e Stormblood ganharem essa oportunidade, fará a alegria de muitos fãs de música extrema.

A apresentação contou com uma bela versão para Impotent God (Hypocrisy). A banda fará parte do Zoombie Ritual, que acontece no fim do ano, em Santa Catarina, se tiver a oportunidade, não marque bobeira!

O dia só estava começando

Negative Control
João Messias Jr.
A oitava banda da festa foi o Negative Control. Com 18 anos de estrada e fiéis ao hardcore simples e direto, Cláudia (voz), Junior (baixo), Binho (guitarra) e Pingo (bateria), fizeram uma apresentação sem muitas cerimônias. 

Com uma performance segura, mandaram som atrás de som, como Mostre Sua Verdade, Pare e Pense, Faça Sua Parte, Lado a Lado (que contou com a participação da menina Sara), Rancor e Diversão Sádica (cuja letra é contra os rodeios, que incentivam a violência contra os animais). 

O show também serviu para apresentar as novas canções Guerreiro e Onde está a paz, que farão parte do terceiro CD da banda. Outro destaque foram às palmas pedidas pela banda a memória da vocalista Midi Gomes (Violéte), que infelizmente nos deixou há poucos dias.

Seven7h Seal
João Messias Jr.
Foi de impressionar a segurança do quinteto Seven7h Seal. Prestes a lançar seu terceiro album, Mechanical Souls, o quinteto formado por Leandro Caçoilo (voz), Tiago Claro e Thiago Oliveira (guitarras), Victor Próspero (baixo, ex-Necromesis) e Bob Moratti (bateria) mandaram ver com seu heavy tradicional que alterna momentos épicos, progressivos e agressivos. 

Como pode ser ouvido na faixa-título do novo trabalho. Outros destaques foram Time to Go, Seventh Seal e Pleasure of Sin, além da excelente performance de Caçoilo, que mais uma vez provou ser um dos melhores cantores do estilo. 

O show terminou com uma versão inspirada para Highway to Hell, do AC/DC, com o vocalista indo cantar junto ao público.

For
João Messias Jr.
Assistir a uma apresentação do Forka é como espantar os demônios. Ronaldo Coelho (voz), Samuel Dias e Alan Moura (guitarras), Ricardo Dickoff (baixo) e Caio Imperato (bateria) mandaram sons do seu terceiro e consagrado álbum, Black Ocean

O quinteto caminha para sua melhor fase com esse trabalho, que mostra um som mais brutal sem perder a essência dos trabalhos anteriores. 

Outros destaques foram Nation of Ashes, Last Confrontation, Feel Your Suicide, além da entrega da banda a cada canção executada, que é contagiante.Vale lembrar que em novembro, os europeus terão a oportunidade de sentir a fúria do quinteto.

Veteranos cheios de energia

Panzer
João Messias Jr.
O Panzer deu início à reta final do evento. Pioneiros na mescla de thrash e stoner, o quarteto hoje formado por Rafinha Moreira (voz), André Pars (guitarra), Rafael DM (baixo) e Edson Graseffi (bateria) insandeceram os presentes com muita energia que era emanada pelas faixas Burden of Proof e Red Days. 

A dupla de “Rafaéis” chamava a atenção pela correria e empolgação e assim, mandaram mais sons como Reject, Rising e NSA, que encerrou a apresentação. Em setembro a banda lança seu tão esperado terceiro álbum, que levará a banda para níveis mais altos. 

Em muitos momentos ao assistir ao show, ficava pensando no porque desses caras terem ficado uma década parados.

Necromancia
João Messias Jr.
Gente, falar o que do Necromancia... só digo que o primeiro show de metal da minha vida foi o dos caras, isso lá em 1992. 

Marcelo “Índio” D’Castro (voz e guitarra), Roberto Fornero (baixo) e Kiko D’Castro (bateria), que receberam o reforço de Murillo D’Castro (guitarra) em algumas músicas, fizeram sua melhor apresentação em anos. 

Cada música executada era recebida com gritos de exaltação ao grupo. Em um desses momentos, Índio não resistiu e ajoelhou agradecendo todo o carinho e respeito. 

Também com clássicos do calibre de Playing God, Under the Gun, No Way Out, Death Lust e Greed Up to Kill não havia como ficar quieto, a não ser que sua praia fosse outros estilos.

Ação Direta
João Messias Jr.
Com chave de ouro o Ação Direta encerrou essa bela noite metálica. Gepeto, Pancho (guitarra), Gallo (baixo) e contando com Edu Nicolini (Voodoopriest) na bateria esgotaram as últimas energias dos presentes com um repertório de toda a sua carreira. 

O set contou com sons dos primórdios como Face a Face, Dias de Luta até o mais recente trabalho, World Freak Show, com Forced Needs, Desconstrução e Useless Complex

Outros destaques foram Intervenção, Pesadelo e Zeitgeist.Interessante que hoje a banda soa mais metal do que hardcore e mesmo assim, não perdeu sua essência.

Só faltou mais gente

Uma baita estrutura, apresentações memoráveis de um evento quase impecável, que só não foi perfeito pois embora houvesse um bom número de bangers, foi abaixo do esperado. Não adianta dizer que estava frio ou que era longe, não há desculpas.

17 de agosto de 2013

DOMINGO AO EXTREMO: SACIANDO OS DEATHBANGERS

“Evento contou com as bandas Subversilvas, Terminal Illusion, Depressed e Arthanus"

Texto e fotos: João Messias Jr.

Depressed
João Messias Jr.
O último domingo (11), além de celebrar o dia dos pais, foi data de diversos shows pelo ABC e capital como Possessed, O Surto e All that Remains.  Só que isso não foi motivo para os fãs de death metal e outras vertentes extremas deixarem de comparecer em mais uma edição do Domingo Ao Extremo. 

O evento, organizado por um dos pilares da música extrema do ABC, Eduardo Vieira (ex-Abside), foi realizado no Cidadão do Mundo, em São Caetano e recebeu quatro nomes de respeito: Subversilvas, Terminal Illusion, Depressed e Arthanus, que fez sua estréia nos palcos.



O espaço

Numa primeira vista parece uma casa “normal”, mas quando você entra se surpreende, pois é aquele espaço pequeno, bonito e organizado. O local possui isolamento acústico e uma estrutura para umas 100/150 pessoas, além de um terraço na parte de cima com um telão, onde é possível ver as apresentações.

Politicamente Conscientes

Subversilvas
João Messias Jr.
Já passavam das 18h quando o Subversilvas começou sua apresentação. O trio formado por Thiago Morello (voz e baixo), Harold Murillo (guitarra) e Fellipe Morello (bateria) pratica um crossover de hardcore, grindcore e thrash , que privilegia o peso, com destaque para os vocais bem encaixados e o ótimo trampo de guitarra. Além do som, a banda possui letras conscientes que não caem na politicagem explícita.

A banda possui ótimos músicos, que assim, fogem do óbvio e pois conseguem encaixar uns grooves que chamam a atenção. Nessas passagens os vocais lembram Rob Zombie (White Zombie), enquanto nas músicas mais tradicionais ficam entre Barney (Napalm Death) e Mille (Kreator). As canções de destaque do show foram Brasil. Contra-fluxo e Sentença, que encerrou o show.

Retorno triunfal

Terminal Illusion
João Messias Jr.
Depois de um período inativos, o Terminal Illusion, por meio de suas apresentações mostra que não pode ficar de fora da cena, pois musicalmente tem tudo para estarem entre os grandes nomes do death metal. Os remanescentes Marcos Cerutti (voz e guitarra) e Rafael Fonseca (guitarra) agora contam com os reforços de peso Helio Patrizzi (baixo) e Enrico Ozio (bateria), ambos do Bywar.

Os caras mesclam com sabedoria death, thrash que unidos aos vocais gritados/esganiçados mostram um música forte, intensa, técnica e agressiva, o que pode ser comprovado em sons como Assemble the Pain, Terminal Illusion (com lindas passagens do metal tradicional) e A Fine Day to Fight.

Será um desperdício de talento se os caras não conseguirem lançar um bom material!

Reverendo do death metal

A terceira banda da noite, o Depressed mostrou o peso do death metal tradicional. Calcado em grupos como Sinister, Deicide e Morbid Angel,o quinteto formado por Giovani Venttura (voz), Rodrigo Jardim e Rodrigo Amorim (guitarras), a bela Stella Ribeiro (baixo) e o baterista temporário Rene Simionatto (Guillotine) fez uma reverência ao metal da morte em sons como Afterlife In Darkness, Paradoxical Warcult e Reborn in Hellfire. A banda é muito boa ao vivo, mas Giovani, com seu estilo “reverendo death/black” rouba a cena, seja cem sua postura intimidadora ou em sons como Stormblood que começa como um doom e depois ganha contornos mais cadenciados. Outro destaque foi The Putrid Legacy of Humanity, que o frontman dedicou aos evangélicos. Agony from a Dark Past deu números finais ao show, que deu a impressão de ter passado voando.

Nome Promissor

Arthanus
João Messias Jr.
Já se passava das 21h15 quando o Arthanus subiu ao palco. A banda, formada em 2010 por Thiago Ap.(voz, ex-Decried), Wotan Pegin (guitarra, ex-Hate for Revenge), Fellipe Magri (guitarra), Bruno Abbate (baixo, Decried) e Rogério Luque (bateria, Midnightmare) fez seu primeiro show, que indicou ser o primeiro de muitos.

Com um som que mescla death, doom, black e as harmonias sofisticadas do metal tradicional, o quinteto não deve nada à grupos como Amon Amarth, pois são seguros e fazem um som forte e intenso, cujas guitarras formam uma parede sonora de peso, como pudemos ouvir em Asgard Palace, Ode to my Enemies e Legion of Gods, que fazem parte de seu primeiro EP, que estava sendo lançado junto com seu hidromel. 

O baterista Rogério mostrou uma grande evolução ao longo dos anos, com suas batidas mais cadenciadas, além do vocalista Thiago se sair muito bem nos vocais, tanto nos berros como nos guturais, dando variedade ao som. As vozes também recebem o auxílio dos guitarristas, o que passa mais força ao som. Infelizmente Ferrir the Giant Wolf, com seus vocais emitindo uivos de lobos e gritos de guerra deu números finais a sua apresentação, que pelo nível apresentado, vai conquistar muitos fãs no país e fora dele... em pouco tempo!

No geral

O Domingo Ao Extremo teve uma organização impecável, bom público, bandas de qualidade, e o primordial, sem atrasos, o que preocupar com o horário dos coletivos.

Parabéns para todos os envolvidos e foi uma honra ter feito parte disso!

14 de agosto de 2013

VIOLÉTE: IMPORTANTES REFLEXÕES

"Banda funde pegada rock com levadas pop regadas à letras introspectivas"

Por João Messias Jr.

Violéte
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Para saber se uma música é boa não é necessário avaliar a qualidade da gravação e o nível dos músicos, mas sim se a mesma te toca ou desperta sentimentos como raiva, choro, angústia, felicidade ou mesmo te levar a reflexão.  

Esse último é uma constante que tenho toda vez que escuto o EP Somos o que Éramos, do Violéte. O quarteto, formado na época por Midi (voz), Tiago de Paula (guitarra), Bruna Daniele (baixo) e Caio Silva (bateria, substituído por Gabriel Diego), mostra que além do som bom, possui conteúdo. 

Como são jovens, as letras passeiam pelas angústias que todos temos quando estamos nessa fase, as decepções com nossos ídolos, ansiedade, inseguranças, mas tudo de forma madura, como em A Pressa “Eu enlouqueço se tento calcular daqui ao fim/E permaneço no descaso de deixar o tempo assim/Ele não merece tanta teima, regulagem, olha aqui: - É só relógio/Não é o tempo que realmente mora aí.

No segundo parágrafo disse do som bom né? Pois é, utilizando a pegada do rock com as levadas do pop eles conseguiram fazer um trabalho quase homogêneo, que possui como destaques além das já citadas letras a contagiante Linha de Intenção, que tem uma linha “pra cantar junto” com um baixo bem marcado. Melodia Infinita é uma balada que conta com um belo dueto de Midi e Tiago. Já Gritos, Instintos e Limitações começa numa linha mais soul e depois fundem pop, rock e ska de forma uniforme. Só que a melhor é Voz Baixa, graças à sua levada densa.

Em resumo, os caras (e as meninas) te conquistam sem muito esforço, basta que você esteja aberto para ouvir um bom rock, independente dos inúmeros rótulos existentes hoje em dia.

Essas linhas também são a minha singela homenagem para a banda e a sua vocalista, Midi, que infelizmente teve que nos deixar tão cedo.

6 de agosto de 2013

DEFAKTO DE FATO: NEW METAL DE QUALIDADE

“Banda andreense mostra que deve ser ouvida pelos apreciadores de rock/metal”

Por João Messias Jr.

Defakto de Fato
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Quando se fala em new metal ao pessoal mais radical (em especial aos thrashers), as primeiras coisas que vem a cabeça dessas pessoas são repulsa e asco. Só que, independente se você músico ou escreve sobre música, essas coisas devem ser limadas do seu dicionário, pois cabe ao profissional ao menos ouvir para emitir uma opinião.

Claro que nem tudo vai acabar agradando, pois o estilo é marcado pela “ginga” vocal, cordas graves e gordas e peso artificial, mas o quinteto andreense Defakto de Fato prova mais uma vez que a música de qualidade existe em todos os sons, inclusive nesta vertente musical.

Beirando os dez anos de existência e formado atualmente por Jerê (voz), Digo e Rodrigo Gracie (guitarras), Dubaixo (baixo) e Kb$$a (bateria), o quinteto possui influências de nomes como P.O.D., Ill Niño, Rage Against the Machine e de grupos brazucas como Tihuana e Charlie Brown Jr.

Neste disquinho, um EP de oito faixas sem título,cuja capa possui uma imagem desfocada da banda e o logo, possui músicas versáteis e letras conscientes. Um exemplo do trabalho lírico é Apocalipse, que fala dos desastres que nós causamos (e continuamos causando) em nosso planeta. Já Caminhos Errados chama a atenção pelas guitarras, que parecem que conversam entre si, além dos vocais bem dosados, que se saem bem tanto nas partes rapeadas quanto nas mais pesadas, o que é digno de elogios.

Tudo perfeito, certo? Infelizmente não. A cópia do trabalho que chegou à redação veio sem o capricho que o mesmo faz por merecer. Concordo que a maioria das pessoas hoje em dia não se preocupa com esse fator estético, mas, no final das contas, se tiver que escolher entre dois trabalhos igualmente bons, com qual que você vai ficar?

Fica a dica para os próximos trampos, pois musicalmente estão prontos!

3 de agosto de 2013

JULIANA ROSSI: VOZ DE FADA ENCANTA FÃS NO METRÔ PARAÍSO

“Vocalista interpretou com desenvoltura canções do Nightwish para um ótimo público”

Texto e fotos: João Messias Jr.

Juliana Rossi
João Messias Jr.
Conhecida pelos seus trabalhos com o Nightwish Cover, Hevorah, RavenLand e Sattva Rock, Juliana Rossi atraiu muitas pessoas em seu pocket show, realizado nesta última sexta-feira (2),às 19h dentro da estação de Metrô Paraíso, em que se apresentou cantando músicas do Nightwish e canções da carreira-solo de sua primeira vocalista, Tarja Turunen.

A apresentação fez parte do Projeto Encontros, que é uma iniciativa de promover arte nas estações do metrô, em suas mais variadas formas (música, dança, cinema, teatro) de forma gratuita, o que é uma grande sacada, pois as pessoas não precisam sair de dentro da estação e que às vezes aquela “sapeada”, pode gerar ótimas experiências, como foi nesta agradável noite.

O show

Flávia Morniëtari e Juliana Rossi
João Messias Jr.
Ás 19h, o show teve início, com Wishmaster, Ever Dream e Come Cover Me, em que a vocalista, acompanhada de samplers mostrou uma interpretação segura e ao mesmo tempo cativante e com muita desenvoltura. Vale lembrar que em sua carreira, Juliana mostra uma gama variada de estilos, indo desde o lírico/sinfônico ao gótico e até a linha de musicais da Broadway.

Em Sleeping Sun foi onde ocorreu um dos momentos marcantes desta apresentação, pois o que havia começado com um bom público, acabou recebendo muita gente que naquela “sapeada” acabou se rendendo ao talento de Juliana.

Para os fãs da primeira vocalista do Nightwish, alguns sons foram executados, com destaque para a sublime interpretação para I Walk Alone, de My Winter Storm, o que mostrou que a moça não deve em NADA a nenhuma cantora do estilo.

Participações especiais

Raphael Dantas e Juliana Rossi
João Messias Jr.
O que estava bom ficou ainda melhor com as participações especiais. A primeira que subiu ao palco foi Flávia Morniëtari (HellArise), que dividiu às vozes em Slaying the Dreamer, do álbum Century Child, fazendo as partes agressivas. O outro convidado foi Raphael Dantas (Caravellus, Soulspell), que cantou Beauty and the Beast e Wish I Had an Angel, cuja interpretação, apesar de alguns errinhos,  mostrou aos fãs de metal um cantor que muito em breve tem tudo ser lembrado como um dos grandes nomes da cena nacional.

Já a terceira convidada foi Juliana Novo, da banda gaúcha Crucifixion BR, que está fazendo uma estadia em São Paulo. A vocalista dos pampas mostrou desenvoltura com seu vocal grave, lembrando Floor Jansen (Revamp, Nightwish, After Forever).

Triste fim

Juliana Novo e Juliana Rossi
João Messias Jr.
Infelizmente Juliana anunciou a última da noite, Over The Hills And Far Away (Gary Moore), que embora dizer isso seja chover no molhado, mas aqui a cantora fez a interpretação mais emocionante da noite, o que rendeu aplausos em seu final. Deu a impressão que os 75 minutos de show pareceram 20, de tão rápido que o tempo se passou.


A boa notícia foi que Juliana anunciou que no dia 31 estará fazendo um pocket show com sua nova banda, o Sattva Rock. Embora seja clichê dizer, foi emocionante ver tanta gente nesta apresentação, o que reforçaram minhas convicções de que para a cena rock/metal melhorar, depende apenas da gente!

1 de agosto de 2013

BARANGA: RENOVAÇÃO SEMPRE

“Quarteto mantém a tradição de não se repetir em seu novo álbum, O 5° dos Infernos”

Por João Messias Jr.

O 5° dos Infernos
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Com os anos de estrada, álbuns lançados e shows em todos os cantos possíveis, é até normal as bandas puxarem o freio e começarem  a se repetir. 

Só que as linhas acima não servem para a Baranga, que  mesmo mantendo o estilo que a consagrou, em NENHUM momento soa como um pastiche de si mesma.

Neste seu quinto disco, Xande (voz, guitarra e slide), Deca (guitarra), Soneca (baixo) e Paulão (bateria) deixaram de lado a sonoridade mais moderna do trabalho anterior, o excelente O Céu é o Hell para fazer algo mais crú e básico, rejuvenescendo seu som, o que pode ser ouvido logo de cara pela produção de Heros Trench.

E como os caras são “macacos véios”, conseguem nos surpreender com alguns trunfos na manga, que se fossem uma receita teriam os seguintes ingredientes: rocks dos 50/60, a busca dos primórdios do heavy nacional e (claro), letras polêmicas.

O lado dos 50/60 já se percebe em Até a Cidade Acordar (ótimos duetos), Três Oitão, a grudenta México é Demais e a faixa título, essa chega a lembrar muito o mestre Elvis Presley. Já os primórdios do heavy vem logo na abertura com Chute na Cara, Cachaça em Ação e  Diabo, Teu Nome é Mulher. Em ambos os direcionamentos impressiona as seis cordas de Xande e Deca, que além do trabalho primoroso, são deliciosas de se ouvir, me fazendo pensar que esses sons poderiam estar em qualquer um da série Guitar Hero.

Só que aqui também  temos um “filho bastardo", que atende pelo nome de  Limpa Trilho. Este som vai mais para o hard rock, com batidas contagiantes de bateria e baixão gorduroso com uma letra que é puro rock and roll. Aliás, letras nesse estilo passeiam por quase todo o disco.

Quase, pois lembram da (s) polêmica (s) que eu disse linhas acima? Elas respondem por Menina de 16 e T.V. Assassina. De forma passional, a primeira pode soar como um incentivo a pedofilia, mas prestando atenção, ela apenas “alerta” os cuidados que os marmanjos devem ter ao mexer com as ninfetas. Já na segunda, os caras falam das pérolas de algumas emissoras de televisão.

Para levar o ouvinte ao delírio, a banda encerra de forma sublime com a arrastada Até Morrer, que cujo ritmo faz uma alusão a um famoso quarteto de Birmingham que em breve estará em terras brasileiras.

Garanto para vocês que ouvir O 5° dos Infernos é tão prazeroso quanto saborear sua bebida favorita, no meu caso, um cafezinho coado na hora.