30 de setembro de 2013

FROST DESPAIR: MOSTRANDO COMO SE FAZ

“Sexteto gaúcho agrada em EP que une melodias sombrias e elementos sinfônicos”

Por João Messias Jr.

The God Desilusion
Divulgação
Com quatro anos de estrada, os gaúchos do Frost Despair mostram a forma correta de se fazer um som forte, intenso e grandioso. 

O sexteto formado por Odommok (voz e efeitos), Agammenomm (piano, teclado e sintetizador), Galamoth e Lair Raupp (guitarras), Flavia (voz) e Anderson Ribeiro (bateria), embora não apresente nada de novo, convence com méritos nesse EP, lançado em 2011, chamado The God Desilusion.

O trabalho, que começa chamando a atenção pela bela capa feita por Marcelo Vasco, mostra um som com base no metal sinfônico e possui contornos black e passagens vampirescas, como podemos ouvir logo de cara na introdução The Dark Ages. Já a faixa-título chama se destaca pelo clima gélido.

Outro ponto positivo aqui é o uso de interlúdios, que acabam segurando e ao mesmo tempo, instigando o ouvinte sobre o que vem pela frente e Damnation cumpre muito bem seu papel, assim como At the Gates, uma peça de piano que encerra de forma sublime o trabalho.

Só que o ponto alto do EP fica para Splendor War, graças a atuação dos guitarristas, que unem na canção solos melódicos, que beiram o hard em muitos momentos, além da ótima atuação de Flávia. Outro momento marcante é a interpretação de Odommok na obscura Dark Bachiana. 

Ótimo trabalho que agradará vertentes variadas do metal, desde fãs de grupos como Nightwish, Epica e até fãs de um black metal mais sofisticado como Dimmu Borgir e Old Mans Child.

A banda está prestes a lançar seu primeiro álbum, que tem o titulo de Surreal, cuja previsão de lançamento é  para o fim desse ano.
www.frostdespair.com  

27 de setembro de 2013

GROUNDCAST: DIFERENCIADO

O Groundcast é um dos portais brasileiros que fogem do esquema de sempre colocarem as mesmas bandas. Mesclando diversas tendências da música alternativa, vem conquistando cada vez mais espaço numa cena saturada pela repetição.

Nesta conversa, um de seus fundadores, Fabio Melo comenta do início do site, cena nacional e as melhores e piores coisas ocorridas desde o início do Groundcast.

Confiram!

Texto: João Messias Jr.
Imagens: Divulgação
Groundcast
Divulgação

NEW HORIZONS ZINE: Fabio, como surgiu à idéia de montar o Groundcast?

Fabio: Vamos lá. Em primeiro lugar, eu tinha um blog de música como a parte informativa de um blog de warez, que você pode encontrar ainda aqui: http://musicgroundpodcast.blogspot.com.br/. O meu grande problema era que as pessoas daquele site valorizaram pouco o meu trabalho e, depois de me encher de alguns problemas, comecei a reparar que a maior parte dos blogs e sites de música alternativa e de metal replicavam sempre o mesmo conteúdo, era como se fossem clones. Em agosto, junto com meu irmão, decidimos que havia a necessidade de fazer alguma coisa diferente, voltada para as bandas que realmente eram independentes, coisas que apostávamos na qualidade e assim nasceu o Groundcast.

NHZ:Vocês fazem um trabalho interessante, principalmente para quem adora buscar por novos nomes na música pesada/alternativa. Como é o trabalho de pesquisa e garimpo para matérias no site?
Fabio: Agradeço por considerar o nosso trabalho interessante, senhor João. Para falar a verdade, hoje a gente pesquisa muito pouco, menos do que deveria, pois recebemos muita coisa de gravadoras, além de sempre um amigo indicar uma coisa ou outra. Como todos os que compõe o corpo de redação do blog gostam de coisas novas, a gente sempre está em contato com bandas e artistas. Muitas das coisas que descubro, por exemplo, vem das pesquisas que faço para os artigos. O meu irmão e o Vitor são mais antenados na cena metal e assim acabamos com uma troca bem interessante. E eu sou usuário de redes de streaming como Spotify, o que contribui bastante com a ampliação do meu conhecimento musical. Também gosto muito de ler textos teóricos sobre teoria da música, teoria da formação do gênero musical, música erudita e até mesmo sobre música regional de muitos países, incluindo o Brasil.

NHZ: Nesse garimpo, chegou a conhecer algum grupo do qual se tornou fã?
Fabio: Olha, vários. Vou citar alguns, mas corro o risco de esquecer alguém: Los Colorados, Lagrima Negra, Psychofagist, Filtra, Ambassador21, Lovelorn Dolls, Creature Feature, Jaga Jazzist, Cold Body Radiation, Cadaverous Condition, This Will Destroy You, Alamaailman Vasarat, Grupo Klezmorim (um interessante grupo nacional de música judia), Mari Chrome, Kant Kino, Victim!, Black Sea, Ágona, aTelecine (a banda de industrial da Sasha Grey), A Forest of Stars, Netra, Satanismo Calibro 9. Enfim, muita coisa, mas muita coisa mesmo.

Fabio Melo e Gothic Prince Ken
Divulgação
NHZ: Em que a linha editorial do Groundcast difere do gosto pessoal dos editores e colaboradores?
Fabio: A gente não diverge porque trabalhamos com aquilo que gostamos e o nosso gosto, no geral, é bem variado. É claro que às vezes publicamos uma nota aqui e ali de uma banda ou artista que não vamos com a cara. Mas nada do que colocamos vai contra o nosso gosto pessoal, até porque o pessoal aceita numa boa, sobretudo as minhas matérias, que tendem a não se aproximar do gosto de algumas pessoas que estão conosco. Além disto, existe a maturidade de respeitar o que se coloca no site. A equipe nunca foi contra nada do que foi postado, uma vez que temos também uma maneira parecida de encarar as coisas.

NHZ: Desde sua fundação, diga-nos quais foram as melhores e piores coisas que aconteceram com o site.
Fabio: Vamos pelos piores, porque são poucos. Um dos momentos mais chatos que tivemos foi com uma banda que pediu para retirar a entrevista que fizemos com um ex-membro. Eu achei uma coisa tão infantil que hoje a banda não aparece mais nas nossas postagens. Em segundo, quando teve o show do Clan of Xymox no Brasil, cujo vip de imprensa foi negado pela produtora ter dito que não divulgamos adequadamente o evento, porém fomos os ÚNICOS a divulgar via site e via facebook, além de comunidades especializadas em gótico.
Agora, bons momentos, tivemos muitos. A cobertura do show do Mayan, mesmo sendo uma banda que não somos muito fãs; as entrevistas com o Aaron (My Dying Bride), Stephan (Shiva in Exile), Neige (Alcest, gravada em áudio), Roger (Goatlove, gravada em áudio), a entrevista com o Last Leaf Down e o fato da banda ter pago um anúncio no facebook para nos divulgar, o acordo com a Memorial Records da Itália, a parceria com a Island Press, os contatos que mantemos com artistas entrevistados até hoje.
Também recebemos presentes das bandas. Os melhores (ou seja, todos) que recebemos, além de álbuns, foram dois livros da Donna Lynch e do seu marido (integrantes do grupo de rock industrial/darkwave Ego Likeness), uma camiseta do Rise of Avernus em comemoração ao aniversário do meu irmão, um cartão postal do I Shall Move the Earth em comemoração aos dois anos de site. E também muitas vezes artistas mandando discos para nós pela satisfação de mandar algo para nós, como é o caso do Will Geraldo do VAIN (Violent Atittude if Noticed).

NHZ: Vamos falar um pouco dessa parte da Imprensa no rock. O que você acha do nível das matérias dos outros veículos e da relação de Assessores/Produtores/Bandas com os jornalistas e fotógrafos?
Fabio: Olha João, vou ser sincero e sem rodeios: a maior parte é uma grande porcaria. Primeiro, com relação à matérias, eu adoro sites como o Wikimetal e o seu, que produzem conteúdo autoral de qualidade, assim como o Resíduos Tóxicos do meu xará, Fabio Tardelli. Mas no geral, é tudo muito ruim, muito superficial, muito mais do mesmo. Um dos motivos que mantém o Groundcast no ar é que produzimos material bom, seja escrito, seja com o podcast, seja com alguns vídeos ou mesmo na fanpage, que tem um teor mais humorístico. Se contabilizar tudo o que fazemos, pode ter certeza que produzimos mais que boa parte dos grandes blogs.
A relação com jornalistas e produtores é delicada. Com bandas, a gente nunca teve nenhum problema, até mesmo porque preferimos artistas mais obscuros, que ficam felizes com alguém tendo interesse pela banda.
Infelizmente, quanto a bandas nacionais, o assunto é bem mais delicado. Explico o motivo: é muito difícil para um veículo como nós chegarmos num grupo como o Angra ou mesmo o Krisiun. Contudo, se pensarmos em termos de “banda grande”, conseguimos entrevistar gente como a Cadaveria, o Aaron do My Dying Bride e o Enslaved. Ou seja, banda nacional de médio porte há certo estrelismo que me incomoda muitas vezes. E outros grupos nacionais pequenos tem um grau semelhante de arrogância ou vem com aquela coisa de preferir veículos como o Wikimetal e o Whiplash.
A gente se faz crescer junto a algumas poucas bandas pequenas que ajudam divulgando coisas que falamos sobre elas. Posso citar o Imperia, o Lagrima Negra (um dos nossos maiores apoiadores), entre outras.

NHZ: Você pensa que num futuro próximo poderemos ter profissionais de imprensa especializados em rock com uma remuneração a altura de seu conhecimento?
Fabio: Queria ser mais otimista com relação a isto, mas a resposta é um retumbante não. Falta a nossos veículos de imprensa profissionalismo. Eu tenho contato com diversos selos e gravadoras estrangeiras e o nível profissional, a qualidade do material para imprensa, tudo isto pesa e muito contra nós. Um dos motivos pelo qual eu não chamo gente que não seja minha amiga para escrever no site é que para isto eu precisaria pagar e não tenho como fazer isto. Sim, eu sei que parece sacanagem, é por esta razão que não cobro muito dos colaboradores. O Groundcast tem um ritmo lento, mas que segue bem do jeito que está. Fico muito feliz de termos sites como o Intervalo Banger em veículos grandes como a MTV, porque isto mostra que espaço existe para blogs e sites mais alternativos.

NHZ: Não é novidade para ninguém que temos shows internacionais a rodo no país. Assim, o público deixa de prestigiar as bandas brasileiras para ver as gringas. Em sua opinião, o que podemos fazer para melhorar essa situação.
Fabio: Vamos colocar em dois pontos. O primeiro, temos poucas bandas nacionais realmente boas e interessantes para ouvir. A maior parte das bandas querem apenas fazer um thrash metal oitentista ou um death metal sujo igual ao das bandas americanas ou, no máximo, suecas. A gente não precisa disto, precisamos de bandas que realmente toquem alguma coisa que valha a pena ouvir. Este motivo afasta muita gente de grupos extremamente repetitivos. O segundo é que, quando temos uma banda que seja boa ou inovadora, o pessoal esquece porque fica com a imagem das trocentas bandas ruins que temos. Eu cito como exemplo o pessoal do Reiketsu, um excelente grupo nacional de Sludge/Crust e que vai tocar no festival Exhale the Sound em Minas Gerais.
Daí nosso público chega a ser contraditório, porque torce o nariz para bandas nacionais por serem nacionais e também cobram das nossas bandas novidades, mas não aceitam quando algumas oferecem isto.
A solução talvez venha dos dois lados. O público precisa parar de aceitar qualquer porcaria só por ser nacional. Eu dou todo o apoio para um grupo nacional, até mesmo porque é bem complicado manter uma banda. Mas não consigo engolir que sempre quando aparece uma “revelação do metal nacional” venha muitos defender um grupo que certamente é ruim. Aliás, entenda por revelação quase sempre uma banda de qualidade duvidosa, mas com muitos seguidores que sequer prestam atenção ao se toca.
As bandas, do outro lado, precisam pelo menos investir em identidade. Por mais que muitos possam xingar, o Angra continua fazendo shows porque estabeleceu uma identidade entre tantas bandas de power metal, assim como o Krisiun, tocando death metal, conseguiu seu lugar com um som que você reconhece que é deles. No Brasil temos grupos como Imago Mortis, Ágona, Black Sea, Herod Layne, Reiketsu, Huaska, Deventter, In Vida, JohnWayne, Project46 e outros que NUNCA aparecem nos sites e nas listas chapa branca da imprensa rock brasileira. São bandas excelentes, que mereciam mais espaço, mas que são sufocadas no excesso de “mais do mesmo”.
Falta também mais união entre as bandas e o seu público. Eu fui em dois eventos de metalcore e me impressionou como as bandas e o seu público tem uma relação legal, além dos grupos se ajudarem mutuamente. Eu nunca vi, por exemplo, um Angra apoiando uma banda que não fosse de amigos.

NHZ: Também não se pode jogar a culpa apenas aos grupos do exterior. Apesar das inúmeras bandas nacionais de qualidade, ainda nos deparamos com o amadorismo em muitos eventos, seja por parte das atrações musicais e a produção/organização. O que pensa disso?
Fabio: Olha, amadorismo existe em qualquer lugar. E no Brasil não seria exceção. Mas parece que virou regra ser ruim por aqui.
Além de não podermos comparar nossos eventos com um Wacken ou mesmo um HellFest, não temos muitos eventos bons por aqui. Destaco o sempre maravilhoso Abril Pro Rock, que a cada ano se torna um evento melhor e o já citado Exhale the Sound, trazendo bandas mais experimentais. E isto tudo fora do eixo Rio-São Paulo.
Mas é verdade que somos muito amadores em muita coisa. Um dos motivos de eu ir pouco a shows é que não vejo porque pagar cem reais num evento que vou ter de ser encoxado e ficar desconfortável. Nenhuma empresa que produz shows alternativos em São Paulo faz um excelente serviço, embora alguma coisa tenha mudado. Temos alguns locais de nível razoável, mas nada mais. Os bons locais, como o Cine Joia, ainda fica restrito a grupos mais indie/experimental, o que é uma pena.

NHZ: Muito obrigado pela entrevista. Deixe uma mensagem aos leitores do NEW HORIZONS ZINE.
Fabio: Queria mandar um beijo para minha mãe, para o meu pai... brincadeiras à parte, gostaria de salientar que precisamos de veículos de comunicação que não fiquem à sombra de bandas ou de panelinhas, mas que tenham força para serem diferentes. Trabalhar em conjunto com os artistas e com outros que também acreditam que os músicos menos divulgados merecem mais reconhecimento. As bandas precisam valorizar os blogs e o pessoal pequeno da imprensa, uma vez que são eles os que mais dão o sangue para ver a banda ser divulgada.
And this story continues...

25 de setembro de 2013

UNBLACKPULSE: A MUTAÇÃO CONTINUA...MAIS INSANA

“Rise, debut de quinteto apresenta uma mistura de emoções, raiva e muito groove”

Por João Messias Jr.

Rise
Divulgação
Em 2012, vi numa edição da Revista Roadie Crew,  uma resenha pra lá de positiva sobre o quinteto paulista UnblackPulse. Senti-me no dever de checar e não é novidade pra ninguém que curti pra caramba o som e tinha a certeza que em pouco tempo algum selo ou gravadora assinaria pois a banda tem um som que passeia por diversas tendências do rock/metal, com muita energia e qualidade tipo exportação.

Um ano se passou e o quinteto formado por Henrique Gordilho (voz e guitarra), Nicolas Aqsensen (guitarra), Devis Santana (baixo), Caio Gaona (bateria) e Tato Quilici (percussão) lançou a alguns meses apenas de forma virtual seu primeiro trabalho, chamado Rise, infelizmente de forma independente.

Ouvindo as músicas do trabalho, penso na seguinte questão: “Porque ninguém se interessou em lançar a banda?”, pois o material como disse no primeiro parágrafo é feito para estourar aqui e lá fora. E essa confirmação vem logo nos primeiros riffs de Get Over, que abre o álbum, que é dona de grooves que não deixa ninguém parado. Interessante que o som é apesar de cheio de detalhes, camadas e texturas tem tudo dosado e na medida certa, desde os elementos percussivos, a “massa das cordas de guitarras e baixo” e os vocais.

A voz, podemos dizer que são especiais, pois fazem vir na memória caras legais como Rob Zombie (ex-White Zombie e hoje cantor solo) e James Heitfield (Metallica), como podemos ouvir em Bodies. Outra performance que merece ser citada é a do baterista Caio, pois o músico possui uma atuação segura sem apelar para os alardes baterísticos e mostra como se impor.

More than Me se destaca pelas guitarras. Já Trash e Blood Down são especiais, pois com o jeitão da banda, soam como trilhas de strip tease, o que é bem legal aqui. Over My Faith e One More Day são perfeitas para os palcos, pois são cheias de energia. Ainda para este que escreve essas linhas a melhor é Bitter Taste, que em relação ao EP está mais densa e melhor. Essa canção é uma espécie de cartão de visitas da banda, pois se alguém quiser conhecer um som para saber qual é a dos caras, eu recomendo esse.

Fico na torcida para que esse trabalho tenha a merecida versão física, mesmo que de forma independente. Muito injusto ter um disco como Rise restrito "nas nuvens".

24 de setembro de 2013

SONIC SYNDICATE: UMA DAQUELAS HISTÓRIAS QUE SÓ O MUNDO DA MÚSICA CONTA PRA GENTE

"Audição do quarto disco da banda sueca Sonic Syndicate instiga o ouvinte a saber porque o sexteto não está entre os grandes nomes da música atual"

Por João Messias Jr.

We Rule the Night
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Sim, isso mesmo. O quarto disco da banda Sonic Syndicate, We Rule the Night, de 2010, tinha tudo, mas tudo mesmo para figurar ao lado de grupos como Avenged Sevenfold. 

A banda formada na época por Nathan J. Biggs (voz), Richard Sjunnesson (voz), Karin Axelsson (baixo), Robin e Roger Sjunnesson (guitarras) e John Bengtsson (bateria) cometeu a loucura de romper alguns padrões musicais e botou no mesmo caldeirão new metal, metalcore, hard rock,  pop e um pouquinho de In Flames.

Passados três anos, essa mistura poderia soar normal e inofensiva, mas após um bom tempo sem escutá-lo, pude perceber que o mesmo passou no teste do tempo. As canções continuam fortes quando necessário e acessíveis quando preciso. A interpretação de Nathan nas vozes limpas e Richard nas agressivas dão o balanço que a música do grupo precisa. As qualidades não ficam restritas aos cantores, pois aqui temos tudo na perfeita ordem: solos bem dosados, bateria constante e claro, clássicos do estilo.

O massacre começa com Beauty and the Freak. Mas a energia emana com Revolution Baby, com uma linha contagiante e um show de Nathan. A canção poderia figurar tranquilamente como trilha de lutas marciais, pois além de elevar o astral é perfeita para a prática. Já os efeitos eletrônicos de Turn It Up desagradarão os radicais, mas como só existem dois tipos de música, a boa e a ruim e a canção citada está longe de ser execrada...

... Voltando, My Own Life é a balada do disco e tem uma linha de fácil assimilação e (ainda) tem tudo para figurar em qualquer programa mainstream de videos. Miles Apart é melancólica e possui um refrão daqueles de cantar junto. Apesar da audição ser agradável até o fim, ele perde um pouco de sua força, apesar de faixas como Plans for the People possuir andamentos interessantes, que beiram o technopop dos anos 80,

Apesar dessa pequena queda de rendimento, tinha tudo para elevar o nome da banda, que pelo menos por aqui, infelizmente não rolou. Curiosamente após esse trabalho a banda sofreu com mudança de integrantes e outros problemas, que a impediram de continuar seu legado. A notícia mais recente é de maio deste ano, é que por meio de um vídeo no site do grupo,  entende-se que possuem planos de gravar um novo disco.

Infelizmente não costuma haver justiça no mundo da música, mas quem sabe um novo disco recoloca as coisas nos eixos. Pois é uma pena que We Rule the Night não tenha conseguido.

Vamos torcer!
www.sonicsyndicate.com 

23 de setembro de 2013

JACKDEVIL: “NÃO TINHAMOS NOÇÃO DO QUANTO NOSSA BANDA ERA POPULAR EM SÃO PAULO”

Assim começa a nossa entrevista com o quarteto maranhense JackDevil. Da mesma forma que seu som, o quarteto formado por André Nadler (voz e guitarra), Ric Andrade (guitarra), Renato Speedwolf (baixo) e Filipe Stress (bateria) partiu para um giro de shows na capital paulista com o intuito de divulgar o som.

Nessa entrevista, a banda comenta o saldo final dessa tour, a cena do Maranhão, MOA e muito mais.

Confiram!

Texto: João Messias Jr.
Fotos: Divulgação

JackDevil
Divulgação
NEW HORIZONS ZINE: Rapaziada...vocês fizeram uma tour por São Paulo em agosto e tocaram em festivais como o Guaru Metal Fest. Qual o saldo que fizeram deste giro ao sudeste.
JackDevil: Foi excelente! Não tínhamos noção do quanto nossa banda era popular em São Paulo. Durante os shows sentimos a energia do público cantando e participando, fazendo o show junto com a banda. Logo de cara já recebemos diversos convites para regressar. Fizemos grandes amigos.

NHZ: São Paulo tem alguns lugares que chamam a atenção de qualquer banger do mundo, como a Galeria do Rock e as casas de shows que rolam as bandas gringas. Chegaram a visitar alguns desses pontos? O que acharam?
JD: Quando se viaja em turnê não se tem a oportunidade de conhecer quase nada, pois o tempo está sempre contado e geralmente nós dormimos bem pouco. Porém desta vez conseguimos conhecer a Galeria e demos um giro pela cidade de São Paulo. Porra, cidade do caralho.

NHZ: Agora conte-nos sobre a repercussão do novo trabalho, o EP “Faster than Evil”.
JD: O Faster é o trabalho atual da banda. Já está correndo a notícia de que vamos lançar nosso debut no começo do ano que vem, porém ainda estamos trabalhando na divulgação do Faster Than Evil, e isto permanecerá até o final deste ano de 2013. Já dissemos em muitas entrevistas do quanto gostamos deste EP e de sua importância para a Jackdevil. Tanto isso é verdade que estamos concluindo a edição do videoclipe da música Flashlights. 

NHZ: A banda é do Maranhão, conhecido como a terra do reggae. Mas, o estado  tem gerado ao mundo grandes nomes no rock/metal como Madame Caos, Gallo Azhuu, além de vocês. Além dos grupos, contem um pouco da cena: shows, público, sites, blogs.
JD: Um fato curioso sobre a cena maranhense é que apesar de ser conhecida como a terra do reggae, sempre existiram mais bandas de Metal! A Gallo Azhuu é uma banda formidável e tem todo merecimento pelo reconhecimento adquirido. A Royal Dogs, Tanatron e Fúria Louca são bandas que, ao meu ver, estão entre as melhores do Brasil e com este esquadrão de novas bandas eu concordo plenamente com o que o Tiago Guinevere ( baixista da Fúria Louca) costuma dizer: “ O Maranhão será um grande pólo do Heavy Metal”.

NHZ: Mas, além da música, o estado ficou marcado por causa do Metal Open Air, que infelizmente manchou a história dos festivais por aqui, por causa da desorganização e do cancelamento de diversas bandas. O que pensam sobre isso e se o estado possui condições para organizar um festival desse porte?
JD: Nós não gostamos de falar sobre o MOA. Não estávamos na organização e não temos nenhuma informação especial além das que foram veiculadas na mídia. O que posso falar é que tudo foi visto por uma ótica sensacionalista e eu acredito na possibilidade de um novo evento deste porte aqui em São Luís do Maranhão.

Faster than Evil
Divulgação
NHZ: A capa e embalagem do disquinho são muito bem feitos, parecendo que foram pensados para “receber” um LP. Há planos de fazer este trabalho em vinil?
JD: Boa a pergunta. Estamos pensando na possibilidade de relançamento do Faster Than Evil com nova capa e talvez músicas bônus. Muita gente não sabe, mas nós “jogamos fora” músicas pra poder gravar somente as cinco que entraram no EP. Porém, numa visão mais madura, percebemos que estas músicas são legais e fomos muito duros ao colocá-las de lado. Vamos gravá-las especialmente para integrar a nova versão do EP.

NHZ: Falando em vinil, o que pensam sobre o interesse do público por trabalhos deste formato?
JD: É notório que este formato vem tendo uma ascensão e hoje já tem seu espaço garantido em lojas e segmentos especializados. O fã de Heavy Metal mantém seu gosto peculiar por colecionar vinís e não demorará até nossa banda lançar neste formato. Outra novidade é que o Faster Tah Evil será lançado em fita na Grécia, provando que este resgate aos formatos antigos é uma realidade do mercado musical.

NHZ: Esse lado “vintage”, também é evidenciado no som, que possui muitas influências oitentistas, em especial do speed/heavy/thrash. Vocês conseguem explicar o porquê dessas referências e o que pensam sobre grupos que praticam um som mais moderno?
JD: Na real, fazemos o que gostamos. Nossa concepção de como a Jackdevil deve soar é desta maneira. Quem quiser fazer um som modernão, que o faça. O Público está curtindo e nós mais ainda. Vamos continuar assim, pois não devemos nada a ninguém e temos total controle sobre o direcionamento que nossa banda irá tomar.

NHZ: Músicas como Scream for Me e Bastards in the Guillotine são os destaques da bolachinha, e passam a impressão que foram feitas para serem executadas ao vivo. Como as pessoas reagem a esses sons nos shows?
JD: Bastards é o ponto alto do nosso show! A música é introduzida pelo solo do contrabaixo e causa toda uma expectativa no momento da execução ao vivo. Já a repercussão de  Scream For Me foi uma surpresa para a banda. Nós a compomos sem nenhuma expectativa, queríamos apenas soar como o Motörhead e acabou que ela se tornou uma das mais pedidas em rádios e nos shows!

JackDevil
Divulgação
NHZ: Além da adrenalina, essas canções possuem um nível técnico elevado, desde o uso das guitarras gêmeas, a bateria, que não fica a mercê da velocidade, além da alternância de passagens rápidas e lentas. Como músicos, qual a preocupação em fazer um som mais elaborado e quais os cuidados para que isso não se torne cansativo aos ouvintes?
JD: O processo de composição da Jackdevil é livre. Nós não nos vemos como uma banda técnica. Na verdade a gente ri bastante das bandas que querem soar com preciosismo instrumental e tudo mais. Outra, também não nos vemos como músicos e não nos adequamos a essa vida de estudos musicais. Tocamos Heavy Metal e pronto. O trabalho que fazemos é de entusiasmar as pessoas mais jovens para formar bandas de Metal, tocar mesmo, comprar seu instrumento e aceitar o desafio de ter uma banda. Queremos formar os guerreiros que vão segurar a cena quando estivermos velhos! Isso sim faz todo sentido pra gente. Eu e o Ric já estudamos música e desistimos por ser muito chato.

NHZ: Muito obrigado pela entrevista! Deixem uma mensagem aos leitores do NEW HORIZONS ZINE.
JD: Entrem em contato com a gente pelo Facebook e troquem uma ideia, sempre estamos dispostos a dar toda atenção que as pessoas merecem. È isso ae, obrigado pelo espaço e desculpa se algum palavrão ficou após a correção!

18 de setembro de 2013

KIARA ROCKS: DAQUI POR DIANTE...MAIS PESO

“Terceiro disco do quinteto mostra uma faceta mais pesada que pode desagradar que gostem de algo mais pop”

Por João Messias Jr.

O terceiro trabalho é algo que significa muito para a carreira de uma banda,
Daqui Por Diante
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independente de seu segmento. Ao começar que nem todos os grupos conseguem chegar nessa etapa. Segundo, em 90% dos casos, os discos que carregam o número 3 mostram uma nova faceta ou direcionamento. Esse último é o caso da Kiara Rocks, que carrega o sugestivo título Daqui Por Diante.

O referido trabalho mostra uma banda apostando numa sonoridade mais suja e pesada, sem espaço para baladas, mostrando um lado malvado. Só que com uma vantagem: a qualidade dos arranjos, algo que a trupe formada atualmente por Cadu Pelegrini (voz), Anselmo Favaro e Phil Bonaño (guitarras), Juninho (baixo) e Marcos Grevy (bateria)  faz com maestria desde seu primeiro disco.

As faixas que chamam a atenção são In Coma, Sinais Vitais e Falso Alarme, que confirmam essa nova tendência no som do quinteto, que para quem gosta de comparações, estão mais para Circus of Power do que Guns and Roses. Já Alice, graças a sua linha mais densa, lembra o Candlebox, só que mais pesado (e melhor).Últimos Dias possui uma melodia gostosa e Nada a Perder é bem pesada e termina numa linha bem rock and roll. Além das faixas citadas, o CD possui regravações para Com Ódio e Gasolina e Não Vai Adiantar e versões para Mr. Scarecrow (Herbert Vianna, que contou com a participação de Dinho Ouro Preto e Rafael Bittencourt) e Save a Prayer (Duran Duran), que com certeza encheu de orgulho a banda de Simon Le Bon.

Como fã, continuo preferindo o álbum anterior, mas como crítico e jornalista eu recomendo, principalmente pela ousadia e aposta num estilo que apesar de possuir  representantes mundo afora, ainda não tem um grande nome aqui no país.
www.kiararocks.com.br

ROCK MY LIFE RECEBE JOÃO MESSIAS JR. E EDU LAWLESS

Rock My Life 18-9
Divulgação 
O Programa Rock My Life recebe nesta quarta-feira (18), às 20h os profissionais de imprensa João Messias Jr.(NEW HORIZONS ZINE) e Edu Lawless (Rock Express).

Conhecidos por seus trabalhos na cena do metal, os convidados estarão num bate papo que terá como temas a Imprensa no segmento do rock and roll, seus bastidores  e muito mais.

Além dos entrevistados, o programa apresenta o som da semana com a banda Screams of Hate e o lançamento do clipe da banda Tailgunners.

O Rock My Life é um programa da TV ABCD e acontece ao vivo todas as quartas e pode ser visto através dos  links abaixo:

13 de setembro de 2013

EXCITER: MEMORÁVEL

“Apresentação de grupo canadense comoveu headbangers presentes, que apareceram em ótimo número”

Texto e fotos: João Messias Jr.

Após a maravilhosa apresentação de sábado, o dia seguinte foi mais uma oportunidade para quem não viu (e viu) de conferir a última apresentação do Exciter por São Paulo. O local escolhido, o Hangar 110 que graças ao seu “visual”, que lembra o de um squat,  foi o cenário perfeito para essa noite, que além do grupo canadense teve como bandas de abertura Saturn, Nervosa e Comando Nuclear.

O ABC também tem stoner

Saturn
João Messias Jr.
Às 18h15 e com poucas pessoas dentro da casa, os shows tiveram início com o Saturn. Formado por Vinícius Castelli (voz e guitarra), Jean Gantinis (guitarra), Adilson Ribeiro (baixo) e Fernando Capelli (bateria), o quarteto provou que agora a região do ABC tem um digno representante do stoner rock. As canções dos caras alternam momentos bem pesados e viagens psicodélicas, como em Major Colision. 

Outros destaques foram Red Smoke, com uma levada “gordurosa” do baixo e a pesadona Troublemaker, que encerrou a curta apresentação. Vale citar também, que embora carreguem influências de nomes como Black Sabbath, Mountain, Cathedral e Trouble, possuem uma vibe mais “pra cima”, o que aqui é positivo. Ansioso pelo CD dos caras, que deve sair até o fim desse ano.

Intenso e Extremo

Nervosa
João Messias Jr.
Assim podemos definir a apresentação do trio feminino Nervosa. Fernanda Lira (voz e baixo), Prika Amaral (guitarra e backings) e Pitchú Ferraz (bateria) mostraram aos presentes que os elogios recebidos pela imprensa são por causa do show cheio de garra e energia, o que pôde ser percebido logo no começo, com Prika chutando seu microfone que não funcionava. 

Mas voltando ao espetáculo, as meninas chamaram a atenção até do baterista do Exciter, Rick Charron, que ficou um bom tempo assistindo a performance do trio. Destaques para as músicas Morbid Courage, que possui uma levada empolgante, a cadenciada Wake Up and Fight, Victim of Yourself, que estará no primeiro disco delas, que está para sair e Masked Betrayer, que encerrou a apresentação. 

Os vocais de Fernanda chamam a atenção, pois lembram muito a saudosa Wendy Williams, além da baterista Pitchú, que massacra as peles de bateria sem dó nem piedade.

Unidos pelo Metal

Comando Nuclear
João Messias Jr. 
Esse foi o som que deu início ao show do Comando Nuclear. Ron Cygnus (voz), Rex e Éric Würlz (guitarras), Rodrigo Exciter (baixo) e Hugo Golon (bateria) mostraram que o metal em português tem seu espaço e fãs fiéis, que deliraram ao som de Princesa Infernal, Caçada Mortal e Guerreiros da Noite, que foram retribuídas com muitos moshes. 

Em Vingança Metal, o baixista Rodrigo Exciter, de tão empolgado, desceu do palco e tocou junto aos presentes. Resistir e Mestre das Mentiras encerraram esta bela apresentação do quinteto, que se mostra uma banda diferenciada, por meio de seu heavy tradicional, que alterna momentos thrash/speed e que conta com um dos melhores vocalistas do país (e do mundo) para o estilo.

Quase Perfeito

Exciter
João Messias Jr.
Já eram 21h20 quando Kenny “Metal Mouth” Winter (voz), John Ricci (guitarra), Clammy (baixo) e Rick Charron (bateria) iniciaram o seu set. Com um repertório praticamente idêntico ao da noite anterior, despejaram aos bangers o mesmo entusiasmo em sons como Stand Up and Fight, The Dark Command e Aggressor. 

Kenny é um vocalista carismático e não deve nada aos anteriores, principalmente nos agudos, que são inspirados em Rob Halford. 

Mas alguns problemas no som prejudicaram a apresentação da banda. I am the Beast, contou com problemas no microfone do vocalista. Já em Heavy Metal Maniac e Evil Omen, apesar do mosh ter comido solto, a guitarra de John praticamente sumiu.

Exciter
João Messias Jr.
Sanados os problemas, foi prazeroso ouvir o “rugido” das seis cordas em Slaughtered in Vain. Aí o jogo já estava ganho e o negócio foi curtir mais clássicos como a cadenciada Pounding Metal, que teve como introdução um curto solo de bateria. Durante a execução de Reign of Terror, uma breve confusão entre seguranças e bangers tomou conta do palco, que logo foi contornada. 

Long Live the Loud e Violence and Force, praticamente emendadas finalizaram mais uma apresentação dos canadenses em terras paulistas, que com certeza ficará na memória de todos os presentes. 

Mesmo não estando mais no auge da carreira e tampouco no primeiro escalão do heavy metal, o Exciter mostrou como se faz heavy metal com garra e paixão, ingredientes que fazem falta em muitos grupos da cena mundial.

12 de setembro de 2013

CARNIÇA: THRASH DOS PAMPAS

Com mais de 20 anos de estrada, o trio gaúcho Carniça é uma das bandas mais influentes do thrash nacional. Tendo base a sujeira e a agressividade, lançaram em 2012 seu melhor trabalho até o momento, chamado Nations of Few, que é dono de músicas empolgantes como Diablo Politician e a faixa título. Outros atrativos são uma versão “carnicenta” para I Wanna Be Somebody (WASP) e a participação do guitarrista Cláudio David (Overdose) em Prayers Before the Death.

Nesta entrevista, a banda, formada atualmente por Mauriano Lustosa (voz e baixo), Parahim Neto (guitarra) e Marlo Lustosa (bateria) nos conta da repercussão do disco, da participação do músico do Overdose e muito mais.

Confiram:

Por João Messias Jr.

Nations of Few
Divulgação
NEW HORIZONS ZINE: O terceiro trabalho, Nations of Few apresenta a mesma linha do trabalho anterior, Temple’s Fall...Time to Reborn, só que com uma produção mais refinada, além do aprimoramento como músicos. Na opinião da banda, como comparam o novo trabalho ao anterior?
Carniça: Achamos que o disco segue na mesma linha do “Temple’s”, porém está mais direto e agressivo. É muito fácil falar de agressividade em discos de heavy metal, pois toda a banda diz sempre isso, mas quem conhece nosso trabalho anterior e escuta esse sente o que estamos dizendo. O disco também foi feito com mais calma, logo teve uma produção mais caprichada, aproveitando mais o fator estúdio, compondo o material e gravando, podendo assim sentir melhor as composições.

NHZ: A atual formação está junta há um bom tempo. Visto que não é uma tarefa fácil, pois sempre haverá divergências, como administram a saúde da banda e a amizade?
Carniça: Isso é o mais fácil! Somos parentes, irmão e primos, logo o lance é em família mesmo. As divergências são poucas, acontecem, mas são mínimas perto de algumas bandas, pois prezamos pelo respeito a cada um dos integrantes e suas particularidades. É como um casamento de 22 anos em que o casal se ama. Existem briguinhas, mas no final é puro entendimento. Já nos casamos, separamos, trocamos de namoradas, mas a formação continua sólida.

NHZ: Assim como no álbum anterior, vocês continuaram com o sarcasmo. Em “Temples...” a “inspiração” era a Santa Ceia, agora é uma espécie de conferência, com algumas personalidades importantes do mundo, decidindo o futuro da nação. Como surgiu a inspiração dessa capa?
Carniça: Veio ao encontro das Nações de Poucos. Líderes que pensam e agem em prol deles mesmos e de uma minoria aos seus redores. E isso acontece em todo planeta, não só no Brasil. Logo, o que tinha de ser uma coisa séria, em prol da humanidade, torna-se uma festa, uma confraternização de tiranos em favor de seus grupinhos. Essa foi a concepção da banda para a capa, que teve mais uma vez a execução de Anderson Neves.

Carniça
Divulgação
NHZ: Chegaram a ter medo de alguma represália das autoridades por isso?
Carniça: O maior problema que tivemos até agora foi com o uso dos discursos do Lula e do Collor na eleição de 1989 na música Diablo Politician. A empresa que prensa os discos em Manaus queria uma autorização dos políticos citados por escrito, o que óbvio não rolou nem nunca rolaria. Usamos assim mesmo mediante termo de compromisso e foda-se, pois qualquer um que acessa o youtube tem acesso aos discursos verborrágicos e mentirosos desses vagabundos.

NHZ: No álbum anterior vocês regravaram Hell Awaits (Slayer), para esse disco, uma versão thrash para I Wanna Be Somebody (WASP). De quem foi a ideia de fazer uma versão para essa canção?
Carniça: A ideia acho que foi do Parahim (guitarra) e do Marlo (bateria), mas foi consenso de toda banda que, assim como Hell Awaits se encaixava em Temple’s Fall, I Wanna Be Somebody seria o cover perfeito pra Nations of Few. É uma música genuinamente heavy metal e sua letra fala de um sujeito que quer ser alguém logo na vida (típico da politicagem brasileira). Colocamos nossa roupagem nela e acho que o resultado foi massa.

NHZ: Ao término da canção, há um silêncio e alguns minutos depois uma espécie de interlúdio instrumental, chamado Nowhere, que nos remetem aos grupos da Bay Área, em especial Testament e Forbidden. Qual a influência desses grupos no som da banda?
Carniça: Também achamos que ficou muito parecido com Testament. Comentamos isso com o Parahim após a produção deste bônus. Em Temple’s Fall há uma outra composição do estilo, chamada Paradise. Olha, apesar de curtirmos, estas bandas não são bem as maiores influências da Carniça. Hoje existem muitas bandas de muita qualidade que foram para esse lado Thrash 80’s. Seria legal que eles absorvessem o espírito e criassem coisas novas, com identidade própria. Mas o que se vê é muito clone do Death Angel, Whiplash, Nuclear Assault, Artillery e Bay Area bands. Uma lástima, pois o processo criativo no Metal está morrendo. Quando essas bandas jurássicas e inovadoras que criaram o estilo acabarem, o rock pesado terá que ressuscitar, pois sem criatividade o estilo vai enfraquecer muito. Não são todas as novas bandas, lógico! Mas o processo evolutivo tem de acontecer.

NHZ: Vocês sabem se o mentor do WASP, Blackie Lawless chegou a ouvir a música?
Carniça: Seria legal se acontecesse. Quando gravamos o material, consegui licença com o escritório que gerencia a carreira do WASP, mas não sei se o material chegou a ser repassado ao próprio Lawless. Quando o CD ficou pronto agora em dezembro, enviei um exemplar para os EUA. Seria muito bom uma análise de quem fez a música, né?

NHZ: Nations of Few conta com a distribuição da Voice Music. O que estão achando da parceria e qual a importância de se ter um selo hoje em dia?
Carniça: A Voice Music é uma das principais distribuidoras de som pesado do Brasil, senão a maior. Ajuda muito, pois o CD está junto a grandes nomes do cast, logo o lojista tem maior acesso ao nosso trabalho. É um tipo de parceria em que todos ganham. A banda chega em lugares onde não chegaria, a distribuidora têm mais nomes no cast para negociar e o público acaba achando mais facilmente nosso material.

Temple's Fall
Divulgação
NHZ: O trabalho tem duas agradáveis surpresas: a primeira é a participação do guitarrista do Overdose, Cláudio David na faixa Prayers Before the Death. Como surgiu a ideia?
Carniça: Foi um fato único e memorável para a banda. Somos fãs do Claudio e do Ovedose há anos! A ideia veio do Mauriano, de ter uma participação fodástica no álbum. O Marlo (bateria) entrou em contato com o Claudio pelo Facebook e começamos o “namoro”. O cara é incrivelmente gente fina e curtiu a banda, a energia dos sons. Ele é um puta produtor e gravou a parte dele em BH. Juntamos aqui no nosso estúdio em Novo Hamburgo e a parceria foi selada. Foi um orgulho imenso ter ele imortalizado num disco do Carniça!

NHZ: A participação do músico não ficou restrita ao disco, pois o guitarrista participou de algumas apresentações aí no Sul. Qual a sensação de ter um cara que foi um dos pioneiros do estilo no Brasil participando de um show com vocês?
Carniça: Meu, sem palavras. Todo o processo foi muito bom, desde pegar o cara no aeroporto, apresentar ele à um verdadeiro churrasco gaúcho, tomar umas biras juntos até a madrugada e ouvir verdadeiras pérolas da história do metal brasileiro, que praticamente surgiu em BH. Overdose e Sepultura foram os expoentes, então não precisa dizer mais nada, né? Tudo foi proveitoso! Fora de ter divido o palco em três músicas, pois além da Prayers Before The Death, tocamos “Anjos do Apocalipse” e “A Ultima Estrela” do Overdose. Inesquecível!

NHZ: Diablo Politician possui trechos em português e se adequou bem ao som de vocês. Como surgiu a inclusão destes trechos e se podemos ter mais músicas em português no futuro?
Carniça: Quando o Mauriano estava produzindo o disco, sentiu falta de deixar o recado mais claro, mais direto pra galera. Ter uma identidade com a corrupção brasileira, estas quadrilhas que usurpam a nação. Tinha estes trechos na mente e queria um refrão forte, tipo espanhol, que brazuca entendesse. Encaixamos os trechos das entrevistas da campanha à primeira eleição direta brasileira na parada do baixo e todos curtimos. Não é à toa que o encarte traz letras em português também.

Carniça
Divulgação
NHZ: Infelizmente uma tragédia ocorreu numa boate em Santa Maria, que acabou com muitos mortos e famílias destruídas, graças à falta de estrutura necessária para a realização de eventos. Como o caso teve repercussão mundial, quase todas as casas serão interditadas ou fechadas para melhorias. No que isso prejudica bandas como o Carniça?
Carniça: É foda. Antigamente tínhamos muito efeito pirotécnico em nossos shows, muito mesmo, e mesmo sempre tendo cuidado o fato de Santa Maria nos fez refletir bastante. Mas como tu falaste, trata-se de uma tragédia, infelizmente com precedentes e muitos culpados. Na verdade, a ganância em arrecadar e reinvestir pouco já era percebida, até mesmo no tratamento às bandas. Na cena, agora teremos um tempo de adequação e mais rigor às leis. Pensamos que tudo que melhore a segurança das pessoas é válido, mesmo que se cerrem momentaneamente alguns lugares. Também pode ser que as casas venham a ter mais respeito pelo show business todo, estendendo melhor tratamento às bandas.

NHZ: Agradeço pela entrevista! Deixem um recado aos leitores desta publicação.
Carniça: Agradecemos imensamente o espaço valioso oferecido à nós e sempre quando possível comprem material das bandas do underground nacional, apóiem os shows e curtam suas vidas sem pensar que governos irão ajudá-los, pois eles querem somente o “emburrecimento” da população. Povo-gado é mais fácil de governar. Nós queremos o contrário, queremos que os bangers reflitam cada vez mais sobre os assuntos do nosso interesse enquanto brasileiros. Temos que sair da letargia e as armas do nosso protesto é nosso som, nossa inteligência. Isso é mais uma coisa que torna o metal um estilo único e incomparável! HEAVY METAL NEVER DIE!

11 de setembro de 2013

EXCITER: OS ANOS OITENTA JAMAIS DEIXARÃO DE EXISTIR

“Evento que também contou com os grupos Breakout, Leatherfaces e Rider mostrou que o período continua vivo e quente no coração dos bangers”

Texto e fotos: João Messias Jr.

Exciter
João Messias Jr.
O dia 7 de setembro tem tudo para entrar para a história da música pesada no ABC. Apesar da região ter recebido nesses anos apresentações de grupos como Venom, Dream Theater, Ramones, Orphaned Land e Exodus, o giro do Exciter tem tudo para ficar na mente das pessoas que puderam presenciar a terceira visita do quarteto.

Atualmente formado por Kenny “ Metal Mouth” Winter (voz), John Ricci (guitarra), Clammy (baixo) e Rick Charron (bateria), chamam a atenção principalmente pela simplicidade, pois em nenhum momento se comportaram como rockstars.

Antes da apresentação do sábado, o grupo compareceu na quinta-feira (5) numa noite de autógrafos em Santo André. O local escolhido foi o Vol.4 Rock Bar, mais conhecido como Bar do Carlão, que é cultuado pelo pessoal da região.

De volta para ao passado

Confesso que foi muito engraçado ver Kenny, John, Clammy e Rick chegando ao bar. Com o visual “importado” dos anos 80, os canadenses foram simpáticos e atenciosos com todos que iam nos caras para conversar ou simplesmente dar um oi.

Um momento interessante aconteceu com este que escreve essas linhas. Ao pedir para tirar uma foto com o vocalista, o mesmo estava tão preocupado como sairia a foto, que mostrou para mim e para a amiga que gentilmente tirou o retrato qual seria a melhor forma. Jamais vou esquecer disso!

Tinha tudo para dar errado

Leatherfaces
João Messias Jr.
Minha preocupação no sábado (7) era chegar no horário, pois estava trabalhando em outro evento em Santo André. Parecia que tudo daria errado, pois lá, a programação atrasou, no caminho para São Bernardo o trólebus quebrou duas vezes, mas felizmente às 17h30 eu estava na frente do Princípios.

Foi legal ver a Marechal Deodoro cheia de headbangers, inclusive pessoas da capital e interior. Já eram quase 18h, quando a casa abriu suas portas e as expectativas se confirmaram com um ótimo público.

Os shows

Às 18h30 a maratona de shows teve início com a banda Rider. De Osasco, o quinteto, bem jovem por sinal, formado por César Caçador (voz), Luke Couto e Fernando Steelbones (guitarras), Klébio Lonewolf (baixo) e Victor Oliveira (bateria) mandaram um metal tradicional com leves toques speed, que trará a lembrança de grupos como Helloween, Viper e Running Wild. 

Rider
João Messias Jr.
Tudo bem coeso e com pegada, em que todos os instrumentistas sabem o que fazem, sem exageros e loucuras. 

Esta apresentação marcou o lançamento do EP Streets of Nowhere, que a banda distribuiu aos presentes que se interessaram pelo som do grupo.

A segunda banda da noite foi o Leatherfaces, que pratica um thrash com agradáveis incursões ao crossover. Rafael Romanelli (voz e guitarra), Arthur Betiolli (guitarra), Giovanni Soares (baixo) e Cave Hoffman (bateria) mandaram sons que enlouqueceram os presentes como Stand Up and Rise (que é o primeiro vídeo do grupo), Satan Is Coming e Leatherface. 

Só que apesar da pancadaria ser o forte da banda, os caras se saem bem em temas trampados como Slaves of the Lost Time (música que fará parte do próximo trabalho) e Without Hope. A banda coroou a apresentação magistral com uma versão para Que Se Foda, da banda Kissif, inclusive com a presença do baterista Pedro Zupo (também Armadilha) nos backing vocals.

Breakout
João Messias Jr.
Às 20h20 o Breakout mostrou aos presentes seu metal tradicional, que possui flertes com o rock and roll e o speed metal, que conta com Fabs Nocte (guitarra), Carlos Butler (baixo) e Lucas Borges (bateria) e a belíssima Maira Oliveira (voz) fizeram uma apresentação parecida com a anterior, quando fizeram abertura para o Violator. A apresentação começou forte, com Amnesia, Schizophrenia e Eyes of Evil, que contou com uma bela interpretação da vocalista nos agudos. 

Choose Your Side poderia ter sido o ponto alto do show, mas infelizmente a guitarra de Fabs teve problemas e dessa forma, o som do instrumento sumiu por alguns momentos. Mas mesmo assim a banda foi profissional e tocou a música até o fim. Com o som melhor (um pouco), mandaram Offer No Resistance, If Heaven Is Hell (Tokyo Blade) e Don’t Call it Luck, que encerrou o show, que poderia ter sido muito melhor se não fossem os problemas com o som.

A grande hora

Exciter
João Messias Jr.
Às 21h20 o Exciter sobe ao palco do Principios. Animados, Kenny Winter, John Ricci, Clammy e Rick Charron mostraram ao público que um show de heavy metal tem de ter tesão e isso foi provado logo após Stand Up and Fight, do debut Heavy Metal Maniac, com destaque para a atuação do vocalista, cujos agudos lembram Rob Halford (Judas Priest) e Sy Keeler (Onslaught).

Mas a noite estava apenas começando e The Dark Command e Aggressor extasiavam os bangers, que bradavam o nome da banda a cada canção executada.  E essa resposta deixou todos os músicos emocionados, em especial Kenny, como pode ser visto em I’m the Beast. Pounding Metal, de Violence and Force mostrou que nem apenas de velocidade vivem os canadenses. Até a “nova” Evil Omen, de Thrash Speed Burn foi bem recebida pela galera, que conhecia a risca o repertório do show.

Exciter
João Messias Jr.
Além das músicas, vale dizer que a banda é muito coesa, além do já citado vocalista, tocando com paixão e precisão, seja na condução segura de Rick, nos riffs e solos “mão cheia” de John e do baixo “V8 envenado” de Clammy, que dessa forma continua o legado de caras como Lemmy (Motorhead).

Long Live the Loud e Violence and Force foram, ou pelo menos seriam as últimas da noite e foram cantadas de ponta a ponta pelos bangers, que não arredaram o pé da frente do palco. 

Após tocarem esses clássicos, Kenny perguntou aos bangers o que desejavam ouvir...aí mandaram novamente Heavy Metal Maniac, que com um mosh encerrou essa bela apresentação do quarteto canadense.

Se depender do que foi visto nesta noite...os anos oitenta ficarão vivos por muitas e muitas décadas. E o melhor, com muitos “filhos” para continuarem com essa saga.