31 de outubro de 2013

SUBVERSILVAS: PESO E PEGADA

"Trio paulista mescla vertentes da música pesada e atinge um bom desempenho em EP de estreia"

Por João Messias Jr.

SubverSilvas
Divulgação
Assim como falei do CrossFear, o trio SubverSilvas foi mais uma banda que acabei conhecendo em um show, desta vez em São Caetano.

Os caras apresentam uma mistura interessante de thrash, HC com algumas partes grind, que privilegiam o peso e a pegada, o que aqui provou ser a decisão acertada.

A bolachinha começa com Lutar, dona de uma levada empolgante, com destaque para os vocais, que apesar de usar uma linha que altera momentos berrados/gritados e urrados, possuem uma ótima pronúncia, em que se entende perfeitamente o que está sendo vociferado.

USA foge um pouco do esquema mais cadenciado, com momentos grind e um ótimo solo na linha Andreas Kisser (Sepultura). Miséria mostra outra faceta nos vocais, cheios de groove.

Já Brasil começa bem lenta, quase doom. Depois vira o maior quebra pescoço. Essa faixa é a mais longa do trabalho e possui passagens interessantes de guitarra, que esbarram no heavy tradicional em alguns momentos.

O final fica por conta de Extrospection, que possui uma ambiência  positiva e por isso encerra o disco com o astral la em cima.

Além do som, o que chama a atenção são as letras, que passam uma mensagem de conscientização sem cair no lance político.

Vale a pena escutar!

30 de outubro de 2013

SEPULTURA: COMEMORANDO O CAOS

Maior nome do metal nacional realiza show em comemoração aos vinte anos do lançamento do álbum  Chaos A.D.

Texto e fotos: João Messias Jr.

Só para recordar

Paulo Jr.
João Messias Jr.
O ano era 1993 e o Sepultura vivia um dos pontos altos de sua carreira. Após o sucesso de álbuns como Benath the Remains e Arise, o quarteto então formado por Max Cavelera (voz e guitarra), Andreas Kisser (guitarra), Paulo Jr. (baixo) e Igor Cavalera  haviam  finalmente atingido o status de grande banda no Brasil, após terem conquistado Europa e Estados Unidos.

Todos ficaram curiosos em saber qual seria o próximo passo da banda, visto que declararam que estavam fazendo algo diferente, utilizando percussões de samba e afinações mais baixas. Quando Chaos A.D. foi lançado, apesar da estranheza inicial (inclusive deste que escreve essas linhas), foi um sucesso mundial, que culminou por shows por todo o planeta, alavancado por hits como Refuse/Resist, Terrritory, Slave New World e Kaiowas.

Conexão passado/presente

Banda executando Kaiowas
João Messias Jr.
Vinte anos depois, a banda passa por um momento parecido. Após um período de desconfiança, agravado após a saída de Max e (posteriormente) Igor, o quarteto hoje formado por Derrick Green (voz), Andreas Kisser (guitarra), Paulo Jr. (baixo) e Eloy Casagrande (bateria) ainda colhe os frutos do sucesso do álbum Kairós, que rendeu ao grupo apresentações por todo o globo.

Para comemorar a boa fase, a banda fez um espetáculo interessante, que rolou nos dias 24, 25 e 26 deste mês, no SESC Belenzinho. Interssante pois fizeram um show comemorativo aos 20 anos de Chaos A.D., além de apresentarem ao público músicas do novo e recém lançado disco The Meditator Beteween the Head and Hands Must be the Hear, cujo título é inspirado no filme Metrópolis, de 1927.

O show – Parte 1

Derrick Green
João Messias Jr.
Bom, vamos falar da apresentação realizanda nesta última sexta-feira (26). Após o credenciamento, lá vou ao local do show, que na verdade é um enorme refeitório. Isso não foi motivo de desmerecimento e muito menos de chacota, pois espaço lotou, fato que se repetiu nos outros dois dias.

Já se passavam das 21h30 quando a intro Chaos B.C. ecoava no recinto. Mesclando os ritmos brasileiros com peso e algo experimental, esse foi o fundo para que Derrick, Andreas, Paulo e Eloy adentrassem ao palco e extremamente saudados pelos presentes.

Com essa recepção, não restou outra alternativa, a não ser saciar o público numa viagem ao tempo. Propaganda e Slave New World deram início ao massacre. A segunda, em especial foi responsável pela primeira roda da noite. Nesse momento o público bradava o nome da banda em alto e bom tom.

Antes de The Hunt, cover do New Model Army, Andreas aproveitou para agradecer aos presentes por estarem lá e que sem eles não haveria Sepultura. Kaiowas foi outro ápice desta primeira parte, pois foi executada de forma elétrica. Nesse formato a canção ficou mais forte e orgânica. Polícia colocou fogo nas coisas novamente, vale dizer que em sua maior parte ela é cantada por Andreas e Paulo.

João Gordo

João Gordo
João Messias Jr.
E como dizem que se é para fazer, que faça bem feito, a banda chama ao palco João Gordo (R.D.P) e juntos levaram Biotech Is Godzilla (Dead Kennedys) e Crucificados Pelo Sistema, do próprio Ratos. Duas versões matadoras, que chamaram a atenção pelo jeito escrachado do vocalista e pela colinha usada na primeiro som.

Para terminar a primeira parte do show, a banda mandou os hinos Territory e Refuse/Resist, que extasiou todos os bangers que estavam espremidos no espaço.

O quarteto possui muita energia em suas apresentações e é visível que  estão fazendo o que realmente querem, sem pressões por uma possível reunião da formação clássica. Assim, pode-se dizer que com toda a certeza Derrick e Eloy são o combustível ideal para que Andreas e Paulo continuem firme com o legado da banda.

O Show - Parte 2

Eloy Casagrande
João Messias Jr.
Após uma breve pausa, a banda retorna para executar mais clássicos e músicas novas. A abertura com Dark Wood of Error (Dante XXI) e Altered States (Arise) mostrou que independente da fase, os fãs estão com a banda. Era a hora de soltar alguns sons do novo disco e Manipulation of Tragedy e The Age of Atheist fizeram as honras. O que dizer das recém criadas músicas?

Bem, que o disco certamente vai decepcionar aqueles que esperam por uma volta aos tempos de Arise. Embora bem pesadas, carregam experimentalismos, o que pode agradar fãs de boa música, a não ser que esses sejam fãs dos Cavalera e desprezam tudo que foi lançado após Roots.

Infelizmente o espetáculo chegou ao final com Ratamahatta e Roots Bloody Roots (com direito a encore), que assim como todas as músicas, foram recebidas com aplausos e sobre berros com o nome da banda.

Andreas Kisser
João Messias Jr.
Uma apresentação que com certeza está entre as mais fortes desse ano. Aproveito para encerrar essa resenha com um recado para vocês que ficam malhando o grupo.

As pessoas tem o direito de criticar e não gostarem do Sepultura hoje, mas esse não gostar deve ter fundamento. 

Então headbangers, ouçam o disco, vão o show e formem suas opiniões. Não se baseiem em declarações de antigos membros, muito menos em preconceitos em relação aos novos integrantes, pois independente da banda ter lançado o melhor disco da carreira ou não, uma coisa é certa: Se o Brasil é reconhecido hoje pela qualidade de suas bandas, deve isso ao Sepultura.

Que venham as críticas!

29 de outubro de 2013

CROSSFEAR: RAIVA QUE EMANA ENERGIA

Survive Through Fear, EP de quinteto do ABC chama a atenção por unir músicas furiosas, técnicas e coesas

Por João Messias Jr.

Survive Through Fear
Divulgação
Interessante como são as coisas. Em uma entrevista para um documentário, citei, dentre outras coisas que é legal ouvir os medalhões do rock/metal, mas que é necessário olhar para a base, nos shows underground. 

Nos palcos menores, antigamente vistos como imundos e decadentes, sempre nos deparamos com grupos que ao ver o show dizemos: “Isso é do caralho”. Essa foi minha reação ao ver o CrossFear.

A banda, com três anos de vida é formada pelos experientes Thiago Barata (voz), Diego Cruz e Davi Calherani (guitarras), Rafael Correa (baixo) e Paulo Costa e a junção dos cinco elementos forma um som que possui base no thrash/death, mas que abre espaço para outros estilos, como o grind, black metal e  metalcore.

O primeiro trabalho da banda, o EP Survive Through Fear junta tudo isso eessa fusão de estilos faz com que as músicas se destacam pela dinâmica e raiva, sempre com muita variação. Esse último ingrediente se percebe na abertura do trabalho, com a faixa-título. O som seguinte, Compromise mistura vozes agonizantes/desesperadas com o sludge de grupos como Crowbar, com um peso absurdo e muitos breakdowns.

War of Ideals chama a atenção pelas guitarras grooveadas e o trampo do baixo, que deve soar muito mais intensa ao vivo e fará alguns se lembrarem da fase atual do In Flames. Scars of Life se destaca pela criatividade, com as cordas sintetizadas e muito peso. É aquela canção que cresce durante a execução, que vai ficando mais brutal e agressiva no final, com um ótimo refrão, que ficaria legal se emanado pelas torcidas de futebol.

Técnico, versátil e imprevisível, assim se define Survive Through Fear. Por causa de bandas como o Crossfear, que eu continuo escrevendo e produzindo conteúdo da cena independente, que ao contrário do que muitos pensam, produz grupos de qualidade, que precisam de um maior carinho do seu público.

Parabéns rapaziada!
www.facebook.com/crossfearbr

24 de outubro de 2013

METAL TOTAL 34: O METAL VIVE NO ABC

Evento que teve como headliner o ícone nacional Vulcano, também contou com os grupos Angry, Necromesis, Spiritual Hate e Midnightmare

Texto e fotos: João Messias Jr.

O anúncio de que o lendário grupo santista Vulcano faria uma apresentação no ABC foi motivo de nostalgia e emoção para este que escreve estas e as próximas linhas a seguir. Primeiro, por se tratar de um dos maiores nomes do metal nacional e que após muitos altos e baixos, vive seu melhor momento na carreira, inclusive se apresentando pelo velho mundo algumas vezes. Outro motivo (descoberto no show) foi ver que os caras, que não são mais garotos, se divertem a valer se apresentando!

O espetáculo, realizado no último domingo (20), no Princípios Bar, em São Bernardo, além dos caiçaras contou com quatro nomes de respeito daqui: Angry, Necromesis, Spiritual Hate e Midnightmare.

Escolas distintas num único som

Midnightmare
João Messias Jr.
Às 16h45, coube ao Midnightmare dar início às festividades. O trio, atualmente formado por Kedley (guitarra), Simone (baixo e voz) e Quércia (bateria, Arthanus) tem um contexto interessante em suas influências. As seis cordas possuem influências do death metal da Flórida e Suécia dos anos 90, a bateria cria linhas mais cadenciadas, fugindo da batedeira de hoje e os vocais são crus, diretos e na lata. 

Sabe o que mais? Essa miscelânea produz um death/thrash de responsa, com ótimos riffs e músicas empolgantes como Chaos, In the Name of God e Death is the Only Salvation. Essa última é dona de andamentos cadenciados e muitas quebrdas. A apresentação ainda contou com  uma boa versão para Witching Hour (Venom). Chega a ser triste ver que os caras (ainda) não possuem um CD para imortalizarem a sua música.

Resgatando tradições

Spiritual Hate
João Messias Jr.
É uma questão que possui o lado bom e ruim, mas que o rock anda muito intelectual não há de negar. Quando alguns grupos apostam em meter o pé na nossa cara, mostrando que o estilo tem de ter antes de tudo transpiração e sangue nos olhos a gente até esquece que fomos “agredidos”, como na apresentação do quarteto Spiritual Hate. 

Com cristos decapitados, pendurados de ponta cabeça e corpse paint, Magnus Hellhound (voz e guitarra), Fabiano Blackmortem (guitarra), Lord Emperor Blaphemous (baixo) e Thamuz (bateria) mandaram um death/black violento e voraz, com vocais que se alternam entre guturais e vomitados. Tudo muito coeso, com destaque para Hates Burn in my Eyes e Excomunion, que além de encerrar o show, foi responsável pela primeira roda da noite.

Fortalecidos

Necromesis
João Messias Jr.
Ano passado, os fãs do Necromesis foram pegos de surpresa com a saída do vocalista e baixista Victor Próspero (hoje no Seventh Seal). Devido ao sentido de unidade que o então trio passava nos shows, uma interrogação pairava na mente dos fãs. Felizmente, o egresso do baixista Gustavo Marabiza e da frontwoman Mayara Puertas foram o combustível que os remanescentes Daniel Curtolo (guitarra e voz) e Gil Oliveira (bateria) precisavam para continuar o legado.

A cada apresentação, o hoje quarteto mostra segurança e que pode ir muito mais longe, pois cresceram musicalmente e em performance. Principalmente Daniel, que se movimenta por todos os cantos, além de vociferar como um urso, o que gera um contraponto interessante com os urros e berros de Mayara. 

A técnica é uma das marcas registradas da banda, que hoje soa mais brutal e progressiva, fato que foi comprovado com o novo som, The Life is Dead, que sintetiza bem o atual momento do grupo. Outros destaques foram Unlives As Undeads e Demonic Source, que encerrou a curta apresentação dos caras (e da moça), que já estão prontos para conquistarem novos territórios.

Um pouco de thrash

Angry
João Messias Jr.
Apesar das bandas acima terem toques aqui e acolá do thrash, até então, nenhum dos grupos da noite pertenciam ao estilo. Então, Diego Armando (baixo e voz), Ricardo Luiz  e Alex (guitarras) e Renato Haboryni (bateria) mostraram aos presentes uma mescla das escolas americana, europeia e brasileira, essa última presente nos vocais, que nos remete ao grande Marcello Pompeu (Korzus). 

A banda fez um set balanceado entre canções do EP, como Agony, Coldness of the Soul e outras que farão parte do próximo trabalho, a sair ainda esse ano como Future Chaos (faixa-título, que ganhará videoclipe). 

O encerramento com Last Day, cujos andamentos nos remetem aos mestres do estilo como Death Angel e Testament (alguém aí pensou em The Legacy?). Mais um baita show de um grupo que eu ainda não conhecia.

Quero envelhecer como esses caras

Vulcano
João Messias Jr.
Com uma carreira de três décadas, apresentações por todo o país e Europa, Luiz Carlos Louzada (voz), Zhema (guitarra), Ivan Pellicciotti (baixo) e Arthu Von Barbarian (bateria) poderiam estar descansando assistindo programas dominicais na TV, mas não. 

O quarteto, com seu som baseado em Venom, Black Sabbath e Motorhead, mostrou que “panela veia faz comida boa”, e saciou os presentes com clássicos de toda sua carreira, como The Man the Key the Beast, faixa-título do mais recente trabalho, Dominios of Death, The Signals e Prisioner from Beyond.

Esses sons serviram para constatar que, com todo respeito ao Angel (antiga voz do grupo), Louzada hoje tem mais a cara da banda e não faz feio cantando hinos do passado como Fallen Angel e Bloody Vengeance. Zhema sempre com uma postura discreta mandando riffs poderosos por meio de suas Gibsons e o batera Arthur é um espetáculo a parte, pois não fica restrito a espancar as peles de seu kit. Toca em pé, brada com a galera, faz malabares com a lata de cerveja, enfim, mostrou o que é tocar com prazer.

Vulcano
João Messias Jr.
O show caminhava para o fim quando mandaram de forma apoteótica as clássicas Witche’s Sabbath, Total Destruição, Guerreiros de Satã e a parte final de Legiões Satânicas, que extasiou os presentes, que compareceram em bom número.

Após o show pensei no seguinte: quando ficar mais velho, quero envelhecer que nem esses caras, indo a shows, curtindo o lance de verdade, sem politicagens e padrões de conduta.

Mais um baita evento organizado pelo Tiago Claro (Seventh Seal), que dá a oportunidade ao povo do ABC a oportunidade de conferir grandes nomes do metal nacional. Só que, vamos nos conscientizar, por que estilo não se restringe aos festivais como Monsters of Rock. A base é a cena underground, não se esqueçam!

15 de outubro de 2013

HELLISH WAR: MUDANÇAS POSITIVAS

"Keep it Hellish, terceiro disco de estúdio do quinteto paulista aposta em novos elementos sem perder a pegada característica"

Por João Messias Jr.

Keep it Hellish
Divulgação
Já foi dito que uma banda leva uma vida inteira para gravar o primeiro álbum e pouco para fazer o segundo trabalho. Mas e o terceiro disco? E quando aparecem problemas e obstáculos?

As situações acima foram sentidas pelo quinteto Hellish War. Atualmente formado por Bil Martins (voz), Vulcano e Daniel Job (guitarras), JR (baixo) e Daniel Person (bateria), sofreram com problemas com a gravadora e a saída do então vocalista Roger Hammer. Só que os caras conseguiram um porto seguro por meio do novo cantor do grupo, que somado ao poderio de fogo dos instrumentistas conseguiram até então lançar o melhor trabalho da carreira do grupo.

Keep it Hellish não se resume apenas a uma evolução natural do CD anterior, Heroes of Tomorrow. O trabalho, apesar de manter a linha adotada no disco anterior, apresenta algumas diferenças, que são marcantes. Os duetos da dupla das seis cordas se mostram mais afiados e criativos, criando belas melodias nas canções. Como podemos escutar em The Challenge, Reflections of the Blade e Scars (Underneath) Your Skin. Esta última com solos inusitados importados dos anos 60/70.

Tem mais. O vocal de Bil Martins não assustará os fãs do antigo cantor e tem tudo para trazer novos fãs. Pois apesar de manter o estilo da banda, levará o Hellish War a novas possibilidades sem descaracterizar o som do grupo. Com um timbre rouco e potente, que lembra camaradas como Jeff Scott Soto e Rob Rock (Impelliteri), deu um toque hard que casou bem com a música do quinteto. A já citada Scars e Fire and Killing são exemplos.

Não acabou. A banda cometeu mais algumas proezas aqui: a faixa-título é um metalzão de torcer e quebrar pescoços no melhor estilo germânico e Darkness Ride, cujo dedilhado inicial nos remete ao folk, mas que depois vira um hard/heavy empolgante, com um refrão que é no mínimo apoteótico.

The Quest encerra o disco de forma épica e me faz pensar que apesar das dificuldades e incertezas, os caras devem estar felizes pra caramba com esse disco, que consegue cativar os “trues” e fãs de estilos como o hard rock.

Os europeus devem estar se esbaldando com as apresentações do quinteto que nesse instante está no velho mundo mostrando a força do metal brasileiro!
Keep it Hellish!

11 de outubro de 2013

WAEL DAOU: UMA OUTRA LINGUAGEM PARA AS OITO CORDAS

"Guitarrista mostra por meio do EP Ancient Conquerors uma abordagem diferenciada para o uso da guitarra de oito cordas"

Por João Messias Jr.

Ancient Conquerors
Divulgação
Confesso que todas as vezes que chegam CDs em casa eu faço uma espécie de ritual até colocar o disquinho no aparelho. Primeiro observo a capa, depois folheio o encarte e fico mentalizando o que virá pela frente. 

Mesmo depois desses preparativos fiquei sem a menor ideia do que seria o EP do guitarrista paraense Wael Daou, principalmente pelo uso das cores da capa.

Com a conexão disco-aparelho veio uma surpresa, principalmente se tratando de música instrumental. Pois apesar de termos aqui uma mistura de rock, metal, fusion e new age, a abordagem aqui é diferente. Aqui tudo soa "vivo" e não mecanizado e sem a pegada "shred", comum em muitos trabalhos do estilo. 

Outro aspecto que faz o disco fugir do lugar comum é a abordagem diferente para a guitarra de oito cordas, pois Wael não faz a pegada Meshuggah, pois o músico "aplica" muita sensibilidade ao trabalho, como pode ser ouvido logo na primeira faixa Chapter One: Genghis Khan, que talvez seja a mais densa e pesada do CD, que como deu para sacar, é dividido por capítulos.

Salah El Dine e Attila the Hun mantém o clima da faixa de abertura, apesar de serem  mais climáticas, graças aos teclados. Além do fusion e progressivo, podemos sentir aqui as influências de caras como Yanni e Kitaro, que são considerados ícones da new age.

O clima mais pesado volta com Xerxes I, que fica irresistível graças ao efeito Hammond que é inserido na canção. O encerramento com Hiram I é interessante, pois ela soa como um final de filme, com ares mais épicos, o que combinou perfeitamente aqui.

Poderia ter ficado apenas falando das faixas, mas o trampo gráfico, que possui as cores definidas, encarte com as histórias das letras e a gravação limpa fará com que muitos tenham a vontade de conhecer o material.

Talvez não agrade aos fãs de músicas mais "imediatas", mas quem possui um gosto musical mais amplo tem tudo para curtir!

9 de outubro de 2013

SATTVA ROCK: FUGINDO DO HABITUAL

"Banda formada por antigos integrantes da RavenLand apresentam no seu primeiro single, Irreal, uma proposta mais voltada ao pop/rock"

Por João Messias Jr.

Sattva Rock
Logo por Fernando Tropz
Ao assistir o primeiro show da banda Sattva Rock, tive a certeza de que o quarteto formado por Juliana Rossi (voz), Banes Gonçalves (guitarra), Ricardo Hurla (baixo) e Fernando Tropz (bateria) tinha em mente um som diferente da RavenLand, grupo que teve por anos Juliana, Banes e Fernando no line-up.

Essa diferença, num primeiro instante pode ser vista como medo, mas essa impressão vem água abaixo com o lançamento de seu primeiro single, chamado Irreal. 

A canção vem numa linha pop-rock e a exceção da letra, que fala do fim de um relacionamento, possui um ritmo positivo e uma levada pra cima, com destaque para os vocais de Juliana, que alternam momentos pesados e outros mais falados e a guitarra de Banes, que faz bases interessantes, variadas e um solo gostoso de ouvir.

Ainda falando na música, ela tem tudo para ser destaque na cena pop-rock atual, pois é de fácil assimilação e é executada por ótimos músicos. Ao ouvir diversas vezes, fiquei ansioso e curioso ao saber o que virá pela frente. 

Irreal marca uma estreia que tem tudo para ser bem sucedida, principalmente pela ousadia dos músicos, que preferiram sair da zona de conforto e optaram por criar uma sonoridade diferente e jovial!
www.facebook.com/pages/Sattva-Rock/149139685280850?fref=ts

Para ouvir o single:
www.youtube.com/watch?v=f2jGxN9qY5o

7 de outubro de 2013

VISCERAL SLAUGHTER: SUPERANDO TRAGÉDIAS

"Banda foi formada neste ano após o fim do grupo Anonymous Hate"

Por João Messias Jr.

Caedem
Divulgação
Uma notícia que pegou muitos fãs de metal extremo de surpresa foi o fim da banda amapaense Anonymous Hate, que se deu pelo falecimento do guitarrista Heliton Coelho. Só que os remanescentes Victor Figueiredo (voz), Fabrício Goes (guitarra) , Romeu Monteiro (baixo) e Alberto Martinez (bateria) canalizaram essa tristeza em música, e por meio dela foi criada uma nova banda, o Visceral Slaughter.

Interessante que apesar do recém criado grupo fazer um som na mesma linha, em nenhum momento soa parecido com a antiga banda dos membros. O que é ouvido em Caedem é mais brutal, direto e tão bom quanto. A bolachinha começa de forma curiosa, com uma "intro", que na verdade não possui som nenhum, talvez uma maneira de preparar nossos ouvidos para o massacre sonoro, que é apresentado por meio de Human Wreckage.

As vocalizações de Victor nos remetem aos anos 90, com aquele pique típico da Flórida (Monstrosity, Cannibal Corpse) e o instrumental, embora tenha referências desta sonoridade, tem traços marcantes do grindcore, o que dá uma diferenciada no som.

Outras faixas que descolam o pescoço do corpo são Search for Power (que conta com a participação do vocalista Jonathan Cruz, da Lacerated and Carbonized), Reign of Hypocrisy e Scars of Tyranny, que começa com um discurso político, cujo teor instiga o ouvinte ao massacre que a banda emana neste som. 

Além do som, o trabalho gráfico combina com a proposta, cujos desenhos sangrentos, que até nos fazem vir a memória os conflitos de terra ocorridos na região norte do país.

Ótima estreia que tem tudo para agradar aos fãs das vertentes mais agressivas do metal. Já aqueles que pensam que som pesado se restringe ao Linkin Park, Seether e afins, podem tomar um baita susto.