17 de dezembro de 2014

DAYDREAM XI: A SAGA GAÚCHA CONTINUA...

"The Grand Disguise", primeiro CD do quarteto gaúcho une peso, cadência e melodia em músicas longas, trabalhadas e acessíveis

Por João Messias Jr.

The Grand Disguise
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Acompanho a cena musical do rock/metal há mais de duas décadas e por mais imparcialidade que role, acabei tendo minhas preferências. Uma delas era a cena gaúcha, em que esperava as revistas chegarem nas bancas para ver o que tinha nas seções de demos. E depois de todo esse tempo, brindado com trabalhos das mais variadas regiões, há momentos em que a paixão fala mais alto. Quando ouvi o debut dos gaúchos da Daydream XI, fiquei feliz em saber que a saga da música gaúcha continua viva, forte e variada.

Com seis anos de estrada, a banda formada por Tiago Masseti (voz e guitarra), Marcelo Pereira (guitarra), Tomás Gonzaga (baixo) e Bruno Giordano (bateria) é adepta do prog metal, com músicas longas e variadas, mas sem ser chato e com ingredientes que deixa a música dos caras especial: aliam peso e melodias quase pop que fazem da audição do trabalho algo diferente entre a multidão de lançamentos.

A abertura com Keeping the Dream Alive cruza sinfônico e o thrash,Like Darkness Rules the Night possui muito groove e inspiradas linhas de voz, que são o maior destaque de todo o disco. Um clima de caos é a base de The Guts of Hell e Wings of Destruction conta com um ótimo refrão e passagens cadenciadas, enquanto o alto astral toma conta de Phoenix. Só as canções citadas seriam motivo de no mínimo conhecerem o trabalho, mas tem mais...

... O lance pop que disse fica por conta das baladas, e que baladas. Alone, que não é a do Heart, é mais intimista e que agradará aqueles que gostam do rock das FMs da vida. Já The Age of Sadness é o que podemos é o hit do trabalho. Com passagens que nos remetem a grupos como Savatage, Beatles, Queen e todas aquelas bandas de hair metal, contagia e emociona o ouvinte, onde mais uma vez o cantor rouba todos os elogios.

Só que ainda não acabou. A faixa-título, com seus 23 minutos é uma viagem com momentos pesados, épicos, melódicos e agressivos que agradará os fãs do estilo. Pois apesar do tempo, ela não é cansativa e a variação de estilos existentes dentro da mesma segura o ouvinte sem muito esforço. 

Apesar de não trazer nada de novo, "The Grand Disguise" é um trabalho que merece pelo menos uma audição, principalmente pela excelência em todos os detalhes, desde as canções, a capa que apresenta todas as sensações que ouvinos e a produção pomposa e esmerada, a cargo do vocalista Tiago Masseti e Jens Borgren (Angra, Soilwork, Opeth) que deixou tudo em harmonia.

E depois de mais de duas décadas a saga gaúcha continua...

15 de dezembro de 2014

GIRLIE HELL: SOFISTICAÇÃO, INTROSPECÇÃO E BOM GOSTO

Quarteto goiano aposta em peso e densas melodias em novo trabalho, o compacto "Hit and Run"

Por João Messias Jr.

Hit and Run
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"Hit and Run", recente lançamento da Girlie Hell marca uma nova fase no som das meninas. O hard/heavy visceral abre espaço para o peso, introspecção e melodias densas e bem encaixadas, que tem tudo para levar o som das goianas para outras fronteiras, inclusive para o mainstream. Mas enganam-se aqueles que pensam que a banda formada por Bullas Attekita (guitarra e voz), Júlia Stoppa (guitarra), Fernanda Simmonds (baixo) e Carol Pasquali resolveu partir para o comercialismo, apenas levaram sua música para outro patamar, o que aqui foi positivo.

Antes de falarmos das canções, vale citar toda a "embalagem" que envolve esse lançamento, que é um compacto em vinil de 7 polegadas, de cor vermelha, que conta com uma capa cheia de significados. Feita por Wildner Lima, a arte de forma simbólica a violência sofrida pelas mulheres e a luta diária que elas tem para cravar seu lugar, seja na música ou no dia a dia.

A bolachinha apresenta as faixas Gunpowder e Till the End (que possuem videoclipes), que como disse acima, se caracterizam pelo peso e densidade. A primeira se destaca pelas linhas vocais que colam (principalmente no refrão) e a segunda pelas passagens cadenciadas e as guitarras bem pesadas, além da linha vocal quase discursada, que foi a acertada nesta canção.

O legal disso tudo é que o capricho não ficou restrito apenas nas canções. O material possui uma excelente qualidade de gravação, feita por Marcello Pompeu/Heros Trench (Korzus) e masterizado por Alan Douches (Mastodon, Madame Saatan).

Se há uma palavra para definir "Hit and Run" seria especial, por reunir canções inspiradas e cheias de detalhes (recomendado ouvir com fones de ouvido), num formato bacana e que encantará os trintões, com aquele chiadinho do contato da agulha da vitrola com o vinil. Se sua praia for hard rock, stoner, pop e rock alternativo, tem tudo para ter mais uma banda entre suas favoritas.

12 de dezembro de 2014

REDQUARTER: VERSATILIDADE

Mescla de prog, heavy, thrash e melodias bem encaixadas são a receita de "Innersight", primeiro EP do quinteto carioca

Por João Messias Jr.

Innersight
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Misturar estilos e tendências é algo que por vezes saem grandes discos e em outras verdadeiros amontoados de ruídos sem nexo. E nessa onda de mesclar sons, o quinteto carioca Redquarter mostrou equilíbrio e versatilidade no seu primeiro trabalho, o EP "Innersight". O fato de Vitor Stone (voz), Mauricio Decarlo (guitarra), Matheus Telles (guitarra), Julio Chinemann (baixo) e Leonardo DruMachine (bateria) terem se dado bem foi por serem bons em seus instrumentos e terem conhecimento dos estilos os quais fizeram a alquimia musical.

Ora flertando com o heavy e o thrash americano, ora com o prog e em outros momentos encaixando boas melodias, os caras fizeram um disquinho certeiro, que fará a alegria de fãs de metal ou mesmo um rock mais leve. O trabalho abre com Chainless Prision, dona de riffs instigantes, que lembram o Megadeth do Countdown to Extinction. Essa foi apenas a primeira boa impressão, pois as baladas My Only Desire e Falling Star podem ser consideradas as faixas de trabalho do EP. 

A primeira, também presente em vídeo, lembra muito o que bandas thrash como Testament e Metallica fizeram em suas canções no começo dos anos 90, principalmente nas melodias de guitarras e voz. A segunda, semi-acústica e voltada ao feeling, alegrará fãs do esquecido grupo americano Radakka. Shout of Anger possui muito groove e tem alguma coisa do funk dos 70, pois é cheia de balanço e energia positiva. A faixa que dá nome ao grupo fecha com bastante peso, cadência e solos bem encaixados, isso sem falar no ótimo trabalho da produção e acabamento gráfico, que aumentam as boas impressões dos caras.

Agora é esperar pelo álbum cheio, que se seguir o desempenho apresentado em "Innersight", tem tudo para alavancar a carreira do grupo carioca.

10 de dezembro de 2014

DEVACHAN: “TER ESSA BANDA COM MEUS FILHOS É UM PRAZER INDESCRITÍVEL”

A história da banda de heavy metal Devachan tem início antes de sua fundação, em 2010, por meio do baixista Daniel Dias, que três décadas antes havia escrito algumas letras, sem intenção de musicá-las.

Mas 30 anos depois, aquelas linhas escritas se transformaram em música, representadas no EP Andarilho, lançado em 2013. O mais interessante disso tudo é que acompanham o músico nessa empreitada seus filhos, Gabriel Dias (voz) e Leandro Dias (guitarra), além de Bruno Caresia (bateria) e Michael Santos Veríssimo (teclado).

Na entrevista, Daniel e Gabriel nos conta um pouco de como é estarem juntos com um projeto musical, a repercussão do trabalho e uma homenagem recebida pela prefeitura de Boituva.

Por João Messias Jr.

Devachan
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NEW HORIZONS ZINE: A história da banda é algo fascinante para um jornalista ou escritor, pois apesar de montada em 2010, tudo começou bem antes, há mais de 30 anos, com o baixista da banda, Daniel Dias. Como foi na época ter de engavetar as ideias e retomá-las três décadas mais tarde?
Daniel Dias: Na verdade estas composições são apenas sentimentos que passavam em minha mente. Eu só conseguia expressá-los através da escrita. Não tinha a pretensão de “desengaveta-las”, pois para mim era apenas minha mente sendo materializada no papel, apenas um registro. Mas quando meus filhos Leandro e Gabriel chegaram com a proposta de gravar estas músicas, as ideias afloraram dentro novamente, como há 30 anos atrás. Ai foi só ligar os pontos. 
 
NHZ: O mais interessante é que o projeto foi retomado de forma não usual, pois você remontou a banda com seus filhos, Leandro e Gabriel. Como aconteceu essa aproximação musical entre pais e filhos?
Daniel: Temos esta aproximação antes mesmo deles nascerem. Costumava tocar as músicas da EP/Demo “Andarilho” em formato MPB, Country, Blues, quando ainda estavam na barriga da mãe, só no violão. Conforme foram crescendo, eles adoravam cantar e tocar as músicas, sentávamos na sala e ficávamos horas e horas criando e compondo novas melodias.

NHZ: Antes de irmos para o lance musical, conte-nos como é ter uma banda com seus filhos? Pergunto isso, pois muitas vezes deve ser mais complicado ser mais direto com um familiar do que com um amigo.
Daniel: Ter essa banda com meus filhos é um prazer indescritível. Nunca tivemos este problema, sempre deixamos bem claro em nossa família a sinceridade, não enraizamos nada. E levamos isso para a banda, todos os integrantes são bem abertos um com o outro, até por isso acho que as composições e harmonias saem tão naturalmente.  

Andarilho
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NHZ: Depois de formado (ou reformado) o grupo, como foi arranjar essas letras e músicas? Houve muitas modificações em relação ao que estava feito nos anos 80?
Gabriel Dias: Foi uma experiência fascinante, pois chegamos (Eu, Daniel Dias e Leandro Dias) com o esboço das músicas para os demais membros da banda e tudo saiu muito naturalmente. Houve muita mudança do que era para o que vemos hoje, as músicas eram arranjadas apenas no violão e percussão no máximo, na época não se facilitavam muito os recursos. 

NHZ: Esse time lançou em 2013 o EP “Andarilho”, que obteve ótimas respostas da crítica especializada devida a sua sonoridade, que resgata o metal tradicional português praticado nos anos 80, mas com letras mais poéticas, como podemos ouvir em “Mente em Sonhos”. Esse toque mais rebuscado nesse e no som da banda foi algo pensado ou apareceu naturalmente?
Gabriel: Saiu naturalmente. Apenas mesclamos os gostos e influencias dos músicos da banda e tivemos como resultado a EP “Andarilho”.

NHZ: Outro belo momento do trabalho fica por conta das baladas “Poetas” e “Liberdade”, que são baladas e exploram novos contornos. Como foi desenvolver esse formato de canção mais intimista e mesmo assim deixa-las com o feeling do heavy metal?
Daniel: Engraçado, pois estas músicas, harmonicamente falando, acabaram ficando com um formato muito parecido com o que já era há 30 anos atrás. Só acrescentamos os instrumentos que faltavam, eu já possuía este mesmo feeling naquela época, não foi difícil incorporar. 

NHZ: Vi que a banda pretende lançar o primeiro álbum ‘full’ em 2015. O que os fãs podem esperar desse vindouro trabalho na sua sonoridade e conceito lírico?
Gabriel: Podemos adiantar que as músicas irão mostrar uma nova face da Devachan. Estamos com muito mais maturidade que na época do “Andarilho” e sabemos atualmente qual caminho percorrer. Não podemos divulgar ainda, mas estarão pessoas de peso do mercado nacional e internacional trabalhando conosco nesse novo trabalho. Aguardem novidades de arrepiar.

Devachan
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NHZ: Mudando um pouco de ares, recentemente foi lançado o DVD “Super Peso Brasil”, que conta com shows ao vivo das bandas Stress, Salário Mínimo, Centúrias, Taurus e Metalmorphose, que de certa forma coroa os primeiros tempos do estilo no país. O que deixa tudo mais especial é que esse trabalho foi concebido por financiamento coletivo. Como vê esse tipo de lançamento hoje e se a tradicional “vaquinha” é o futuro da música independente?
Daniel: Muito boa a iniciativa! São bandas que me incentivaram muito a entrar neste “Mundo Metal”. Acho muito valido este tipo de lançamento, pois isso mostra a união que devemos ter no heavy metal nacional, coisa que muitas vezes não acontece. Mas não acredito que este seja o único futuro da música independente, sempre haverá pessoas que acreditam e sempre acreditarão na cena. 

NHZ: Para encerrar, conte-nos da homenagem que o grupo recebeu da prefeitura da terra natal do grupo, Boituva. Que tipo de honra a banda teve e qual a sensação de receber esse tipo de incentivo?
Gabriel: Na verdade somos de Iperó, cidade próxima a Boituva, até por isso acho que ficamos tão espantados e ao mesmo tempo honrados com tal homenagem expressando o quanto somos importes culturalmente para a região. Ficamos muito contentes mesmo, e só serviu para nos motivar mais e mais.

NHZ: Obrigado pela entrevista. Deixe uma mensagem aos leitores desta publicação.
Daniel: Queremos agradecer o carinho e o apoio de todos que acompanham nosso trabalho desde o início. Um grande abraço a todos os leitores do New Horizons Zine, vocês são o “combustível” que precisamos para continuarmos sempre em frente. Obrigado!

8 de dezembro de 2014

FISHEAD: ALTERNATIVO,GRUNGE E HARD ROCK NO MESMO BARCO

"Formado por excelentes músicos, trio do interior paulista faz uma interessante mistura no álbum 'Greenhope', mas que requer alguns cuidados"

Por João Messias Jr.

Greenhope
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Com cinco anos de estrada e formado por excelentes músicos, o Fishead mostra ousadia em sua música. Fugindo um pouco do lugar comum, o trio formado por Danilo Martins (guitarra e voz), Alexandre Avila (baixo) e Rodrigo Kusayama (bateria) fundem influências diversas, como o hard setentista o grunge e alternativo, cuja mistura rendeu o álbum Greenhope.

O trabalho começa muito bem com a faixa título (também vídeo de divulgação), com uma linha instrumental mais solta e os vocais ora em discurso e alternando efeitos e a voz natural cativam o ouvinte, pois a linha vocal lembra um pouco Andria Busic (Dr. Sin).

A seguinte, Breathing for Help é um rockão movido a guitarras bem timbradas. Aliás, a gravação é muito boa, pois tudo está nítido, pesado e bem definido.Vale citar que a masterização foi feita no Sterling Sound, nos Estados Unidos, o que mostra o profissionalismo do trabalho.

Outro ponto alto fica para Fighting for Freedom, que é mais para o hard e as linhas vocais novamente são o maior destaque. Cantando de forma limpa, as melodias entram na cabeça do ouvinte, sem precisar do artifício de agudos e urros, mostrando a versatilidade do cantor, que também dá um show nas seis cordas aqui.

Uma pena que apesar de boas, as outras músicas do CD não possuam a mesma magia encontrada nos sons citados, em especial o meio do álbum, embora a pesada Walking to the Light feche de forma digna o trabalho, essa conduzida por riffs inspirados nos anos 70 e vozes introspectivas.

Fãs de grupos como Kings'X e Dr. Sin da fase InSINity irão gostar muito da proposta musical do Fishead.

5 de dezembro de 2014

VULGAR TYPE: O LADO HARD DO ABC PAULISTA

"Quarteto apresenta no EP 'Loud for the Night' canções inspiradas no hard rock americano das décadas de 1980/1990"

Por João Messias Jr.

Loud for the Night
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Conhecida como a terra do thrash metal, graças a coletânea Headthashers Live, que continha bandas como MX, Necromancia, Cova e Blasphemer, o ABC paulista apresenta uma gama muito mais diversificada dentro da música, com estilos variados e até improváveis, como o hard rock, que teve o Smoking Guns, cujo guitarrista Silas Fernandes, é considerado hoje um dos maiores nomes do instrumento no país.

Só que o estilo não ficou restrito ao tempo. Hoje temos bandas como S3LFY e Combate Vertical, que acrescentam ingredientes do estilo, mas o principal representante daqui chama-se Vulgar Type. Com três anos de estrada e formado por Guzz' Cold (voz e guitarra), D. Tambyeri (guitarra), Hellder Witz (baixo) e Dionísio Pavan (bateria) apresenta no EP Loud for the Night músicas que bebem na fonte do hard rock californiano, que agradará fãs de Motley Crue (fase Vince Neil) a Danger Danger.

O disquinho, cuja capa já indica o que vem pela frente, abre com a festeira faixa-título, chama a atenção pelas guitarras em harmonia, assim como a música de encerramento, Live This, dona de um refrão grudento e bem bolado. Só que o melhor fica para Midnite Little Girl, que é uma espécie de semi balada, que bem trabalhada pode ser um dos hits dos caras, que alegrará fãs de clássicos como Streets of Broken Hearts (Slaughter).

A produção, assinada por Nando Fernandes (ex-Hangar) e  deixou o som bem próximo do que a banda é ao vivo, agregando honestidade a música do quarteto, que começou com o pé direito sua trajetória em registros.

Agora é esperar o novo trabalho, que me deixou curioso em ver essas canções com uma produção mais esmerada, presente em discos como Hold Your Fire (Firehouse) e Images and Words (Dream Theater).

1 de dezembro de 2014

KAPPA CRUCIS: "O PRAZER DE TOCAR NUMA BANDA É A CHAVE DE TUDO"

De nada adianta ter um bom disco na mão se o grupo não se identifica com a obra. Esse não é o caso do quarteto paulista Kappa Crucis, que em seu segundo álbum, "Rocks" conecta o leitor em sua sonoridade, que possui contornos do classic rock e o mais importante: com um clima alto-astral e nos leva a refletir sobre muitas coisas, inclusive sobre o nosso papel na cena. Ponto para o grupo atualmente composto por Gérson Fischer (voz e guitarra), R. Tramontin (baixo), A. Stefanovitch (teclado) e Fábio Dória (bateria).

Na entrevista feita com Gérson e Fábio Dória, os músicos contam da sonoridade do trabalho, o fato de lançarem o trabalho de forma independente, shows, o momento do estilo e a arte do trabalho.

Por João Messias Jr.
Fotos e Imagens: Divulgação

Rocks
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NEW HORIZONS ZINE: Parabéns pelo excelente trabalho desenvolvido em seu novo trabalho, o álbum “Rocks”, que mergulha no classic rock, numa sonoridade gostosa de ouvir, refletir, viajar e o mais importante: abordando um conceito único, original. Qual o cuidado que a banda possui no desenvolvimento da sonoridade, para que não soe parecido com isso ou aquilo e com a “leveza” de suas canções, fazendo com que o disco seja ouvido de uma vez?
Gérson Fischer - A principal característica que temos nesse sentido é de tentar soar da forma mais natural possível,  sem forçar a barra, respeitando  os gostos pessoais de todos na banda. Nunca tivemos a preocupação se vai soar parecido com isso ou aquilo, a autenticidade fica a cargo dos ouvintes.

Fábio Dória – Obrigado pelas palavras. Realmente não temos uma intenção inicial de como as músicas devem soar nos momentos de compor, desenvolver e arranjar. Deixamos a nossa natureza fluir.

NHZ: O que estão achando das resenhas e repercussão de fãs em relação ao novo álbum?
Gérson Fischer - A melhor possível. Agradecemos do fundo do coração os  elogios e críticas positivas, o que nos da mais força em prosseguir com a banda.

Fábio Dória – É gratificante ver que as resenhas têm sido extremamente positivas, especialmente quando dizem que nosso trabalho é autêntico. Recebemos isso com muita satisfação. Quanto aos fãs, suas palavras ou gestos que demonstram seu envolvimento com nosso trabalho ajudam a alimentar a chama de nossos sentimentos e de nossa dedicação ao rock. Como podemos nos sentir em fazer o que gostamos e ainda agradar pessoas com isso?

NHZ: A banda optou por lançar o trabalho de maneira independente. Porque lançarem dessa forma? Houve o interesse de gravadoras daqui e do exterior?
Fábio Dória – Desde o início do projeto optamos por fazer de maneira independente. Não procuramos ninguém, mas claro que estamos sempre abertos a conversas. Hoje em dia quem tem a mínima noção de como funciona o mercado do heavy rock, sabe que existem cada vez mais lançamentos oficiais de forma independente. A confecção do produto até sua finalização, independente ou com gravadora, passa por todo um processo idêntico que não se resume só a música em si. As diferenças basicamente se resumem na distribuição e divulgação.

NHZ: Falando em exterior, como anda o nome Kappa Crucis na América do Norte e Europa?
Gérson Fischer - Hoje com os diversos meios de comunicação com certeza vários lugares nesses continentes já ouviram falar da banda. Não sabemos até que  nível nosso nome está repercutindo.

Fábio Dória – Ainda não temos um parâmetro para avaliação nesse sentido. Posso apenas afirmar que já foram publicadas matérias sobre o Kappa Crucis em alguns países. O disco anterior está a venda há algum tempo na Europa e pretendemos fazer “Rocks” seguir o mesmo caminho.

Kappa Crucis
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NHZ: Antes de falarmos do conjunto da obra, algo que chama a atenção há algum tempo é o fato de muitos jovens estarem resgatando o som praticado nos anos 50, 60 e 70. Inclusive temos muitos grupos surgindo como o Scorpion Child, além do interesse de gravadoras como Nuclear Blast e Century Media nesses novos grupos. O que pensam sobre isso?
Fábio Dória – Desde que isso seja feito com envolvimento, paixão e compromisso, se torna algo com valor. Se for algo feito numa onda sem sentido, apenas com interesses comerciais, não haverá força. É importante haver uma conscientização de qual é a raiz do rock.

Gérson Fischer - É bom saber que a galera mais jovem está abrindo a cabeça, pois o heavy metal não começou nos anos 80. Ele vem de muito antes. É preciso conhecer e respeitar as origens bem como não querer ser o dono da razão. 

NHZ: Falando nas gravadoras, o que acham que falta para elas investirem em grupos brasileiros que fazem esse tipo de som, como exemplos Alba Savage, Dusty Old Fingers, Saturn e o próprio Kappa Crucis?
Gérson Fischer - É complicado, pois a impressão que se dá é que só quem toca som extremo ou heavy metal power melódico com solos a velocidade da luz e dois bumbos é que chamam a atenção, e as gravadoras vão nessa onda pois elas querem divulgar o que está em evidencia. No dia em que mais e mais pessoas começarem  a curtir bandas com sonoridade mais antiga, talvez as gravadoras abram os olhos e mude seus conceitos.

Fábio Dória – Creio que em meio a queda vertiginosa de venda de CD’s, as gravadoras tem se contido mais em investir e arriscar. Acredito que seja necessária uma combinação muito bem pensada de planejamento com uma boa dose de arrojo. Afinal, estamos em um meio onde a moda não diz muito, correto?

NHZ: A capa é muito bonita também. Feita por Robson Ferreira, ela apresenta constelações rochosas em tons escuros. Quase que predominante às cores cinza e preto, que combinam perfeitamente com o conceito musical do disco. Para chegar nesse resultado rolaram aquelas trocas intermináveis de arquivos e idéias ou foi como nos anos 70, no primeiro take?
Gérson Fischer - Já tínhamos uma idéia pré-concebida, vamos dizer assim. Logicamente alguns detalhes foram surgindo conforme fomos montando a capa, mas sem distanciar do conceito original do que queríamos. Foi feita de forma bem rápida, mas não em um take somente.

Fábio Dória – Eu e o Gérson fomos umas quatro vezes a casa do Róbson. Passamos a idéia inicial e sempre que íamos lá desenvolvíamos mais um pouco. Entre uma ida e outra, Róbson lapidava nossas idéias com seu grande talento e imensa boa vontade com a banda. Isso tudo até chegar ao resultado final.

NHZ: Infelizmente o artista faleceu e não teve tempo de ver a capa estampada no disco. Qual o sentimento do grupo em relação a essa perda?
Fábio Dória – Os sentimentos de Róbson pela sua arte estão registrados em “Rocks” e em “Jewel Box”. Sentimos muito sua perda, cerca de cinco dias após nos entregar o trabalho pronto. Somos gratos por toda sua dedicação. Um grande artista e uma pessoa muito sensível!

Gérson Fischer – Uma perda muito dolorida para todos nós. Ficam nossos eternos agradecimentos a essa pessoa fantástica por todos esses anos. Sua arte ficará estampada para sempre em nossos corações.

NHZ: O timbre vocal de G. Fischer é muito interessante, pois é limpo e além de fugir dos urros e berros, nos permite entender cada linha que é cantada. Junto com os riffs, cozinha e teclas, qual o papel da voz na música da banda?
Gérson Fischer - O lance do vocal não difere no que diz respeito ao som da banda, ou seja, natural e sem se preocupar se vai soar com isso ou aquilo, mas buscando captar essencialmente o sentimento da música.

NHZ: Falando um pouquinho nas canções, algumas que me marcaram ao ouvir o disco foram Mecatronic, Invisible Man e o encerramento do trabalho com The Braves and the Fools, que apesar de irem em direções diferentes, chamam a atenção pelo clima de alto astral, que gera ao ouvinte a sensação de prazer, algo até contraditório com a mística do rock. Queria a opinião de vocês sobre isso.
Gérson Fischer - Ouvimos todos os tipos de comentários sobre o álbum, mas no geral achamos muito legal em saber que nossas músicas despertam vários tipos de sentimentos. Isso mostra a versatilidade de nossas composições o que nos deixa realizados como artistas. 

Fábio Dória – É interessante saber que nossas músicas transmitem esse tipo de emoção. Já ouvimos depoimentos de outras sensações também. De qualquer forma, é muito gratificante saber que nossas músicas despertam emoções nas pessoas.

NHZ: Com um belo disco debaixo do braço, o lance é se apresentar para promovê-lo. E uma bela oportunidade que os fãs de classic rock tiveram de ver a banda foi no fetival Roça n Roll que aconteceu nos dias 16 e 17 de maio, em Varginha. Como pintou o convite e o que acharam os mineiros acharam da apresentação do grupo?
Fábio Dória – Desde o lançamento de “Jewel Box”, nosso álbum anterior, temos procurado divulgar bastante nosso trabalho. Já tínhamos um contato com os organizadores e após o lançamento de “Rocks” fomos convidados para tocar no Roça n Roll. Entendo isso como uma recompensa e um reconhecimento de um trabalho com muita dedicação, comprometimento e envolvimento como fazemos. Claro que foi uma alegria muito grande o convite. Participar de um evento que é uma referência no heavy rock é uma realização e tanto. Gostamos muito da receptividade que tivemos de nosso show, considerando que foi a primeira vez que muita gente pode conferir nosso trabalho.

Gérson Fischer - Agradecemos todas as pessoas da organização do festival pela atenção e por depositarem suas fichas em nós, uma vez que o Roça N' Roll é um dos maiores festivais de rock pesado do país. Quanto a apresentação, achamos muito positiva. Foi mais um degrau que subimos em nossa carreira.

Kappa Crucis
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NHZ: Para encerrar, vivemos um momento de certa forma confusa na cena nacional. São várias bandas bradando que apóiam o rock, metal e reclamam que as pessoas não vão aos shows, não compram o merchandising dos grupos e tal. Mas, analisando friamente, vemos que a maioria dessas bandas não sabe a sua missão na cena, seja se divertir ou levar um trabalho sério, com perspectivas a médio e longo prazo. O que pensa sobre isso e, aproveitando, como vê o papel da Kappa Crucis na cena?
Gérson Fischer - O prazer de tocar numa banda é a chave de tudo, o resto é conseqüência. Quanto o papel do Kappa Crucis na cena, achamos que viemos para somar para as pessoas que realmente gostam de celebrar o rock n'roll e não só por vaidade.

NHZ: Muito obrigado pela entrevista. Deixem uma mensagem aos leitores desta publicação?
Gérson Fischer - Obrigado pelo espaço. Desejo aos leitores muita paz, consciência e muito rock n' roll.


Fábio Dória – Nós é que agradecemos pelo espaço concedido. Grande abraço a todos

26 de novembro de 2014

TAILGUNNERS: FIDELIDADE AO METAL TRADICIONAL

Apesar de manter laços fortes com o estilo, quinteto paulista aponta outros caminhos em seu terceiro álbum, "The Gloomy Night"

Por João Messias Jr.

The Gloomy Night
Divulgaçao
Em meio a tantas mudanças de sonoridade musical (alguém pensou no In Flames?), é louvável que grupos mantenham fidelidade ao estilo através de anos e décadas. Um exemplo é o quinteto paulista Tailgunners, que desde sua fundação, lá nos anos 90, faz um som que bebe na veia do metal tradicional, em especial bandas como Iron Maiden (principalmente) e Saxon.

"The Gloomy Night", novo registro do quinteto, embora beba nessa fonte, mostra que é possível sim dar novas cores para o estilo. Embora bem sensíveis, é possível ouvir um frescor no som do quinteto formado por Daniel Rock (voz), Lely Biscasse (guitarra), Raphael Gazal (guitarra), Lennon Biscasse (baixo) e Gustavo Franceschet (bateria) e isso permite que a audição do trabalho seja agradável.

Antes de falar das canções, vale citar o belo acabamento do encarte. Com uma linda capa, que em vinil realçaria ainda mais os detalhes, que privilegia o vermelho e o dourado, são a deixa para folhear o encarte, cuja parte interna soa como aqueles pergaminhos e letras medievais, num excelente trabalho feito por Daniel Mattos, além da excelente gravação, que dá um ar mais contemporâneo a música do grupo. E falando nisso, são canções com essa vibe que saltam aos ouvidos, como em Kill the Beast e One of Them, onde as guitarras transitam entre o power e o hard. Outro exemplo fica para My Reign, que possui belos momentos progressivos que se tornam agressivos, sem descosturar a música.

Claro que há canções tradicionais possuem seu charme, em especial as maidenianas The Hunt, Fallen Tears e Living In My World. E como discos do estilo chamam a atenção pelas baladas, temos a bela At the Same Side, que nos remete a grupos como Blackmore's Night, além das excelentes atuações de Daniel e da convidada Bárbara Wegher.

Um disco que cravará seu lugar nos corações dos fãs e que no mínimo despertará a curiosidade em bangers de cabeça aberta.

20 de novembro de 2014

WALSUAN MITERRAN: BOM GOSTO E SENSIBILIDADE

"Feelings of the Soul", novo trabalho do guitarrista goiano apresenta uma música instrumental variada e sofisticada

Por João Messias Jr.

Feelings of the Soul
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Esse universo das resenhas acaba nos proporcionando a oportunidade de conhecer muita coisa que em situações normais jamais ouviríamos, em especial a música instrumental. Desde então, os meus ouvidos foram brindados com trabalhos de qualidade ímpar de caras como Marcos De Ros, Cauê Leitão, e músicos "bandeiros" como Rafael Iak (Woslom) e Thiago Oliveira (Seventh Seal) que possuem em comum o fato de agregarem novas texturas as canções, fazendo algo diferenciado e até com ares exóticos.

Mas Feelings of the Soul, novo álbum do músico Walsuan Miterran vai na contramão da busca de um novo conceito. Aqui o guitarrista faz uma espécie de tributo aos heróis da guitarra dos anos 80. Se pensou em caras como Paul Gilbert (Mr. Big, Racer X), Jason Becker (Cacophony) e John Petrucci (Dream Theater acertou, mas aqui a melodia e a preocupação com o feeling são a prioridade. 

O início com Beyond the Sky e Heaven Or Hell dão indícios que será um trabalho voltado ao fusion e neoclássico, mas felizmente a partir de Death Is Not the End a coisa muda de figura, pois a bolachinha cresce em variedade e bom gosto, mesclando outros estilos, inclusive vertentes não tradicionais, como Metal Brasil, que como o nome  sugere é calcada nos ritmos regionais da nossa terra que ganha um bem encaixado acordeão (a cargo de Santhiago Lamass).

Outros momentos de muita comoção são Eternal Love e Water Under the Bridge, que mesclam progressivo, hard, AOR, melodias bem sacadas, além de ser um sopro de esperança aos desacreditados por qual seja lá os motivos.

Gos's Time investe no prog mais guitarreiro e Memories of You lembra muito as trilhas feitas por caras como Vai e Satriani, onde Walsuan mostra que aprendeu direitinho as aulas desses ases do instrumento.

Mas o nosso amigo guardou o melhor para o final. Versões playback para as já citadas Eternal Love e Memories of You, que acabam fazendo o leitor ouvir o trabalho por diversas vezes. 

Com Feelings of the Soul, Walsuan Mitterran cometeu a proeza de não apenas fazer a guitarra cantar, mas o ouvinte se emocionar e chorar.

19 de novembro de 2014

THE LEPRECHAUN: CONTAGIANDO ALMAS E CORAÇÕES

"Long Road", segundo trabalho de septeto paulista possui energia positiva contagiante, além de ser um convite para dançar e expressar alegria

Por João Messias Jr.

Long Road
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Acontecem períodos na vida que a única coisa que queremos é ficar longe de tristeza e negatividade e por mais que fugimos, elas aparecem bem diante dos nossos olhos. Ainda não existem aquelas sonhadas pílulas "legais" para reverterem esse estado de espírito, mas o que ajuda muito é ouvir música boa, até porque as canções estimulam sensações que proporcionam o bem estar.

"Long Road", segundo álbum do septeto paulista The Leprechaun é um belo remédio contra a depressão e todas as formas de baixo astral. A trupe formada por Fabiana Santos (voz), Bruno Stankevicius (violão), Paulo Sampaio (violão), Eric Fontes (baixo), Rafael Schardosim (banjo), Andrew Nathanael (violino) e Fernando Zornoff (bateria) combinam a energia do punk, a introspecção do folk e a alegria da músic celta, que  fazem desse CD, um poderoso antídoto contra energias ruins. Aliás, tudo aqui nos remete busca um sorriso, pois o material vem embalado no formato digipack, com o uso do branco que ameniza a tensão e uma produção esmerada, que lembra muito trabalhos de grupos como Beatles, Johnny Cash e até artistas gospel como Amy Grant e Michael W.Smith.

A fusão não aparece de cara, pois a faixa de abertura, Culprints and Victims lembra as canções tradicionais celtas, mas que prepara o ouvinte sobre o que virá pela frente. Melancholy Singings emana energia e alegria graças a condução do banjo, assim como They Won't Control Our Freedom (For A Day), que confesso que até bateu saudades das festas e acampamentos ciganos, cujo ambiente é sinônimo de alegria.

Essa vibração é transmitida nos quase 40 minutos do disquinho, que tem outro diferencial em relação aos seus colegas de estilo: os vocais. Fabiana não se preocupa em fazer uma voz bonitinha, pois a veia punk vem de sua atuação vocal, por cantar com o coração e assim, dando o punch que as canções precisam, como as contagiantes Blood Puddles, Man of Tiananmen e Hold the World que quando vê, está cantarolando o refrão e batucando na mesa.

O interessante é que mesmo em canções mais melancólicas como Dead Stars e Hide Your Love, a interpretação vocal não é chorona. Em especial a última, que é carregada de emoção e mostra toda o talento da moça,que somado as outras músicas, são motivos que farão o ouvinte ao menos fuçar na rede para conhecer o som da banda.

Enfim, se estiver naqueles dias em que nada dá certo, adquira esse CD, tire as coisas do caminho, largue os sapatos e mergulhe de cabeça na mistura positiva e equilibrada do The Leprechaun.
www.leprechaun.com.br

18 de novembro de 2014

MX: OS VELHOS BASTARDOS DO THRASH ESTÃO (AINDA) MAIS AFIADOS

Re-Lapse, álbum que marca a nova volta do grupo, é composto de regravações dos primeiros álbuns do quarteto

Por João Messias Jr.

Re-Lapse
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Apesar da cena do ABC ter se renovado e mantido o legado com os "véios" Necromancia e Ação Direta, uma volta do MX era necessária. Para quem acompanhou o grupo ainda nos anos 80, diziam (e dizem) que se não fossem os problemas com a Fucker Records (gravadora do grupo na época), tinham tudo para estar no mesmo patamar do Sepultura. Não se pode dizer que a trupe conseguiria, mas os álbuns lançados pelo grupo, Simoniacal e Mental Slavery não deviam nada ao trabalho dos mineiros e de nenhum grupo gringo do death/thrash. Isso deve ter desmotivado os meninos que pausaram as atividades, retornando anos depois com o lançamento do álbum Again, de 1995.

Após alguns anos no limbo, Morto (baixo e voz), Dumbo (guitarra), Décio (guitarra) e Alexandre (batreria e voz) se reuniram novamente e trilharam o caminho inverso das reuniões. Ao invés de gravarem qualquer coisa correndo, fizeram a coisa de forma lenta, com poucas apresentações e preparando com cuidado e esmero seu nov trabalho, o álbum Re-Lapse, que consiste em regravações dos dois primeiros álbuns citados acima.

O que vale dizer que os caras não se limitaram a regravar as faixas, das quais falaremos mais abaixo, pois o novo álbum pode ser dito tranquilamente como o melhor produto que os caras já fizeram. Vamos começar falando do encarte, que matará os velhos do coração. Com 20 páginas (contando capa e contracapa), o fã é brindado com fotos da época e ilustrações de William Pereira, que traz para os dias de hoje os "meninos", além de alguns personagens emblemáticos, como o padre que estampa a capa de Simoniacal.

Mas e o som? Lembra quando disse ser o melhor produto dos caras. Pois é, nunca o MX teve uma gravação tão boa como a de Re-Lapse, que transmite com clareza os riffs, levadas do baixo, os ritmos (absurdos) da bateria e os vocais. E fiquem tranquilos que os caras deixaram canções como No Violence, Dead World e Jason ainda mais letais e a  balada I'll Bring You With Me mais bonita e cheia de detalhes! Outros elogios ficas para I'll Be Alive e The Guf, com seus momentos inspirados no metal tradicional.

Só que o melhor ficou para o fim. Fighting For the Bastards ganhou duas versões. Uma "normal" e uma bônus em português com a participação de João Gordo (R.D.P.) nos vocais que juntos conceberam mais um clássico do metal nacional, pois é injusto chamá-la de versão.

Após as linhas acima nem precisa dizer que o MX está de volta, mais malvado e o mais importante, com a energia que falta em muitos grupos novatos! 

12 de novembro de 2014

AMEN CORNER: SOBERANIA DO BLACK METAL NACIONAL

Chri$t Worldwide Corporation, novo registro de inéditas do grupo, mantém a essência sonora: black metal ríspido, quebrado e com pequenas doses de melodia

Por João Messias Jr.

Chri$t Worldwide Corporation
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Quem acompanha os curitibanos do Amen Corner desde sua fundação nos anos 90, sabe que o grupo nunca decepcionou os fãs (e até não fãs) de black metal, seja pela qualidade de suas capas e (claro) pela música caótica, quebrada e ríspida e seu novo registro de inéditas.

Com o sublime título de Chri$t Worldwide Corporation, cujo significado dispensa tradução, o quinteto formado hoje por Sucoth Benoth (voz), Murmúrio (guitarra), Mortum (guitarra). Shaitan (baixo) e Adrian S.O.S. (bateria, cujas linhas foram gravadas por Ashimedai), que é um dos mais poderosos e inspirados trabalhos do grupo, ao começar pelo trabalho gráfico, desde a capa, encarte e o formato digipack, que fará com que todos que gostem dessa vertente musical, queiram ter em sua coleção.

Claro que isso poderia ir por água abaixo se as músicas fossem ruins, mas meu amigo, o lance aqui passa longe disso. A faixa-título dá início ao massacre, funcionando com uma intro, com passagens melódicas e que se transforma num som mais quebrado e instigante. Say Yes to Satanás também segue essa métrica, mas com contornos ainda mais agressivos.

As guitarras mostram o ar da graça em Mutilated Children of Stolen Souls graças aos climas que proporcionam a canção e claro, com riffs e solos de tirar o fôlego.

Mas o final do trabalho reserva grandes momentos também. Começando por Monarchy, que nos remete aos primeiros tempos do grupo, principalmente pelos vocais agonizantes. The God of Fortune a linha instrumental é totalmente climática, nos remetendo a uma missa negra, além da regravação para Black Thorn, originalmente gravado no álbum Iachol Ve Tehilá, de 1995.

Se as linhas acima não te convenceram, saibam que o trabalho conta com a participação de músicos como Angel (ex-Vulcano) e Caos (Camos), além do álbum conter um DVD com gravações que englobam os anos de 1993 até 2011 que fazem deste um item obrigatório a fãs e historiadores de rock e metal.

Com esse trabalho, o Amen Corner se mantém como um dos pilares do estilo no país ao lado de bandas como Imperious Malevolente, Murder Rape e Coldblood.

11 de novembro de 2014

CARTOON: GUIADOS PELA EMOÇÃO

"Unbeatable", quarto trabalho do grupo, apresenta músicas versáteis que possuem como único intuito cativar o ouvinte

Por João Messias Jr.

Unbeatable
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É importante os músicos demostrarem técnica em seus respectivos instrumentos? Sim.

A qualidade da gravação deve ser limpa e cristalina? Com certeza!

O trabalho de arte, capa e encarte devem ser dignos de elogios? Claro!

Mas se não houver o principal ingrediente para que essa receita não desande, vai tudo por água abaixo. Os ítens citados acima até ajudam na concepção do trabalho, mas se as músicas não estiverem repletas de EMOÇÃO, de nada valeu investir no projeto.

Felizmente o quarteto mineiro Cartoon é um daqueles casos que crêem que canções precisam de feeling para que elas sejam imortalizadas nos corações das pessoas. Khadhu Campanema (baixo e voz), Khyko Garcia (guitarra e voz), Raphael Rocha (hammond  e piano) e Bhydhu Campanema (bateria) levam ao leitor ao positivismo, não sei se essa era a intenção, mas o quarto trabalho dos mineiros mandam todo tipo de sujeira pro lixo.

Apresentando influências do rock and roll e um pouco do pop, folk e música celta, o quarteto acerta por criar músicas distintas e ao mesmo tempo conectadas que não nos assustam pela mudança de direcionamento, como no rockão de abertura em Down on the Road Ahead e a seguinte, a introspectiva The Golden Chariot.

Mas essas foram apenas um gostinho, pois o melhor está por vir. Lembram da tal emoção? Pois é, ela aparece em todo o disco, mas as faixas Promises, Until I Found You e o encerramento com On the Judgement Day nos levam a refletir que o melhor da vida está na simplicidade e que a vida é feita de coisas "normais", como andar de braços dados com a pessoa amada, com cães e gatos ao nosso lado. Isso, aliado a música de qualidade nos fazem pessoas mais fortes e felizes, sem necessidade de muito dinheiro ou ostentação.

Não é preciso dizer mais nada né? 
www.cartoon.mu


10 de novembro de 2014

REPÚBLICA: PESO, ELEGÂNCIA E BOM GOSTO

Terceiro álbum do quinteto, Point of No Return aposta na mescla de diversos estilos do rock/metal e um toque sofisticado em todas as canções

Por João Messias Jr.

Point of No Return
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O pessoal do República fez com louvor o que muitos grupos tentaram e poucos conseguiram: chegar ao mainstream sem abrir mão da essência musical, além de mesclar estilos variados de forma sábia e equilibrada. Apesar de muitos pensarem se tratar de uma banda nova, o grupo possui duas décadas de estrada e seu novo trabalho “Point of No Return” é até então seu melhor produto pelas características ditas linhas acima, sem contar o realismo que a arte transmite.

A base musical do trabalho bebe no rock setentista, mas que abre espaço para momentos mais pesados e outros quase intimistas que se misturam de forma harmônica e nos fazem ouvir o disco de ponta a ponta e por repetidas vezes. Alguns exemplos são os arranjos instigantes de Time To Pay e a pesada Goodbye Asshole, que conta com Roy Z, conhecido produtor que também tocou com Bruce Dickinson (Iron Maiden).

Outro caso é Dark Road, dona de um pique muito legal que ao vivo deve ser a música para as rodas, ainda mais por ser dona de um refrão bem acessível, assim como Fuck Liars.

Mas apesar do equilíbrio das canções, as que se destacam são a pesada El Diablo, que encerra o trabalho com a adrenalina nas alturas e Life Goes On, que é aquela música que cativa fãs de vertentes mais pesadas quanto as mais acessíveis do rock. Sem contar que essa música possui um belo vídeo inspirado no livro “A Revolução dos Bichos”, de George Orwell.

Parabéns ao quinteto formado por Leo Belling (voz), Luiz Fernando Vieira (guitarra), Jorge Mascarenhas (guitarra), Marco Vieira (baixo) e Gabriel Triani (bateria), que pelo trabalho apresentado colherá muitos frutos nos próximos anos e futuros álbuns.