31 de janeiro de 2014

ROCK IN RUA: ANIVERSÁRIO DE UM ANO COM MUITO ROCK/METAL

Edição comemorativa de retorno do festival contou com as bandas Nervosa, Bioface, Capadocia, Multifário e Mad Rider

Texto e fotos: João Messias Jr.

Mad Rider
João Messias Jr.
Quem viveu os anos 90 no ABC, sabe o valor que festivais como o Rock in Rua possuem para os fãs de música pesada. Após um período inativo, o evento comemorou no último domingo (26), um ano de retorno, apresentando ao público bandas autorais e de covers de forma gratuita.

Essa edição foi um marco, pois quem comemorava não era apenas o evento, mas um de seus organizadores, Carlos Frei, conhecido como Carlão, é um dos caras que fizeram o festival retornar, ao lado da Prefeitura de Santo André. E felizmente o Rock in Rua continua com a mesma proposta e com seu animador, o tradicional Doutor Rock.

Essa edição contou com as bandas Mad Rider, Multifário, Capadocia, Bioface e como atração principal, as thrashers da Nervosa. Devido às chuvas que castigou o ABC, o evento foi transferido para a Craisa, local que recebeu grandes shows de artistas como Raimundos, Inocentes, O Rappa, entre muitos outros.

Multifário
João Messias Jr.
Acabei chegando atrasado, por volta das 14h30, no meio do set da Mad Rider. Para quem não sabe, é a antiga banda Salén, que hoje apresenta a seguinte formação Alejandra Gutierrez (voz), Joe Pessoa (guitarra), Gustavo Fassina (guitarra), André Estrada (baixo) e o baterista Marcel (Epaminondas), que tocou nessa ocasião devido ao fato do titular Wanderley Gonzales estar contundido.

 O quinteto levou um set com covers variados, que foram desde Cranberries, Black Sabbath e Deep Purple, cuja versão para Mistreated encerrou o show. Uma banda que deveria pensar em gravar material autoral.

Às 15h30, , o Multifário, cujo significado gira em torno de um som sem rótulos, iniciou sua apresentação. Com um som moderno e com referências de artistas como O Rappa, Planet Hemp, entre outros, o quinteto formado por Caio Silva (bateria), Mailson Lean (baixo), Gabriel Rodrigues (guitarra), Eduardo Viana (guitarra) e Rafael Rocha (voz) mesclou músicas próprias como Julgo, Liberdade, Sorte Natural com versões para clássicos do pop nacional como Marvin (Titãs), Pontes Indestrutíveis (Charlie Brown Jr.) e Homem Amarelo (O Rappa), que encerrou o set. Repito o mesmo que fora dito para o primeiro grupo: devem investir apenas em material autoral, pois musicalmente são competentes e prontos para tal empreitada.

Capadocia
João Messias Jr.
A terceira banda da evento, o Capadocia fazia sua estreia nos palcos. Surgido do antigo Retturn, o grupo conta com Baffo Neto (voz e guitarra), Marcio Garcia (guitarra, ex-Postwar), Gustavo Tognetti (baixo, ex-Skin Culture) e Palmer de Maria (bateria). Juntos fazem uma mistura explosiva do metal moderno e old school, que agradará fãs de grupos como Ill Niño, Gojira, Lamb of God e Sepultura. A apresentação teve como pontos altos a visceral Survival Instinct, a grooveada Leaders in the Fog e o encerramento com Regret, uma das músicas mais conhecidas do Retturn.

O talento individual dos integrantes é digno de nota. Desde os vocais, que não são agressivos em demasia, riffs e solos que beiram o virtuosismo e a condução de bateria, muito técnica. Uma banda pronta que quando lançarem seu primeiro álbum o CD, arrebatarão muitos fãs com toda a certeza.

Bioface
João Messias Jr.
Já eram quase 19h, quando o Bioface subiu ao palco. Caminhando para 11 anos de estrada, o quarteto formado por Maikon Queiroz (bateria), Marco Aurélio (baixo), Marcelo Antônio (guitarra) e Régis Carbéx (voz) fazem uma mistura de metal e hardcore, que chama a atenção por focar mais no peso e na cadência, sem pula-pula desnecessário. Com uma performance segura a banda mandou as conhecidas Mente Alterada, Hierarquia e Aborto. Mas foi com Ninho de Cobra, que graças aos riffs pesadíssimos que botou fogo no local.  Antes de levarem a videoclíptica Corrosão, outro carro-chefe dos caras, citaram a grande perda que o rock nacional teve, com a morte do guitarrista Helcio Aguirra (Golpe de Estado). En Theos foi dedicada ao aniversariante do dia e Reagir encerrou a apresentação que deu a impressão de ter passado rapidamente.

Nervosa
João Messias Jr.
Com um rápido intervalo, às 19h50, a Nervosa iniciou seu set. Fernanda Lira (baixo e voz), Prika Amaral (guitarra e backings) e Pitchú Ferraz (bateria) mostraram o porquê de serem um dos grandes nomes do thrash nacional, pois suas canções apresentam peso, rispidez e cadência, tudo com uma excelente postura de palco de suas integrantes, o que foi comprovado logo nas primeiras faixas Time of Death e Invisible Oppression. 

Chama a atenção a condução da baterista Pitchú Ferraz, pois massacra as peles da bateria e os vocais de Fernanda, que soam como uma mescla de Mille Petrozza (Kreator) e a saudosa Wendy Williams e a postura “solitária” de Prika, que lembra o também finado Jeff Hannemann (Slayer), mas que destila riffs e solos em profusão, além de backing pontuais.

Embora Into Mosh Pit tenha chacoalhado muitas cabeças e Wake Up And Fight mostrou ser dona de um groove animal, foi em Morbid Courage  o ponto alto do show. A vocalista mandou o público se dividir em duas pontas e assim teve início a degladiação, digna dos shows do estilo.  Urânio em Nós e Masked Betrayer, conhecida por seu videoclipe e passagens crossover deu final a mais uma edição do Rock in Rua.  Um belo show, que mostrou mais uma vez a competência da banda, que está prestes a lançar seu primeiro álbum full, Victim of Yourself.

Mais uma bela noite com muito rock, casa cheia e esperamos que este seja apenas o primeiro aniversário da retomada do projeto, pois os headbangers e quem trabalha pela cena do ABC merecem eventos como este.

30 de janeiro de 2014

CHAOS SYNOPSIS: “O RESULTADO FINAL FICOU EXCELENTE E MOSTRA O DESESPERO DA VÍTIMA DE UM MANÍACO”

As palavras acima definem perfeitamente o enredo do clip de Son of Light, faixa de abertura de Art of Killing, segundo álbum do quarteto de death/thrash Chaos Synopsis. Apesar de falarem de serial killers no novo disco, o quarteto formado por Jairo Vaz (baixo e voz), JP (guitarra), Marloni (guitarra) e Friggi Mad Beats (bateria, também Attomica) fizeram algo diferente: dedicaram uma faixa do disco para cada personagem. Todas embaladas por um ritmo caótico, pesado, denso e extremo, que vai fazer a alegria de fãs de death e thrash metal.

Nessa entrevista feita com o Jairo Vaz, o músico nos conta da criação, concepção do disco e até de uma lição de casa que os headbangers devem fazer.

Confiram:

Por João Messias Jr.

Chaos Synopsis
Divulgação
NEW HORIZONS ZINE: A banda lançou em 2013 seu mais recente trabalho, o álbum “Art of Killing”. O que estão achando da sua aceitação perante público e mídia.
Jairo Vaz: A recepção de “Art of Killing” tem sido muito massa, as resenhas e os fãs tem curtido muito a música e levado essa empolgação toda aos shows.

NHZ: Apesar de não serem os primeiros a escreverem sobre o tema Serial killers, vocês fizeram algo interessante no qual falarei nas próximas linhas. Como surgiu a ideia de usar esse tipo de assunto?
Jairo: Na época escrevi uma letra baseada no seriado Dexter, a música “Bay Harbor Butcher” e a partir dai surgiu a ideia de tratarmos de um assunto só no CD, mas de uma maneira onde fosse um personagem para cada música.

NHZ: Durante essa pesquisa, houve algum momento em que pensaram em desistir do projeto por causa das insanidades dos personagens?
Jairo: Nunca! Sempre curti muito essa parte mais sombria do ser humano, além de toda a investigação policial que houve nos casos, são assuntos que me interessam muito quando em livros, no cinema e musicalmente.

NHZ: Após a pesquisa, como foi musicar as canções do disco. Deve ter sido diferente criar canções para um projeto que obedece a um conceito. Como foi a experiência?
Jairo: Na composição acabamos fazendo o contrário, fizemos todas as músicas e dai fomos sentindo o clima de cada uma e vendo qual encaixaria melhor nas letras, embora algumas já terem sido pensadas especificamente para o serial killer em questão.

NHZ: Vocês dedicaram uma música para cada personagem. Por que resolveram fazer neste formato?
Jairo: Achei que ficaria legal focar em várias pessoas diferentes, de lugares e culturas diferentes, desse jeito a única possibilidade seria cada música falar sobre um serial killer. Assim pude colocar também algumas informações no encarte para o pessoal ficar mais por dentro de cada maníaco de “Art of Killing”.

Art of Killing
Divulgação
NHZ: A abertura do disco é com “Son of Light”, dedicada ao brasileiro Febronio Índio do Brasil. Por que escolheram essa faixa para abrir o disco?
Jairo: Além de a música ser totalmente Chaos Synopsis, rápida e com uma pegada forte, era uma escolha interessante, abrir uma música com um tema sobre um brasileiro, com refrão em português. Tanto o pessoal daqui do Brasil quanto os gringos pegam bem com essa coisa do português.

NHZ: Essa faixa também foi o primeiro vídeo do trabalho, que possui algumas imagens fortes. Estou perguntando isso, pois infelizmente temos no funk mulheres seminuas e a censura não breca, mas como se trata de uma banda de metal e não está na grande mídia, pode gerar problemas. Chegaram a ter algum tipo de retaliação por isso?
Jairo: Até o momento ainda não, o Vinicius da CS Music Videos tomou o cuidado de editar de uma maneira que mostrasse a cena, mas não aparecesse muito além, que pudesse de alguma maneira censurar o vídeo. O resultado final ficou excelente e mostra realmente o desespero de uma vítima de um maníaco.

NHZ: A capa é muito bonita, com uma imagem chocante e o bom uso das cores cinza e vermelho. Quando comprei o CD com vocês, vi que colocaram um slipcase. Houve algum problema para a venda e disponibilização do álbum por causa da arte?
Jairo: Não tivemos problema, a ideia do slipcase foi para trazer um algo a mais para o trabalho, e acho que ele faz muito bem essa parte, com todo aquele sangue e só o logo da banda, mas ao abrir o CD é que vem a verdadeira face. É o mesmo lance dos serial killers, olha-se de fora uma imagem, mas a imagem interna é muito mais brutal e não são todos que conseguem aceitar o que veem.

NHZ: O disco está sendo distribuído pela Lab6 no Brasil. O que estão achando do trabalho do selo?
Jairo: Excelente. O CD já está em sua segunda prensagem brasileira e devemos partir pra terceira ainda esse ano, com a ajuda espetacular do LAB6 e o mestre Fabio Zperandio (War Inferno, ex-Ophiolatry). Não posso deixar de citar também nosso selo europeu, a Psycho Records que fez uma distribuição muito boa no velho continente, com resenhas excelentes de vários locais do globo.

NHZ: O baterista Friggi Mad Beats também faz parte do Attomica. Como fazer para que as agendas não entrem em conflito?
Jairo: Mantemos contato diariamente e temos uma agenda conjunta dos shows das duas bandas. Além disso, já contamos com a ajuda do batera Leonardo Mancilha da banda de death metal Rectal Collapse, um monstro das baquetas e que, caso tenhamos conflitos de datas, toca tranquilamente todo o set do Chaos.

Chaos Synopsis
Divulgação
NHZ: Para encerrar, recentemente a banda Nervochaos lançou o box 17 Years of Chaos, em que sintetizam os dezessete anos de vida da banda, falando das dificuldades, mudanças de formação, roubadas, entre outras coisas mais. Na opinião de vocês, é necessário que os novos headbangers assistam esse tipo de documentário para saberem como é realmente a vida de uma banda de metal no Brasil?

Jairo: Tenho que falar, que DVD espetacular. Acho interessante todos assistirem porque aquilo é uma lição de como ser perseverante com aquilo que se ama, ter banda de metal extremo é ter muito amor, porque o rock é uma lasqueira só, mas vale todo o esforço, porque ROCK é que faz o coração bater mais forte, a cabeça balançar e a boca ficar cheia de cerveja.

NHZ: Muito obrigado pela entrevista! Deixe uma mensagem aos leitores desta publicação.
Jairo: Rockeiros e rockeiras, obrigado pelas excelentes rodas que tem nos proporcionado em cada show, nos divertimos demais trocando essa energia toda na hora do show. Chaos Synopsis é isso, rock e diversão. Esperamos vê-los todos pela estrada.

29 de janeiro de 2014

FESTIVAL DE ARTES INTEGRADAS: CULTURA MUSICADA PARA A POPULAÇÃO

Etapa musical do evento contou com as bandas Ação Direta, DZK, Negative Control, Asfixia Social, Statues on Fire e Articulado

Texto e fotos: João Messias Jr.

Doutor Rock e Alex(Statues on Fire)
João Messias Jr.
Não é de hoje que o município de São Bernardo vem pavimentando um projeto sólido para a cultura em geral. E essa ação tem tudo para se consolidar ainda mais perante a população com a primeira parte do Festival de Artes Integradas, realizado no último domingo (19), no Parque da Juventude Città di Maróstica, mais conhecida como a “Pista de Skate de São Bernardo”.

Essa foi a primeira etapa do evento, que promete nos próximos meses proporcionar os munícipes com debates, palestras e claro, muita música, com nomes que vão do rock a MPB,  algo que a população deve incentivar, pois não é sempre que vemos eventos com esse porte e estrutura, que foi dada aos grupos Ação Direta, DZK, Negative Control, Asfixia Social, Statues on Fire e Articulado, esta que deu início aos shows às 13h.

Articulado
João Messias Jr.
Sob ás bênçãos do Doutor Rock, símbolo do estilo no ABC, o quarteto formado por Jefferson (voz), Rafael (guitarra), Norberto (baixo) e Rodrigo (bateria) faz um som que engloba referências diversas como Pennywise, Pantera, Rage Against the Machine e Offspring, que privilegia a energia, com uma boa dose de groove e certa melancolia.

Promovendo o EP Resgate, a banda mostrou um repertório variado, que teve como destaques as agressivas Estado de Coma e Obrigação, que também chamam a atenção pelos vocais discursados e a mensagem de conscientização. Infelizmente os caras não puderam ser vistos e ouvidos por muitas pessoas, pois nesse horário a rapaziada estava chegando ao local. Mas é um ótimo grupo que pode agradar desde thrashers aos alternativos.

Statues on Fire
João Messias Jr.
Já passavam das 14h quando o Statues on Fire iniciou seu set. Tendo em sua formação músicos que passaram pelo Nitrominds, como o guitarrista/vocalista André Alves e o baixista Lalo. Acompanham a dupla nessa nova empreitada o guitarrista André Curci (Threat, ex-Kamboja) e o baterista Alex. 

A combinação desses caras resultou num punk/hardcore cheio de melodias e passagens grudentas e perfeito para ser tocado ao vivo. Exemplos são a faixa-título, You can’t Tell the Reason e Phoenix, essa que também é o nome do primeiro CD da banda, que sai nos próximos meses.

Voltando a falar das canções, elas chamam a atenção pelos arranjos ricos e os vocais de André estão melhores que o de sua antiga banda, talvez pela motivação de estar começando algo novo. Vale dizer que em abrir os caras estarão em seu primeiro giro pelo velho mundo, ao lado de bandas consagradas do estilo, como o Bambix.

Asfixia Social
João Messias Jr.
Asfixia Social é o nome da terceira banda. Apesar do nome remeter à grupos extremos de punk/HC, o grupo formado por Kaneda (voz e instrumentos de sopro), Rafael (guitarra), Leonardo (baixo) e Alonso (bateria) faz uma música híbrida que mescla rap, reggae, ska, hardcore e algumas experimentações. O uso de instrumentos como sax e trompete chama a atenção, pois dá uma nova textura às canções, como pudemos ouvir em Compromisso Cerebral. Já Vaza Daqui, tem partes mais voltadas ao punk/HC.

Um dos destaques do show foi A Banca, que teve no palco personalidades de bandas da região, dentre elas, Barata (DZK), que gerou a primeira roda do evento. Opressor, com o uso de instrumentos de sopro, trouxe na lembrança bandas como Mighty Mighty Bosstones e Dog Eat Dog. Esse som também foi a saideira do quarteto.

Negative Control
João Messias Jr.
Às 16h30, o Negative Control iniciou seu show. Para quem não conhece, a banda possui 19 anos de estrada e atualmente é formada por Cláudia (voz), André (guitarra), Junior (baixo) e Pingo (bateria) mesclou no set clássicos como Fome, Pare e Pense, Rancor, cujo vídeo chegou a ser veiculado na MTV. 

A apresentação também apresentou as novas Guerreiro e Desocupação, que farão parte de seu aguardado terceiro disco, que sai nesse primeiro semestre.

Uma apresentação que agradou a todos os presentes, que além das rodas, proporcionaram o primeiro mosh da noite.

DZK
João Messias Jr.
Com mais de 30 anos de estrada, o DZK celebrou a festa do punk rock. Barata (voz), Flecha (guitarra), Charuto (baixo) e Macarrão (bateria), mesmo com alguns problemas no som e uma apresentação não tão forte, fizeram o público agitar muito. 

Sons como Somos todos Inocentes, Restos de Guerra e Onde Nós Estamos, fazendo o espírito revolucionário brotar (ou renascer) em muitas pessoas, mostrando o que é o punk rock de fato: ideologia e não um monte de garotos coloridos com roupas de grife desfilando nas grandes emissoras.

Ação Direta
João Messias Jr.
A festa teve encerramento às 18h50, com o Ação Direta. Gepeto (voz), Pancho (guitarra), Galo (baixo) e Marcão (bateria) mostraram que estão no melhor momento da carreira e fizeram um set um pouco diferente do habitual. Abriram com Entre a Benção e o Caos, do álbum de mesmo nome, além de Zeitgeist (World Freak Show), Paradoxo (Massacre Humano). Outra que chamou a atenção foi Fator Crucial, dedicada ao público adepto do “rolezinho”, que ao invés disso,  deveriam estudar e se conscientizar, além de Crueldade, que contou com Parmito (Forbidden Ideas) dividindo as vozes com Gepeto.

Pesadelo e Useless Complex deram números finais ao show, numa festa bonita, sem tretas e mostrou que quando o público quer, shows de rock e metal no ABC podem contar com galera em peso.

Aproveito para parabenizar a Prefeitura de São Bernardo, em especial o Departamento de Cultura por acreditar nas manifestações artísticas e culturais na região e que o público não faça bonito apenas nos shows de música pesada, mas no todo. Pois dessa forma, além de darmos um importante passo para a conscientização, futuramente influirá em boas escolhas em nossas vidas.

27 de janeiro de 2014

NETHERBOUND: PESO, RISPIDEZ E MELODIA

Oriundo do Rio Grande do Sul apresenta em seu primeiro trabalho uma mescla de power metal e thrash com toques progressivos de forma equilibrada

Por João Messias Jr.

Epidemic Salvation
Divulgação
Quem olha a capa do EP Epidemic Salvation do quinteto gaúcho Netherbound, pode pensar que se trata de uma banda death ou mesmo splatter.

Felizmente, sem desmerecer os estilos citados, o quinteto formado por Rafael Prado (voz), Somberlain (guitarra), Raul Xenofonte (guitarra), Luis Guilherme Tegel (baixo, que já deixou o grupo) e Caue Otto (bateria) une referências do thrash, power metal e prog e conseguem em seu primeiro trabalho um equilíbrio de peso, rispidez e melodia, além de tudo aqui estar bem gravado e balanceado.

Mas, vamos às canções do disquinho. Após a intro, The Questioning, The Awakening reforça as impressões ditas acima e chama a atenção pela variedade dos vocais, que alternam momentos agressivos (em algumas partes quase death metal) e em outras, mais melódico, que lembra o grande Leandro Caçoilo (Seventh Seal). New Horizons vai mais para o thrash, e vai agradar aos fãs de grupos como Forbidden, principalmente pelo que fizeram no início da década de 90. Through the Nether lembra as baladas thrash, com instrumental pesado e vocais na mesma sintonia, mas que conforme sua audição vai ficando mais agressiva.

O trabalho chega ao fim com Future Comes Cruel, apesar de começar cadenciada, ganha passagens thrash, inclusive com solos “vespas loucas”, riffs inspirados e vocais que lembram grupos como Annihilator, além de passar a impressão que deve ser muito legal nos palcos.

A rapaziada se saiu muito bem neste primeiro trabalho. Basta não se acomodarem que serão um dos grandes nomes da cena gaúcha muito em breve.

22 de janeiro de 2014

TROPA DE SHOCK: COMEMORANDO 25 ANOS COM MUITO HEAVY METAL

Com simpatia e musicalidade, quinteto paulista celebra Jubileu de Prata, mostrando que o melhor de sua carreira está por vir

Texto e fotos: João Messias Jr.

Tropa de Shock
João Messias Jr.
Quantas bandas chegam aos seus 25 anos de carreira com uma carreira constante e regular de lançamentos e shows pela região? Dá para contar nos dedos, certo? Pois bem, o quinteto paulista Tropa de Shock é uma dos grupos que podem se vangloriar por chegar a essa importante marca com vitalidade e todo o gás necessário para fazer quem sabe mais 25 anos. Para comemorar a data, o evento teve como convidadas as bandas Subversilvas e o guitarrista Sergio Murilo, que foi o primeiro guitarrista da Tropa.

E a celebração foi comemorada no último sábado (17), no Dynamite Pub, localizado no Bixiga, centro de Sampa,antigo Carbono 14 se mostra um excelente local para shows, com um bom espaço e aquele jeitão underground que todo espaço deve ter.


Sergio Murilo
João Messias Jr.
A festa teve início às 0h40, com a casa quase vazia (panorama que infelizmente não mudou até o fim do evento) o guitarrista Sergio Murilo, que apresentou clássicos do rock, mas de uma forma diferente, pois o músico faz algo interessante e inusitado que é transformar as partes vocais em frases de guitarra. 

Com muito entusiasmo e vontade de tocar seu instrumento (algo que está em falta hoje), esquentou os presentes com versões para clássicos do metal como Rainbow in the Dark (Dio), Mr. Crowley (Ozzy Osbourne) e The Trooper (Iron Maiden). Vale citar que neste som, o guitarrista desceu do palco e compartilhou o momento com o público.

Subversilvas
João Messias Jr.
Já eram 1h30 da madruga quando o Subversilvas entrou no palco. O trio, formado por Jesus (baixo e voz), Harold (guitarra) e Fellipe (bateria) fazem um crossover de influências diversas, que vão do crust, sludge e metal, mas com letras que beiram o punk/hardcore, que procuram conscientizar as pessoas.

A apresentação foi direta, sem muitas cerimônia, com direito a sons de seu EP como Lutar, Miséria e U.S.A. 

O show teve também a música nova, chamada Abate, que tem como tema a exposição da mulher na sociedade, que é vista como um pedaço de carne e um cover para Sick With Society da banda punk/crust Doom.

Tropa de Shock
João Messias Jr.
Mas ainda havia a Tropa de Shock. Então, ás 2h20 Don (voz), Augusto Abade (guitarra), Lucas Pelarin (guitarra), Lucas Tomé (baixo) e Marcio Minetto (bateria), que após a intro, mandaram You’re a Liar, do mais recente trabalho do quinteto, Immortal Rage, que mostra um metal tradicional direto e com um bom trabalho de guitarras, como pede o estilo.

A banda é muito carismática ao vivo, principalmente Don, que além de um excelente cantor, é muito humilde e está sempre interagindo com o público e nessa vibe mandaram Sign of Life, também do mais recente registro. Assim como o vocalista, todos mandam muito bem nas suas funções e nem parecia que era o primeiro show com “os Lucas”, que mostraram segurança, como na instrumental Transylvania (Iron Maiden).

O show teve ainda sons como Somewhere in Your Life e A Ray of Light, que infelizmente deu números finais ao evento.

Poderia terminar essa resenha dizendo que voltei feliz para casa após mais uma noite de metal, mas infelizmente há algo que ainda precisa ser dito: aonde estavam os ditos headbangers que dizem nas redes sociais que acreditam e apoiam a cena nacional e tal? Provavelmente em algum boteco enchendo a lata e assistindo algum show de banda cover.

Lastimável!

15 de janeiro de 2014

LIBERDADE LTDA.: NOVOS CAMINHOS NO METALCORE

Quarteto brasiliense mostra um caminho mais melodioso, com climas atmosféricos e vocais mais densos

Por João Messias Jr.

Infinito Particular
Divulgação
Aconteceu com o heavy, thrash, hard, new metal e agora com o metalcore. Com o passar dos anos, as bandas vão procurando novos caminhos em seu som e nessa busca, algumas acertam o alvo e outras passam longe do objetivo.

O quarteto brasiliense Liberdade Ltda, formado por Kaio Lyra (voz e guitarra), Lucas Zampiero (guitarra), Gabriel Cantarelli (baixo) e Pedro Dantas (bateria), apostou num combo que embora possa ser classificado como um trabalho do estilo apresenta passagens atmosféricas e densas, o que dá uma cara “down” ao som, além de vocais mais melódicos e interpretativos, que em algumas passagens lembra o de Lucas Silveira (Fresno).

O EP, nomeado Infinito Particular, abre com Inferno de Dante, que evidencia as características citadas acima, além de um ótimo trabalho de bateria e riffs inspirados. Ainda falando nessa canção, não seria nenhum absurdo vê-la figurando nas rádios de música alternativa, pois possui melodias hipnotizantes e uma letra interessante, que aborda nossas questões existenciais.

Embora siga a mesma linha melancólica, a faixa que dá o nome ao disco apresenta mais peso e um clima fantasmagórico, que pode ser visto e ouvido no vídeo que a banda fez para promover o trabalho.

Os riffs, com direito a um baixão gordo, aparecem na saideira, chamada de Perdão. Essa faixa apresenta uma linha mais agressiva, que vai agradar fãs de bandas como Sonic Syndicate, embora os brasilienses façam um som mais direto e compacto.

Infinito Particular é um trabalho completo que não fica restrito a músicas legais e sim o todo. A capa, que mostra simbolicamente uma pessoa com um coração ferido, combina com o conceito sonoro apresentado, cujas mãos cheias de sangue, mostram que nossos caminhos e escolhas nunca são fáceis.

Só me resta dizer que é um trabalho surpreendente, pois dá um direto naqueles ditos “entendedores de metal”, que acham que o metalcore se restringe a grupos como As I Lay Dying e Trivium.

14 de janeiro de 2014

CHAOS SYNOPSIS: MUSICANDO HISTÓRIAS QUE MUITOS FAZEM QUESTÃO DE ESQUECER

Grupo do interior paulista lança álbum conceitual que apresenta como tema serial killers

Por João Messias Jr.

Art of Killing
Divulgação
Olha, nada contra grupos que expressam sobre fadas, flores e jardins em suas músicas. Concordo que em alguns momentos é necessário fugir da realidade, mas é necessário que existam bandas que contem sobre as verdades que acontecem neste mundo, mesmo que às vezes não seja algo legal de se contar.

Partindo desse conceito, o quarteto Chaos Synopsis, de São José dos Campos, que usou como tema em seu segundo disco, Art of Killing os serial killers. Só que a trupe formada por Jairo (voz e baixo), JP (guitarra), Marloni (guitarra) e Friggi Mad Beats (bateria, também Attomica) capricharam ao abordar o assunto, dedicando uma música do disco para cada assassino.

O clima de terror começa logo na capa, feita por Rafael Tavares com um corpo segurando em uma mão a faca e na outra a própria cabeça que acabou de decepar, num equilíbrio de cores, que faz o ouvinte entrar no clima. Após a habituação, o CD abre com Son of Light, que é dedicada ao brasileiro Febrônio Ferreira de Matos, conhecido como Febrônio Índio do Brasil, que era um monstro, que torturava, violentava sexualmente suas vítimas e durante a noite era um leitor da Bíblia. Tudo isso musicado no melhor do death/thrash, em que a banda se destaca pelo cuidado nos arranjos e nos vocais de Jairo, que são desesperadores, a lá Lars Goran Petrov (Entombed).

Já Rostov Ripper, dedicada ao ucraniano Andrei Chikatilo, mantém o clima assustador, só que com mais passagens cadenciadas e vocais inspirados, que vão dos gritos de terror ao narrações mórbidas, de forma uniforme. A seguinte, Bay Harbor Butcher, cujo personagem é o americano Dexter Morgan é mais técnica e cadenciada, com um trabalho de guitarras de fazer inveja ao The Laws of Scourge (Sarcófago), assim como a empolgante Red Spider, em que o homenageado é o polonês Lician Staniak

O inesperado toma conta B.T.K. (Bind, Torture, Kill). No meio da pancadaria aparece um solo inesperado, inspirado no country americano e a levada marcial de Monster of the Andes, que soa como uma trilha do Holocausto se destacam na reta final do disco, que se encerra com a instrumental Art of Killing, que faz uma espécie de geral no trabalho, resgatando os climas das faixas anteriores.

Art of Killing é um disco que fará a alegria dos fãs de death/thrash, que apresenta uma riqueza de detalhes em suas canções e nos temas, que embora fortes, são necessários para mostrar que nem apenas de flores vive o mundo, mas de catástrofes e tragédias, que de certa forma, nos inspiram a tomar novas atitudes e rever conceitos.

13 de janeiro de 2014

DOOMSDAY HYMN: EXPLOSÃO E ESPONTANEIDADE

Formado por músicos experientes, quinteto lança EP que tem como base o metalcore, mas que abre espaço para diversas vertentes

Por João Messias Jr.

Doomsday Hymn
Divulgação
A primeira reação que tive ao saber da existência do Doomsday Hymn foi querer saber qual era a dos caras. Formada por Gil Lopes (voz), Roney Lopes (guitarra), Karim Serri (guitarra), Fernando Frogel (baixo) e Jarlysson Jaty (bateria), que são músicos que fazem/fizeram parte de bandas como Seven Angels, Survive, Azorrague, entre outras, lançaram no final de 2013 seu primeiro EP, que está disponível para download no site dos caras.

Com a base no metalcore, os caras não decepcionam e até surpreendem, pois apesar do som conter todos os ingredientes do estilo, por serem músicos experientes, conseguem dar aquele algo a mais nas canções, fugindo do previsível.

A abertura com Além da Razão tem um início bem agressivo, mas no decorrer da audição ganha passagens heavy, thrash, solos hard e fusion, além de um refrão para cantar junto. Doomsday, que apesar do nome em inglês é em português pode ser considerada o cartão de visitas da banda, com uma levada chamativa de bateria, tem um refrão feito com vozes limpas e um bem sacado lance percussivo-tribal.

O trabalho se encerra com Inner Fight, a única em inglês no disquinho carrega um ar sombrio e ganha um refrão pra cima, que alterna vozes mais limpas e outras agressivas, com um groove sensacional, além de mostrar mais uma vez que o excelente trabalho de guitarras, que são melódicas e agressivas nos momentos certos.

Por se tratar de um grupo cristão, as letras abordam assuntos referentes a fé dos músicos, o que não deve ser empecilho NENHUM para quem não é adepto dessa vertente musical. Antes de julgarem, ouçam!

Sem mais palavras, a não ser dizer que um futuro muito promissor aguarda pelo quinteto.

10 de janeiro de 2014

SKINLEPSY: COISA BOA, COMO ERA DE SE ESPERAR

Banda formada por músicos que já passaram por bandas como Siegrid Ingrid, Nervochaos e Anthares lançou em 2013 seu primeiro disco, que agradará fãs de death e thrash metal

Por João Messias Jr.

Condemning the Empty Souls
Divulgação
Não tinha como dar errado o Skinlepsy! Formado em 2003 por músicos que já haviam passado por bandas como Siegrid Ingrid, Nervochaos, Pentacrostic e Anthares, só para citar alguns, a banda surgiu em 2003 e já prometia muito barulho. 

Após uma pausa, retornaram como um trio com André Gubber (guitarra e voz), Luiz Berenguer (baixo) e Evandro Jr. (bateria) e lançaram no ano passado o álbum Condemning the Empty Souls, que agradará em cheio aos fãs de thrash e death metal.

Ao começar da bela capa, que embora sugira algo mais gore ou splatter, graças aos três enforcados, o que se ouve aqui é algo novo e inspirador. As músicas possuem muita criatividade e peso, que alegrará inclusive fãs de bandas como o saudoso Death, como na faixa Crawling As A Worm, que durante sua audição tem passagens death metal, outras cadenciadas, jogos de vocais e alguns lances voivodianos, que ficou genial aqui.

Outro exemplo é a abertura com Crucial Words, que dá a impressão que será uma intro, mas que se transforma num arrasa quarteirão e que fica ainda mais marcante graças ao seu refrão lento.

Skinlepsy
Luiz Berenguer 
Acabou? Que nada! Pervensions of Racial Hatred, é cadenciada e ganha contornos brutais, que ficam mais malévolos graças à participação de Luiz Carlos Louzada (Vulcano), gerando duetos interessantes com um final surreal, que ganhou um trecho em português, mostrando que o grupo pode se dar muito bem nesse formato se quiser.

Os berros desesperados de Pride and Rancour abrem caminho para a visceral Regressing From the End, que conta com os vocais de Fernanda Lira (Nervosa), que aqui estão mais encapetados, além de um solo no mínimo inspirado de Thiago Schulze (Divine Uncertainity).

Infelizmente o disco chega ao final com a thrasher Global Desolation e a porradaria de Dominion. O álbum é tão bem produzido e cheio de detalhes que é interessante ouví-lo com fones de ouvido para perceber todas as nunaces que envolvem o som dos caras.

Os caras merecem os parabéns por terem feito um excelente disco, que além de figurar na lista de melhores de 2013 de muita gente, foge totalmente de fórmulas manjadas e repetitivas!

Parabéns!

9 de janeiro de 2014

NO SENSE: O BRASILTAMBÉM POSSUI GRANDES NOMES NO GRINDCORE

Pesado e direto, Obey marca o retorno de quarteto santista após uma pausa nas atividades

Por João Messias Jr.

Obey
Divulgação
Antigamente visto como um estilo inaudível e (injustamente) citado como um som praticado por músicos que não tinham habilidade com seus instrumentos, o grindcore, assim como a maioria dos estilos mais extremos, evoluiu muito tecnicamente, tendo como um pilares grupos como Brutal Truth, Nasum e Facada.

Mas, lá atrás, no início dos anos 90, um grupo santista chamado No Sense já rompia nossos tímpanos com um grindcore crú e veloz, por meio de demos e de trabalhos como o EP Out of Reality e o álbum Cerebral Cacophony.

Após uma pausa nas atividades, o quarteto, na época formado por Marly (voz), Morto (guitarra), Angelo (baixo) e Paulo (bateria), lançou em 2011 o seu segundo álbum full, que recebe o singelo título de Obey, que numa tradução livre fica algo como obedecer, ou obedeça. O trabalho em questão, lançado pela Violent Records, apresenta sete faixas, com um grindcore curto, direto e com bons riffs. Mas o que chama a atenção são os vocais de Marly, que estão mais fortes e definidos. Essa junção de coisas positivas resultam em canções legais para bangear como as cadenciadas Border Line e a faixa título, além da sensacional Vendetta.

Out of Reality
Divulgação
Junto com Obey, o pacote vem com o EP Out of Reality, de 1991, que apesar da banda não ter mudado de estilo, está muito melhor hoje, mas vale pelo valor histórico. Apesar do tempo curto do trabalho, é um CD muito legal de se ouvir repetidas vezes, além de proporcionar aquela sensação de

Hoje, a formação sofreu alterações no posto de baixista, ocupado hoje por Juninho e em 2013 já lançou um novo trabalho, intitulado Burying My Dreams, além de relançarem sua  primeira demo, Confused Mind.

Vamos aguardar o que os santistas produzirão em 2014!

8 de janeiro de 2014

ZN TERROR: “EXISTEM BANDAS DE QUALIDADE NO CENÁRIO E A CENA VEM SE FORTALECENDO”

Sinceridade e uma visão clara de onde atua. Assim podemos definir o quarteto paulista ZN Terror. Com três anos de estrada e atualmente formada por Fernando Nunes (baixo e voz), Vinícius Bonifácio (guitarra), Israel Lima (guitarra) e Hernani Teixeira (bateria), a banda não desanima com os percalços existentes na nossa combalida cena underground. Desde o início das atividades, lançaram dois trabalhos, os EPs T.O.S.O.D e Self Destruction, lançado no ano passado.

Donos de um thrash honesto, que mescla o contemporâneo e o old school, os caras bateram um papo conosco. Nesta breve conversa, o grupo falou da cena underground, aceitação do trabalho e da experiência de terem sido produzidos por integrantes de uma importante banda da nossa cena.

Confiram!

Por João Messias Jr.
Fotos: Yuri Cestari
Cartaz e capa do EP: Divulgação
ZN Terror
Yuri Cestari

NEW HORIZONS ZINE:  A banda possui lançou em 2013, seu novo trabalho, o EP Self Destruction. Como está a repercussão e aceitação perante mídia e público?
ZN Terror: Está repercutindo bem, muitas pessoas ouviram e elogiaram o trabalho. 

NHZ: O novo trabalho marca a estreia da atual formação, que conta com Fernando Nunes (baixo e voz), Vinícius Bonifácio (guitarra), Ismael Lima (guitarra) e Hernani Teixeira(bateria). Comparando com o trabalho anterior, o que o novo line-up apresenta de melhor que o anterior?
ZN: Foi muito boa essa mudança. Pois ter pensando em chamar nosso amigo  Fernando Nunes, trouxe um estilo diferente de vocal, combinando mais com a proposta da banda. O Fernando trouxe  ideias diferentes, além de contribuir com as letras, o que levou a evolução do grupo.

NHZ: Para aqueles que adquirirem a versão física do EP, terão boas impressões logo de cara por causa da excelente arte da capa. Ela mostra um equilíbrio das cores, num cenário repleto de caos e destruição. Como chegaram nessa arte?
ZN: A capa é a visão do mundo caótico que migra nossa sociedade. As letras são inspiradas em assuntos polêmicos, assim como religião e política.

NHZ: Musicalmente a banda transita entre som oitentista e o contemporâneo. Como é juntar essas referências para que não fique pendendo para um ou outro estilo?
ZN: É uma mistura de influências de sons que nós curtimos, somando com a energia de cada um, gera esse resultado.
Self Destruction
Divulgação

NHZ: A produção foi feita pela dupla do Claustrofobia, Marcus e Caio D’Angelo. O que os levaram a trabalhar com esses profissionais e passado algum tempo, o que acham do resultado? 
ZN: Frequentávamos o estúdio deles que ainda era em São Paulo com bandas de amigos, e em muitas conversas eles incentivaram ao retorno da banda. Por termos esse contato, vimos o trabalho de qualidade que eles tinham e decidimos gravar com eles. Fizemos uma primeira demo, com uma ideia mais crua e gostamos do resultado.

Com isso decidimos gravar a demo Self Destruction, apresentando um trabalho mais focado, e sendo uma demo, achamos a qualidade do material muito boa.

NHZ: Com um trabalho bem feito e produzido, o negócio é partir para os shows. Como estão as apresentações de divulgação do trabalho?
ZN: Tivemos algumas oportunidades e estamos a busca de novos shows para divulgar o nosso trabalho. No dia 01/02 temos um show em São Paulo, junto com as bandas Chemical, Sinaya, Sakrah e Trevas, a segunda edição do ZN Metal Festival. 
Cartaz ZN Metal Festival
Divulgação

NHZ: Ainda falando em shows, é uma situação complicada para bandas novas e desconhecidas. Por mais que para um grupo o legal é se apresentar, as casas em eventos underground recebem um público pequeno, pois hoje temos que  competir com eventos simultâneos e apresentações de grupos internacionais. Qual a motivação para o ZN Terror continuar fazendo shows e podemos dizer, remar contra essa maré?
ZN: Têm dois pontos: o primeiro é o sonho, de  fazer um som que gostamos e o segundo é que seja possível fazer a diferença.  Existem muitas bandas de qualidade no cenário nacional, e estamos percebendo que a cena underground vem se fortalecendo.

NHZ: Para encerrar, como estamos entrando num novo ano, digam planos futuros da banda e se podemos esperar por um trabalho completo ainda em 2014.
ZN: A perspectiva é de divulgar bem nosso trabalho, e já temos uma quantidade boa de músicas, que já dá para começarmos a gravação de um trabalho completo. Nossa meta é gravar um trabalho completo em 2014.

NHZ: Obrigado pela entrevista. Deixem uma mensagem aos leitores desta publicação
ZN: Agradecemos pelo espaço e pelo apoio, e esperamos que esse ano seja em ano bom para o metal nacional e que as pessoas continuem a apoiar as bandas brasileiras.
www.znterror.com