28 de fevereiro de 2014

GENOCÍDIO: VIVENDO SUA MELHOR FASE MUSICAL

Quarteto paulista promoveu pocket show de lançamento de seu mais recente trabalho, In Love with Hatred, que contou com participações especiais e gravação de vídeo clipe

Texto e fotos: João Messias Jr.

Genocídio
João Messias Jr.
Após se reunirem e lançarem o DVD Probations Live em 2006, o Genocídio não parou e tampouco se acomodou musicalmente e criativamente. Acostumados com percalços em sua carreira, os remanescentes Murillo (guitarra e voz) e Wanderley Perna (baixo) desde esse retorno lançaram dois trabalhos: The Clan e o recém-lançado In Love with Hatred, que tem tudo para levar a banda a lugares jamais imaginados, graças ao equilíbrio perfeito de melodias, climas soturnos e agressividade. 

Para aqueles que não conhecem o som do quarteto, eles começaram inspirados em grupos como Venom, Bathory e Hellhammer. Mas, com o passar dos anos, foram agregando novas influências/referências no gothic rock (antes de virar moda) e no doom.

Genocídio
João Messias Jr.
Para promover o novo trabalho, a banda organizou um pocket show gratuito no Espaço Som para 100 pessoas (ou felizardos) que confirmassem presença via facebook e o que foi visto neste último sábado foi casa cheia e muitos fãs do grupo, que desde o final dos anos 80 brinda os fãs de metal com música boa. 

Esta apresentação teve o último trabalho executado na íntegra, participações de Manu Henriques (Uganga, ex-Sarcófago) e Vitor Rodrigues (Voodoopriest), além da gravação do clipe de Come to the Sabbath (Mercyful Fate).

Inicialmente previsto para ás 16h, a apresentação teve início quase uma hora depois, mas isso não foi problema. Após a intro Birth of Chaos, Murillo, Perna e os “novatos” Rafael Orsi (guitarra e backing vocals) e João Gobo (bateria) mandaram as agressivas Kill Brazil (primeiro single) e Reverse. Mas é a faixa-título, cheia de climas góticos e uma ambiência doom é que mostram a verdadeira faceta da banda.

Algo inusitado e participações especiais

Genocídio
João Messias Jr.
Chegou o momento da primeira participação do dia. Manu Henriques,  subiu ao palco e juntos levaram I Deny, ou melhor, tentaram. 

Devido a um problema de energia a música teve de ser reiniciada e nessa hora dos problemas houve quem disse “Juntar Genocídio e Sarcófago no palco daria nisso”. 

Problemas sanados, a canção faz um contraste interessante das vozes e o clima que curiosamente nos remete a Nightmare e Midnight Queen (Sarcófago).

O clima melancólico permaneceu em Till Death do Us Part, mas por pouco tempo, já que a porradaria retornou em Inner Aflictive Scare. Unseen Death, com Vitor Rodrigues ao palco, possui uma outra vibe, com muito mais peso, instrumental encorpado e podemos defini-la como um holocausto sonoro.

Gravação e gran finale

Genocidio e Vitor Rodrigues
João Messias Jr.
Come to the Sabbath foi um momento interessante do show, pois a canção foi gravada para um lançamento em vídeo e nem precisa dizer que todo mundo bangeou para ficar bonito na foto. Passion and Pride é uma canção muito especial, pois fala dos mais de 25 anos da banda, desde as coisas boas e ruins que aconteceram com o Genocício.

Infelizmente White Room Red, cuja versão de estúdio contou com a Sphaera Rock Orchestra era o sinal que a festa estava chegando ao fim. Apesar de  alguns problemas com os samplers, que fizeram ela ser reiniciada algumas vezes, podemos dizer que essa é uma das melhores canções da história da banda, graças ao clima melancólico e soturno e pelas passagens melódicas, para deixar todo fã de música pesada orgulhoso.

Uma apresentação para ficar na mente por muitos anos e agora é torcer para que esse trabalho eleve ainda mais o nome da banda, que sempre fez por merecer, mas por alguns motivos imponderáveis nunca esteviveram no topo da música pesada nacional.

27 de fevereiro de 2014

METAL SP: UM RECORTE DA CENA DA MÚSICA PESADA EM SÃO PAULO

Documentário feitos por estudantes de jornalismo mostra presente, passado e futuro do estilo

Por João Messias Jr.

Metal SP
Divulgação
Nas resenhas que faço, seja de CD, show ou mesmo em entrevistas, em alguns destes textos indago sobre o futuro do estilo, quando as pessoas que fazem algo hoje por algum motivo não o fizerem mais, pois apesar de hoje haver muita gente que faz das tripas e coração para que a cena caminhe, é uma incógnita saber o futuro do mesmo, ainda mais por causa da falta de público em shows nacionais e a enxurrada de shows das bandas vindas do exterior.

Mas quando aparecem sopros de renovação, esse cara que rabisca essas linhas dá pulos de alegria. Afinal se trata do estilo que gosto e isso reflete até no estilo de vida e no visual, portanto, nada mais justo. Falando sério agora, os estudantes de jornalismo da FAPCOM resolveram fazer um documentário que retratasse a cena de São Paulo em seu presente, passado e o futuro. Com o título Metal SP, os caras conseguem em quase 25 minutos sintetizar isso de forma homogênea, sem se prender a determinado período da história metálica no estado.

O documentário conta com a participação de jornalistas e críticos especializados em rock como Ricardo Batalha (Roadie Crew), Carlos Chiaroni (Animal Records), Regis Tadeu, Julio Feriato (Heavy Nation), além de músicos como Fernanda Lira (Nervosa), Bruno Sutter (Massacration), Edu Falaschi (Almah), que em suas falas, comentam da cena, citam bandas que podem despontar, casas de shows, estrutura para bandas, ou seja, boa parte das dúvidas dos fãs de música pesada aparecem aqui.

Acredito que a trupe formada por Afonso Rodrigues, Flávio Camargo e Rodrigo Paneguine não deveriam parar no Metal SP e poderiam partir para outros projetos mais ousados, pois mesmo com o curto tempo (afinal, um documentário para TCC tem um tempo restrito), pois são jovens e demonstram muito mais conhecimento do que muitos trues que se julgam donos do movimento.

E que apareçam mais pessoas escrevendo, produzindo, tocando ou indo aos shows, pois o heavy metal para ser grande, não precisa estar na mídia mainstream e muito menos depender da vinda de grupos como Metallica ou Iron Maiden. O lance deve ser feito de baixo para cima, com formação e informação.

O documentário pode ser visto no link abaixo:

26 de fevereiro de 2014

CHAOSLACE: COMEMORANDO UMA DÉCADA DE ESTRADA COM RELANÇAMENTOS

Trio do ABC paulista comemora marca mantendo fidelidade ao death metal tradicional

Por João Messias Jr.

Curses Behind the Diabolic Shadows
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A música sofre mutações o tempo todo. Quase todos os anos surgem novos estilos (e com ele as tendências) e com isso uma nova forma de “ver” como ela é feita. Mas, na contra mão de tudo isso, é muito legal ver bandas que se mantém fieis a uma linha musical e dessa forma conseguem construir um legado, como a banda Chaoslace.

Do ABC paulista e atualmente formado por Leandro Nunes (guitarra e voz), Giovanni Fregnani (baixo) e Diogo Rodrigues (bateria) tiveram em 2013 o relançamento, via Ataque Extremo, de sua mais recente demo  Curse Behind the Diabolic Shadows, que apresenta como bônus o trabalho anterior, Anti-Religious Victory, de 2006.

De novidades, além de novas mixagem e masterização, que nivelou a qualidade das gravações, o trabalho ganhou uma nova capa, cuja combinação das cores vermelho e preto dão maior autenticidade ao som dos caras, que bebe na veia americana do death metal praticada no início dos anos 90, que não abre espaço para passagens acústicas, teclados e vozes femininas, pois o tempo investido aqui é para a brutalidade apenas.

O disquinho abre com Curses Behind the Shadows, que possui riffs fortes no melhor estilo zumbido e bateria metranca, que dão a tônica do trabalho. Outras faixas que chamam a atenção são as partes cadenciadas de Manifesto Against Pedophile Lords e Hatestorm, esta com um ótimo trabalho de bateria. Já Sickness of Christ possui um interessante jogo de vocais. O "lado A"  se encerra com uma boa versão para Necromancer, do Sepultura.

Já o “lado B” percebe-se que a banda fazia um som um pouco mais trabalhado e ao mesmo tempo com mais brutalidade, soando em algumas partes como o Morbid Angel da fase Covenant, o que aqui é um elogio, como em Black Horde e Anti-Religious Victory. Mas a melhor é Elimination, que encerra o trabalho e nos faz refletir que se fosse lançado pela Earache nos anos 90 seria considerada um hino para os deathbangers.

Uma ótima maneira de se conhecer um pouco da cena extrema do ABC!

24 de fevereiro de 2014

DYNAHEAD: CONQUISTANDO UMA DAS CAPITAIS DO ROCK

Em sua primeira tour por São Paulo, quinteto brasiliense comove fãs com uma aula de música complexa, experimental e agressiva

Texto  e fotos: João Messias Jr.

Hoje eu nem vou comentar sobre a pífia presença de público nas apresentações do quinteto brasiliense Dynahead, realizadas nos dias 15 e 16 de março, em São Paulo e São Bernardo. Por problemas particulares, não pude ir ao show do Manifesto, então as linhas abaixo serão comentados fatos do espetáculo realizado no ABC paulista.

Dynahead
João Messias Jr.
Com uma década de estrada e atualmente formado por Caio Duarte (voz), Diogo Mafra (guitarra), Pablo Vilela (guitarra), Diego Teixeira (baixo) e Fred Colaço (bateria), lançou em 2013 seus mais ambiciosos trabalho, o conceitual Chordata, que dividido em duas partes, sendo que a segunda só está disponível em download no site da banda. 

Podemos dizer que desde seu debut Antigen, a banda buscou soluções não usuais para sua música e hoje chegou num status de que é impossível de rótulos, tendo ambiências e texturas variadas em suas canções, que tem tudo para agradar fãs de música experimental, progressiva e mesmo pop.

Além dos brasilienses, o evento contou com quatro grupos da região: Necromesis, Setfire, Octopus e Alucinator.

Alucinator
João Messias Jr.
Ás 17h e sem muito alarde, o Alucinator iniciou as apresentações. Formado por Matheus Miz  (voz), Henrique Edge  (guitarra) Felipe Oliveira (guitarra), Isac Alves (baixo) e  Kelvin Aguiar (bateria), todos bem novos, mandaram um thrash crú e agressivo. O show dos caras pode ser visto de duas formas: se por um lado há algumas coisas que devem ser melhoradas, é louvável ver a molecada enfiando as caras e comprando instrumentos e tocando metal, o que certamente é combustível para alimentar as futuras gerações. O set da banda teve como destaque as canções próprias como Killer For Fun e Enter in One Mosh, além de covers para Enter Sandman (Metallica) e Got the Time (Anthrax).

Octopus
João Messias Jr.
Oriunda do finado Murder, Thiago Wallkicker (vocal), Gabriel Piotto (guitarra), Daniel Marchi (guitarra), Mega (baixo e vocais de apoio) e Dam Guilhen (bacteria), que juntos formam o Octopus, que podemos dizer que buscam fazer algo diferente, baseando sua música em peso e psicodelia, como mostraram nas duas primeiras músicas do set, Hot Water Music e Suggestions. Até nos covers o quinteto foi feliz, com empolgantes versões para Killing Yourself to Live (Black Sabbath), Born to Raise Hell (Motorhead) e Johnny B. Goode (Chuck Berry). Mas o verdadeiro potencial do grupo está nas canções próprias, como Marooned e Dopamine, que farão parte do primeiro registro do grupo que está para sair. Para quem gosta de grupos como Down, o já citado Pink Floyd, Metallica pós Black Album e C.O.C. (fase Peeper Keenan), pode cair de cabeça na viagem dos caras.

Setfire
João Messias Jr.
Voltando ao thrash, o quinteto Setfire mostrou como é fazer um som agressivo, com muita gana e vontade. Retornando após um período de incertezas, Artur (voz), Klemer (guitarra), Michael Douglas (guitarra), Felipe (baixo) e Alex (bateria) também mesclaram músicas do seu mais recente trabalho, o EP Desert Land, que mescla as vertentes do thrash com momentos mais trabalhados. Junto com os sons autorais, a banda mandou versões bem feitas para Troops of Doom (Sepultura), I’m Broken (Pantera) e a inusitada e bem vinda Sacred Serenity (Death), dedicada ao pessoal do Necromesis, que mostrou  a importância da música de Chuck Schuldiner para a música pesada.  O set dos caras passou voando com a inédita Wandering Psychopath, que estará no próximo trabalho do grupo, previsto para 2015 e Envy Shit, do já citado EP e que a partir de abril terá sua versão em vídeo.

Necromesis
João Messias Jr.
Já passavam das 20h quando o Necromesis deu início a sua apresentação. Com uma rotina forte de shows, que incluiu apresentações ao lado de nomes como Desdominus e Master, além do novo trabalho, o EP Echoes of a Memory, Mayara Puertas (voz), Daniel Curtolo (guitarra e voz), Gustavo Marabiza (baixo) e Gil Oliveira (bateria) estão preparados para um novo e determinante passo na consolidação da carreira. Com um som que mescla as vertentes mais brutais, com passagens intrincadas que vão ao progressivo ao regionalismo brazuca, o quarteto mandou sons novos como Indifferent Echoes of A Sensitivity, The Life is Dead como Unlives As Undeads, Building an Underworld e Demonic Source, que encerrou mais uma apresentação que foi segura e agressiva nos momentos certos.

Dynahead
João Messias Jr.
Ás 21h15 chegou o grande momento. Com Abiogenesis, do seu mais recente registro, Chordata, o Dynahead deu início ao seu segundo show em São Paulo. Essa música mostrou que Caio, Diogo, Pablo, Diego e Fred merecem um espaço maior na música pesada nacional, pois ela alterna momentos melódicos, agressivos, progressivos e técnicos sem soar chato ou sisudo e ao mesmo tempo soam fáceis aos nossos ouvidos, assim como Collective Skin, essa dona de riffs intrincados. Mas o grupo não esqueceu dos primeiros trabalhos e do debut, Antigen mandaram Layers of Days, que mostrou mais um diferencial dos caras: os backing vocals sincronizados. Reforçando o que disse linhas acima, a banda faz uma apresentação descontraída que faz com que as mesmas canções técnicas e repletas de variações fiquem intimistas, como numa celebração entre amigos. 

Dynahead
João Messias Jr.
Um exemplo são as narrações humorísticas de Caio Duarte, que mostrou que se daria muito bem como âncora de rodeio, além de ter atuado como cinegrafista. O segundo trabalho e a segunda parte de Chordata não foram esquecidos e deles foram representados por Eventide (que possui um interessante vídeo), Ylem e  Jugis.
 Join and Surrender e Bloodish Eyes, do já citado Antigen entraram na reta final da apresentação, que foi impecável em todos os aspectos, pois conseguiu ser intenso, hipnótico e de fácil assimilação e compreensão.
Após o show se conclui que o Dynahead já cravou seu lugar na história da música contemporânea por não ter medo de ousar e com certeza será lembrado como uma banda de vanguarda ao lado de monstros consagrados como System of a Down, Therion, Diablo Swing Orchestra, entre outros.

21 de fevereiro de 2014

STATUES ON FIRE: “QUANDO O PESSOAL OUVIR O CD INTEIRO PERCEBERÁ QUE NÃO TEM NADA A VER”

Em muitos momentos da nossa vida, é necessário dar uma parada no que está fazendo para clarear as ideias e ver se devemos continuar com o que estamos fazendo ou iniciar algo novo. Podemos definir assim a história do Statues on Fire, que teve início depois do fim do Nitrominds Após 18 anos de estrada e muitos shows pelo Brasil e exterior, o grupo resolveu colocar um ponto final em suas atividades. Mas a amizade fez com que André Alves (guitarra e voz) e Lalo (baixo) resolveram tocar juntos com esse novo grupo, que é completado por André Curci (guitarra) e Alex (bateria), que já promete para os próximos meses seu primeiro álbum e uma tour pela europeia.

Nessa entrevista feita com André Alves, o músico nos fala do fim de seu antigo grupo, projetos paralelos e a novo momento vivido com o Statues on Fire.

Texto e fotos: João Messias Jr.

Statues on Fire
João Messias Jr.
NEW HORIZONS ZINE: A banda foi formada após o fim do Nitrominds. O que resultou no fim da banda, que parecia estável após 18 anos de estrada e várias tours pela Europa.
Andre Alves: Rolou que depois de 18 anos, fica difícil de manter o clima e a máquina andando, e também eu queria mesmo parar de tocar, essa era minha intenção. Tivemos ótimos momentos, até podíamos viver de música mesmo sendo independentes  por determinado tempo, mas últimos anos foram difíceis e as coisas não estavam mais andando da forma que tinha que ser. Assim, preferi parar.

NHZ: Antes do fim do Nitrominds, o vocalista/guitarrista André Alves montou o Musica Diablo, que contou com um dreamteam do metal nacional, além de contar com o vocalista Derrick Green (Sepultura). Juntos lançaram um material forte. O que acham desse trabalho hoje?
André: Eu acho que foi legal pra caralho enquanto durou. Uma banda com dois anos apenas, lançar um disco, ir pra Europa fazer tour e ganhar um bom respeito na cena, foi muito bom. A gente ainda está por ai, uma hora a gente se reúne de novo e lança mais alguma coisa.

NHZ: Li em uma entrevista, que ter na formação do line-up do MD o vocalista do Sepultura se tornou um grande pesadelo. Por que? Devidos aos compromissos dele com sua banda principal ou problemas de convivência?
André: Nunca problemas de convivência, Derrick, ele é um cara legal pacas. Na época que montamos a banda, ou seja quando eu liguei pra ele pra cantar conosco, ele estava em um época que o Sepultura não estava fazendo muita coisa e ainda morava no Brasil. As coisas aconteceram muito rápido com o Musica Diablo, nem a gente esperava. Quando fomos ver, estávamos com um empresário na Dinamarca e um contrato assinado. Nesse interim, ele casou e foi morar em Praga. Bom,  já viu... ficou difícil. Depois o Sepultura lançou um disco , assinou com a Nuclear Blast  e tudo ficou um saco, depender da agenda do cara, sendo que ele mal sabe qual agenda é essa, sabe como é?
O Sepultura sempre passou longe das minhas influências musicais, mas ele tinha uma ótima voz e era a banda dele também, nós tínhamos o nosso estilo, enfim... não deu pra segurar, dentre mais outros fatores que nem valem a pena comentar.

Statues on Fire
João Messias Jr.
NHZ: Após uma breve pausa, você e o ex-baixista do Nitrominds, Lalo estão tocando juntos novamente (completam a banda o guitarrista André Curci e o baterista Alex). Como foi chamar o parceiro de anos e começar de novo com uma nova banda?
André: O Lalo é meu amigo de infância. Ele comentou comigo que se eu voltasse a tocar, pra chamar ele pra tocar baixo, pois sempre fomos parceiros e amigos. Ele sempre foi uma força no Nitrominds e um ponto de equilíbrio. Foi natural que eu o chamasse.

Quem teve a idéia de voltar a tocar foi o Andre Curci, que tocava comigo no Musica Diablo. Aí eu dropei a idéia e formamos o Statues. O Alex veio de uma indicação do Lalo, apesar do Kacttus ter tocado em alguns shows com o Nitrominds e a gente já se conhecia na verdade. Ele fez o teste e era exatamente o que a gente procurava. Fora que ele é um excelente amigo.

NHZ: Embora a sonoridade seja parecida com a do Nitrominds, dizer que se trata de uma continuação da banda seria injusto, até porque temos novos membros nesse grupo, pois os arranjos das seis cordas são mais ricos. O que pensam sobre isso?
André: Acho totalmente injusto, a banda tem outra pegada, uma veia ate mais acessível que o Nitrominds. O Statues é muito mais trabalhado, com músicas maiores, solos mais longos. Eu sabia que se eu cantasse na banda, naturalmente as pessoas iriam comparar, mas quando o pessoal ouvir o CD inteiro perceberá que não tem nada a ver.

NHZ: Desde que o Statues on Fire iniciou as atividades, vocês já fizeram alguns shows, com destaque para o Festival de Artes Integradas, realizado em janeiro, em São Bernardo do Campo, ABC paulista. O que acharam do evento?
André: Nosso show era às 14 horas. Pensamos que em um domingo, não teria ninguém nessa hora pra nos ver, mas foi ao contrário, pessoas estavam lá e gostaram da banda. A prefeitura de SBC tem dado uma puta força e estrutura para as bandas da região, coisa muito difícil de se ver do poder público hoje em dia. Acredito que todas as bandas do evento se divertiram muito participando do evento.

NHZ: Antes do lançamento do primeiro álbum, previsto para abril, vocês disponibilizaram a música Sent You A Letter como single. Como estão os acessos e o que as pessoas estão achando do novo som?
André: Acho que a galera gostou. Estamos recebendo ótimos comentários e depois de uma semana os acessos continuam subindo.

Statues on Fire
João Messias Jr.
NHZ: Em abril o grupo parte para sua primeira tour europeia ao lado do Bambix. Quais as expectativas para estes shows e como rolou a oportunidade de ir para o velho mundo logo no primeiro disco?
André: Eu acabei salvando eles na ultima tour no Brasil, pois o promotor se mandou em cima da hora e eu acabei assumindo a tour, que deu muito certo. Willia, vocalista do Bambix, é minha amiga há anos. Ela se ofereceu a nos ajudar quando surgisse o interesse em ir para a Europa. Fechamos com uma gravadora na Alemanha chamada Rookie Records, e eles lançaram o disco em vinil e estou muito feliz porque nos mais de 10 discos que eu lancei, essa será a primeira vez em vinil.
A reputação que o Nitrominds tem na Europa também ajudou no fechamento de alguns shows. Ficaremos duas semanas em tour, disco tem previsão de lançamento para o dia 28 de março, acho que tudo caminha em uma boa forma.

NHZ: Muito obrigado pela entrevista. O espaço é de vocês.

André: Obrigado pelo espaço e pela força. Nos veremos por ai com certeza!

18 de fevereiro de 2014

NECROMESIS: PRONTOS PARA UMA NOVA E LONGA JORNADA

Quarteto do ABC paulista supera as mudanças de formação e comemora nova fase com o lançamento de um novo trabalho, o EP Echoes of a Memory

Por João Messias Jr.

Echoes of a Memory
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As separações são inevitáveis em nossas vidas. Não é a palavra certa, mas podemos dizer que elas nos “perseguem” desde cedo, com a turma do colégio, mudança de bairro, quando iniciamos um novo relacionamento, enfim, algo necessário em nossa vida, mas doloroso e que nos faz cair em muitos momentos. Imaginem quando isso acontece com bandas...

... O hoje quarteto de techinical death metal Necromesis não foi a primeira e nem será a última a passar por essa etapa da vida. Mas é um exemplo de que é possível sim reconstruir a carreira e vislumbrar um futuro promissor. Após a saída do então baixista/vocalista Victor Próspero, coube aos remanescentes Daniel Curtolo (guitarra e voz) e Gil Oliveira recrutarem novos membros e para os postos foram chamados o baixista Gustavo Marabiza (que já havia se apresentado com a banda em outras ocasiões) e a vocalista Mayara Puertas.

Depois de alguns shows de adaptação era o momento de lançarem material novo, que veio logo nos primeiros dias de 2014, por meio do EP Echoes of a Memory, do qual falaremos nas próximas linhas. A capa, feita pela Temple of Arts sintetiza bem o que foi dito nos dois primeiros parágrafos, sobre que rumos tomar com as mudanças ocasionadas pela separação. Agora, quanto ao som, apesar de ter se modificado um pouco, não decepcionará quem aprecia a antiga fase da banda. Mas, pensando bem, seria egoísmo pensarmos que com a entrada de novos membros o som não sofresse alterações.

O trabalho começa com a intro Memories, que apesar de acústica ela é dona de um clima denso e melancólico, que abre caminho para a brutal Indifferent Echoes of Sensitivity, que faz uma espécie de elo entre o antigo e o atual Necromesis, que mantém as passagens trabalhadas, mas abre espaço para vocais mais brutais, que pendem para o black metal, que alegrará fãs de grupos como Belphegor e Hypocrisy.

A seguinte, The Life is Dead pode ser considerado o carro-chefe deste trabalho, pois aposta numa linha mais cadenciada, além de possuir como referências grupos como Entombed (fase Wolverine Blues) e Gorefest. Sem contar do bom jogo de vocais de Mayara e Daniel. A faixa se encerra de forma acústica, fazendo uma conexão com o início do disquinho. Bem pensado.

Não estou dizendo e tampouco desmerecendo o que a banda fez no passado, mas a verdade é que  hoje o Necromesis tem tudo para vislumbrar um futuro brilhante em sua carreira, ainda mais por terem passado com louvor pela difícil fase das separações e mudanças.

17 de fevereiro de 2014

UGANGA: “ESTRADA É TRABALHO DURO E SE VOCÊ ACHAR QUE É FESTA PODE FICAR NO MEIO DO CAMINHO”

São vinte anos de estrada, três álbuns de estúdio, um disco ao vivo, dois giros pela Europa e muita história para contar. Esse é o Uganga, quinteto mineiro cujo som possui base no thrash metal e hardcore, mas que abre espaço para experimentações e essa mistura aparece cada vez mais coesa, como podemos ouvir em seu último registro, o álbum Eurocaos Ao Vivo, que como o nome diz é um trabalho que registrou a banda nos palcos. Com uma boa produção e  sem truques e maquiagens, o CD mostra de forma honesta como é uma apresentação do quinteto formado atualmente por Manu Joker (voz), Christian Franco (guitarra), Thiago Soraggi (guitarra), Raphael Franco (baixo) e Marco Henriques (bateria). O trabalho além das músicas ao vivo, apresenta versões para bandas como Sepultura, Sarcófago, Stress e Pastel de Miolos, um trabalho gráfico caprichado e um diário de bordo com um relato da tour escrito pelo próprio vocalista.

Nessa entrevista, os cinco integrantes do grupo nos conta da convivência na estrada e do novo álbum que está sendo preparado, que terá o título de Opressor.

Confiram:

Por João Messias Jr.

Eurocaos ao Vivo
Divulgação
NEW HORIZONS ZINE: Rapaziada, em primeiro lugar, parabéns pelo excelente trabalho no CD Eurocaos Ao Vivo, que sintetiza muito bem como uma banda deve se portar no palco, sem truques e maquiagens. Como se prepararam para a gravação do show? Pois ouvindo o disco temos a impressão que estão calmos e tranqüilos.
Manu “Joker”: Obrigado pelos elogios mano! Estamos bem satisfeitos com esse álbum e realmente trata-se de algo crú e sem maquiagens, como achamos que deve ser. Essa formação está bem segura, nos conhecemos há um bom tempo e tocamos juntos há 12 anos, com exceção do Thiago que está conosco há seis. O show do Razorblade foi quase no final da tour e a banda estava realmente bem afiada. Na verdade minha garganta já não estava a mesma, pois vinha de uma seqüência de mais de 10 shows direto e nesse dia bebi bastante, mas no final rolou legal (risos).

Thiago Soraggi: Conseguimos um bom resultado no disco porque trabalhamos muito antes e durante a tour. Como era a primeira experiência fora do Brasil, fomos preparados para dar o melhor, independente de tudo. A seqüência de shows antes das gravações ajudou bastaste, pois por mais cansados que estivéssemos, no palco era outra historia, todo mundo na pilha para mostrar que a mineirada estava representando bem Minas Gerais e o Brasil no velho mundo.

NHZ: O álbum foi gravado na Alemanha e Portugal em 2010. Quais os motivos da escolha desses países para a gravação?
Marco Henriques: A idéia inicial era gravar no Razorblade, na Alemanha, por se tratar de um festival maior, com uma estrutura legal. Nós já havíamos combinado com o mesário sobre a gravação e fomos pra Europa com o esquema já meio acertado. O show de Portugal foi um bônus, não sabíamos que seria gravado. Mas o resultado ficou legal e acabou entrando no CD.

Raphael Franco: Na verdade não houve uma programação quanto a isso, o que aconteceu é que nesses dois shows a equipe de som estava com equipamentos que possibilitava a gravação e nos ofereceram por um preço quase que simbólico e daí resolvemos registrar os shows que acabaram virando o nosso primeiro disco ao vivo.

Uganga
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NHZ: A primeira parte de trabalho é baseada no último registro de estúdio, o aclamado “Vol.3: Caos, Carma, Conceito” (2010). Quais os motivos de não colocarem materiais dos álbuns anteriores?
Manu “Joker”: Quando fomos pra Europa pela primeira vez não estava decidido que iríamos lançar um disco ao vivo. Sabíamos da possibilidade de gravar o material, mas como ele seria usado, ainda não estava definido. Olhando pra trás, acho que seria válido termos incluído alguma música mais antiga tipo “Procurando O Mar” ou “Çorrida”, mas na época o foco era promover o “Vol. 03:...” e o material desse disco foi priorizado. Por esse motivo decidimos colocar as faixas bônus e acho que o resultado final ficou legal. Tem sons do “Vol.03:...” tocados ao vivo e versões de bandas que curtimos, além de faixa multimídia, encarte, livreto, etc. Estamos conversando sobre gravarmos um DVD comemorando dos 20 anos do Uganga em 2014 e nesse show com certeza tocaremos coisas mais antigas, além de material inédito até aqui.

NHZ: Outra parte do repertório são versões ao vivo e de estúdio para clássicos do Sepultura, Sarcófago, Stress e Pastel de Miolos. O que essas canções representam para o Uganga e qual a importância delas estarem no disco?
Manu “Joker”: Sepultura e Sarcófago são influências no Uganga, direta ou indiretamente, dependendo dos integrantes, mas são. Somos de Minas Gerais e não tem como não ser influenciado, não só por essas duas bandas, como por outras da fase de ouro da Cogumelo como Overdose, Holocausto e Witchhammer. Eu particularmente venho dessa geração e em relação ao Sarcófago a ligação se torna ainda maior por ter tocado na banda e gravado na minha opinião, a versão definitiva de “Nightmare”. Além de tudo, misturar as duas bandas no setlist é nossa maneira de prestar um tributo a ambas e dar um belo foda-se pra toda a rivalidade  que sempre existiu, e que nunca nos interessou. Stress é um ícone do metal latino americano e não pensamos duas vezes para aceitar o convite para participar do tributo feito pela Metal Soldiers (Portugal). Gravamos em Goiânia no Rocklab em um dia (mixamos no outro) com o Gustavo Vazquez, com quem fizemos nosso CD novo. Com o Pastel De Miolos foi a mesma coisa, é uma banda clássica do punk baiano, e gostei da nossa versão. Gravamos aqui em Araguari no Vintage Estúdio praticamente ao vivo com uns chegados fazendo os backings, tipo festa mesmo. Por fim, ainda colocamos umas vinhetas, coisa que fazemos desde o primeiro álbum e que poucos entendem (risos).

Cartaz tour europeia
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NHZ: Junto com as músicas, o trabalho possui um acabamento caprichado em slipcase, que vem com um segundo encarte que é um diário de bordo contando as aventuras de uma banda na estrada. Esse diário foi algo planejado para o disco ou essa idéia apareceu depois?
Manu “Joker”: Desde moleque me amarro em escrever. Comecei a fazer um diário da tour de 2010, todos acharam legal e resolvemos coloca-lo num segundo encarte no CD com mais uns depoimentos dos outros integrantes e do Eliton (Tomasi, empresário da banda). Saiu mais ou menos no formato da minha coluna no zine Páginas Vazias, com fotos, etc. Eu sou da velha escola e gosto de ver o material todo, não só ficar baixando música pela internet.

Marco Henriques: Queríamos lançar um material bem completo, mostrando bem como foi a tour. Ter esse diário foi demais, a pessoa tem uma idéia bem clara da realidade do que uma banda independente vive em uma tour pela Europa. E, além disso, acaba sendo um material mais atrativo pro consumidor, que vai levar um CD, um livreto, um vídeo da tour, um encarte com fotos... Em dias que as pessoas preferem baixar uma música do que comprar um disco, temos que buscar sempre algo além do básico.

NHZ: Ainda falando no diário, que reflete como é a vida de uma banda na estrada. Para aqueles que pensam que fazer tour no exterior é as mil maravilhas, conte-nos dos apuros e situações inusitadas que aconteceram com a banda.
Manu “Joker”: Cara, estrada é trabalho duro e se você achar que é só festa pode ficar pelo meio do caminho. Em nossas duas tours pela Europa, assim como no Brasil, passamos por várias experiências, todas muito positivas, pois delas vem o aprendizado. Não é fácil ficar sete caras dentro de uma van por um mês, comendo comidas diferentes das que está acostumado, lidando com línguas que não entende nada, estradas que não conhece, temperamentos e personalidades distintas, além de alguns malas que vez ou outra aparecem (risos). Tivemos bebedeiras, treta com um nazi, passamos calor, frio, poucas horas de sono e até brigamos entre nós na Espanha (risos), mas tudo dentro do tolerável. Na verdade, o Eliton, nosso manager, organiza essas tours de maneira bem profissional e já na de 2013 tivemos uma estrutura muito superior à primeira, o que nos permitiu ralar menos e curtir mais.

Raphael Franco: Acredito que nem nas turnês das grandes bandas conhecidas mundialmente seja só mil maravilhas. Acho que ninguém acorda de bom humor todos os dias, ainda mais depois de viajar mil kilometros apertado numa van, fazer um show e dormir numa cama estranha. Uma tour como essa é cheia de altos e baixos, sempre, dias excelentes e dias de puro estresse, sempre vai rolar uma roupa suja pra lavar (risos), mas é assim que se aprende e se exercita a aceitação. No caso do Uganga, acredito que tudo isso tenha sido positivo, que no final acabamos crescendo como verdadeiros amigos.

Uganga
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NHZ: A formação da banda também está estabilizada há um bom tempo. Como cuidam da amizade e convivência, visto que a vida na estrada não é fácil e qual a receita para que a situação não perca o controle?
Raphael Franco: Tentamos levar o respeito dentro da banda na frente de qualquer coisa. São cinco cabeças diferentes o que acarreta em muitas vezes cinco opiniões distintas sobre um mesmo assunto, então se não houver respeito e aceitação para se chegar em um consenso e tomar decisões, com certeza não funcionaria como tem funcionado.

Manu “Joker”: Fácil não é, mas tem funcionado (risos).

Thiago Soraggi: Existe também o fator família na história da banda que eleva a questão do respeito. São duas duplas de irmãos e eu, o bastardo inglório da parada (risos). Creio que independente da situação, boa ou ruim, conseguimos levar como objetivo principal o coletivo positivo do Uganga. O compromisso com a banda vem na frente de qualquer opinião divergente, qualquer desentendimento pessoal ou profissional. Acho que fórmula não existe, mas se existisse os pilares seriam respeito e dedicação.

NHZ: Curiosamente, Eurocaos ao Vivo foi lançado dez anos após o primeiro disco de vocês, Atitude Lótus. O que representa essa década para a banda e podemos dizer que o recente trabalho fecha um ciclo?
Christian Franco: A palavra mais adequada pra mim é consolidação do nosso som, o que também não quer dizer estagnação. Encontramos uma forma de trabalhar e dentro dela temos um monte de coisas para melhorar, mas a identidade tá pronta.

Manu “Joker”: Pra mim representa a maturidade da banda. Começamos como algo experimental e descompromissado e do segundo álbum em diante encontramos nosso estilo que vem sendo aprimorado desde então. Basicamente trabalhamos com metal e hardcore, mas à nossa maneira, sem seguir uma formula de um determinado estilo seja thrash, crossover, metal core ou sei lá o que mais... A primeira década foi de busca e a segunda de aprimoramento.

Marco Henriques: Experiência, estrada, aprendizados e a criação de uma identidade sonora. Hoje a banda tem uma identidade forte, que não tinha há alguns anos, mas que nunca teria se não passasse por tudo que passou nesse tempo.

Uganga
Divulgação
NHZ: A banda já anunciou o nome do novo álbum que recebe o título de Opressor. Podem adiantar alguma coisa sobre esse trabalho: direcionamento, letras, previsão de lançamento, etc?

Christian Franco: Peso, groove e letras positivas, como sempre foi e falamos, mas dessa vez de uma forma mais forte e bem mais lapidada.

Manu “Joker”: É Uganga na essência, mas com uma clara evolução em todos aspectos. Pra mim é isso.
 
NHZ: Para encerrar, como estamos iniciando um novo ano, digam quais as expectativas da banda para 2014.
Marco Henriques: Lançar o novo disco, trabalhar bastante e tocar muito! Voltar nas cidades por onde passamos, conhecer novos lugares... Estrada!

Thiago Soraggi: Em 2013 conseguimos atingir todas as metas que traçamos e em 2014 não será diferente! O novo disco está pronto, mais pesado, mais coeso, vamos trabalhar ainda mais forte no próximo ano!

NHZ: Obrigado pela entrevista! Deixem uma mensagem aos leitores desta publicação.
Manu “Joker”: Agradecemos o espaço para divulgar nossa música, esperamos encontrar todos vocês na estrada e se quiserem saber mais a respeito do Uganga acessem nosso site. Apoiem as bandas independentes e autorais! Saúde e paz a todos!
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14 de fevereiro de 2014

REUNION FEST RECEBE NOVOS, EMERGENTES E GRANDES NOMES DA CENA CRISTÃ

Encontro realizado na Crash Church recebeu no último sábado as bandas Combate Vertical, Savage e Calvário

Texto e fotos: João Messias Jr.

Combate Vertical
João Messias Jr.
A Crash Church recebeu neste último sábado (8), o Reunion Fest, que reuniu grupos de estilos distintos, mas que possuem em comum as letras baseadas nas escrituras sagradas. O cast contou com os grupos Combate Vertical, Savage e Calvário. Para quem não sabe, a Crash Church, localizada no Alto do Ipiranda e oriunda da antiga Comunidade Zadoque é uma igreja destinada aos cultuadores de música underground, seja rock, reggae, rap, mas com o compromisso e a obra dedicadas a Deus por meio de suas manifestações culturais e artísticas.

Sem atrasos, às 19h15, a Combate Vertical deu início às apresentações da noite. Com pouca gente, Pêra (voz), Son (guitarra), Alan (baixo) e Fulvio (bateria) iniciaram seu set com Justiça de Deus, de seu álbum Imagem de Deus e que foi a base do set. Seguros por estarem divulgando esse disco há cinco anos, a banda soa hoje mais pesada, mas sem descaracterizar o som que conquistou muitos fãs. Prestes a lançar um novo trabalho, o quarteto mostrou aos presentes as inéditas Israel de Deus e Colina de Marte, que soam mais pesadas e com uma vibe atual, que pode alavancar a carreira da banda. 
Como tudo era cronometrado em relação aos horários, a banda encerrou o show com Sem Deus Não Dá, que contou com um solo inspirado, além de ter ganho a admiração dos presentes que estavam no espaço. Um bom começo, mas tinha mais, muito mais.

Savage
João Messias Jr.
A segunda banda, o Savage pratica um híbrido de thrash oitentista e metal tradicional, que fará a cabeça de fãs que curtem Deliverance e Bride. Formada por Junior (voz), Marcos (guitarra), Paulo (baixo) e Célio (bateria), contam com excelentes riffs, feitos por um guitarrista que é do ramo, além de linhas simples e eficientes de baixo e bateria. Como é uma banda nova, algumas coisas ainda precisam se ajustar, como algumas linhas vocais, mas isso é algo que o tempo ajeita e quando isso estiver sanado, é correr para o abraço. 

As canções de destaque da apresentação foram Awake in the Dark, mais voltada para o metal tradicional, a speed Deceiver e Be Strong, que teve seu final emendado com Silence of Heaven, mesmo som que iniciou o show do quarteto.

Calvário
João Messias Jr.
Com quase 25 anos de estrada, coube ao Calvário encerrar o evento. Fazendo um metal tradicional no melhor estilo oitentista, com bons arranjos, com peso e velocidade nos momentos certos, Adriano (voz), Areu Iommy (guitarra/voz e único da formação original), Hamilton Santana (guitarra), Rodrigo Sughayver Elias (baixo) e Zezé (bateria) mandaram músicas do seu álbum IXOYE, de 1993 como Tola Odisséia, Pacto e Tempos de Justiça, essa última destaque desta primeira parte do show. Era o momento de prestar um tributo ao maior nome do metal cristão, o Stryper e para isso, chamaram ao palco Junior (Savage) e juntos mandaram uma boa versão para To Hell With the Devil. Voltando para o material autoral, o quinteto mandou Jesus Aos Que Vivem Perdidos e encerrou o set com as “inéditas” Oculto e Arcanjos de Guerra, presentes na versão em CD do já citado álbum. Uma apresentação que fechou o evento com chave de ouro.

Encerro estas linhas agradecendo ao pessoal da Crash pela noite, só merecia ter mais gente presente, mas isso não é culpa da organização, mas sim dos ditos fãs de rock, que preferem fazer não sei o que ao invés de buscarem por novos grupos. Fica chato e repetitivo em todas as resenhas de show encerrar dessa forma, mas é sempre a mesma coisa: em shows de bandas black, thrash, cristãs sempre rola a mesma coisa. 

Algo precisa ser feito como forma de conscientização, pois um amigo disse algo que é verdade: logo o heavy metal será um estilo tão restrito quanto o jazz.

12 de fevereiro de 2014

ROCK 74 CLUB: UMA NOITE COM O MELHOR E BARULHENTO METAL

Evento realizado na última sexta-feira contou com as bandas Lama Negra, Kill Bill e Audiokaos

Texto e fotos: João Messias Jr.

Audiokaos
João Messias Jr.
Uma noite dedicada ao metal desgraceira. É como podemos definir o saldo dessa última sexta-feira (7), no 74 Club, em Santo André, que recebeu as bandas Audiokaos, Kill Bill e Lama Negra, que fez o lançamento de seu primeiro álbum “full”. Para quem não conhece o local, situado na Vila Guiomar, é um estúdio de ensaios que tem dois ambientes: a parte de cima, que é um bar aconchegante para quem aprecia rock e metal e o piso de baixo ficam os estúdios de ensaio e que também recebem apresentações ao vivo. Já estiveram na casa nomes como Ação Direta, Forka, Negative Control, Giallos, entre muitos outros nomes do metal nacional e internacional.

A barulheira teve início às 21h50 com o Audiokaos. Do ABC paulista, o quarteto formado por Luciano (voz), Anderson (guitarra e backings), Alê (baixo e backings) e Coelho fazem um som que mescla o thrash, hardcore, crossover e punk rock, que fará a alegria de bandas como Tankard (primórdios), DRI, SOD e Leviaethan, principalmente pelo som cru e simples, mas com arranjos bem elaborados, como ouvimos em Insane Religion e Freak. Outro destaque nas canções são os backings feitos pela dupla de cordas, que dá mais pogo ao som. O set ainda contou com sons como The Enemy, Deadly Highways e Human Decadence, que encerrou o show.

Kill Bill
João Messias Jr.
Infelizmente, como o horário estava avançado e o 74 fica num bairro residencial e tem de parar com o barulho após às 23h, as bandas Kill Bill e Lama Negra tiveram de reduzir seus sets. Com um mix de thrash, crossover e alguns experimentalismos, o quarteto Kill Bill mostrou que é possível sim fazer um som pesado, violento e cheio de variações. Formado pelos experientes Bill Jr. (baixo, ex-Atroz e Mosh), Menno Amaral (guitarra, Expressão Regueira, Serial Funkers), Pedrunk (bateria, Agrotoxico, Anti-Climax) e Martin Moika (voz, ex-2 Minutes Hatred), em 15 minutos mandaram as músicas SSP, Anti Fé e Vingança, essa última a mais forte do set, pois mesclou brutalidade e experimentalismos. Uma ótima banda que merece ser vista mais vezes.

Lama Negra
João Messias Jr.
Já passavam das 23h quando o Lama Negra entrou no palco. Tiago Moreli (voz), Alex Coelho (guitarra, ex-Andralls), Anderson Veiga (baixo) e Rodrigo Rossi fizeram o show de lançamento de seu primeiro álbum full, que carrega o nome da banda. Donos de um thrash metal violento, mas com arranjos de guitarra bem elaborados e linhas mais intensas de baixo, além de um baterista que não tem dó de massacrar as peles e claro, tudo capitaneado por vocalizações quase vomitadas, cujas letras vociferadas falam da decadência do mundo que vivemos hoje.
O set mesclou músicas como Desgraça, Vítimas, além das clássicas O Que Sobrou do Inferno e Planeta Estúpido. Uma pena que já eram 23h30 e a banda teve de encerrar a apresentação, pois o som dos caras é um prato cheio para fãs do thrash cru, direto e sem firulas.

Uma bela noite de metal, que teve como aspecto negativo o pouco público. Ai me pergunto: será que essa situação não vai mudar? A impressão passada é que os ditos “redibaguers” preferem ficar nas jukebox da vida escutando as mesmas músicas manjadas de sempre do que conhecerem bandas novas. Uma pena.

7 de fevereiro de 2014

MASTER: DIRETO, SEM FRESCURAS E COM JEITO BRASILEIRO

Pioneiros do death metal, a banda Master confirmou as expectativas de um bom show com fúria e simplicidade

Texto e fotos: João Messias Jr.

Master (Marcelo "Indio" D'Castro)
João Messias Jr.
A banda de death metal Master, em sua nova visita ao país, confirmou mais uma vez as expectativas de um bom show. Só que diferente das outras visitas, o trio formado atualmente por Paul Speckmann (baixo e voz), Alex Nejezchleba (guitarra) e Zdenek Pradlovsky (bateria) sofreu um imprevisto com um acidente ocorrido com o guitarrista, que nesse giro pela América do Sul, contou com Marcelo “Indio” D’Castro (Necromancia) nas seis cordas. Foram várias datas e eventos em que a banda esteve presente na tour, que em São Paulo passou por São Bernardo e São Paulo, na tradicional Fofinho Rock Bar, localizada no Belenzinho, próximo ao Tatuapé.

Já havia mais de 15 anos que não entrava na casa, que apesar da reforma recente, felizmente manteve o estilo underground, que fez (e ainda faz) dela na preferência de muitos bangers, um dos melhores lugares para ver um som, tomar alguma coisa e jogar conversa fora. Além do Master, a festa realizada nesta última sexta-feira (31), contou com as bandas Vomepotro, Anarkhon e Necromesis. O evento contaria com a banda Ayin, de Campo Grande (MS), mas que devido à problemas de saúde de um dos integrantes, o grupo cancelou sua apresentação.

Necromesis
João Messias Jr.
Ás 22h50, o Necromesis deu início a festa. Mayara Puertas (voz), Daniel Curtolo (guitarra e voz), Gustavo Marabiza (baixo) e Gil Oliveira tiveram uma noite de extremos. Lançando seu novo trabalho, o EP Echoes of a Memory mostraram a segurança habitual, mas que foi mesclada aos problemas de som, como os “efeitos especiais” da bateria, que ficou mais alta que os outros instrumentos em boa parte do set. Mas para a nossa felicidade, o material é tão bom (uma mescla de metal extremo, black metal, prog e fusion) que esses problemas para o público foram o de menos. Destaque para as canções Unlives As Undeads, a variada The Life Is Dead e a postura dos músicos, em especial da vocalista Mayara, que trajava uma camisa da Mortarium, mostrando a união que todos pregamos e não fazemos na cena.

Anarkhon
João Messias Jr.
A segunda banda da noite foi a death/splatter Anarkhon. Para quem não sabe, o trio formado por Aron Romero (guitarra e voz), Jean Rami (baixo), Wellington Backer (bateria) e que contaram com Cristiano Martinez (guitarra, Vomepotro) nesta apresentação já passou por poucas e boas, como a morte de seu primeiro vocalista, Péricles Hooper até as diversas mudanças de formação mas se mantém sólido e firme em sua proposta musical.

Devido ao atraso no horário, o quarteto tocou apenas 20 minutos, que foram suficientes para incendiar a galera, que adorou o som do grupo, que apesar de extremo, é diferenciado, principalmente os vocais, que vão na linha mais “roots” do estilo, além da postura trazer na lembrança nomes como Cronos (Venom), Glen Benton (Deicide), entre outros. Músicas como A Dor da Importal Putrefação, com riffs lentos e mórbidos, Corporal Sores (bem grind) e o encerramento com a clássica Satisfação em Costurar um Corpo Retalhado com Arame Farpado, da primeira demo do grupo foram os pontos altos de uma apresentação constante e segura.

Vomepotro
João Messias Jr.
Já era quase uma da manhã quando o Vomepotro iniciou seu set. Adeptos de um death metal técnico e ao mesmo tempo esporrento, Cristiano Martines (voz e guitarra), David Ferreira (guitarra e voz), Cristiano Nery (guitarra) e André Martuchi (bateria) iniciou seu set com Assassin Psychopath, de seu segundo trabalho, Liturgy of Dissection. A seguinte, foi uma nova composição, Parricidal Massacre, que estará no próximo trabalho do grupo, que chama a atenção pelas vozes em contraponto. Outras novas que foram apresentadas foram Fall Into Decay e Putre – Nuptial Orgies, que chamam a atenção pelos ótimos riffs, andamentos lentos e vocais brutais.
Como o tempo era curto, os caras chamaram Aron do Anarkhon e mandaram Bastards of Christ (Deicide) e alegraram (muito) os bangers presentes, que desde o início estiveram em ótimo número, evidenciando que quando querem, fazem sua parte comparecendo aos eventos.

Master
João Messias Jr.
Finalmente, às 1h40 aconteceu a entrada do Master, sem alardes Paul, Índio e Zdenek mandaram Master, de seu debut auto-intitulado naquele som que muitos conhecem, aquele death dos primóridios, com arranjos simples, mas funcionais, mas que ficaram mais poderosos graças à condução do baterista e...sem desmerecer guitarrista da banda, mas as canções ficaram mais fortes com a condução do Índião, que há tempos digo que é um guitarrista diferenciado e que merece ser observado por mais pessoas.

Como nem tudo foram flores, em  Shoot to Kill, a guitarra de Índio teve alguns problemas e teve de ser trocada, porém, nada de grave e que esfriasse os ânimos dos presentes, pelo contrário, nessa troca de instrumento, o músico mandou alguns riffs blueseiros, que inclusive foram acompanhados pela banda, o que não deixou de ser surreal.

Após tocaram uma das mais recentes, Slaves to Society, era hora de mais uma antigona, Judgement of Will, de On the 7th Day God Created...Master. O que chama a atenção são os vocais de Paul, que são bem vomitados, que nos remetem aos primeiros dias do estilo, Celtic Frost, Hellhammer com um pouco de GBH e Exploited.

Clássicos e mais clássicos eram deferidos aos presentes, que a cada música executada bradavam o nome da banda. O set chegava a sua metade quando Zdenek mandou um solo de bateria, que mostrou todo seu lado musical. Embora sem novidades, o número mostrou um músico diferenciado, que foge do esquema “ batedor de tambores”; Mas tinha mais e Remorseless Poison e Pay to Die encerraram a primeira parte do set. A banda sai de cena, com Índio perguntando se queríamos mais um som e caso quiséssemos, bastava gritar por Paul. Prontamente atendidos, o baixista/vocalista retorna e manda Children of the Grave (Black Sabbath), também presente no álbum que leva o nome da banda.

Uma noite extrema, que mostrou gerações diversas do death metal, além de provar que o estilo terá seu legado mantido por muitas décadas.