29 de abril de 2014

ANDRAGONIA: “ESTAMOS FELIZES COM TUDO QUE VEM ACONTECENDO NESSA NOVA FASE”

Sair da zona de conforto, partir para algo novo e manter um elo com o passado. Assim podemos definir o novo momento vivido pela banda Andragonia. Após uma debandada em que sobraram apenas os guitarristas Cauê Leitão e Thiago Larenttes, a dupla das seis cordas criou um clima de suspense para o anúncio dos novos músicos do grupo. E esse suspense foi revelado com o vídeo The Challenger, que além dos músicos citados acima, atualmente conta com o vocalista Raphael Dantas (ex-Caravellus), o baixista Toni Laet  e o baterista Alex Cristopher. Só que as mudanças não ficaram restritas na formação, pois a sonoridade ficou mais pesada e encorpada.

Na entrevista feita com Cauê Leitão, o músico nos fala das mudanças de formação, a nova sonoridade e planos futuros!

Por João Messias Jr.
Fotos: Divulgação

Andragonia
Divulgação
NEW HORIZONS ZINE: A banda sofreu uma ruptura com a saída dos antigos integrantes, permanecendo da formação original os guitarristas Thiago Larenttes e Cauê Leitão. Como foi seguir em frente e reformular a banda?
Cauê Leitão: As coisas foram acontecendo de forma natural, eu o Thiago sempre pensamos que se estava acontecendo algo, não era por acaso, sempre nos mantivemos com a certeza que íamos continuar e nunca desistir, as entradas dos novos integrantes foram perfeitas. Hoje a banda trabalha com 100% de participação de todos os integrantes, e estamos muitos felizes com tudo que vem acontecendo na nossa atual fase!

NHZ: Um dos achados dessa nova fase é o vocalista Raphael Dantas, que participou do Soulspell além de ter feito parte da banda Caravellus. Como chegaram no cantor e foi logo de cara que falaram “É o cara”?
Cauê: Eu já conhecia o trabalho do Rapha na sua ex-banda, sempre o admirei muito. Certo dia, fui a Recife e o conheci pessoalmente, conversamos um pouco, e ele me falou das dificuldades de fazer metal em Recife, e que estava pensando em vir para São Paulo. O incentivei muito e falei um pouco da minha história também, que sai de Recife adolescente e vim pra São Paulo em busca dos meus objetivos também. Logo alguns meses se passaram e o Rapha chega em São Paulo, e eu não tive dúvida, e pensei "esse cara vai ser o novo vocal do ANDRAGONIA", é o tipo de vocal que realmente estávamos procurando!

NHZ: Interessante que foi cercada de mistério a nova música e integrantes, cujo suspense acabou no lançamento do vídeo de “The Challenger”. Por que decidiram adotar essa estratégia?
Cauê: Pensamos realmente que foi a melhor estratégia a ser adotada.  Seria esquisito divulgar os novos integrantes e não mostrar eles já trabalhando com a banda, e também o suspense é gostoso (risos), porque quando quebra o suspense o "BUM" é imediato, nos surpreendemos muito com o "barulho" que fizemos em toda mídia no lançamento!

The Challenger
Divulgação
NHZ: E vocês surpreenderam nessa reformulação, pois além de pegarem músicos de primeira linha, mudaram o direcionamento musical, marcado com o lançamento do videoclipe de The Challenger. Podemos dizer que hoje estão mais para Meshuggah do que Marillion. O que acham da comparação e houveram questionamentos para a mudança musical da banda?
Cauê: Hoje temos novas influências, gostamos de muitas bandas modernas, afinação baixa, e pensávamos que o nosso vocal tinha que vim com essa cara mais agressiva, trabalhando o drive de uma forma mais consistente e comum. Questionamentos sempre tem, mas a quantidade da galera que apoio nem se compara com a quantidade da galera que não apoio, estamos bem felizes com tudo que vem acontecendo nessa nova fase, podem se preparar que o novo disco vai chegar com os dois pés no peito!

NHZ: Aliás, porque estrearem com um clipe ao invés de um single ou mesmo um EP?
Cauê: Precisávamos apresentar a banda com o novo som e o principal as novas caras, e um clipe é uma das melhores formas para isso, um EP ia demorar um pouco, e não aguantávamos mais de tanta ansiedade (risos).

Andragonia
Divulgação
NHZ: Como foi a adaptação dos novos músicos com o material antigo? Há algumas músicas novas além da já citada “The Challenger”? O que podemos esperar em termos de direcionamento?
Cauê: A adaptação está sendo a melhor possível, hoje tocamos as músicas antigas de uma forma mais pesada e agressiva, sem perder o lado sentimental é claro, o Alex e o Rapha não tiveram dificuldade alguma para aprenderem as músicas, já estamos fazendo shows e eu sou suspeito pra falar, mas em minha opinião está FUDIDO(Risos). 

NHZ: A banda vem conseguindo uma ótima repercussão por meio das redes e recentemente participaram do videochat da Rede TV. Os que acharam da experiência de estarem num grande veículo de comunicação e quais as expectativas após estarem no programa?
Cauê: O Mauricio da Rede TV é um amigo de longa data,  um cara que curte a banda e sempre nos ajudou e apoiou muito, foi muito legal. Ficamos sabendo que o site caiu de tanta gente acessando, foi impressionante, a repercussão foi demais. Muita gente chegando pra trocar uma ideia e falando que agora sim o ANDRAGONIA se encontrou. Tivemos elogios do Mike Lepond baixista do Symphony X e de grandes músicos de grandes bandas nacionais, como o Korzus, Eterna e a expectativa é tocar no máximo de lugares possíveis!

Andragonia
Divulgação
NHZ: As coisas parecem engrenar de vez agora, visto que vocês farão o encerramento do evento do primeiro dia do Congresso Brasileiro de Profissionais da Voz Rock.
Cauê: Foi muito legal esse show no Congresso, foi a estreia ainda não oficial da nova formação, ficamos na pilha de fazer grandes shows depois desse. Estamos recebendo várias propostas de shows e estamos negociando, graças a Deus as coisas agora sim estão acontecendo como devem ser em todos os aspectos!

NHZ: Além desta apresentação, há planos imediatos para outros shows
por aqui ou até mesmo no exterior?
Cauê: Vamos tocar no estado do Mato Grosso em um grande festival. Temos algumas datas em outras cidades quase fechadas, e sobre o exterior, estamos estudando as possibilidades, mas a idéia é ir sim. Quem quiser contratar o show da banda é só nos enviar um email para ANDRAGONIA.CONTACT@GMAIL.COM, pois queremos muito chegar em sua cidade e fazer um grande show!

NHZ: Obrigado pela entrevista. Deixem uma mensagem aos leitores desta publicação!
Cauê: Muito obrigado pelo espaço, o ANDRAGONIA agradece por toda força, fiquem ligados na página oficial da banda e acompanhe todas as novidades, queremos ver todos vocês nos shows galera. Valeu!
www.facebook.com/andragonia

28 de abril de 2014

WARREL DANE: PRESENTEANDO FÃS DO NEVERMORE E SANCTUARY COM MUITO HEAVY METAL

Vocalista que ficou conhecido por seus trabalhos com as bandas Nevermore e Sanctuary encantou fãs com duas horas de show, em que abrangeu músicas de praticamente toda sua carreira

Texto e fotos: João Messias Jr.

Fã com Warrel Dane durante
 Meet and Greet
João Messias Jr.
Os fãs de Sanctuary que me perdõem, pois apesar de discos como Refuge Denied e Into the Mirror Black serem cultuados pelos fãs mais ardorosos de metal, foi com o Nevermore que Warrel Dane entrou para a história do estilo. Apesar da semente do que seria o Nevermore estar nos discos citados, quando Warren se juntou com Jeff Loomis, Jim Sheepard e Van Williams que a  sonoridade foi desenvolvida. Com passagens mais densas, melancólicas e absurdamente pesadas, os caras ganharam muito mais que os fãs de seu antigo grupo, agregaram fãs de vertentes mais extremas do metal.

Após algumas visitas memoráveis ao país com o Nevermore, no mês de abril o vocalista aportou no país para uma nova visita. Com o sugestivo título de “An Evening With Warrel Dane”, a tour, que abrangeu os estados de Rio, Minas, Paraná e São Paulo (capital e interior) teve algumas particularidades em relação aos músicos que acompanharam o cantor. A banda foi formada por músicos brasileiros, que apesar dos estilos diferentes, caíram como uma luva para os shows. Coube a missão aos guitarristas Thiago Oliveira (Seventh Seal), Johnny Moraes (Hevilan), o baixista Fabio Carito (Shadowside) e o baterista Marcus Dotta (Skin Culture), todos competentes para uma missão até certo ponto ingrata, pois algumas composições (em especial as do Nevermore) são bem complicadas.

Leandro Caçoilo
Seventh Seal
João Messias Jr.
Antes do show de encerramento da tour, dias antes o músico realizou um meet and greet no ABC, no bar A Gruta, que contou com um bom número de presentes, que puderam autografar os CDs e tirar fotos com o músico, que sempre bem as pessoas, tirando quantas fotos fosse preciso . Além deste encontro com os fãs, o músico fez uma visita surpresa no Princípios Bar em São Bernardo do Campo.

E a apresentação “saideira” aconteceu no dia 20 de abril, no Hangar 110. Que me surpreendeu por  estava lotado (com muitas pessoas do ABC inclusive) e que por isso gerou uma demora na entrada de público e imprensa. Por isso, acabei por perder boa parte da apresentação do Seventh Seal, que teve uma excelente recepção dos presentes. Leandro Caçoilo (voz), Tiago Claro (guitarra), Thiago Oliveira (guitarra), Gustavo Marabiza (baixo, Necromesis) e Jak Ferrante (bateria) privilegiaram o lançamento do terceiro álbum, Mechanical Souls, das quais foram executadas Back to the Game, Mechanical Souls e Dark Chant, que contou com o primeiro mosh da noite. Seventh Seal e Stand Up and Shout (Dio) foram outras que alegraram (e muito) os presentes.

Com vocês...

Warrel Dane
João Messias Jr.
Já eram quase 21h quando Warrel (que trajava a camisa do Sepultura) e sua “brazilian band” adentraram ao palco. When we Pray, de seu álbum solo Praises to the War Machine, de 2008 deu início a festa, que sem preciso pedir, estava com TODOS os presentes cantando e gritando loucamente. O groove de The Day the Rats Went to War manteve à insanidade em alta. Apesar do impacto das primeiras faixas e do volume baixo dos microfones, Narcosynthesis, de Dead Heart in a Dead World foi um dos maiores instantes de comoção, pois era possível ver muitos fãs aos prantos, parecendo não acreditar no que estava acontecendo naquele domingo.

Alguns devem estar perguntando da banda formada pelos brasileiros. Bem, os caras se saíram muito bem, mesmo com algumas falhas nos microfones dos backings (e de Warrel também) a banda cumpriu a missão, principalmente o baixista Fabio Carito e o  guitarrista Thiago Oliveira, que realmente se divertiram em cima do palco, quebrando aquela imagem dos músicos que executam sons mais técnicos devem ficar estáticos.

Thiago Oliveira
João Messias Jr.
Voltando ao show, Poison God Machine, de Dreaming Neon Black mostrou a densidade do vocal de Warrel, assim como My Acid Words. Apesar de historicamente o Nevermore ter obtido mais êxito, haviam muitos fãs do Sanctuary, que foram premiados com Seasons of Destruction e Soldiers of Steel. Interessante perceber, que apesar de mais voltado ao metal tradicional, o embrião do Nevermore estava ali. Claro, que aperfeiçoado e lapidado com o passar dos anos.

Mas tinha mais...a balada lenta e pesada Brother dona de ritmo hipnótico foi a abertura para o primeiro especial da noite:  contou com o primeiro convidado especial da noite: o baterista Daniel Erlandsson (Arch Enemy) e mandaram The Heart Collector. Next In Line, de Politics of Ecstasy foi emendada com Enemies of Reality e dessa forma encerrou a primeira parte do show.

Um bis mais que especial

Warrel Dane
João Messias Jr.
Era a hora do bis, que teve início com Dreaming Neon Black, que contou com a participação da vocalista Juliana Rossi (Sattva Rock). Apesar do microfone da cantora estar mais baixo, a moça deu conta do recado. Mais duas dos tempos de Sanctuary, Taste Revenge, assim como Future Tense, colocaram o Hangar abaixo, assim como o encerramento com Dead Heart In a Dead World, que encerrou de forma quase perfeita essa noite histórica. Quando digo quase, pois apesar do set ter privilegiado todas as fases do cantor, achei que faltou Believe In Nothing, além dos problemas já citados sobre os microfones.

Agora é torcer para que ele retorne ao país, fato que acredito que não demorará a acontecer, visto que o novo trabalho do Sanctuary já está gravado, então, é aguardar com calma que esse dia não tardará.

25 de abril de 2014

INCERTEZAS E DESCONFIANÇAS QUE CRIAM ÓTIMOS DISCOS

Torture Squad, Noturnall e Statik Majik superam expectativas criadas pelos fãs e lançam trabalhos que primam pela musicalidade e bom gosto

Por João Messias Jr.
Imagens: Divulgação 

Antes de descobrir o heavy metal,  era fanático por programas esportivos, em especial aqueles relacionados ao futebol. Uma das horas que mais curtia era quando determinado jogador era criticado pela torcida ou visto com desconfiança pela mesma e quando davam o microfone ao atleta (em especial aos centroavantes), que respondia da seguinte forma: “Vou responder com gols”.

Esse famoso discurso acabou voltando na cabeça assim que estava nas minhas mãos três discos nacionais, dentre eles, uma banda que busca afirmação após a saída de um membro importante, outra que é formada por músicos experientes que montaram um novo grupo ao invés de ficarem na geladeira e um que busca a afirmação após a boa recepção de seu debut. São elas: Torture Squad, Noturnall e Statik Majik.

Vamos começar falando do Torture Squad. Após a saída do vocalista Vitor Rodrigues (atual Voodoopriest), a banda optou não colocar ninguém no posto e continuar como um trio, com o guitarrista André Evaristo assumindo também as vozes com o baixista Castor.

Esquadrão de Tortura
Divulgação
O primeiro trabalho dessa nova formação foi o álbum Esquadrão de Tortura. Musicalmente os caras fizeram até aqui seu disco mais diferente e trabalhado. Mais thrash e menos death, André, Castor e o baterista Amílcar Christófaro fizeram um disco baseado na ditadura militar, em que os mesmos fizeram um trabalho de campo com entrevistas com especialistas como Roniwalter Jatobá, visitas aos antigos locais como o Presídio Tiradentes. E,  tanto liricamente como musicalmente não tinha como sair errado. A veia thrash oitentista pula forte desde as primeiras faixas No Escape From Hell, Pull the Trigger e Pátria Livre, essa com a participação de João Gordo (R.D.P.). Mas o que chama a atenção é que em meio a porradaria surgem momentos intrincados e quase virtuosos, que alegrarão fãs de Coroner e Testament (The Ritual). Algumas canções que carregam essas características são Conspiracy of Silence, Wardance e Fear to the World, essa, uma das mais trabalhadas da carreira da banda.

A banda não se preocupou apenas com o aspecto musical. Esquadrão de Tortura possui um belíssimo trabalho de arte e acabamento em digipack , slipcase e um encarte suplementar, que fará com que os fãs tenham muito orgulho de mostrar o trabalho a fãs (e não fãs) de rock e metal.

Noturnall
Divulgação
Igualmente agressivo, só que mais pros lados do prog metal, o Noturnall mostra que comodismo é algo destinado aos perdedores. Com o baterista Ricardo Confessori de volta as baquetas do Angra e mesmo tendo anunciado o clipe de Nocturnal Human Sinde e a capa do vindouro trabalho, Thiago Bianchi (voz), Léo Mancini (guitarra), Fernando Quesada (baixo), Juninho Carelli (teclado) não quiseram deixar o trabalho esfriar e recrutaram o baterista Aquiles Priester (Hangar) e usaram esse material para um novo grupo, batizado de Noturnall. E com toda a certeza foi uma ideia bem pensada.

A música praticada pelo quinteto impressiona, pois apesar da conexão com o Shaman, Noturnall (o álbum) tem muito mais do Karma do que a antiga banda dos integrantes. Boa parte se deve aos vocais de Thiago Bianchi, que utiliza muito o timbre mais ardido que, aliado ao instrumental pesado e intrincado da banda cria ótimas canções como as pesadas No Turn At All (que exceto pelos vocais, tem muito do Korn), Nocturnal Human Side, que recebe a participação do vocalista Russel Allen (Symphony X, Adrenaline Mob) e Hate, dona de um refrão marcante.

Outro trunfo na manga do grupo é o guitarrista Léo Mancini, que graças à sua influência hard, ele está sempre na frente dos seus colegas. Usando a técnica refinada com muito bom gosto, acaba dando um toque especial nas canções, que se tornam hits, como Sugar Pill, que mostra o estilo que mostra como o estilo que consagrou grupos como Motley Crüe soaria hoje.

Claro que as baladas são fundamentais em discos do estilo e aqui até nesse detalhe os caras capricharam. Last Wish é atmosférica e emotiva, lembrando as canções de grupos como Heavens Gate e a carreira solo de Michael Kiske, ou seja, o lance é sofisticado. Já The Blame Game, que encerra o disco é mais intimista com um quê de jazz/MPB além de um belo refrão que contagia tudo e todos!

Wrath of Mind
Divulgação
Agora, partindo para algo mais direto, na cara e com muito dos 70 e 80, temos Wrath of Mind, segundo disco da banda carioca Statik Majik. Após a ótima recepção ao debut Stoned on Music, o trio formado por Thiago Velasquez (baixo e voz), Luis Carlos (bateria) e Thiago D’Lopes (guitarra, substituído por ) fez um disco que embora calcado na sonoridade de quatro décadas atrás, não soa retrô. Um dos fatores é a produção feita por Renato Tribuzy, que apesar de permitir que todos os instrumentos e vozes sejam ouvidos com nitidez, não soa suja, o que é positivo.

Os caras pareciam estar inspirados ao trabalharem nas canções, TODAS donas de um grande potencial, como a abertura com God in the Mirror, uma paulada que é inspirada em dois clássicos do rock: Children of the Grave (Black Sabbath) e Love Gun (Kiss). Já Between 4 Walls chama atenção pelo refrão melodioso e dedilhados que vão do flamenco a música latina. Só que o lance dos caras é pegar pesado, como nas viscerais, Slaves of Greed, Drowning in Despair e Nothing Left to Admire, essa com uma energia incrível. Infelizmente o disquinho passa voando com Utopia Sunrise, que deixa o ouvinte com o astral lá em cima e o fazendo pensar como é bom ser um fã de rock.

Interessante que todas as bandas citadas passaram por algum tipo de situação ruim antes ou depois dos lançamentos e como um bom centroavante calaram a boca da crítica dentro de campo...e com muitos gols.

24 de abril de 2014

SLASHER: DERRUBANDO MITOS E AGREGANDO NOVAS TEXTURAS

Katharsis, novo trabalho de quinteto de Itapira mostra que é possível fazer um som variado, pesado sem preocupação com modas ou tendências

Por João Messias Jr.
Imagem: Divulgação
Foto: Fábio Zangelmi

Katharsis
Divulgação
Segundo o Dicionário Online de Português, a palavra Catarse possui significados como limpeza e purificação. Depois desta rápida consulta, só resta dizer que o título do novo trabalho do quinteto de Itapira é mais do que apropriado.

Se não ficou muito claro, vamos  justificar a argumentação. Limpeza pela excelente produção, feita por Tue Madsen (Paura, The Haunted), que deixou o som nítido, onde se ouve claramente cada instrumento, desde os riffs, as levadas da cozinha, até o trabalho de voz e backing vocals, se estiver com fones, vai se impressionar com o som.

A purificação é o fato do grupo optar por sair daquele esquema de forminha de bolo e flertar com outros elementos e tendências, o que faz o disco se tornar fresco e jovial. O que é evidenciado pela arte da capa, feita por Stan W. Decker, que pode ser definida como o rompimento de antigos valores e a aceitação do novo, que está por aí e que não pode ser negado.

Slasher
Fábio Zangelmi
Musicalmente o som da banda tem base no thrash, mas há contornos de outros estilos, como o metal tradicional, hard rock e o death metal, mas tudo aplicado sob uma linguagem moderna, graças à produção, que deixaram as canções poderosas. Não se engane com a intro melódica que abre o disco, que pode até iludir o leitor que vem um disco Bay Area pela frente, mas a banda tem muito mais o que mostrar. Disposable God mescla death e thrash com passagens cadenciadas. Hostile, que embora seu começo indique algo direto e visceral quase hardcore, recebe inúmeras quebras em sua metade. Já Final Day se destaca pelo contraste de peso/melodia com backings dolorosos e em meio às dissonâncias de Overcome, é possível ouvir muitas referências de hard rock nos solos.

Mas o golpe de misericórdia fica por conta de três faixas: Jamais Me Entregar, que tem tudo para agradar fãs de Trayce e Project 46. Ainda sobre essa canção, vale dizer que os caras não mudaram sua proposta, apenas fizeram uma canção em sua língua mãe. All Covered in Blood possui um clima melancólico e  vozes arrepiantes que nos remetem ao Alice In Chains. E como bons alunos, os caras revenciaram os mestres. com uma ótima versão para Suffocated, do Mosh, um dos grupos que seguiam essa filosofia de criar algo novo, isso lá nos anos 90.

Bom, temos que agradecer aos amigos Wellington Clemente (baixo), Lucas Aldi (guitarra), Lucio Nunes (guitarra), Skeeter (voz) e Taddei Roberto (bateria) por mostrarem que é possível SIM criar um novo conceito musical sem abrir mão de sua essência.

23 de abril de 2014

VIOLÉTE: ESCREVENDO NOVAS LINHAS

Grupo apresentou aos presentes sua nova vocalista no The Vallen Festival, que contou com as bandas The Vallens e Multifário

Texto e fotos: João Messias Jr.

Violéte
João Messias Jr.
A banda Violéte, apesar dos quatro anos de existência, já passou por situações que muitos grupos com o dobro (e o triplo) de carreira não dispuseram de viver. A mais triste foi a perda repentina da vocalista Midi Gomes, que aconteceu no fim de 2013. Com o dilema entre continuar e encerrar os trabalhos, felizmente o grupo formado por Tiago de Paula (guitarra), Bruna Daniele (baixo), Gabriel Diego (bateria) optou por seguir o legado e recrutaram a vocalista Micha (irmã de Midi) para escreverem um novo capítulo em sua história. E a primeira apresentação dessa nova formação do grupo aconteceu no último sábado (19), no Gambalaia, em Santo André, que contou com a participação das bandas The Vallens e Multifário.

O espaço, localizado próximo ao centro da cidade, é um local aconchegante, que graças à decoração intimista, com direito a puffs e cadeiras, permite apresentações das mais variadas manifestações artísticas, que no dia de hoje, foi voltada ao rock, que teve início às 20h40, com a banda Multifário, que fez uma apresentação bem diferente da última que havia visto.

Multifário
João Messias Jr.
Donos de uma sonoridade que une as batidas do gueto, poesias urbanas e um acento rock, o trio formado por Rafael Rocha (voz e violão), Mailson Lean (baixo) e Caio Silva acertaram no formato intimista, pois as canções tocadas de forma semi-acústica combinaram com o local. O show mesclou músicas novas e canções que figuram no EP Liberdade é Quando Se Tem Opção, como Linhas Manuscritas (cuja versão de estúdio contou com a participação de Midi), Julgo e Sorte Natural, além de versões para Lado B Lado A (O Rappa) e Manguetown (Chico Science e Nação Zumbi). Só penso que o set deveria ter sido menor, pois o trio teve quase uma hora de show.

The Vallens
João Messias Jr.
Após um pequeno intervalo, às 22h o The Vallens mostrou um som que busca referências dos anos 50/60, com toques contemporâneos de grupos como Sonic Youth, Weezer, Strokes e Los Hermanos, o quarteto formado por Duh Vallen (voz e guitarra), Johny (guitarra), Viny Vallen (baixo) e Ismoul (bateria) mandaram em 40 minutos músicas que apresentam um som consistente e que possui um ótimo trabalho de guitarras, como Maionese e Antes das Sete. 

Outra que chamou a atenção foi Thessaly, que tem um começo melancólico e acaba de forma instrumental. O grupo aproveitou a ocasião e dedicou as músicas Violeta e Improvável ao pessoal da Violéte.

Já eram mais de 23h quando a Violéte adentrou ao pequeno palco. Micha (voz), Tiago (guitarra), Bruna (baixo) e Gabriel mostraram uma banda renovada, que está soando mais pesada e com muito swing, como tivemos a oportunidade de ver /ouvir nas músicas novas O Amanhã e A Porta, que é muito bom para os meninos seguirem seu caminho, a diversidade sem fugir do estilo que os fizeram conhecidos.

Violéte
João Messias Jr.
Em comparação a Midi, Micha possui uma linha diferente, não tão introspectiva e variada, que abre caminho para novas possibilidades, como aconteceu nas músicas citadas acima. Mas o grupo aproveitou o show e mandou músicas de seu EP, como Linha de Intenção e A Pressa, além de versões para My Immortal (Evanescence), Pode Vir Quente que Estou Fervendo (Erasmo Carlos) e Killing in the Name (Rage Against the Machine), que levantou todos os presentes.


Não há mais palavras a serem ditas, além de que esse sábado foi uma noite agradável, que contou com casa cheia, bons shows e fãs felizes, principalmente com o retorno da Violéte, que tem tudo para brilhar novamente. E com toda certeza, sob a aprovação de Midi.

15 de abril de 2014

DEVACHAN: NO TEMPO CERTO

Andarilho, trabalho de estreia do quinteto paulista, possui letras escritas nos anos 80, que tomaram vida em 2013

Por João Messias Jr.

Andarilho
Divulgação
Às vezes, certas coisas acontecem e não conseguimos explicar e nesse caso, o tempo sempre é a melhor resposta. Já foram contados alguns casos na música e recentemente mais um entra nesta estatística. O quinteto Devachan teve seu embrião formado há 30 anos, por meio das letras de seu baixista, Daniel Dias. O tempo passou e o projeto foi refeito três décadas depois, que conta além do dono dos graves, Michael Santos (teclado), Bruno Caresia (bateria), Leandro Dias (guitarra) e Gabriel Dias (voz), sendo que os dois últimos são filhos do fundador do grupo.

O primeiro registro da banda foi um EP de seis faixas lançado  no ano passado que mostra um metal tradicional que se destaca pelos ótimos arranjos e letras que embora tenham sido escritas lá nos anos 80, permanecem atuais, como Mente em Sonhos, que fala dos ideais dos jovens, mas de uma forma poética, que dá um brilho a mais ao trabalho lírico. A canção chama a atenção pelos vocais rasgados, mas que ficaram perfeitos para o tipo de letra abordada, além de uma passagem bem curta que nos lembra grupos progressivos como Sagrado Coração da Terra.

A vibe tradicional continua em Mudança de Tempo, que conta com a participação da cantora Gabriela Policeno. Já Liberdade é quase uma balada de contornos quase épicos que possui uma bela mensagem de conscientização. O pique mais visceral retorna com a faixa-título, que é dona de uma energia gostosa e mostra ser uma música muito legal de ver ao vivo. Poetas é a chamada power ballad, que começa tem a linha principal feita pelos teclados e várias partes para cantar junto e fecha de forma positiva este primeiro trabalho do grupo.

Um trabalho competente, que nos faz lembrar das primeiras linhas escritas nesse texto, pois às vezes a melhor coisa que aconteceu ao Devachan foi esperar todo este tempo para lançar o trabalho. Pois hoje, com toda a certeza ele está sendo ouvido e apreciado por muito mais pessoas e divulgado da forma que merece: além de contar com uma bela capa e um gravação nítida, limpa e pesada.

14 de abril de 2014

STATIK MAJIK: “WRATH OF MIND SE APRESENTA COMO UM ÁLBUM MAIS HOMOGÊNEO, RESULTADO DE UMA FORMAÇÃO MAIS SÓLIDA”

Realmente é gritante a evolução musical contida em Wrath of Mind, segundo álbum da banda Statik Mind é gigante. Mais equilibrado e com canções cheias de tesão como God in the Mirror, o trio atualmente formado por Thiago Velásquez (voz e baixo), Leonardo Cintra (guitarra) e Luis Carlos (bateria) comemoram o bom momento do disco, que vem recebido ótimas resenhas e como consequência, proporcionando ao grupo a oportunidade de se apresentar mais e mais.

Nesta entrevista feita com Luis e Thiago, a dupla nos fala da repercussão de Wrath of Mind, as diferenças dos públicos europeu e sul americano e a entrada do guitarrista Leonardo após o lançamento do disco.

Por João Messias Jr.
Fotos: Luciano Piantonni
Capa: Divulgação

NEW HORIZONS ZINE:  Recentemente o trio lançou seu segundo álbum “full”, que carrega o nome de Wrath of Mind. Como está a repercussão e divulgação perante mídia e fãs?
Luis Carlos: A melhor possível! Se no ano passado fizemos turnês intensas para o começo da divulgação deste trabalho, neste ano começamos a colher os frutos com ótimas resenhas em sites e revistas, assim como a possibilidade de começarmos a fazer shows em lugares que pretendíamos fazer e levar nosso trabalho para onde não imaginávamos antes, então, tem sido incrível a repercussão do Wrath.

Statik Majik
Luciano Piantonni
NHZ: Em relação ao debut, Stoned on Musik, vocês deram um salto de qualidade como músicos e nas canções, nas quais falarei mais adiante. Quais as diferenças de um disco para o outro em relação ao preparo das composições e gravações?
Thiago Velasquez: Wrath of Mind se apresenta como um álbum mais homogêneo, resultado de uma formação mais sólida trabalhando com um maior prazo. Nossa desenvoltura musical enquanto conjunto e conhecimento das influencias pessoais de cada um, foi o que eu diria como o fator determinante que foi pouco a pouco “moldando” as faixas do nosso debut. Tínhamos em mente que queríamos um álbum com refrões mais fortes, riffs grudentos e músicas empolgantes e pesadas e quando começamos a compor tudo fluiu da forma mais natural possível. Fora que também investimos em uma produção maior nesse álbum.

NHZ: Agora vamos falar um pouquinho das músicas do disco. Aproveito para parabeniza-los pela abertura em God in the Mirror, que possui levadas para ganhar os fãs que nos remete a clássicos como Love Gun (Kiss). O que os fãs estão achando desse som nos shows?
Luis Carlos: O feedback tem sido incrível, recentemente tocamos na Colômbia e tivemos palcos invadiso após o show, um até caiu em cima da bateria (risos). Essa faixa é bem legal mesmo, não é minha preferida, mas acertadamente ela abre o CD.

Thiago: Particularmente “God in the Mirror” é uma das minhas favoritas. Acho uma música matadora tanto pra começar o álbum quanto para começar os shows. Ela possui um astral muito elevado, uma verdadeira “porradaria” de riffs logo na primeira linha,com muito peso e melodia. Creio que ao abrir o show com ela, estamos fazendo-o com chave de ouro, pois conseguimos transmitir a nossa energia pra galera, mostrando que viemos para destruir tudo (risos). Em geral a reação da galera é a melhor possível começando a “aquecer” para ir à loucura.

NHZ: Acid Reign é empolgante do inicio ao fim, com linhas de voz que chamam o ouvinte pra cantar junto. Conte-nos da criação dos vocais dessa canção.
Luis Carlos: Ela tem uma pegada mais doom e eu e Thiago imaginamos uma coisa meio “Alice in Chains” nela, doi isso, creio que deu certo (risos). É incrível como ela é uma música lenta e grande, mas s pessoas curtem ela demais ao vivo.

Thiago : A Acid Reign é uma música mais cadenciada. Queríamos fazer uma faixa que literalmente derretesse o cérebro das pessoas e “tomasse a sua mente” (risos), por isso seu nome de “Reino Ácido”. Começamos com um riff com uma pegada bem doom, e começamos a criar a música separada em momentos. Eu diria que nitidamente a Acid Reign é uma faixa crescente que consegue transmitir bem  sua energia a medida em que se acompanha o contexto da letra, dos momentos musicais e a melodia em si. Acredite, toda essa divisão foi muito pensada (risos). A linha vocal foi totalmente inspirada no contexto da música em si, nas suas flutuações e sentimentos referentes a cada passagem até o verdadeiro “boom” final.

Wrath of Mind
Divulgação
NHZ: O disco traz convidados como o vocalista e produtor Renato Tribuzy e o guitarrista Bebeto Daroz. Este último, que ficou muito conhecido em São Paulo por seu trabalho com o Libra fez um belo trabalho em Remembrance, com violões acústicos que nos fazem lembrar a fase pós-glam dos grupos de hard rock. Vocês deram carta branca para o músico criar nesta musica ou foi feito em conjunto?
Thiago: Já tínhamos a ideia anteriormente de ter uma faixa acústica e a Remembrance surgiu de uma forma completamente natural durante um ensaio. Eu já havia trabalhado anteriormente em alguns projetos com Bebeto Daroz e sempre gostei bastante dele tocando. Ele tem uma “pegada” muito limpa com bastante feeling e peso,. Sempre curti demais o timbre que ele tirava em seus acústicos, foi quando lhe fizemos o convite para que gravasse a nossa faixa e apesar de a faixa já ter o seu “esqueleto” pré-estabelecido demos total liberdade para que ele criasse na mesma. O resultado, bom a faixa fala por si (risos).

NHZ: A banda tem investido muito em promoção no novo disco, tanto que já lançou dois vídeos. O primeiro foi para Drowning in Despair e recentemente publicou a versão em película para Paradoxof Self Existence. Como estão os acessos e o que a galera vem achando desses trabalhos?
Luis Carlos: O acesso de Paradox foi nosso recorde, pois em uma semana ultrapassou mil visualizações.

Thiago: Acho que vídeo clipe é uma ferramenta essencial de divulgação, mostra digamos que a “fantasia” da música e transmite uma maior “intimidade” com a mesma, passa a ser a associação que se é feita ao ouvir a faixa. A galera tem curtido bastante e movimentado bastante o nosso canal no youtube.
NHZ: Wrath of Mind foi lançado pelos selos X-Press On Records e Rock Brigade, além de contar com a distribuição da Voice Music e Xaninho Discos. O que estão achando da promoção e o que os motivaram a assinar com esses selos/gravadoras?
Luis Carlos: Foi um bom acordo e todos eles estão cumprindo bem a sua parte. São ótimos amigos e parceiros e pode aguardar mais novidades por aí.

NHZ: Mas de nada vale tudo isso se o grupo não faz show. Felizmente a banda gosta de estar na estrada, tendo se apresentado por diversos estados e recentemente fez um giro por países sul americanos como a Colômbia. Em relação a Europa e ao próprio Brasil, o que o lado latino americano possui de diferenças?
Luis Carlos: O latino americano é mais amável. Claro que na Europa foi bem legal, mas aqui é mais “caliente” (risos). No segundo semestre deste ano tocaremos no Peru e na Bolívia e talvez role Europa em 2015.
Thiago: Realmente não tenho palavras para descrever o como bem fomos recebidos em todas as nossas passagens pela América do Sul. Tivemos realmente uma união de público e banda em um só, uma sensação, uma energia e uma receptividade realmente fora de série (risos).

NHZ: Infelizmente, nem tudo são flores. Após a gravação de Wrath of Mind, o guitarrista Thiago D’Lopes deixou o grupo, sendo substituído por Leonardo Cintra. Para você, Luis Carlos, que está desde o início do grupo, como é ter de correr atrás de novos membros que se encaixem não apenas no perfil musical, mas pessoal também, pois banda é relacionamento e convivência?
Luis Carlos: Nada de anormal. Não é a primeira vez que isso acontece com a Statik, porque a entrada do Leonardo foi perfeita e é isso o que importa pra banda. Afinal, o importante é a banda continuar firme e forte e isso já está mais do que comprovado, pois o que prevalece aqui é o “espírito de equipe”. Léo é um cara que reúne grandes qualidades não só como músico, mas como profissional. É dedicado, se empenha demais e investe muito do seu tempo na banda. Então, creio que agora sim, estamos com uma formação excelente e pronta para encarar novos desafios.

NHZ: Para encerrar, como é ver que a banda está com 12 anos de
Statik Majik
Luciano Piantonni
carreira, dois discos lançados, com uma ótima repercussão? Consideram este o melhor momento da StatikMajik?
Luis Carlos:  Sim, a entrada do Léo veio coroar isso. Eu criei a banda em 2002 e vi entrar e sair integrantes durante essa jornada. Estou muito feliz com o que tem acontecido ultimamente com a Statik, afinal, não é um trabalho de um, dois anos, são 12  e quem conhece a Statik sabe disso. Só tenho a agradecer ao Thiago e ao Léo porque o mérito é deles, a equipe da statik e aos fãs que sempre nos inspiraram e apoiaram.
Thiago: Pouco posso falar sobre os 12 anos, mas faço parte de pelo menos sete anos de história (risos). Para mim é uma alegria, uma satisfação e um orgulho imenso, ter investido toda a minha dedicação e paixão pela música nesses anos de banda e vê-la crescendo cada vez mais. Sem sombra de dúvidas posso dizer que esse é o nosso melhor momento e ainda temos muita poeira para comer!!

NHZ: Obrigado pela entrevista. Deixem uma mensagem aos leitores desta publicação.
Thiago: Gostaria de agradecer pelo espaço cedido, principalmente a todos que nos apoiam ao longo dessa difícil jornada, que acompanham o nosso trabalho e aos que lutam ao nosso lado. Se não fossem vocês, nada disso seria possível! Vocês são a nossa energia e a nossa maior inspiração. Quero ter o prazer de conhecer pessoalmente cada um de vocês e abraça-los como irmãos! Estamos juntos! Obrigado por tudo!

Luis Carlos: Leiam, curtam e compartilhem esta entrevista. Apoiem o metal nacional. Agradeço pelo espaço cedido a Statik e obrigado pelo grande apoio. Afinal, sem vocês não seríamos nada ! OBRIGADO !

7 de abril de 2014

GENOCÍDIO: UMA APRESENTAÇÃO MARCADA PELA MELANCOLIA E AGRESSIVIDADE

Quarteto retorna ao ABC paulista promovendo seu novo álbum In Love With Hatred após anos sem se apresentar na região

Texto e fotos: João Messias Jr.

Genocídio
João Messias Jr.
Engraçado como são as coisas, assim como o Vulcano, fiquei praticamente 20 anos sem poder vê-los ao vivo e depois desse tabu quebrado consegui assistir a banda mais uma vez num curto espaço de tempo. E assim como no ícone do metal santista, o mesmo ocorreu com o Genocídio, com mais uma (feliz) coincidência, com a banda no ápice de sua musicalidade e criatividade, que podemos ouvir no seu novo trabalho, o álbum In Love With Hatred, lançado em 2013.

O local da apresentação foi o Lollapalooza, que há pouco tempo abriu “pra valer”o espaço para música autoral e nesta noite foi o palco deste ícone da música pesada nacional, que já possui quase três décadas de luta na cena.

Midnightmare
João Messias Jr.
Antes da banda principal, o evento contou com as bandas locais Falange e Midnightmare. E foi a última que deu o pontapé inicial aos shows, ás 19h30. Com 13 anos de estrada, Simone (baixo e voz), Kedley Moraes (guitarra) e Quércia (bateria, também Arthanus) fazem a promoção de seu primeiro CD, Death Is the Only Salvation, lançado no mês passado, que como o nome sugere, mescla o death, thrash com algo do doom metal. Do citado trabalho a banda mandou Chaos, dona de passagens thrash melodiosas, a faixa-título, que nos remete ao death metal praticado na Flórida e vocais que se fundem em limpos/berrados e a direta Final Conflict. Vamos torcer para que os caras continuem produzindo sons e expandindo sua música para todos os cantos.

Falange
João Messias Jr.
A segunda banda da noite foi o Falange. Adeptos do thrash oitentista, mas sem cair nos clichês do estilo. 
Dona de bons riffs (que privilegiam o peso ao invés da velocidade) e vocais que caem para o crossover (alguém gritou Kurt Brecht?) é a ideia que a trupe formada por Luciano Piagentini (voz), Ivan (guitarra), Marcelo (baixo e backing vocal) e Paulo (bateria) mandaram um set energético, com destaque para Fuck Your Play (80 na veia), Fogueira, Humano Débil Mental (que aponta uma vertente mais trabalhada) e a crossover Madness, que encerrou a curta apresentação, que teve menos de meia hora.


Genocídio
João Messias Jr.
Já eram 21h30  quando teve início o grande momento da noite. Murillo Leite (guitarra e voz), Rafael Orsi (guitarra e backing vocals), Wanderley Perna (baixo) e João Gobo (bateria), com uma bandeira da cidade de Santo André, iniciaram seu set com Kill Brazil, do In Love With Hatred. Vale dizer que o atual trabalho não deve nada aos mais antigos e consegue figurar entre os melhores já lançados pela banda, principalmente pelo talento dos novos integrantes e o equilíbrio do clima soturno e das melodias. Mas ficava a pergunta: e as músicas antigas?

Bem, Cloister, do Posthumous colocou um ponto final nas dúvidas e eventuais desconfianças, pois mandaram muito bem, assim como Numbness Sunshine, de Hoctaedron. A faixa-título e Passion and Pride, do novo disco mostrou que apesar dos clássicos, o presente momento vivido pelo Genocídio tem tudo para angariar fãs e fazer história, graças ao climas melancólicos (quase doom). Come to the Sabbath (Mercyful Fate) foi outro momento mágico, que emocionou o pessoal que estava na frente do palco. Eu queria que o mestre King Diamond tivesse a oportunidade de ouvir essa versão.The Clan, do álbum de mesmo nome e Up Roar apontavam que o show estava no fim, que infelizmente se teve seu final com a clássica The Grave, do seu primeiro EP.

Uma ótima noite, que além das apresentações acima de qualquer suspeita, foi legal para rever os amigos, mas infelizmente com um público decepcionante. Eu não sei o que se passa na cabeça do dito headbanger. Não são todos, mas que em sua maioria prefere se esconder em nicknames e reclamar que a cena é uma merda, que a mesma é infestada por falsos, mas que em nenhum instante faz nada para reverter a situação. Uma pena (para eles) e mais um momento de felicidade e conquista para aqueles que fazem algo de verdade por aquilo que acredita.

4 de abril de 2014

CHAOS SYNOPSIS: LEVANDO A LOUCURA DOS SERIAL KILLERS AOS PALCOS

Quarteto se apresentou na mais recente edição do Ataque Extremo, realizada no último sábado (29), que contou com a participação dos grupos Depressed, Setfire e Pile of Corpses

Texto e fotos: João Messias Jr.

Chaos Synopsis
João Messias Jr.
Quando eu deparo com uma capa de disco, independente do estilo musical que seja, se “bate” aquela coisa (seria tentação?), dificilmente eu me engano e acabo conhecendo mais uma banda legal e por consequência, levo mais um disco pra coleção. Podemos resumir assim como eu conheci o Chaos Synopsis, de São José dos Campos. Art of Killing, segundo disco do quarteto formado na época por Jairo Vaz (voz e baixo), Marloni (guitarra), JP (guitarra) e Friggi Mad Beats (bateria, também Attomica) além do death/thrash caótico, chama a atenção pela capa que mostra o serial killer (tema principal do trabalho) vestido a caráter com seu prêmio nas mãos, no caso a cabeça de sua vítima. E claro que se os caras viessem para o ABC, seria no mínimo obrigação de conferir essa violência sonora ao vivo. Sonho realizado, pois no último sábado (29), a banda aportou em São Caetano, no Cidadão do Mundo para mais uma edição do Ataque Extremo, que contou com os grupos Depressed, Setfire e Pile of Corpses.

Pile of Corpses
João Messias Jr.
Devido a outro compromisso, acabei perdendo parte da apresentação do Pile of Corpses. Apesar da música extrema e ás vezes caótica, Alba (voz), JP (guitarra), Chefe (baixo) e Dentão (bateria), os caras colocam um humor sarcástico na apresentação que empolga a todos. Como em Devouring the Pork, que além do vocalista dedicar para todos os “comedores de bacon”, colocou uma máscara de um porco, o que ficou muito legal no show. Espero poder ver um show completo desses caras, que fazem um mix de death/thrash com alguma coisa de grind muito bem feita.

Setfire
João Messias Jr.
O Setfire é um grupo que merece atenção. Donos de um thrash agressivo e trabalhado que une muito groove, cadências e um vocalista versátil, Artur (voz), Klemer (guitarra), Michael Douglas (guitarra), Felipe (baixo) e Alex (bateria) podemos chamar de uma banda de palco, pois suas apresentações são fortes intensas, como pudemos ouvir em sons como Social Bomb, que tem um jeitão Pantera, mas com riffs cadenciados. Além das músicas autorais, a banda mandou versões inspiradas para I’m Broken (Pantera) e Spirit Crusher (Death), que mostraram além da variedade do instrumental, todo o alcance de Artur. Envy Shit, que em breve receberá sua versão em vídeo e a inédita Wandering Psycopath fizeram parte do curto, mas empolgante set.

Depressed
João Messias Jr.
Representantes do death metal tradicional na mais pura essência, o Depressed mostrou que o ABC possui um nome que pode trilhar o mesmo caminho de bandas como Headhunter D.C, Krisiun, Ungodly, entre outros. Giovani Venttura (voz), Rodrigo Jardim (guitarra), Stella Ribeiro (baixo) e Gabriel Guerra fizeram um set diferente das últimas apresentações que vi do hoje quarteto. Junto com as canções do repertório Afterlife in Darkness, Reborn in Hellfire e Stormblood, a banda mandou duas músicas novas, Disease from Emptiness e Zombie Epidemic, que juntas as já citadas, farão parte do primeiro álbum da banda, que já está em fase final de produção. Mas as canções inéditas mostram uma nova vertente explorada pelo grupo. A primeira, com riffs densos e carregados, quase doom e a segunda carrega morbidez. Junto as músicas autorais, mandaram versões inspiradas para sons do Hypocrisy e Sinister. Seria interessante e justo ver esses caras abrindo (por competência) para nomes como Obituary e as bandas citadas acima.

Chaos Synopsis
Divulgação
Já eram quase três da manhã quando o Chaos Synopsis iniciou sua apresentação, que podemos chamar de massacre sonoro. O trio, Jairo, JP e Friggi, acompanhados de um guitarrista adicional, Ítalo Junqueira, mandaram três sons do aclamado Art of Killing: Son of Light, Rostov Ripper e Zodiac, todas se destacam pelo peso e clima mórbido. Sarcastic Devotion e Postwar Madness, do debut, Kult ov Dementia manteram o pique, mas não há como negar que “Art” é o masterpiece dos caras, que mandaram desta obra B.T.K., dona de partes cadenciadas, a grooveada Red Spider e Monster of the Andes. Infelizmente a apresentação dos caras passou voando e Spiritual Cancer, do primeiro álbum encerrou mais uma edição do festival Ataque Extremo. Vale lembrar que em maio, os caras embarcam para mais uma tour europeia e mostrarão aos gringos metal com padrão brazuca de qualidade.

Mais um daqueles dias de voltar para casa com um sorriso de orelha a orelha, apesar das olheiras e cansaço mais que visíveis. Sintomas de um trintão que logo chega aos quarenta!