27 de fevereiro de 2015

NERVOCHAOS: O FIM DE UMA ERA

"The Art of Vengeance" mostra a criatividade e musicalidade em alta no som do grupo, além de marcar o fim desta formação

Por João Messias Jr.

The Art of Vengeance
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Vítima das infindáveis mudanças de formação, o Nervochaos, sempre liderado pelo baterista Edu Lane, já atuou como trio, quarteto e quinteto. Mas isso nunca foi motivo de desânimo, pois a banda sempre teve uma carreira constante de lançamentos e shows pelo Brasil e ao redor do globo terrestre. E quando parecia que o grupo caminhava com uma formação estável, houve o anúncio da saída do guitarrista Quinho, representando o fim de mais um ciclo.

Pelo que ouvimos em "The Art of Vengeance", lançado em 2014, os caras têm tudo para continuar com o legado. Aqui, Guiller (guitarra e voz), Quinho (guitarra), Felipe (baixo) e Edu seguem a linha iniciada no álbum "Battalions of Hate", privilegiando a força dos riffs e canções voltadas aos palcos.

Esta descrição aparece logo nas faixas iniciais, The Harvest e For Passion Not Fashion. A primeira possui aquela pegada mais crua, presente nas bandas mineiras dos anos 80 e a segunda mescla o death e o thrash com maestria. Mas essas canções não definem o conteúdo de "The Art of Vengeance". Outro elemento presente é aquele doom tradicional, presente em From Below and Not Above, que lembra o clássico Smoking Mortal Remains. Outra que vai nesta pegada é Lightless, que encerra o disco.

Só que o maior destaque fica por conta de What is Dead May Never Day, que pode ser considerada o hit do disco por mesclar partes lentas e um refrão marcante. Mas "The Art of Vengeance" é um disco que ao longo de seus quarenta minutos, não enjoa e mantém aquele espírito oitentista sem soar datado.

Essa vibe pode ser vista em todo o layout do trabalho (só a capa vale o disco), que ficou a cargo de Marco Donida (Matanza, Hellsakura), além do bônus, que é o DVD "Warriors On The Road II", que mostra trechos de apresentações do grupo pelo Brasil e exterior, retratando fielmente como é a vida  na estrada. Fato que deve servir de "laboratório" para muitos que pensam em ter uma banda.

Mesmo com a surpresa da mudança de formação, vale dizer que o "Nervo" é daqueles grupos que sabe lidar com as adversidades. Com toda certeza, seja como trio, quarteto ou quinteto, é NERVOCHAOS acima de tudo.

26 de fevereiro de 2015

WAGNER GRACCIANO: ROCK INSTRUMENTAL NA TERRA DO SERTANEJO

Guitarrista goiano explora fusão variada de ritmos em seu primeiro álbum "Across the Universe"

Por João Messias Jr.

Across the Universe
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Se perguntar ao público sobre as riquezas que Goiás exporta para outros cantos, alguns dirão duplas sertanejas, outros as águas quentes de Caldas Novas e os mais fanáticos, os gols de Túlio Maravilha. Embora proporcione/proporcionou tudo isso, o estado localizado no Centro Oeste do país produz rock dos bons, em especial a música instrumental, por meio de guitarristas talentosos como Walsuan Miterran e Wagner Gracciano, que lançou em 2013 o álbum "Across the Universe", o qual falaremos linhas abaixo.

Com um repertório que abrange estilos variados como o rock, jazz, fusion e o gospel americano, o guitarrista transborda versatilidade e bom gosto, se saindo bem em todas as vertentes exploradas, embora os momentos mais na linha Satriani chamam a atenção de primeira, como Journey Into the Unknown, que eleva o astral lá nas alturas com tanta positividade que a canção emana.

A seguinte, Broken System é mais introspectiva e cria um interessante contraste, assim como a faixa que nomeia o CD, com belas melodias. À partir daqui, a bolachinha ganha outros contornos, passeando pelos estilos citados no parágrafo anterior, onde os coros de As A Prayer chamam a atenção, assim como a progressiva Act I (A Breath of Life), que retoma o pique adrenalínico inicial.

Act III (The Evil Governement and the Birth of God) é a mais pesada e variada, alternando cordas graves com momentos mais suaves, que é a deixa para Act IV (The Ressurection, the Victory and Eternity), que encerra o trabalho esbanjando positividade, o que é facilmente desvendado devido a orientação cristã, tendo as passagens bíblicas que inspiraram as canções no encarte.

Talvez o fato de "Across the Universe" ser tão variado, pode dividir opiniões, mas comentários e discussões a parte, não há como negar que se trata de um material bem trabalhado e o mais importante: mostra que a música instrumental não fica restrita a São Paulo.

23 de fevereiro de 2015

IMPETUOUS: PRONTOS PARA O DEBUT

Após a boa repercussão do EP "A Voice Inside Us", quinteto santista retorna com novo single, "The Immolated"

Por João Messias Jr.

Com três anos de estrada, o quinteto santista Impetuous vem firme em sua caminhada na cena underground, Após a estreia com o EP "A Voice Inside Us", de 2013, os caras passaram pelos perrengues das mudanças de formação e incertezas. Atualmente contando com Raul Vieira (voz), Pedro Bueno (guitarra), Messias Carvalho (guitarra), Nicholas Teixeira (baixo) e Bruno Conrado (bateria), soltaram no mês de janeiro o novo single "The Immolated", lançado em janeiro deste ano.

Apesar de ser apenas uma música, percebe-se um grupo mais direto, ao mesmo tempo com um instrumental mais cadenciado e solos com maior dinâmica. Apesar das sensíveis diferenças, vai cair no gosto de quem curtiu o EP, além de fãs de grupos daquele death metal que possui como preocupação o peso e a cadência, como Gorefest, At the Gates e até grupos mais contemporâneos como Meshuggah, Machine Head e Lamb of God.

E o fator identidade não fica apenas na parte musical. A capa, novamente feita por Marcus Lorenzet (Art Spell Design) está no mesmo padrão do trabalho anterior, o que conecta o ouvinte, sem que ele fique com o pensamento de que se trata de um "novo grupo". Não sei se a banda pensou nisso quando viu a arte pronta, mas causou este tipo de impressão.

Prontos para lançarem o debut!

20 de fevereiro de 2015

BLACKNING: DE THRASHERS PARA THRASHERS

Trio possui em sua formação ex-integrantes de grupos como Woslom, Andralls, Postwar e a música do grupo bebe no thrash com pegada brasileira

Por João Messias Jr.

Order of Chaos
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Com passagens por bandas como Andralls, Woslom e Postwar, os experientes Cleber Orsioli (guitarra e voz), Francisco Stanich Jr. (baixo) e Elvis Santos (bateria) juntaram forças e juntos formaram o Blackning, que pouco mais de um ano depois lançaram o primeiro trabalho, o álbum Order of Chaos.

É obvio dizer que musicalmente felizmente não temos surpresas, pois o que os caras fazem é o bom e velho thrash metal, com uma pegada brasileira, bem caracterizada pelos vocais, que numa primeira audição, agradará mais aos fãs de Andralls do que Woslom, Mas a audição do disquinho revelam novos detalhes não vistos nos trabalhos anteriores dos caras, como os momentos cheios de groove e melodias mais apuradas, embora a base seja a quebradeira de pescoço, se é que me entendem.

Thy Will be Done (cujo vídeo pode ser visto no Youtube) inicia o disco de forma direta, além de mostrar o que vem pela frente nos quesitos peso e velocidade. Terrorzone é bem agressiva e com refrão instigante, enquanto Unleash Your Hell tem tudo para ser uma das preferidas nos shows. Chegando em sua metade, o álbum começa a revelar algumas boas surpresas. Death Row possui muitos momentos grooveados e ganha solos cheios de melodias. Censored Season alterna os idiomas português e inglês e o trabalho se encerra com uma versão bem pessoal para Children of War (Overdose), que deve ter orgulhado a turma dos mineiros.

Produzido por Fabiano Penna (que dividiu os solos em algumas músicas), Order of Chaos tem uma qualidade muito boa, que deixou tudo claro e preservou a sujeira necessária para um disco do estilo. 

Não ha mais palavras, o Blackning é para os thrasher, pois é feito por fás para fãs!

19 de fevereiro de 2015

OITOO: PRÓXIMO PASSO - MAINSTREAM

Finito, primeiro trabalho de duo paulistano investe numa mistura bem sacada de melodias grudentas, acessíveis e guitarras pesadas

Por João Messias Jr.

Finito
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Para aqueles que pensam que o rock/metal em todos os segmentos está na UTI (ou morto), só tenho a dizer que isso é um terrível engano. O caos moderno ou mesmo a preguiça são alguns fatores que impedem os ditos fãs de música pesada garimparem por novos grupos, sejam eles extremos ou mais acessíveis, como é o caso do Oitoo. 

O duo paulista, que recentemente lançou o EP Finito, chama a atenção de cara por causa da  capa do trabalho, ora pelos tons de azul do fundo, ora pela mistura de dourado e vermelho, além do conteúdo lirico ser  voltado a superação e muita melancolia, mas que não contarei aqui (risos). Só que como capa não toca e letras não conquistam de cara, vocês devem estar pensando: Como será a música deles? 

O visual dark e misterioso da dupla formada por Condessa (voz) e Infinitum (guitarra) são a deixa para mistura do som, que soma a acessibilidade do pop e cordas pesadas com melodias bem sacadas, que fazem do trabalho uma ótima pedida pra você que está cansado de ouvir metal o dia todo.

A abertura com Não Vou Deixar o Tempo Passar (também primeiro vídeo) funciona como uma apresentação para o ouvinte, pois define bem a mescla de tendências. Alguém é pesada, grudenta e jeitão de hit. A dor, nova faixa de divulgação começa meio sombria e ganha passagens com duetos de guitarra e voz pra lá de empolgantes. 

Sonhos com seus momentos quase no metal tradicional é outro destaque, que só peca por acabar no auge. A balada Sentimentos mostra uma outra faceta do grupo, embora seja a menos legal do EP.

Vale citar o excelente trabalho de produção, mixagem e masterização que deixou tudo com muito peso e clareza, onde é possível ouvir tudo, mostrando a preocupação com o todo. Além  da voz da moça, que canta com a voz natural, transmitindo muita segurança, soando mais agressiva que muito cantor de metal.

Agora vamos esperar pelo primeiro álbum "full" do duo, que tem tudo para conquistar um espaço na cena mainstream, assim como os saudosos grupos Luxúria e Libra.

18 de fevereiro de 2015

NOTURNALL: AO CAMINHO DO SUCESSO

Supergrupo brasileiro ruma passos largos ao sucesso com o lançamento do DVD "First Night Live"

Por João Messias Jr.

First Night Live
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Às vezes é necessário sangrar na pele e romper antigas situações para que o novo prospere. Essa frase dita linhas acima, define a criação do supergrupo Noturnall. Após toda a novela envolvendo o Shaman, os remanescentes Thiago Bianchi (vocal), Leo Mancini (guitarra), Fernando Quesada (baixo) e Juninho Carelli (teclados) recrutaram o baterista Aquiles Priester e montaram a banda, que após o lançamento do debut, partiram para a gravação um DVD, chamado de "First Night Live". Até aí nada demais. O diferencial é que se tratava do primeiro show do grupo.

O show, realizado no Carioca Club foi sold out, num evento beneficente, cuja entrada foi um quilo de alimento ou de um brinquedo, que foram doados a Casa Hope, instituição que cuida de crianças com câncer. Doença que quase vitimou o vocalista anos atrás, que felizmente encontra-se curado. Antes de falarmos das músicas, vale citar que todo o aparato profissional visto no dia 29 de março é fielmente visto neste DVD, desde o  som cristalino, público insandecido, banda feliz com a casa cheio, repertório uniforme, ou seja: com toda a pompa que o mesmo merece, além do caprichado formato digipack.

Musicalmente, o Noturnall possui um som intenso, pesado e cheio de quebradas,que ao vivo não perderam nenhum destes ingredientes. Alguns destaques da apresentação foram St. Trigger, a pesadíssima Hate, a regravação de Inferno Veil (Shaman), além do diferencial do grupo em relação aos seus concorrentes de estilo: o guitarrista Léo Mancini (também Tempestt). O músico, dono de uma pegada hard, dá leveza as canções do grupo, que soam diferentes e especiais, como Sugar Pill.

O show ainda contou com as participações especiais do jovem músico Luiz Fernando Venturelli (cello) na introspectiva Last Wish e Russell Allen (Adrenaline Mob/Symphony X), que mostra toda a potência de sua voz em Nocturnall Human Side e em clássicos como Stand Up And Shout (Dio) e War Pigs (Black Sabbath).

Não para por aqui

Somente as linhas acima seriam suficientes para definir First Night Live, mas temos mais. Os extras são compostos de alguns clipes alternativos e uma seção interessante chamada Band and Friends, onde os técnicos dão informações sobre o sistema de som e a captação de áudio da apresentação.

Também se fazem presentes os três vídeos lançados pelo grupo: No Turn At All, Nocturnal Human Side e a belíssima versão para Woman In Chains (Tears for Fears). Lançado no dia das mães, a canção repete o formato do hit oitentista, no quesito dueto de vozes masculinas e femininas. A versão do grupo foi marcada por um dueto do vocalista com sua mãe Maria Odete, numa homenagem a todas as mamães deste mundo!

Uma trajetória rápida, impressionante e de muita qualidade, que se seguir os passos do debut e deste DVD, o vindouro segundo álbum (que está sendo gravado), tem tudo para tornar o Noturnall um dos maiores grupos da música pesada brasileira.

Quando o baterista Aquiles Priester disse minutos antes do início do show a frase "Vamos Fazer História", parecia soltar uma premonição do que seria (e está sendo) a carreira do Noturnall.

17 de fevereiro de 2015

PHRENESY: COMBINANDO PAIXÕES

Quinteto de Brasília une a combinação de dois desejos em seu debut álbum: a vontade de bangear ao som do thrash acompanhado de sua bebida favorita

Por João Messias Jr.

Phrenesy
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Queijo com goiabada, café com leite e nomes de duplas sertanejas são alguns exemplos de complementos que separados perderiam parte do sucesso que possuem.

Usei este exemplo para destacar o quinteto brasiliense Phrenesy, que com o seu debut, The Power Comes From the Beer, une a vontade de curtir e bangear ao som do bom e velho thrash saboreando sua bebida favorita, cuja capa feita por Ygor Morato entrega as sensações logo de cara.

Adeptos do thrash oitentista com alguns resquícios death, o quinteto formado por Wendel Aires (voz), Tiago Teobaldo (guitarra), Jabah Reivax (guitarra), Ronny Lobato (baixo) e Jósefer Ayres (bateria) possui como principal ingrediente em seu som a energia, presente em todas as faixas do disquinho, apesar do começo lento de Dirty Game sugerir algo na linha Xentrix, os caras pisam fundo, como nas contagiantes Destroyed e Exploding In Rage, essa com alavancadas irresistíveis.

Junto das canções, algumas mensagens "subliminares" se fazem presentes (o abrir de latinhas), como na faixa-título, que possui passagens bem trabalhadas e backings próximos de grupos como S.O.D., além de um groove bem encaixado. 

Fuck You With Your Lies chama a atenção pelas guitarras melódicas, enquanto This Is Extreme é bem hardcore e o encerramento com Contra Tudo Contra Todos vai nessa linha, só que com guitarras beiram bandas brazucas como Chakal, Attomica, Taurus e Restless, além de um refrão que gruda na mente.

A produção de Caio Duarte (Dynahead, Miasthenia) deixou tudo bem equilibrado e homogêneo, mostrando que é possível ter um som limpo e nítido sem comprometer a massa thrash, o que é mais um ponto para os caras.

Não vou falar mais nada, pois ficar ouvindo The Power Comes From the Beer me deu vontade de ir na dispensa, abrir o armário e pegar as coisas para fazer aquele cafezinho...sim, você leu isso mesmo, o bom, velho e eficaz café, que como o thrash metal sobrevive a todas as modas e permanece em destaque no coração das pessoas.

16 de fevereiro de 2015

ELECTRIC BLUES EXPLOSION: A FORÇA DO BLUES COM A MALÍCIA DO ROCK

"Quarteto gaúcho de southern rock mostra que força e agressividade não provém apenas dos ritmos mais extremos do metal"

Por João Messias Jr.

Strenght to go On
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Uma guitarra bem timbrada, conduções cheias de feeling e vocais que se alternam entre o bluesy e o falado. Assim podemos definir o conteúdo do DVD/CD "Strenght to go On", segundo trabalho do quarteto Electric Blues Explosion. Os gaúchos formados na época por Rodrigo Campagnolo (guitarra e voz), Nino Henz (baixo), César de Campos (bateria) e Graziano Anzolin (teclados), fizeram um material digno de elogios, o que é visto desde o acabamento do produto, em formato de papelão bem caprichado e as mídias em SMD, o que deixa o preço mais acessível.

Claro que de nada adiantaria se o conteúdo sonoro fosse de baixa qualidade. Longe disso, tanto o CD (estúdio) quanto o DVD (ao vivo), que possuem sets diferentes, mantém o ouvinte na poltrona por toda a duração dos materiais, além de mostrar que a nação brasileira possui ótimos nomes em todos os estilos musicais.

Apesar de materiais acertarem o quesito linearidade, o maior destaque fica para o DVD, que mostra a apresentação realizada na terra natal do grupo, Caxias do Sul, cujo local, o Teatro Prof. Valentim Lazarotto com seu formato mais intimista mostra ter sido a escolha certeira para o espetáculo, que fez que tudo (público e banda) se transformassem numa coisa só: música!

Canções como a certeira faixa que nomeia o material, Hold On to Your Faith. Lines In the Sand são alguns momentos que se destacam na primeira audição, embora os maiores destaques ficam por conta do blues acelerado de Just Fine e a melancólica Cowboy Hat, que podem ser consideradas as canções definitivas do grupo até aqui!

Ainda falando do DVD, a banda foi inteligente ao inserir pequenas entrevistas, cujos momentos de destaque ficam por conta de Campagnolo, quando este conta das dificuldades de quando estava na Inglaterra e da escolha do nome do trabalho de da faixa título, cuja tradução é "Força para Continuar", frase que todos devemos ter colada em nossas mentes para superar adversidades!

Indicado para fãs de grupos como The Black Crowes, Lynyrd Skynyrd e Joe Bonamassa, unindo o clássico e o novo sem descaracterizar nenhuma das vertentes.

11 de fevereiro de 2015

HAMMERFALL: (r)ECONQUISTANDO OS FÃS?


Quinteto sueco busca sonoridade dos primeiros álbuns em seu novo trabalho

Por João Messias Jr.

(r) Evolution
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É absolutamente normal em determinado momento de suas carreiras as bandas lançarem trabalhos medianos ou fracos. Com os suecos do HammerFall não foi diferente. Após um início avassalador com "Glory to the Brave", "Legacy of Kings" e "Renegade", o quinteto lançou discos que embora bons, em suas audições era perceptível que algo havia ficado pelo caminho.

Depois de uma pequena pausa e hoje formado por Joacim Cans (voz), Oscar Dronjak (guitarra), Pontus Norgren (guitarra), Fredrik Larsson (baixo) e Anders Johansson (bateria), aparecem com "(r) Evolution" (2014), que tem tudo para figurar entre os melhores álbuns da carreira.

Vocalizações cheias de brilho, aliados a guitarras alternando melodias, riffs e solos grudentos são representados por Hector’s Hymm (primeiro clipe) e a faixa-título, esta última inclusive chama a atenção pelo ótimo refrão. Já Bushido vai mais para o lado épico e mostra um grupo na mesma sintonia musical, sem egos e vaidades, além de ser um prato cheio para os trues, graças a frases como “I’m a Soldier Under Command” ou “The Wrath of Sword”, assim como Ex Inferis.

Mas é quando o grupo mostra seu visceral é que as coisas realmente empolgam, o que fica por conta de We Won’t Back Down (jeitão de clipe), Live Life Loud (riffs hipnotizantes), Evil Incarneted, sendo que nesta temos a impressão do vocal chamar a galera para cantar junto e o encerramento com Demonized, outra que tem tudo para fazer os bangers chacoalharem as cabeleiras, num trabalho que no geral é bem linear e uma ótima pedida aos amantes do estilo.

O cuidado do grupo em relação ao novo trabalho não fica restrito as canções. Temos aqui (como de praxe) uma produção fantástica (a cargo de Fredrik Nordström), uma bela capa feita por Andreas Marshall, tudo para que o grupo retorne ao topo, algo que saberemos daqui a alguns anos, embora seja mais que perceptível a intenção de recuperar o lugar perdido.
www.hammerfall.net

9 de fevereiro de 2015

REXOR: "COM AS INFLUÊNCIAS DE CADA UM CONSEGUIMOS FAZER VÁRIAS COISAS SE TRANSFORMAREM NUMA SÓ"

Em meio a tantos estilos tocados em profusão,como o prog e o black metal, faz muita falta ouvir aquele hard mais pesado e direto (para alguns chama-se heavy rock). Mas parece que essa "dor e agonia" foram parcialmente estancadas com o lançamento de "Powered Heart". Lançado em 2014, o CD alia músicas bem tradicionais como a faixa-título, "H.M.F." e "Sinners", além de uma bela balada, "Seal of My Heart", num resultado bem balanceado e homogêneo, o que é ponto para Wash (voz), Wander Cunha (guitarra), Adrian Fernandes (baixo) e Gleison Torres (bateria).

Em entrevista feita com o baixista Adrian, ele nos conta dos primeiros tempos, das músicas do trabalho e algumas façanhas conquistadas pelo grupo nesses 15 anos de carreira, além de uma agradável novidade no fim da matéria!

Por João Messias Jr.

Powered Heart
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NEW HORIZONS ZINE: A banda possui 15 anos de estrada e neste tempo lançou apenas dois registros: o EP “H.M.F.” e o álbum “Powered Heart”, dos quais falaremos no decorrer desta entrevista. Conte-nos o porquê de terem lançado poucos materiais desde a fundação do grupo.
Adrian Fernandes: Essa demora acabou acontecendo devido a vários fatores, desde trocas de integrantes até tempo para fazer as coisas. Temos músicas próprias desde 2002, que foram feitas quase que de primeira, mas temos outras que foram lançadas somente agora no “Powered Heart”, por não estarem de acordo com o que queríamos, no caso, a Evil Knights, Sinners, Blood Swords. Sempre faltava aguma coisa ou um pequeno corte nas músicas. Cada integrante tem seu trabalho fora da música, daí sobra pouco tempo para se dedicar completamente a banda.
                        
NHZ: O grupo possui uma proposta musical interessante, pois resgata aquela sonoridade do heavy/rock, que lembra nomes como Widowmaker (o do Dee Snider), Van Halen (Sammy Haggar) e os primeiros discos do Manowar e Accept. Como foi desenvolver essa sonoridade e o que acham das bandas citadas?
Adrian: Porra cara, é uma honra muito grande ter essa citação, desde o início sabíamos o que queríamos, era resgatar os anos 80 de covers “lado B” ao som próprio. Com certeza esse foi o resultado das influências de cada um, juntos conseguimos fazer várias coisas virar uma coisa só.  

NHZ: Em 2008 lançaram o EP “H.M.F.” abriu muitas portas para o grupo, pois após seu lançamento a banda participou do “Metal Battle”(seletiva paulista para o Wacken Open Air), figuraram na revista Roadie Crew e fizeram a abertura para o Grave Digger em São Paulo. Qual a importância desses eventos para o crescimento do Rexor?
Adrian: Estamos falando de grandes momentos para o Rexor, uma banda do extremo leste de São Paulo, como tocar com nomes do metal nacional da década de 80 como (Mario Partore, Ricardo Ravache), e com uma de nossas influências, o  “Grave Digger”. Não poderia ter sido melhor e pra fechar, saímos em destaque na sessão “Garage Demos”, da revista Roadie Crew. Cada evento ou participação por menor que seja, tem uma grande importância para nós. Não podemos citar todos aqui, mas agradecemos cada um deles.  

Rexor
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NHZ: Seis anos depois, foi lançado o debut “Powered Heart” em que a alquimia musical é aperfeiçoada e em 40 minutos temos uma audição linear com momentos que vão do hard ao heavy, numa produção equilibrada, feita pelo guitarrista Wander Cunha. Como foi serem produzidos por um músico do próprio grupo?
Adrian: Não poderia ter sido melhor! Não adianta passar isso para um cara de fora que não acompanhou a trajetória da banda, ele só vai fazer o melhor dele, isso não quer dizer que seria melhor pra nós. Estamos satisfeitos com o resultado, isso responde o porquê da demora de seis anos. O Wander é muito perfeccionista e não aceitava um “ta bom assim” (risos). Tinha que ser um “ficou muito foda!”.

NHZ: Vamos falar um pouco das canções do álbum. A tradicional Blood Swords, junto com os riffs viciantes da faixa-título e as vocalizações de Sinners são os carros-chefe do trabalho. Qual a reação do público ao executarem essas canções nos shows?
Adrian: Interessante essa pergunta, porque ainda está difícil respondê-la, por termos colocado pedal duplo em alguns sons, apostamos na Blood Swords. Ela tem essa pegada de início ao fim, mas não é uma das que chama atenção. A  Sinners sim, a galera já conhecia há algum tempo e com a retirada da introdução, ficou mais direta.
Mas um som que a galera passou a gostar depois que ouviram no álbum Powered Heart foi a H.M.F, ela também existia há um tempo, mas não funcionava, não sabemos o porquê. Hoje não podemos deixar de tocar, To Keep On Rocking “Heavy Metal Forever”.

NHZ: Falando em palco, conheci o grupo quando foram uma das bandas de abertura para os canadenses do Skull Fist. Vale lembrar que apesar de transitarem entre o hard e o heavy, o Rexor era a banda “diferente” do evento e a que mais arrancou aplausos da galera. Como encaram essa oportunidade de se apresentarem para grupos com uma proposta musical não tão similar a do Rexor?
Adrian: É bem por aí, muito legal isso, o bicho ta pegando aí vem o Rexor pra acalmar tudo (risos). Talvez isso faça a diferença. Em todos os eventos nós somos a banda “diferente”, e como isso esta dando certo, pretendemos continuar assim.

Wash, João Messias e Adrian
Arquivo Pessoal
NHZ: O ponto alto fica para a balada “Seal of My Heart”, que lembra as baladas de grupos como Poison, Journey e White Lion, além de ter tudo para fazer bonito nas rádios rock daqui. Já pensaram nessa possibilidade?
Adrian: Achamos que toda banda que lança seu material espera ter sua música na rádio, caprichamos na “Seal of My Heart” para isso acontecer, mas infelizmente isso não acontece aqui, não param pra ouvir uma banda “nova” nacional cantando em inglês. E as que cantam em português tem que participar de uma votação do público para uma única banda ser selecionada. Lamentável!

NHZ: Com um bom disco na mão, quais os planos do grupo em relação ao exterior?
Adrian: Estamos esperando o convite, estamos com uma divulgação legal lá fora, pessoal comprando nosso álbum, inclusive a demo foi bem distribuída quando lançamos, gostaríamos muito de mostrar nosso som para eles, mas até o momento não conseguimos nenhum contato para fazer isso acontecer.

NHZ: Obrigado pela entrevista. Deixem uma mensagem para os leitores do NEW HORIZONS ZINE!
Adrian:.
Estamos para Gostaríamos de agradecer “João Messias Jr” e a “New Horizons Zine” pela oportunidade relançar o álbum “Powered Heart” com a capa nova e alguns bônus, aguardem!

6 de fevereiro de 2015

ACCEPT: ALERTA LIGADO

Apesar de manter a qualidade iniciada desde seu retorno as atividades, em 2010, uma interrogação fica no ar com o fim da atual formação

Por João Messias Jr.

Blind Rage
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A primeira impressão que temos ao ouvir “Blind Rage”, novo álbum dos germânicos do Accept é que time que se ganha não se mexe (ou mexia), pois o conteúdo lírico/musical encontrado não se difere muito em relação ao que encontramos desde o retorno do grupo em 2010 com “Blood of the Nations”.

Isso faz que o leitor/ouvinte entre em duas linhas de pensamento: a primeira é que não há novidades no som do quinteto formado na época por Mark Tornillo (voz), Wolf Hoffmann (guitarra), Herman Frank (guitarra), Peter Baltes (baixo) e Stefan Schwarzmann (bateria). A outra, mais lógica diz: para que mudar o que está tão bom? Algo que devemos concordar, ainda mais se for fã de um heavy metal tradicional direto, pesado e sem firulas.

A bolachinha abre com Stampede, também primeiro vídeo do trabalho, que mostra a linha tradicional do grupo descrita linhas acima, com um refrão cheio de energia e vitalidade, assim como Trail of Tears. Mas “Blind Rage” não fica restrito a esse tipo de som e a audição aponta outros contornos, como as grudentas e com os dois pés no hard Dying Breed e  Dark Side of My Heart, que contam com uma bela atuação de Tornillo, cuja versatilidade, foge (um pouco) das comparações com Udo.

Já Wanna be Free possui aquela veia oitentista e tem tudo para ser um dos novos clássicos desta nova encarnação do grupo, assim como Bloodbath Mastermind, que é perfeita para bater cabeça. Só que ainda não acabou, pois as faixas From the Ashes We Rise e The Curse, mostram momentos épicos e melódicos que conquistarão fãs e (principalmente) não fãs do grupo alemão. Impressão realçada graças ao trabalho de produção de Andy Sneap, que deixou tudo com uma timbragem moderna e com isso as canções não soam como café requentado.

A versão nacional do CD vem com o DVD “Live in Chile”, que com um pouco mais de uma hora apresenta músicas da nova fase mesclada a clássicos como Restless and Wild e Balls to the Wall, numa ótima apresentação do grupo.

Lembram do “ou mexia” das primeiras linhas? Pois bem, o grupo hoje não conta mais comHerman Frank e Stefan Schwarzmann, que hoje estão no The German Panzer. Ficamos no aguardo de que os substitutos e não me na química do grupo, que até aqui vai muito bem, obrigado!
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