28 de setembro de 2015

IMMINENT ATTACK: UM NOVO CLÁSSICO DO CROSSOVER

Novo trabalho do quinteto paulista vem recheado de músicas pesadas, vocais hilários, além de feito para bangear

Por João Messias Jr.

Desde a sua criação (ou descoberta?), lá na década de 1980, o crossover brindou nossos ouvidos e prateleiras com bandas sensacionais como Cro-Mags, Suicidal Tendencias, Nuclear Assault, D.R.I, S.O.D. e Ratos de Porão. Passadas mais de três décadas, vira e mexe temos nomes que mantém o legado vivo, tais como o nosso Bandanos e o Imminent Attack, que nesse ano lançou seu segundo full, chamado de Welcome to my Funeral.

Se no primeiro trabalho, os mamutes (como são conhecidos) já haviam chamado a atenção, aqui os caras saem do status de promessa a realidade, pois a experiência de mais de um década de estrada fizeram que (quase) todos os excessos fossem aparados e com isso temos um disco que tem tudo para cair no gosto dos fãs de música pesada.

E por que digo isso? Pois a mamutada formada por Dinho Guimarães (voz), Erick Veles (guitarra), Rafael Augusto Lopes (guitarra), Ivan Skully (baixo) e André Luis bateria capricharam nas canções, que tem base a energia, capitaneada por uma produção de primeira (a cargo do próprio Rafael), que deixou tudo equilibrado e pesado.

Características que fazem a música brilhe por si própria, como nas pancadarias de Rush of Violence e a Work, Buy, Die. Porém o trabalho apresenta outras facetas marcantes, como os vocais irreverentes de Dinho, que vão numa escola Nuclear Assault/D.R.I, que dão um molho especial nas músicas, fugindo dos berros e urros de hoje.

Ainda tem mais...o flerte com o punk rock deixa canções como Kill Or Be Killed e The Meaning of Life irresistíveis, assim como os duetos de guitarras de G.U.N. e (Generic Useless Nation) e Coward Liar, ambos no melhor estilo Anthrax dos primórdios.

Também vale ser citado o design do trabalho. Embalado em paper sleeve, o trabalho é muito bonito, além dos desenhos da capa/encarte feitos de forma clara, méritos de Carlos Cananea (Paralelo Grano Studio), cuja contribuição fará com que Welcome to My Funeral figure na lista de melhores do ano de muita gente.

E não seria nenhuma heresia dizer que o trabalho tem como daqui trinta anos ser reverenciado como um clássico do crossover!

25 de setembro de 2015

INDIVIDUAL: A PREOCUPAÇÃO COM O TODO

Quarteto paulista lança novo trabalho com canções fortes embaladas por ótimas produção e acabamento gráfico

Por João Messias Jr.

Worst Case Scenario
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Não é necessário dizer a ninguém que formações do death metal como Benediction, Death, Atheist e Morbid Angel são ícones dentro do estilo. Seja pela música competente ou por revolucionar em paradas que já apresentavam sinais de estagnação, conseguiram se destacar perante seus concorrentes.

Embora os grupos citados tenham inúmeros clássicos em sua discografia, o fato é que muitos destes trabalhos não possuem um trabalho de produção e apresentação gráfica a sua altura. Não por culpa das bandas, mas por não haver pessoas especializadas nessas etapas, até por ser algo novo e que seria desenvolvido com o tempo.

Passados mais de trinta anos, essas sementes lançadas não produziram apenas novos grupos, mas também produtores e designers, que dão um colorido especial nos trabalhos das bandas, que também passaram a se preocupar com o todo, por meio de produtos caprichados e que dão gosto de ter em uma coleção. Exemplo seguido pelos paulistas do Individual.

Formado hoje por Marco Aurelio (voz e baixo), Carlos Deloss (guitarra), Vinicius Dias Bebeto (guitarra) e Fernando Tropz (bateria, ex-RavenLand),o quarteto faz bonito em seu primeiro EP, que recebe o nome de Worst Case Scenário.

Adeptos do technical death metal, o quarteto manda canções que privilegiam a intensidade, com poucos momentos agressivos e muita técnica. Técnica que neste caso funciona na música do grupo sem soar como aquelas videoaulas que muitos músicos colocam no Youtube.

O disquinho de cinco faixas possui uma excelente gravação, a cargo de Rafael Augusto Lopes (Imminent Attack, Fantasma), que prima pela nitidez e que assim, deixa que o ouvinte ouça todos os elementos presentes na música do quarteto.

Os destaques do trabalho ficam por conta da faixa que dá nome ao disco, The Synthetic Joy  e Blindfold, que começa bem intimista e vai ganhando peso, mas privilegiando o clima mais lento e soturno, com momentos quase progressivos.

Junto com a boa combinação de música e produção, temos um acabamento em digipack, feito no capricho e uma capa detalhada, a cargo de Gustavo Sazes. 

Pensamento e atitude vencedoras, de que sabe que os próximos passos serão ainda mais altos.

22 de setembro de 2015

WAGNER GRACCIANO: "VAMOS DEIXAR DE SER GUITARRISTAS E NOS TRANSFORMARMOS EM MÚSICOS"

Discos solo de guitarristas (em especial os instrumentais) são em grande parte um emaranhado de técnica e malabarismos desnecessários, que em muito, só consegue arrancar aquele tipo de coisa:"Ah, esse cara toca pra caramba, mas não sabe compor. O que não acontece quando ouvimos "Across the Universe", novo trabalho do guitarrista Wagner Gracciano.

Unindo virtuose e melodia, o disco é uma espécie de resposta aos malabarismos que ouvimos por ai. Nesta entrevista ao New Horizons Zine, o músico nos conta da repercussão do CD, projetos, outros guitarristas e muito mais!

Por João Messias Jr.

Across the Universe
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NEW HORIZONS ZINE: Wagner, você lançou em 2013 o seu primeiro álbum “Across the Universe”. Passados dois anos do lançamento, o que está achando da repercussão do mesmo perante público e mídia.
Wagner Gracciano: Os tipos de música menos favorecidos pela mídia popular não tem espaço no Brasil  e tem caído muito, por incrível que pareça. A música instrumental autoral tem perdido força frente aos vídeos de 1 minuto com improvisação, guitarristas tem feito carreira sem ter feito um disco na vida. Dentro desse quadro a receptividade do público ao álbum foi muito positiva dentre as pessoas que curtem a música instrumental, e morna no público que curte improvisação. Mas é compreensível, pois nos tempos modernos onde temos que dividir espaço com milhares de vídeos e músicas de todos os tipos pouca gente tem tempo para escutar uma música com mais de 4 minutos. Fora do Brasil o cenário é bem diferente, existe uma cultura que consume e prestigia esse tipo de música, o que foi muito bom para o meu trabalho, onde consegui muito mais atenção pelo público internacional. Para você ter uma ideia, de todas as vendas do disco 92% delas foram nos EUA, Europa e Ásia, apenas 8% foram no Brasil.

NHZ: O trabalho é dedicado a música instrumental, que prima pela variedade de estilos. Nele podemos encontrar desde momentos mais “guitarrísticos” como “Journey Into the Unknown” até coros do gospel tradicional como “As a Prayer”. Como encaixar vertentes distintas e mesmo assim manter a unidade do disco?
Wagner: Eu sempre fui assustadoramente eclético (risos). O trabalho é só um reflexo do que escuto diariamente, não conseguiria seguir um estilo apenas, Rock Progressivo é o mais perto que consigo classificar, pois teoricamente é o estilo que recebe mais influencias diferentes. Uma coisa que aprendi com a música erudita é ter um ou dois temas principais e tentar ligar todas as peças através deles, é basicamente isso que tentei fazer, criar uma história e conectar cada momento atrás do mesmo tema.

NHZ: “Across the Universe” foi produzido por você, mas a masterização do trabalho foi feita por Adair Daufenbach, o que deixou o álbum com um som jovial e marcante. O que o motivou a contar com este profissional tão conhecido em outros estilos como o metalcore?
Wagner: Sempre percebi que muitos trabalhos instrumentais não primavam pelas produções e sonoridade, sempre muito focados na parte de execução e solos, o que é natural, claro que os clássicos do estilo fizeram história. Quando ouvi o som do Adair gostei demais da timbragem e o cuidado com a sonoridade, imaginei que essa mistura ia fazer o trabalho ganhar outra vida, e não deu outra. Adair tem um ecletismo e um interesse em explorar o novo que casam perfeitamente com o som que eu faço, inclusive outros trabalhos que produzi faço questão de ter sua sonoridade em estilos totalmente fora do contexto rock. Tornou-se um amigo e com certeza essa parceria vai continuar nos próximos trabalhos.

Wagner Gracciano
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NHZ: Falando no gospel, você é cristão e não esconde sua fé, pois no encarte do álbum colocou todas as referências bíblicas que o levou a escrever as canções. Você já enfrentou algum tipo de preconceito por isso?
Wagner: Muitos, sofro diariamente. Adotei uma linha de trabalho honesta, mas muito perigosa quase suicida (risos). Não me considero parte do mercado gospel por questões de ideologia e orientação, pois trato música como forma de arte e vivo dela. Acho esse rótulo muito limitador, pois se formos colocar em cada ideologia musical um estilo diferente de música vamos ter Motoqueiro Metal, Cara que leva Chifre Metal, Cara que quer comer mulher Metal, Cara que acredita em Caverna do Dragão Metal, Cara que é contra o governo Metal (risos), enfim, sou cristão e não sou obrigado e rotular minha arte por isso, nem para o meio cristão nem para fora da igreja. Fora do meio cristão, muita gente já deixou de conhecer meu trabalho por isso. A galera acha que no meio do meu disco vai começar “Entra na minha casa, entra na minha vida...”(N.do R.: Música do cantor gospel Régis Danese).Mas não, é música instrumental apenas. O fato é que sou cristão e isso faz parte da minha vida, seria uma tremenda hipocrisia e covardia esconder isso na minha arte pois ela faz parte de quem eu sou. Não quero ser rotulado por isso, pois quero levar a música para todos os lugares possíveis. Não sou músico gospel, meu som não é só para igreja, mas não escondo quem eu sou. Faço música e vivo dela, deixo espaço para cada um interpretá-la como quiser.

NHZ: Para viabilizar o álbum, você foi atrás da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do seu estado. Podemos dizer que é uma vitória, visto que este tipo de benefício é concedido em sua maioria a artistas de estilos de maior alcance popular. Conte como foram as negociações e qual a satisfação pessoal de soltar um disco de rock com um apoio cultural?
Wagner: Os editais estão abertos em todos os Estados, prefeituras e tem a lei federal também. Às vezes faltam projetos para serem avaliados, pois nós, os músicos, não ficamos atentos e deixamos a oportunidade passar. As leis foram feitas para artistas como nós que não tem condições de fazer trabalhos de qualidade do próprio bolso, então temos que correr atrás e fazer parte delas. Nos editais tem todas as informações de como fazer um projeto, está ao alcance de qualquer um. Uma coisa importante, não só para as leis, mas para a carreira de músico como um todo é sempre ter um currículo atualizado, com todos os folders, cartazes de eventos que participou, é um mercado competitivo e precisamos nos posicionar o tempo todo.

Wagner Gracciano
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NHZ: Essa conquista sua me fez refletir em uma questão. Hoje as pessoas preferem criticar o mundo da música em geral por ser um processo caro de se gravar um disco, o que é verdade. Mas a maioria delas não se preocupa em buscar alternativas como editais de cultura e formas alternativas como o crowdfunding. O que pensa sobre isso?
Wagner: É exatamente isso. Em geral o músico se prepara para tocar, dar aulas e pronto, tem dificuldades de falar em público de expor ideias com clareza, ter uma posição dentro da sua arte. Se as pessoas lessem mais e comentassem menos na internet o mundo seria bem melhor. Muita gente comenta sobre as leis sem ter o mínimo conhecimento sobre o assunto, na verdade, grande parte dos comentários sobre qualquer assunto na internet é sem ter o menor conhecimento. Nós somos artistas, nossa missão é levar arte e cultura ao povo, a música é um bem da humanidade, vamos nos valer disso para buscar alternativas e saber se posicionar no mercado.

Além da música em si, o que chama a atenção é o fato de ser um músico atuante no seu estado, em Goiás. Você ao lado de outros músicos, criou o Gyn 3. Conte mais deste projeto e qual a repercussão dele no estado e se pensa em levá-lo para outros estados, como São Paulo.
Wagner: Música é uma profissão muito difícil por si só, então precisamos nos movimentar o tempo todo. Se não tem espaço na cidade, invente, junte um grupo de amigos e faça barulho, descubra lugares para fazer apresentações e seja generoso. Uma coisa que fico triste de ver no mercado, e uma coisa que creio estar matando a música instrumental, é que o artista está unicamente interessado em se promover, e muitas vezes fazer com que as outras pessoas ignorem seus colegas, como se o fato do outro não ser visto vai garantir algum sucesso a mais. O Gyn3 foi uma ideia justamente do contrário. Se eu quero ter espaço para tocar preciso dar espaço para os outros. Criamos o evento para que guitarristas consagrados, músicos de forma geral e novos talentos através do concurso possam ter um espaço para mostrar seu trabalho. Isso criou uma cena na cidade que movimentou várias pessoas, onde colocamos em prática a ideia que coloquei no parágrafo acima: se aqui estava sem lugar para tocar, vamos criar espaço para todo mundo e automaticamente estarei criando um espaço para mim também. Devemos ser críticos ferrenhos do mundo ao nosso redor, mas mesmo sabendo das adversidades, inclusive da nossa profissão, devemos tirar a bunda da cadeira e fazer a coisa acontecer. A galera fica reclamando que não tem lugar pra tocar, mas quer criar um espaço para ele tocar sozinho achando que ele vai fazer mais sucesso por isso. Fazer um movimento musical é mais efetivo que ficar fazendo show pra meia dúzia de alunos (porque os colegas músicos não vão). Isso é uma coisa muito bacana aqui em Goiânia, todo mundo vai ao evento de todo mundo e no final sai pra tomar uma (risos). Seria maravilhoso conseguirmos levar essa ideia para outras regiões do Brasil, vamos trabalhar quem sabe da certo.

NHZ: Você já fez promo-tours aqui na capital paulista. Qual a importância deste tipo de trabalho na divulgação de sua música?
Wagner: Sempre bom poder falar do trabalho, expor as ideias musicais para as pessoas terem uma visão melhor da sua arte. O músico é um comunicador, e quem não pensa assim perde grandes oportunidades. Foi muito bacana estar em São Paulo e também nas outras regiões falar de música, composição, guitarra, enfim, falar do nosso universo é uma das grandes recompensas da minha profissão.

Wagner Gracciano
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Ainda falando na terra do Túlio Maravilha, outro guitarrista de destaque em seu estado é Walsuan Mitterran. Queria saber se conhece o trabalho do músico e caso positivo qual sua opinião.
Wagner: Grande músico. Goiânia tem grandes artistas, mas não sei o que acontece que tem pouco espaço fora daqui. Aqui dentro conseguem lotar eventos, ter seguidores, e fora do país também, mas no resto do Brasil não sei o que rola. Aqui a faculdade de música da UFG tem grandes nomes da música que viajam o mundo inteiro, como Fabiano Chagas, Diones Correntino, Eduardo Meirinhos, Pedro Martelli, mestro Jarbas Cavendish, Emanuel Gomes (que arranjou as cordas do meu disco) músicos incríveis como Bruno Rejan, Guilherme Santana, Roberto Milazzo e muitos outros que são de nível internacional. Aqui estou mais envolvido no meio da galera fusion e jazz que na galera roqueira mesmo, apesar de sempre abusar de drive nos shows (risos). Mas vejo as pessoas aqui mais preocupadas com o ao vivo e no contato direto que apenas na internet, ai acaba fazendo a ponte daqui direto pra fora, sem passar por Rio-São Paulo.

NHZ: Visto que estamos em 2015, podemos esperar um álbum de inéditas para este ano?
Wagner: O novo disco já está praticamente arranjado e já no processo de gravação. Desta vez vai ter algumas músicas cantadas, vou apostar numa nova estética. Está sendo feito em cima de uma nova história, mais crítica e contextualizada, um clima mais tenso. Além dos músicos que sempre estão comigo, vou contar com algumas participações. Por isso resolvi esperar para fazer o DVD dos dois primeiros discos com um material mais rico e histórias novas para contar. Fora que esse ano a agenda da workshops, shows e master classes estão bem bacanas.

Wagner Gracciano
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NHZ: Muito obrigado pela entrevista. Deixe uma mensagem aos leitores do New Horizons Zine.

Wagner: Muito obrigado ao New Horizons Zine pelo espaço, sempre muito bom falar com a galera. Uma coisa que sempre deixo é que temos que sair do quarto. O contato humano, a imprevisibilidade e a emoção de um show ao vivo foi o que fizeram a música algo tão mágico, e estamos trocando grandes mentes artísticas por vídeos de 1 minuto. Vamos apreciar a arte, deixar de ser guitarristas e nos transformarmos em músicos.

18 de setembro de 2015

PANZER: UM SHOW COMO ELE DEVE SER

Fidelidade é a característica marcante do primeiro DVD do grupo, "Louder Day After Day - Live Panzer Experience"

Por João Messias Jr.

Para muitos "véios" como este que escreve essas linhas, os verdadeiros discos ao vivo são aqueles que transmitem de fato o que aconteceu na gravação para o material. Como, Louder Day After Day - Live Panzer Experience, primeiro DVD dos thrashers do Panzer, lançado em 2015.

Fugindo do esquemão das superproduções límpísimas de hoje, Rafinha Moreira (voz), André Pars (guitarra), Rafael DM (baixo) e Edson Grasefi (bateria), apresentam de forma fiel o que rolou na apresentação realizada no dia 26 de abril de 2014, no tradicional Espaço Som.

Nada de músicos estáticos e cometários polidos, mas sim uma apresentação marcada pela descontração e muita música pesada em alto volume, num repertório marcante que, sem desmerecer a fase mais antiga, os destaques vão para os sons mais novos, como os já clássicos The Last Man on Earth, Rising e Burden of Proof.

Savior, que assim como no álbum Honor, contou com a participação de Silvano Aguilera (Woslom) é outro ponto alto do disquinho, além da execução das guitarras e bateras, principalmente a condução deste último, que foge dos triggers e nos remete aos saudosos malucos Cozy Powell  e Keith Moon.

Junto com a apresentação, o DVD, dono de um bom acabamento gráfico, tem como extras os vídeos da atual fase do grupo, além de um CD com o áudio do show, também recheado de bonus.

Agora vamos esperar pelos novos materiais do grupo, que três anos após seu retorno, vem brindando os fãs de música pesada com materiais no melhor do thrash/stoner.

9 de setembro de 2015

WARSHIPPER: ÉPICO, PESADO E BRUTAL

Formado por veteranos da cena underground nacional, o hoje quinteto paulista mostra maturidade em seu primeiro trabalho, o EP Worshippers of Doom

Por João Messias Jr.

Warshipper
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Bywar, Zoltar e Eternal Malediction. Bandas que entre erros e acertos, cravaram sua marca na história do metal nacional. Assim como todo grupo que atinge esse status deixa saudades, foi muito bem vinda a notícia que alguns integrantes das citadas formações uniram forças para um novo projeto.

Batizado de Warshipper, a banda formada na época por Renan Roveran (guitarra/voz), Rodolfo Nekathor (baixo/voz), Rafael Oliveira (guitarra) e Roger Costa faz bonito em Worshipper of Doom, primeiro registro do grupo. Unindo a variedade do death metal europeu, com toques de thrash e um bem vindo tempero épico, o trabalho conquista o ouvinte de imediato, mesclando aquela vontade de bater cabeça e ao mesmo tempo "entender" o conceito musical.

Into the Dystopia é uma intro que abre caminho para a faixa que nomeia a banda, que possui aquele lance de palco, perfeita para iniciar as apresentações. A seguinte, ... And the Darkness Calls possui guitarras inspiradas no metal tradicional, enquanto Theatrical Dissection possui riffs e levadas de baixo "sujonas", assim como vocais mais agressivos e um andamento mais thrash.

Autumn Mist é uma espécie de interlúdio macabro que dá o clima para Paranormal Connection, que chama a atenção pelos jogo de vocais e o clima épico. 

A reta final do disquinho vem com as duas versões para Absence of Colors. A primeira, The Obsolete que é mais direta, enquanto a "blackened version" é mais climática e voltada ao thrash, além de contar com os vocais de André Evaristo (Torture Squad).

Aliada a parte sonora, temos um bom acabamento gráfico, com cores definidas, todas as informações sobre o grupo, que recrutou  o vocalista Heverton Souza (Imperium Infernale, ex-Eternal Malediction), o que nos deixa ansiosos para novos trabalhos do hoje quinteto.

8 de setembro de 2015

HIGHER: "QUANDO O METAL ESTÁ EM NOSSAS VEIAS, FICA TUDO MUITO MAIS PRAZEROSO"

A frase acima, dita pelo vocalista Cezar Girardi, da banda Higher sintetiza bem o sentimento de um verdadeiro fã de heavy metal. Pois por mais que estejamos inseridos em outras áreas, a paixão pelo estilo sempre fala mais alto. A banda é fundada por Cesar e o guitarrista Gustavo Scaranelo (completam o grupo o guitarrista Felipe Martins, o baixista Will Costa e o baterista Pedro Rezende), músicos com uma carreira de respeito no jazz e música instrumental, que entre uma pausa aqui e ali, resolveram botar a paixão pra fora. Dessa paixão foi concebida um disco que leva o nome do grupo, que agradará todos os fãs do estilo.

Em entrevista, o vocalista nos fala um pouco do trabalho, mudanças de formação e o fim das atividades de um conhecido grupo nacional.

Por João Messias Jr.

Higher
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A criação do grupo possui uma história interessante, pois alguns dos músicos possuem uma carreira na música instrumental e brasileira, mas resolveram juntar força para realizarem uma motivação dos tempos de adolescentes – uma banda de heavy metal. Como foram as etapas deste processo?
Cezar Girardi: Foi muito tranqüilo na verdade, pois nenhum dos integrantes havia parado de ouvir Heavy Metal. Claro que tivemos que mudar a forma de estudar nossos instrumentos, mas quando o metal está em nossas veias fica tudo muito mais prazeroso.


Quais as diferenças mais marcantes das cenas da música instrumental/brasileira em relação a do metal?
Cezar - Sofremos hoje no país um preconceito musical muito grande, então se você não for do estilo que vende muito, você esta fora de moda. Por isso estes dois estilos têm a mesma dificuldade.

A banda lançou em 2014 o primeiro álbum autointitulado. O que estão achando da repercussão do trabalho?
Cezar - Estamos muito satisfeitos com a repercussão! Foi um grande orgulho os veículos especializados gostarem do nosso debut. Recebemos muitos elogios, e também junto com os elogios muitas críticas extremamente construtivas, que com certeza usaremos para o nosso segundo álbum que já esta em processo de gravação/composição.

Higher (Gustavo e Cesar)
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Lie, uma das faixas de divulgação se destaca por não ser daquelas faixas aceleradas, mas concentrada no peso e cadência, além de um leve clima épico, que também sintetiza o ouvinte o que ele escutará durante o trabalho. A intenção de fazer um vídeo para esta canção foi justamente essa?
Cezar - Sim, apesar de que o restante do álbum ainda guarda muitas surpresas!
Mas é um som que serve muito bem de cartão de visitas!

Apesar de ser um álbum voltado ao metal, é possível durante sua audição ouvir flertes com outros estilos, como os arranjos barrocos de Climb the Hill. Queria que nos contasse sobre a inserção desses elementos e o que os mesmos agregam nas canções do grupo.
Cezar - É notório que somos extremamente influenciados por vários estilos de música, e aproveitamos isso para usar o que mais se adapta ao nosso trabalho, dentro da paixão maior que é, e sempre será o METAL.

O lançamento do grupo foi realizando no Isis Bar, na capital paulista, numa noite para imprensa e convidados, que contou com a presença da banda e a audição do trabalho. Para vocês, qual a importância destes eventos para uma banda em início de trabalho?
Cezar - Foi extremamente importante, pois conseguimos nos apresentar de uma forma mais informal, não com um release na mesa do jornalista, mas um aperto de mão e muita cerveja (risos). E principalmente no nosso caso, primeiro disco, estávamos fora do cenário, precisávamos fazer esta audição que realmente foi muito bacana.

Após o lançamento do debut, a banda integrou o guitarrista Felipe Martins para dar mais força nas apresentações. Como tem sido a atuação do músico e em que ele pode contribuir com o Higher no futuro?
Cezar - Com a entrada do Felipe, a nossa apresentação ao vivo ganhou muito!
Precisávamos da segunda guitarra, e o Felipe é um grande guitarrista, e por ser o mais novo da banda, tem uma outra forma de ver e ouvir o metal, ou seja, pontos de vistas diferentes que com certeza nos ajudam no processo todo.

Recentemente o baixista Andres Zuñiga deixou o grupo, que recrutou Will Costa para o posto. O que aconteceu e o que o novo músico trouxe de novidades ao som do grupo?
Cezar - Vivemos em um país muito complicado para se viver de música. O Andrés recebeu uma ótima oferta para trabalhar com uma grande artista do Brasil, e o Gustavo e Eu, mais do que depressa apoiamos a escolha do nosso amigo Andrés Zúñiga. E com isso tivemos a sorte de encontrar outro grande músico e ser humano, o Will Costa. Ele veio por indicação do Felipe (nosso guitarrista). O Will rapidamente já entrou no clima da banda e já fizemos dois shows com o cara que manda muito.

Higher
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Vocês têm realizando algumas apresentações pela capital e interior, tendo recentemente se apresentado com as bandas Primator e Attrachta. Isso me fez refletir sobre a cena nacional, em que os fãs estão deixando cada vez mais de assistirem bandas independentes. Como encaram se apresentar em alguns casos para casas vazias ou com pouca gente?
Cezar - Isso realmente é preocupante! Mas, quando se sobe em um palco, a vontade de fazer um bom show e a alegria de tocar seu trabalho faz com que você execute da melhor maneira e nem se preocupe com a quantidade de pessoas que estão na plateia, pois as que foram merece o nosso melhor!

Para terminar, recentemente, o DR. SIN, uma das bandas mais estáveis da cena nacional anunciou que encerrará as atividades no fim deste ano. Vocês pensam que a realidade da cena nacional contribuiu para que os músicos resolvessem tomar esta decisão?
Cezar - Grande perda para a música nacional com certeza! Uma carreira incrível, discos maravilhosos, o DR SIN sempre será uma referencia pra todos nós.
Acredito que o término seja uma junção de várias coisas, acho que não conseguiria apontar “um” motivo apenas para o término da banda. Mas acho que o cenário hoje deve ser um dos motivos.

2 de setembro de 2015

LOSNA: PARA OUVIR E BATER CABEÇA

Terceiro álbum de banda gaúcha se destaca por trazer canções empolgantes e trabalhadas

Por João Messias Jr.

Another Ophidian Extravaganza
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Apresentar inovação é o que menos vale num álbum. O que realmente dá pontos  num trabalho é se o mesmo empolga, missão que  Another Ophidian Extravaganza", dos gaúchos da Losna faz muito bem.

Neste álbum lançado em 2015, o trio formado por Fernanda Gomes (baixo/voz), Débora Gomes (guitarra) e Marcelo Índio (bateria) mantém a mesma linha de trabalhos anteriores, aliando elementos do thrash e death metal.

Graças a experiência desses onze anos de estrada, mesmo sem apresentarem novidades, fogem do lugar comum. Isso se deve ao nível musical dos músicos, fazendo com que a coisa não caia na repetição. Parte disso são méritos dos vocais de Fernanda, que embora soem como as bandas speed/thrash dos anos 80, foge do jeitão da saudosa Wendy O. Williams (Plasmatics, Kommmander of Kaos), indo numa linha mais próxima ao Sy Keeler (Onslaught), só que mais agressiva e variada, com um pouquinho de Obituary e Kreator aqui e ali...

... Voltando a falar das vozes, Amore Sapore é dona de refrão e ponte empolgantes e a pesada Back to the Grotto são alguns destaques. Só que os outros instrumentistas também dão o seu show particular, como nos riffs de Project 971 e a quase hardcore Strut!, além das batidas trabalhadas e rápidas de Immiscible Pleasures. Outro destaque fica para Mesmerized by Rotten Meat, cujas letras iniciais de cada verso formam a frase "Amor Só de Mãe", 

Aliado a massa sonora, "Another Ophidian Extravaganza" vem embalado num belo trabalho gráfico, a cargo de Tiago Medeiros e uma produção limpa e pesada feita por Fabio Lentino (Nephast) em conjunto com o trio.

Como diz o título desta resenha: "Para ouvir e bater cabeça".