23 de fevereiro de 2016

QUE PERMANEÇAM NO ROCK AND ROLL

Quarteto de Bauru apresenta um rock and roll bem elaborado com melodias que se aproximam do pop

Por João Messias Jr.

Ressaca
Divulgação
Por mais que ficamos a beira da loucura quando vemos que temos uma infinidade de material para avaliação, o que devemos fazer sempre, mesmo que demore um pouco mais é ouvir o trabalho de ponta a ponta para dar a merecida descrição do mesmo. Isso vale até para alguns trampos que fogem um pouco do que está acostumado a avaliar, como o trampo dos caras da Overhead Rock,  que carinhosamente chama-se Ressaca.

Julgando pela capa, logo nos vem na cuca uma banda tipo o saudoso Motörhead, Baranga e afins, mas não é bem o que André Moreno (voz e guitarra), Bruno Bevenutti (guitarra), Brendel Alba (bateria) e Ivo Ferreira (baixo) fazem aqui. 

Praticantes de um rock and roll despojado que em muitos momentos bate na porta do pop acertam  a mão em muitos momentos, com canções que agradará em cheio fãs do estilo e mesmo aqueles que ouvem todo o tipo de música. Isso acontece graças ao talento dos envolvidos, em especial dos vocais de André, que tem como referências James Hetfield (Metallica)  e Chad Kroeger (Nickelback), que são o ponto alto do trabalho.

Músicas como Overhead, a energética Tangente, a elaborada Evolução e a balada Situações Incertas mostram que músicos na mesma vibração tendem a fazer músicas especiais.

A única ressalva fica por conta de algumas passagens mais acessíveis, como em Muro, que geram uma interrogação na cabeça do leitor, pensando o que o futuro reserva ao grupo. Se continuarão no rock ou abraçarão o pop. Não por ser um fã do estilo, mas torço para que os caras continuem no rock and roll.

22 de fevereiro de 2016

MODERNIDADE NA TERRA DOS PAMPAS

Dinâmica e melodia são a base do novo trabalho de quinteto gaúcho

Por João Messias Jr.

Lead by the Blind
Dvulgação
Conhecida pela tradição em estilos como o thrash e o death metal, o Rio Grande do Sul vem mostrando que faz bonito com bandas voltadas a uma sonoridade mais atual, como o Grimriot.

Para fazer companhia aos caras, temos o It's All Red, que apesar de seus integrantes aparentarem ser bem novos, já estão na estrada há nove anos e recentemente soltaram seu terceiro álbum, chamado Lead By the Blind.

Mesclando tendências que vão do thrash metal ao melodic death metal e passando bem perto do pop, Tom Zynski (voz), Juliano Ângelo (guitarra/voz), Rafael Siqueira (guitarra/voz),Gabriel Siqueira (baixo/voz) e Renato Siqueira (bateria), apostam nas músicas com dinâmica e cadência. Como a faixa de abertura, Integrate Forever, que é também um dos vídeos de divulgação do trabalho.

As canções com as características ditas acima, são as que predominam nesse disquinho, porém, Lead By the Blind abre espaço para outras frentes. Mritak apresenta maior dose de brutalidade, enquanto Killng a Dead Tree apresenta um refrão marcante. Mas é Power to Let Power Go que chama os holofotes. Jeitão de hit, possui melodias gostosas e acessíveis, além de contar com a participação de Iuri Samson (Hibria).

Boa produção e uma capa interessante são outros atrativos do trabalho, que ficaria ainda mais letal se fosse mais compacto e com um pouquinho mais de variação. Porém, tem tudo para cair no gosto de fãs de grupos como Metallica, Disturbed e In Flames, todos em suas atuais fases.

EVOLUÇÃO

Ritmos cadenciados e inusitados sem abrir mão de sua proposta inicial é a grande sacada do quarteto paulista

Por João Messias Jr.

Your Nightmare
Divulgação
Conhecido dos nossos posts. o pessoal do Metalizer não demorou para soltar um novo trampo de estúdio. Com o título de Your Nightmare, chama a atenção de cara pela belíssima e assustadora capa, feita por Fernando Lima (Drowned), que situa o ouvinte o que ele ouvirá após colocar o disquinho no aparelho - uma mescla de speed/thrash com inspiração oitentista.

Referências que aparecem logo nas duas primeiras faixas, Weapons of Metalization e My Cage, esta última é dona de bem sacados lances neoclássicos.

Só que (sempre digo isso né?) apesar de não haver traços modernidade aqui. Sandro Maués (voz, Zenite), Douglas Lima (guitarra), Nilo Pavão (baixo) e Thiago Cruz (bateria) deram uma variada na coisa, mesclando passagens mais cadenciadas e inserindo leves doses de melodia, o que agregou e muito na qualidade do trabalho.

Talvez os melhores exemplos dessa variedade ficam por conta de A Bridge Across Time and Space e e Preacher of Hate, que indicam novas facetas que o grupo com certeza mostrará em futuros trabalhos.

Claro que como trabalho do estilo, faixas com apelo de palco não ficariam de fora. Still Alive, o instrumental Cause And Effect e Life Is Your Nightmare farão a alegria de muitos fãs de música pesada nas apresentações do grupo. 

A preocupação com os detalhes são outro fator que faz a diferença aqui. Além da já citada capa, temos as letras traduzidas para o português e um bom acabamento no geral.

Pra colocar no aparelho, apertar o play e curtir. Só não desligue após a última faixa, pois tem uma surpresinha das boas ali...

18 de fevereiro de 2016

"POR TERMOS TANTAS INFLUÊNCIAS FICA DIFÍCIL DEFINIR UM ESTILO PARA A TOURETTE"


New Metal, Hardcore, Hard, Thrash, New Metal e Pop. Esses são alguns elementos que fazem parte da música do quinteto paulista Tourette. Formado em 2009, conceberam seis anos mais tarde seu primeiro álbum, que carrega o título Out of Control.

Unindo canções que se destacam pelo peso, melancolia e vozes que colam na mente, a banda que conta  com Massimo Spalla (voz), Vini Costa (guitarra), Hugão (guitarra), Fernando Dias (baixo) e o recém chegado Leandro Rueda (bateria) tem tudo para cair nas graças de um público atento por novidades musicais.

Em entrevista com o vocalista Massimo Spalla, o músico comenta sobre batizar a banda com esse nome, a variedade de estilos entre as canções, shows e muito mais.

Por João Messias Jr.

Tourette
Divulgação
NEW HORIZONS ZINE: A banda se nomeou com o nome de um transtorno dado em crianças. O que os levaram a dar esse nome ao grupo e se houve em algum momento o pensamento de serem mal interpretados por isso.
Massimo Spalla: A nossa inspiração para as composições no que se baseia no distúrbio sempre foram tratadas de maneira muito séria e respeitosa. Nós não falamos muito sobre o transtorno em si, mas normalmente traçamos um paralelo entre os conflitos da Tourette com os conflitos que todos os seres humanos vivem a cada dia. Acho que por isso nunca tivemos essa preocupação de sermos mal interpretados.

NHZ: O grupo foi fundado em 2009, porém seis anos depois que lançaram seu trabalho de estreia, Out of Control. Quais os motivos dessa demora e o que estão achando da repercussão do álbum?
Massimo: Nós começamos no final de 2009 tocando covers de sucessos dos anos 80 e 90, ao longo desse tempo nós fomos compondo e apresentando algumas das nossas músicas nos bares onde tocávamos. Só em 2013, após uma mudança na formação nós alinhamos nossos objetivos e resolvemos parar com tudo e nos dedicar somente ao nosso trabalho autoral. A partir daí começamos a trabalhar juntos até sentir que as músicas estavam prontas para serem registradas.

NHZ: Musicalmente se caracterizam por uma mistura de diversos estilos dentro do rock e metal, mas se intitulam “apenas” como uma banda de rock and roll. Quais os motivos de se rotularem dessa maneira?
Massimo: Justamente por conta de termos tantas influências,  fica um pouco difícil definir um estilo pra a Tourette. Eu honestamente nem sei se podemos ser classificados como Metal, se tiver alguma sugestão de estílo pra nós pode mandar (risos).

Out of Control
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NHZ: Apesar de ter músicas bem variadas entre si, o disco transmite o sentido de unidade. Impressão reforçada pela boa produção e a mixagem e masterização uniu todas as pontas. Deixando tudo equilibrado. Como foram essas etapas até chegar no resultado que agradassem todos os membros do grupo?
Massimo: Acho que uma das etapas que mais contribuiu para esse equilíbrio foi a pré-produção, nos reunimos por meses antes de ir ao estúdio, trabalhando para criar essa harmonia entre conceito e melodia, trocando ideias e inserindo os elementos que deixassem a marca de cada um de nós. Foi um trabalho muito legal de ser feito.

NHZ: Como falei anteriormente, as músicas são variadas. Por exemplo, a abertura com Fireball e Voices são mais climáticas, já Another Day é um tributo ao grunge enquanto Liar emana raiva. Como reunir toda essa diversidade e chegar num som vocês dizem: “Soa como o Tourette”?
Massimo: A nossa maior preocupação está em não fugir do conceito. As músicas soam diferentes, mas todas apresentam, tanto nas letras como nas melodias aquela sensação de conflito, seja ele emocional, espiritual ou psicológico, sempre existe uma luta para não perder o controle, como já diz o nome do álbum.

NHZ: Liar também é o primeiro vídeo do grupo. Vocês gravaram as cenas no Teatro Municipal de Santo André. Como foram os trabalhos de filmagens e edição e como estão os acessos?
Massimo: Foi uma experiência incrível, a prefeitura de Santo André nos cedeu o espaço e fizemos tudo de forma independente. Disponibilizamos através da nossa página do Facebook e também no canal do Youtube. Os acessos estão indo bem e tem nos rendido bons frutos.

NHZ: Outro destaque do disco fica por conta de Overshadowed, que além da estrutura musical que flerta com o Hard e Southern rock, tem um tema interessante. Queria que falassem da escolha desse tema.
Massimo: Ao longo da história temos visto os efeitos devastadores do fanatismo religioso, um líder pode levantar uma nação mas também pode causar a morte de milhares de pessoas, essa música fala sobre as reflexões de alguém que vive em conflito entre o que entende como verdade e as mentiras que são contadas através dessa suposta verdade.

NHZ: Falando em shows, vocês já iniciaram 2016 com shows marcados. Dentre eles, shows com grandes e emergentes nomes da musica pesada como John Wayne, Confronto e Pray For Mercy. Qual a importância de tocar com esses nomes e o que agrega ao Tourette?
Massimo: Esse é um assunto muito interessante. Nós temos dividido o palco com diversas bandas que fazem um som muito mais pesado do que o nosso e temos ficado realmente impressionados com a recepção desse público. Não tem havido qualquer rejeição, muito pelo contrário, inclusive temos conquistado fãs de diferentes vertentes do rock e metal. Essa é talvez a vantagem de não assumir um estilo ou rótulo.

Tourette
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NHZ: Para encerrar, após sete anos de banda, qual a sensação de estarem na ativa, enquanto muitos desistem pelo caminho?
Massimo: Nós já passamos por momentos muito difíceis e não vou mentir, já pensamos sim em desistir. Mas depois do lançarmos Out Of Control, conseguimos enxergar um caminho promissor pela frente. Além do mais nos amamos muito fazer isso, independente das dificuldades!

NHZ: Muito obrigado pela entrevista. O espaço é de vocês!
Massimo: João, nós agradecemos imensamente pelo espaço e esperamos poder voltar aqui com muitas novidades numa próxima oportunidade. Estamos já compondo músicas novas e em breve teremos algo pra mostrar!

13 de fevereiro de 2016

A FUGA DO PREVISÍVEL

Quarteto aposta em misturar várias tendências em seu disco de estreia, “Contos da Terra do Caos”

Por João Messias Jr.

ET Macaco
Divulgação
Mudanças bruscas de andamento, um clima mais alternativo abre espaço para ora para hardcore ora para algo mais stoner. Vocais discursados, como crônicas urbanas, um ar épico que abre espaço para um “ E agora fudeu”.
Estranho?

Depois de ouvir por algumas vezes "Contos da Terra do Caos", trampo da galera do ET Macaco, a gente se acostuma com os andamentos malucos, mas vale dizer que eventuais surpresas acontecem à todo instante.

Em alguns momentos, os vocais de Felipe Gigante (também baixista) lembram ora o Rappa, ora algo mais próximo do hardcore/punk rock. Já guitarras totalmente de Wagner tem uma base noise, mas que transita por tudo que é estilo. Fusões que deixariam o baterista numa saia justa, só que Léo Shiellermann conduz na boa.

Falando um pouquinho sobre as faixas, os destaques desta salada ficam por conta de Piração, porradaria que tem uma levada reta de bateria e vocais que agradará os fãs de Raimundos, assim como a energética Cidade da Maldade.
O ska é o destaque de Reis, mas o que chamou a canção que se destaca é Capiau. Iniciando como discurso cantado em espanhol, vai ganhando um instrumental climático e intenso, além de solos inspirados no classic/hard rock.

Apesar de muitos não estarem nem aí para trabalhos físicos, vale destacar o encarte, com ilustrações de épocas distintas (da NASA até Nilton Santos), além das letras cheias de embasamento.


Quer começar o ano de forma diferente, visto que para muitos ele se inicia após o carnaval? Ouça Contos da Terra do Caos.