29 de março de 2016

EXTREMO

Apesar de manter a proposta dos primeiros trabalhos, nota-se uma banda cada vez mais voltada ao brutal e extremo

Por João Messias Jr.

Hell On Earth
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Chega a ser triste chamar Hell On Earth,  novo trabalho do Visceral Slaughter de EP, pois apesar de ter apenas 25 minutos, chama atenção pela coesão e a preocupação com todos os detalhes. Desde o trabalho de produção/gravação até a confecção de capa (feita por Rafael Tavares) e o encarte, que faz o ouvinte sacar de cara a proposta musical do grupo: Death Metal com toques Grind.

Após uma intro, algo quase obrigatório em trampos do estilo, Hell On Earth começa de fato com Nuclear Holocaust, que mescla passagens extremamente brutais com momentos ora lentos, ora cadenciados. A seguinte, Frenzy of Sadism conta com a participação de Luiz Carlos Louzada (Vulcano, Chemical Disaster) dividindo os vocais com Victor Figueiredo, em que o clima de insanidade prevalece.

Não acabou não...o pescoço fica em frangalhos com as brutais Abyss of Stupidity e Hell On Earth. Uma trégua é anunciada na seguinte Cadaver Business, que chama a atenção pelos vocais "possuídos" e o bom trabalho de guitarra de Fabricio Goes. 

Outro instrumento que se destaca é a bateria de Alberto Martinez, que chama a responsabilidade em The Great Extermination, fazendo um grande trabalho nessa canção.

A bolachinha encerra com chave de ouro com uma foderosa versão para Deathcrush, dos noruegueses do Mayhem. Apesar de manter a essência da original, ela ficou mais brutal, eliminando por completo o clima caótico e elevando a extremidade, o que aqui funcionou muito bem.

O trabalho marca a despedida de Victor Figueiredo das vozes do grupo, que hoje conta com Leon Ferreira. Agora é torcer para que essa nova formação traga trabalhos tão fortes e intensos quanto esse Hell On Earth.

28 de março de 2016

UM CAMINHO PERIGOSO

Projeto solo do ex-vocalista das bandas Jason e Ukoa aposta na qualidade dos arranjos  no caminho perigoso entre o pop e o rock

Por João Messias Jr.

Outro Round
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É natural que um projeto solo soe bem diferente de suas bandas originárias. Creio que se não fosse dessa forma, não faria sentido algum investir numa empreitada dessas. Pois bem, o vocalista R-Vox. que ficou conhecido por suas participações nas bandas Ekoa e Jason, o cantor apostou nessa nova empreitada, que circula no caminho perigoso entre o rock e o pop.

Carregando o título de Outro Round, o trabalho chama a atenção pela qualidade da gravação, que é excelente, permitindo que se ouça todos os instrumentos de forma clara e nítida, além dos arranjos, muito bem pensados, pois se encaixam perfeitamente nas canções.

Para a linha musical adotada, o trabalho é excelente, feito com faixas que soam quase como motivacionais, nos fazendo levantar e no mínimo querer sacar mais da proposta dos caras. Um exemplo fica para a faixa que nomeia o EP. Riffs grudentos, um belo  solo 'slashiano' e uma letra que caiu como uma luva.

Outro momento digno de nota fica por conta de A Paz. O início é bem pop, lembrando inclusive os primeiros tempos de bandas como Fresno e NX Zero. Durante a audição, ela vai "ganhando corpo", mostrando outra escolha bem acertada a figurar no trabalho.

Porém, além das músicas bem elaboradas, R-Vox acertou em cheio em criar linhas de voz adequadas para o seu timbre, o que garante o êxito nessa empreitada.

Apesar de achar que a produção deveria ser mais "sujona", Outro Round é um trabalho digno de elogios, cuja versão física vem num envelopinho simples, mas bem acabado e uma capa que foge das artes batidas de hoje, apesar de ter faltado as informações básicas.

Se ficou interessado, baixe o trampo no site do cantor e boa diversão!

21 de março de 2016

SIMPLES E BEM FEITO

Sem invencionices, quarteto goiano passa o recado de forma consistente no álbum Dilema do Prisioneiro

Por João Messias Jr.

Dilema do Prisioneiro
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Na raça, com simplicidade e  sem apelar para os artificialismos da modernidade, além de transpirar música boa pelas caixas e fones. Assim se define o álbum Dilema do Prisioneiro, primeiro álbum do grupo goiano Bella Utopia.

Com mais de uma década de estrada, Isabela Eva (voz), Luís Maldonalle (guitarra), Rickson Medeiros (baixo) e Junão Cananéia (bateria) fundem várias vertentes pesadas do rock e metal, fazendo um disco bem pesado e consistente.

De uma capa bonita e cheia de detalhes feira por Chioneranu Costin (Mayhem, Darkthrone) e amparados por um bom trabalho de produção. cuja masterização foi feita por Alan Douches (Sepultura, Madame Saatan), que sem exageros, deixou as canções com nitidez e muito peso, Impressão realçada logo na abertura do álbum, Máscara, dona de uma boa dinâmica, que pode agradar até o pessoal que curte algo mais moderno como o metalcore.

O condutor principal deste álbum é o peso. Seja na cadenciada Caos ou na pesadona Mundo Sem Razão, o grupo passa bem o recado de forma simples e objetiva, fazendo com que a audição do trabalho não soe cansativa.

Além do peso presente, vale prestar atenção no trabalho do guitarrista Luis Maldonalle, que coloca um tempero clássico/regional em meio as pancadarias que aparecem faixa a faixa.

Não há mais o que ser dito. Apenas que você leitor tem a oportunidade de conhecer mais uma banda bacana e que aposta na simplicidade acima da tecnologia!

11 de março de 2016

"A GENTE FEZ UMA HISTÓRIA BONITA"

Quem somos nós para discordar desta frase dita por Christian Passos. Um sujeito calmo, sereno e que ficou conhecido nacional e internacionalmente por meio da banda Wizards. Numa trajetória que contou com seis álbuns, uma coletânea, além de vários shows e sucesso por Europa e Japão.

Em sua primeira visita ao ABC paulista, o músico se apresentou na agradável noite de 7 de novembro de 2015 no Bar Retrô Old Is Cool, em Santo André levando covers do hard e pop, além de músicas do grupo, como Promisse of Love e Thunderbolt. 

Nesta oportunidade, Christian conversou com o New Horizons Zine, falando da cena nacional, da trajetória do grupo e algumas situações não muito confortáveis do passado. 

Com vocês, Christian Passos:

Por João Messias Jr.

Christian Passos
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NEW HORIZONS ZINE: Christian, como essa é a primeira entrevista que faço contigo, vou mesclar presente, passado e futuro. Vamos começar falando quando o Wizards lançou o primeiro disco pela JVC, saindo primeiro no Japão e teve excelente repercussão. Você acha que se tivesse a internet tanto esse disco quanto o Sound of Life teriam tido melhor resultado?
Christian Passos: Ah, certeza! Acho que hoje a internet faz a banda. Tem muita banda que hoje faz sucesso sem gravadora, sem rádio, só pela internet. Se tivesse a internet na época a gente ia abranger muito mais gente. Se o Wizards voltar algum dia a gente vai colocar tudo em quanto é canal digital, pois é o que vai vingar a partir de agora.

NHZ: Até porque o material físico alguns compram.
Christian: O público do heavy metal compra. Porque quer ter o disco, ver as letras, ver a capa. O público do metal é um dos que mais compram.

NHZ: Na época do Sound of Life, que saiu aqui em 1996 via Roadrunner Brasil, vocês contavam com o mesmo empresariamento do Angra. Na sua opinião, porque você acha que a banda não decolou, visto que na época o metal melódico era um nicho forte, com bandas como o Stratovárius vindo pra cá, o pessoal estava redescobrindo o estilo mais neoclássico. O que aconteceu para o Wizards não decolar?
Christian: A gente começou junto com o Angra. Aliás, nossa banda é mais antiga que o Angra. A gente tinha o mesmo empresário, o dono da Rock Brigade (N.do R. – Antônio Pirani). Como tínhamos o mesmo empresário, ele preferiu priorizar o Angra e meio que esconder a gente até onde conseguiu. Ai, por outros métodos, consegui arrumar outra empresária e aí conseguimos o contrato com a JVC do Japão. Mas o mercado daquela época era do Angra, era basicamente Angra. Na Rock Brigade só se via Angra e o Wizards era como se fosse um concorrente pra eles. O Angra não tem culpa, quem teve culpa foi o empresário.

NHZ: A forma como a coisa foi organizada.
Christian: Exatamente. Mas isso faz muito tempo já, passou.

NHZ: No álbum Sound of Life, vocês flertaram com o hard rock e até músicas como Reach Out tocaram nas rádios da época. Analisando esse disco hoje e com o interesse das pessoas nesse estilo, pensam em fazer um relançamento dele e dos outros discos?
Christian: Acho que sim. Se a gente voltar com a banda, que é o que estou pretendendo e lançarmos disco novo, com certeza a gente vai ser obrigado a relançar tudo. Você não encontra mais CD do Wizards por aí. É muito raro, e quando encotra você acha a preços absurdos.

Christian Passos
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NHZ: Você cantou hoje aqui clássicos do hard e pop, além de sons do Wizards. Qual a sua satisfação em levar sons da banda e ver que passados mais de 15 anos do lançamento do primeiro disco, ver gente curtindo as músicas da banda?
Christian: A gente fez uma história bonita! Foram seis CDs, uma coletânea, muitos shows, a gente fez bastante sucesso em rádio, TV, Europa, Japão. Infelizmente a gente não conseguiu prosseguir a banda por “N” motivos. Mas só da gente toda hora ser interpelado, perguntado, tem muitos fãs que falam com a gente que gostam da banda. Só isso já basta. Foi uma história que mesmo se não voltar já está marcada pra sempre.

NHZ: Essa volta é algo concreto ou apenas rumores?
Christian Passos: Não chega a ser concreta. Estou conversando com os membros originais da banda. Eu gostaria de voltar para uma comemoração, pois a banda vai fazer 25 anos em 2017. Então, de repente em 2016 preparar um CD novo  e no ano seguinte voltar, pois esse número é um número legal, um número cheio. Estou lançando para o pessoal. Eu gostaria que fosse a formação original. Se eu não conseguir, vou pensar se eu trago outros membros que já tocaram com a gente. Senão, penso em fazer algo novo, que não seja Wizards, mas que tenha a minha pegada.

NHZ: Lembro que na época você montou um projeto em português e uma banda mais agressiva chamada Visceral. O que esses trabalhos representaram pra você naquele momento e pensa em retomá-los hoje?
Christian: Eu tenho um trabalho muito forte em português, muito maior que em inglês. Eu tenho mais músicas em português do que em inglês. Depois que o Wizards parou, trabalhei com algumas bandas, fiz muita coisa que acabou não alcançando mídia, mas aconteceram em pequena escala. Eu tenho muita vontade de regravar materiais em português com certeza.

NHZ: Agora vamos falar um pouquinho da cena do metal nacional. Temos banda pra caralho e internet pra ajudar. Mas para aparecer em grandes publicações, só aparece quem tem assessoria de imprensa ou que tenham um grande produtor. Hoje você consegue fazer as coisas apenas tocando na raça?
Christian: Não. Ou você tem realmente uma assessoria, um fã clube ativo, ou uma banda que todos os integrantes vistam a camisa. Além do talento, tem de ter uma grana legal para investir em videoclipe, internet, no próprio show. A coisa ficou muito profissional. Ou você tem uma estrutura legal ou faz apenas por amor. Muita gente hoje em dia trabalha em outra coisa e faz a banda por amor, por hobby.

Christian Passos
Laura Lessa
NHZ: Aproveitando o gancho. O que pensa da situação do músico no Brasil, em especial o de heavy metal. Ele tem de trabalhar em outra coisa e o que recebe vai investir na banda. Mas ele não vai poder largar o emprego dele pra se dedicar inteiramente a música.
Christian: Não tem como mesmo. Na minha época de Wizards era difícil e hoje em dia pelo que vejo, está muito mais. Houve uma renovação de público. O pessoal do heavy metal não parece muito unido, pelo menos as bandas e empresários. Parece que tem muita rixa um com o outro.  O público quer escutar o máximo possível. Precisava ter uma união mais forte entre bandas e empresários, como acontece em outros segmentos como o sertanejo e o samba. O pessoal se une bastante pra fazer o movimento acontecer, como deve ser feito com o heavy metal.

NHZ: Em 2011, vocês tocaram no Carioca Club que teve bandas como Hangar e Almah. Teve muito bololô na internet, todo mundo agitando e teve cerca de 300 pessoas (N.do R.: A casa tem capacidade para 1500). A médio prazo, você pensa que isso pode melhorar?
Christian: Tem de melhorar. Não podemos deixar  o heavy metal enfraquecer tanto. Tem de surgir algumas coisas novas em termos musicais, acho que tem muita coisa saturada que poderia ser renovada, mas sem perder a pegada do heavy metal. Acho que tá muito a mesma coisa, muito dois bumbos, muita técnica, muito agudo. É legal, mas é cansativo. Acho que na minha opinião precisa voltar mais para o clássico.
Hoje em dia inclusive eu mudei o meu jeito de cantar. Antes eu cantava muito agudo, com falsete. Eu não canto tanto mais agudo, mas uso uma voz mais forte, mais clássica. Acho que isso está faltando um pouco para o heavy metal: uma reciclagem e ao mesmo tempo uma volta ao clássico. Seria uma boa pra gente voltar a crescer.

NHZ: Deixe uma mensagem aos leitores dessa publicação.
Christian: Fazia muito tempo que eu não cantava Wizards e não tinha de novo contato com os fãs. Claro que foi a primeira vez e a gente ta meio que tomando alguns tombos, mas tá muito legal. Hoje foi uma noite muito boa e acho que vou querer fazer mais e vamos ver o que acontece!

8 de março de 2016

PERSONALIDADE E COMPETÊNCIA

Jovem guitarrista gaúcho surpreende pela linearidade em seu primeiro álbum, Insight

Por João Messias Jr.

Insight
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Quando se tem a notícia de que um guitarrista com dezesseis anos lança seu primeiro álbum de música instrumental, as expectativas dividem opiniões. Conceitos que vão desde os excessos até a inexperiência. Mas a verdade é que Insight mostra mais maturidade e consistência que muitos trabalhos de guitarristas consagrados.

Apesar de direcionado aos fãs de música instrumental, o trabalho é embalado de ótimos momentos. Como as faixas iniciais, Insight e The Journey Has Begun, que são donas de um pique mais Hard/Heavy. Porém com pequenos trechos de estilos como MPB, Bossa Nova e Soul. Traços que são ouvidos de forma clara, graças a boa produção feita por Renato Osório (Hibria, Scelerata).

Já The Chase é mais pesadona, a melhor do trabalho, com referências que vão desde nomes como Megadeth (fase Rust In Peace) até o prog, fazendo desta uma séria candidata a ficar no 'repeat'.

Paralelas as faixas instrumentais, temos duas faixas que contam com a participação dos vocalistas Iuri Samson (Hibria) e Edu Falaschi (Almah), Destas, o destaque vai para Keeper Alive, graças ao seu refrão chamativo. 

O final com Back Home é apoteótico, além de ser um pequeno tributo ao guitarrista Jason Becker, ela tem o dom de elevar o nosso astral, transmitindo leveza e bem estar.

Com a cabeça no lugar, o jovem guitarrista gaúcho tem tudo para trilhar uma carreira brilhante.

4 de março de 2016

CHUTANDO AS TREVAS E BATALHANDO PELO SEU ESPAÇO

Após pausas e incertezas, quinteto do ABC paulista lança seu primeiro álbum oficial

Por João Messias Jr.

Afterlife In Darkness
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Fundada em 1998 por Giovani Venttura, vocalista que também fez parte de formações como Violent e Corpses Conductor, a Depressed passou por um longo hiato até retomar as atividades em 2010 e após cinco anos e apresentações com diversos nomes da região e medalhões como Krisiun, Nervochaos e Rotting Christ, lança seu primeiro álbum full, chamado Afterlife In Darkness.

O trabalho, que conta com uma ótima produção feita por Marcos Cerutti (Terminal Illusion), além de uma capa bem obscura, feita por Rafael Tavares bebe na fonte do death metal de bandas como Obituary, Monstrosity, Sinister e Bolt Thrower, ou seja, porradaria que alterna momentos técnicos, agressivos e cadenciados, mas que não cai nas armadilhas dos grupos mais modernos do estilo.

A grande sacada é que as músicas são curtas, permitindo que o ouvinte se familiarize rápido com o material, cujos destaques ficam por conta de Paradoxical Warcult, cujas guitarras soam próximas da música clássica, Tears of Blood, uma espécie de tributo ao death metal da Flórida e Dark World Depressed, com seus momentos mais introspectivos. 

Após anos difíceis e momentos conturbados, podemos dizer que após a realização dessa etapa, o grupo tem o caminho livre para propagar sua música pelos quatro cantos desse mundo.

2 de março de 2016

"NÃO EXISTE NADA MAIS IMPACTANTE AO PÚBLICO DE UM ARTISTA DO QUE ASSISTIR UM SHOW AO VIVO"

A frase escolhida acima é trecho da entrevista com o guitarrista da banda Primator, Márcio Dassié, que descreve com exatidão o que é ser um headbanger de verdade, aquele que vai a shows e prestigia suas bandas favoritas ao vivo. Algo que se torna cada vez mais raro graças aos 'web bangers', que se contentam em baixar álbuns e ver shows no Youtube.

Pode parecer inofensivo, mas é algo que vai matando aos poucos uma cena que vai se combalindo cada vez mais com o tempo. Porém, ainda existem bandas que vão na contramão e continuam a trilhar o caminho que deve ser trilhado.

Além da cena, o músico comenta sobre a repercussão do álbum Involution, dono de uma belíssima capa, além dos novos tipos de iniciativas para que as bandas continuem por aí!

Por João Messias Jr.

Involution
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NEW HORIZONS ZINE: Em 2015 a banda lançou seu primeiro trabalho, chamado Involution. O que estão achando da repercussão do mesmo?
Márcio Dassié: Nosso debut tem sido muito bem recebido pelos fãs de heavy metal e pela mídia especializada. É recompensador receber elogios e descobrir as impressões do ouvinte sobre as músicas. Por ser um primeiro álbum, a repercussão tem sido fantástica.

NHZ: O álbum chama a atenção logo de cara pela belíssima capa, desenvolvida pelo vocalista Rodrigo Sinopoli. Conte-nos como foi o processo de criação da mesma.
Márcio: O Rodrigo é um excelente artista! No processo de criação ele se inspirou na clássica representação horizontal da escala evolutiva do macaco se transformando no homem moderno. Mas ele “verticalizou” e deturpou a ideia de que o ser humano é o produto final, o topo da escala evolutiva, colocando quem observa como se estivesse dentro desta escala, vendo que nossa espécie talvez não tenha evoluído. Por exemplo, atualmente boa parte das interações humanas físicas são substituídas por “virtuais” pelas últimas gerações criadas sob a égide da tecnologia. Sinceramente não sei até onde isso é benéfico e se representa uma evolução ou involução de nossa espécie.

NHZ: Ainda falando da arte, ela ficaria muito bonita no formato de vinil. Está nos planos da banda lançar Involution no formato de LP?
Márcio: Infelizmente neste momento não existe nenhum plano de lançamento do Involution em vinil, pois a banda ainda é independente e teria de arcar com os custos, mas realmente a arte ficaria belíssima no vinil.

NHZ: Pouco tempo após o lançamento do CD, a banda sofreu uma mudança no posto de baterista. Hoje a banda tem como dono das baquetas Lucas Assunção. Como chegaram ao músico e como foi sua adaptação ao som do Primator?
Márcio: Conhecemos o Lucas em uma oportunidade que tocamos ainda com o antigo baterista. Após sua saída, um amigo em comum, o Felipe, disse a ele que estávamos procurando baterista e após o teste ele entrou na banda. A adaptação ao som da banda foi relativamente fácil, visto que o Lucas é um exímio baterista, mas tivemos semanas de aperfeiçoamento e dilapidação até o primeiro show, onde lançamos o álbum e dividimos palco com o grande Dark Avenger de Brasília.

NHZ: As perguntas a seguir têm como tema o estilo adotado pelo grupo e as canções do trabalho. A banda aposta num metal tradicional a lá Maiden/Priest, com algumas inserções ao thrash da BayArea e vocais agudos. Como foi desenvolver essa alquimia musical de forma homogênea?
Márcio: Na verdade o Primator é a soma das diferentes influências dos seus integrantes com ampla liberdade de composição, ou seja, não somos presos a estilos e rótulos. Essas características que você citou, heavy metal tradicional com pitadas de thrash metal, realmente são marca registrada da banda e quem ouve sabe que está ouvindo Primator. A homogeneidade da mistura musical foi desenvolvida ao longo do tempo da banda, os anos de estudo, ensaios, jams e competência dos músicos.

Primator
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NHZ: Essa mistura gerou faixas que transitam entre momentos trabalhados e agressivos. Alguns exemplos ficam por conta de Black Tormentor e Face of Death, Deadland e Flames of Hades. Queria que contassem sobre o processo de criação dessas canções.
Márcio: A composição geralmente parte de uma melodia vocal e/ou letra do Rodrigo Sinopoli, eu crio os riffs e bases e dilapidamos a música com a banda toda até o arranjo final. Falando de cada música citada, a composição da “Black Tormentor” foi um tormento (risos)! Creio que compus três músicas totalmente diferentes até compor a quarta versão final que foi para o álbum com belas dobras de guitarra. “Face The Death” foi composta até com certa facilidade e ficou pronta de forma rápida. O riff principal é uma mescla de um riff que eu havia criado com outro criado pelo parceiro de banda, o guitarrista Diego Lima. “Deadland” foi umas das primeiras músicas compostas. Utilizei uma escala árabe para criar o riff principal, não tão usual no metal e rock em geral. Por fim, “Flames of Hades” também teve outras versões antes da definitiva gravada no Involution. Aqui cabe ressaltar as passagens e harmonizações feitas no pré-refrão que eu particularmente gosto bastante.

NHZ: A banda criou no álbum um balanço interessante com as baladas “Caroline” e “Let Me Live Again”. Qual a importância de ter músicas mais lentas no repertório?
Márcio: Na realidade, penso sempre na importância de compor músicas que digam e representem algo para quem as escuta. Neste sentido, a variação de músicas lentas ou mais rápidas ilustram ideias e sensações diferentes aos ouvintes, o que creio ser bastante interessante.

NHZ: Recentemente se apresentaram ao lado do Fates Prophecy na capital paulista. Num cenário combalido por causa do baixo público em concertos voltados a música autoral, qual a importância do show como promoção do trabalho?
Márcio: Uma excelente pergunta. Até pode-se pensar que compensa mais uma banda investir em promoção digital do que tocar para um público de menos de 100 pessoas, que a promoção digital alcança milhares de pessoas, etc... De verdade, penso que não existe nada mais impactante ao público de um artista do que assistir um show ao vivo. Nenhum vídeo, resenha ou fotografia, por mais precisa que seja, conseguiria estampar com tamanha perfeição as sensações que somente a presença in loco no show pode proporcionar. Além disso, grandes bandas devem tocar ao vivo e mostrar ao que vieram, pois isso fideliza o fã. Ainda que poucos fãs sejam fidelizados, eles serão fãs verdadeiros e não somente aqueles “de facebook”.

NHZ: Mudando um pouco de assunto, hoje estamos vivendo uma espécie de contracultura na música mais underground. Com as verbas dos editais de cultura destinados a artistas consagrados e grupos cover, o crowdfunding vem sendo uma ferramenta cada vez mais utilizada pelos grupos para lançarem seus álbuns. Exemplos mais recentes ficam por conta do Bruno Sutter, Ponto Nulo No Céu e até bandas como Obituary e Raven. Podemos dizer que a música está voltando para as pessoas que realmente apoiam o movimento?
Márcio: Estes tipos de iniciativa tal qual crownfunding mostram realmente que é o fã que comparece nos shows de metal e apoia a cena e realmente ajudam bastante. Entretanto, infelizmente em que pese a música “volte” a quem realmente apoia o movimento, creio que ela também se circunscreve a somente a estes indivíduos, o que é lastimável, tendo em vista os inúmeros headbangers que comparecem aos shows internacionais realizados aqui no Brasil.

NHZ: Como estamos iniciando um novo ano, conte-nos os planos da banda para 2016 e o que podemos esperar de vocês a curto e médio prazo.
Márcio - A curto prazo 2016 é o ano de composição do segundo álbum, com gravação de videoclipe do primeiro single, To Mars, música composta por Mário Linhares, vocalista do Dark Avenger que também produzirá o álbum. A médio prazo faremos uma provável tour pela Europa ou Estados Unidos para divulgação do segundo álbum.  

NHZ: Obrigado pela entrevista. O espaço é de vocês!
Márcio: Agradeço pela entrevista e parabéns pelo teor e conteúdo das perguntas. Espero que todos recebam do “Involution” a mensagem que pretendemos passar e busquem por coisas novas, apoiem a cena local e nacional e compareçam aos shows, pois só assim conseguiremos garantir o futuro do heavy metal no Brasil. Mais uma vez, agradeço a todos os que nos incentivam e nos querem bem. Tenham a certeza de que ainda ouvirão falar muito do Primator! Grande abraço à todos.

1 de março de 2016

É THRASH METAL E PONTO

Terceiro disco do quarteto aposta no thrash metal visceral sem espaço para invencionices 

Por João Messias Jr.

Bloody
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Os fãs de prog que me desculpem, mas nada melhor do que ouvir um som direto, bem feito e que nos leve para cima. Chega de climas intermináveis, produção limpa em demasia e vocais superdramáticos. Vamos lembrar que a vida necessita de adrenalina.

Essa deve ser a missão de bandas como o Bloody, que investe no thrash metal, pesado e direto com algumas partes mais trabalhadas. Proposta que em seu terceiro álbum, mostra o auge do quarteto formado hoje por Paulo Tuckumantel (voz), Fabio Bloody (guitarra), André Tabaja (baixo) e Augusto Asciutti (bateria), pois o material apresenta equilíbrio entre as canções, não cansa o ouvinte, além de ter uma capa chamativa e uma  boa produção, todos  feitos pelo guitarrista.

Em pouco mais de 35 minutos, Bloody é recheado de momentos de adrenalina em estado bruto, que ora faz com que agite o pesçoço, ora o 'air guitar', onde os destaques ficam por conta da desgraceira Another Bloody Day, os riffs marcantes de No Ammo, Cancro, que é dona de partes mais lentas, além dos solos viscerais presentes em Mind Over Mind.

Ruthless encerra o disco, mantendo o clima de adrenalina do início. Característica que faz com o que o trabalho mereça pelo menos uma audição bem cuidada. Audição que pode ser feita com carinho, pois Bloody está disponível para download no site do grupo. 

Inclusive muitos fás de prog curtirão a porradaria contida aqui!