29 de agosto de 2016

TEMOS MUITO O QUE COMEMORAR

Mestres do Death Metal retornam de forma triunfal com o novo álbum The Hell's Decrees

Por João Messias Jr.


Para aqueles que tem quatro décadas de vida, ou estão chegando lá, se lembrarão dos primórdios do

Death Metal aqui no Brasil e de bandas como Strangulation e Blessed, que por aqueles famosos "motivos não identificados e justificados" não obtiveram o reconhecido merecimento.

Enquanto não ouvimos nada sobre o primeiro, o segundo, embora não exista mais, teve em sua formação membros que hoje formam o Rebaelliun, que após 14 anos inativo, retomou as atividades e lançou recentemente seu terceiro álbum, chamado The Hell's Decrees.

Muito mais que um novo trabalho, a bolachinha não é apenas o melhoR do quarteto, que conta hoje com Lohy Silveira (voz e baixo), Fabiano Penna (guitarra), Ronaldo Lima (guitarra) e Sandro Moreira (bateria). Embora tenha as bases no Death Metal, graças ao nível musical de seus integrantes, foge facilmente de todas as armadilhas do estilo, como o exagero de 'blast beats' e riffs quebrados e repetitivos. Impressão reforçada pela duração do disco, pouco mais de meia hora, o que possibilita escutá-lo diversas vezes sem enjoar.

Eu não tenho a certeza porque não perguntei aos caras, mas a impressão deixada é que o ouvinte lembre de todos os detalhes que o envolvem. Começando da arte da capa feita por Marcelo Vasco (Machine Head, Slayer), que é marcante, além de todas as etapas do processo de produção, que deixou o som limpo, pesado e claro.

As três primeiras faixas, Afronting the Gods, Legion e The Path of the Wolf são grudentas e cheias de detalhes, além de bem vindas influências do Thrash Metal. Já Fire and Brimstone é quase Doom, graças ao clima mais lento e carregado. A porradaria retorna em Dawn of Mayhem e Rebellion. 

O pique mais marcante fica por conta dos riffs quase hipnóticos de Crush the Cross e seu clima de desespero, que fica mais evidente graças a algumas guitarras mais arrastadas. O encerramento com Anarchy (The Hell's Decrees Manifesto) é de total 'bate cabeça', mostrando que os caras continuam fazendo sons mortíferos, com direito aquele famoso 'UH' , que ficou famoso com Tom Warrior (Triptykon, ex-Celtic Frost).

O lance é torcer para que seja apenas o primeiro desse tão aguardado retorno e que ele coloque a banda no topo do Death Metal mundial, pois musicalmente estraçalha a maioria dos materiais que foram lançados nos últimos quinze anos, pelo menos.

25 de agosto de 2016

SABEM O QUE QUEREM

Cariocas apostam num Rock and Roll que alterna climas densos, pesados e com muitas variações

Por João Messias Jr.

Sem Juízo
Divulgação
É gostoso, prazeroso e gratificante quando chega em sua casa trampos em que você vê que houve a preocupação no pacote completo. Como o álbum dos caras da Moby Jam. Os caras fizeram a lição de casa, com uma capa bonita, embalagem no estilo paper sleeve e uma boa produção, clara e definida.

Quando colocamos a bolachinha para rodar, percebemos como os caras são bons em seus instrumentos. Sem firulas e viagens desnecessárias, Marcelo Vargas (voz, guitarra e violão), Elson Braga (baixo), Augusto Borges (bateria) e a colaboração de Marcelo Pombo (teclado e piano), destilam um Rock and Roll que passeia entre o grunge, progressivo e o pop. De forma quase homogênea, as músicas entram fácil na cabeça do ouvinte, pois são gostosas de ouvir, como a trinca inicial formada por Purpurina, Sol e Chuva Ácida.

Eu disse quase homogênea né? Pois bem, as faixas Brilhar A Minha Estrela - Da Mais Um (Vid & Sangue Azul) e O Vôo quebram o clima do disco por serem diferentes. A primeira por misturar Reggae e Rock e a segunda por ser mais Pop. Nada contra misturar estilos, mas a verdade é que na ordem do disco elas não funcionaram.

A coisa volta aos eixos com a faixa titulo, um rockão cheio de energia e intensidade que cativa todos os fãs de boa música, encerrando o disquinho com positividade e apesar de tudo de forma satisfatória.

Uma banda que sabe o que quer, mesmo com a escorregadinha na metade do disco.