21 de agosto de 2017

ELEMENTO SURPRESA

Famoso algo a mais é característica marcante no álbum dos gaúchos

João Messias Jr.

A Glimpse of Illumination
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Conhecidos por suas estadias em grupos como Distraught, Apocalypse e Vômitos e Náuseas, Márcio Machado (vocal), Marcos Machado (guitarra), Magoo Wise (baixo) e Cristiano Hulk (bateria) resolveram juntar forças e fundar um nova banda, batizada de Axes Connection.

União que logo soltou seu o álbum A Glimpse of Illumination. Contando com uma boa produção, orgânica e que chama a atenção por instrumentos e vozes estarem "na cara" do ouvinte. Aqui se mostrou ser uma boa escolha, principalmente por apostarem no bom e velho metal tradicional.

Porém, o atrativo fica pelo elemento "inesperado" dar o ar da graça por momentos aqui e acolá, gerando inquietude e surpresa. Junto ao clima setentista de The Meaning of Evil, temos vocalizações agudas e narrativas. Narrações que soam como um vinil numa rotação mais baixa.

Rearrange Yourself é mais arrasa-quarteirão e com uma atuação notável do baterista, que vai de Neil Peart (Rush) ao Thrash Metal, enquanto Wisdom Is the Key é maluca. Com vocais que se alternam entre discursados e agudos, além do baixo estalando a lá Steve Harris (Iron Maiden) e DD Verni (Overkill). Prepare Your Soul é o ápice do trabalho. Em flertes com o Hard Rock, temos uma canção feita para ser sucesso nos shows.

Pique que é mantido em The Gates, pelo conjunto ter trabalhado bem agressividade e melodia. Skyline é bem climática/progressiva e tem tudo para agradar aos fãs de Apocalypse.

Lembra que comentei do elemento inesperado? Ele volta com toda a força em The True Connection. Até o terceiro minuto, a canção é repleta de peso, depois ganha intensidade e um clima bem intimista que beira o virtuosismo.

Para aqueles que tem a versão em CD, após essa faixa temos uma versão escondida para She Sells Sanctuary (The Cult) que se mostrou ser uma boa escollha, fugindo do óbvio, que seria fazer Iron Maiden ou Judas Priest.

O que pode dividir opiniões fica pelo timbre agudo e ardido do cantor, mas isso é algo que os fãs deverão decidir. Vamos ver o que o futuro reserva aos veteranos.

A CRUZADA DAS OITO CORDAS

Virtuosismo e peso saltam aos olhos em novo trabalho de guitarrista

Por João Messias Jr.

Sand Crusader
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Conhecido do blog, o guitarrista paraense Wael Daou, dá as caras novamente, desta vez com um álbum, Sand Crusader recheado de muitas novidades

A primeira, que não chega a ser inédita fica por conta da abordagem dada a guitarra. Apesar de usar um instrumento de oito cordas, pouco ou nada tem a ver com bandas como Meshuggah e Korn. Sim, temos uma massa sonora feita para implodir pedras, mas com um senso melódico que, somada ao virtuosismo, nos convence do poder de fogo do músico.

Convencimento que salta aos olhos logo na faixa de abertura, Scourge of Humanity, em que apesar do peso e o groove serem predominantes, se tornam secundários perante as habilidades do músico, que mostra referências de Satriani e John Petrucci (Dream Theater) de forma divina.

Se segura que tem mais. Thorns of Joy conta com jogos de vozes pra lá de interessantes enquanto a faixa que nomeia o disco funde o clima oriental (as origens libanesas do músico) com o metal, gerando momentos que mesclam drama e agressividade. The Awakening é dividida em duas partes. A primeira voltada ao peso e densidade enquanto a segunda mergulha de cabeça no progressivo, sendo um dos ápices desta bolachinha. Power to Believe, conta com momentos virtuosos, narrações e peso e vozes agressivas e Mira encerra o disquinho de forma épica, soando como uma trilha de filme.

Mas não acabou. A versão enviada ao blog conta com três CDs. O primeiro descrito acima, o segundo com versões atualizadas do primeiro EP e um DVD com animações em vídeo para as canções dos dois trabalho e playthroughs.

Tudo numa produção caprichada feita pelo músico e um acabamento feito por Brendan Duffrey (Voodoopriest), e embalada num digipack caprichado.

Embora estejamos em agosto e muita coisa sendo lançada, Sand Crusader é forte candidato aos melhores trabalhos de 2017. Duvida? Ouça!

7 de agosto de 2017

VITÓRIA DA PERSISTÊNCIA

Após idas e vindas, banda retoma as atividades e lança single

Por João Messias Jr.

Absurdium
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Não se trata de algo novo, mas corriqueiro para aqueles que não deixam os ideais morrerem. Quando se é adolescente, aquele sonho de montar um grupo, fazer shows e lançar discos é algo que todos que se aventuram pela música querem fazer. Porém, com o passar dos anos, novas responsabilidades e até uma nova forma de se pensar entram na vida como um rolo compressor. Aí temos de fazer escolhas, que nem sempre são os nossos ideais.

Essa linha de pensamento casa com a banda que resenharemos hoje, o Absurdium. Formada com o nome Healer, teve as atividades iniciadas no ano 2000 e após mudar para o atual, sofreu com as mudanças de formação e incertezas. Até que em 2015, o grupo retorna com uma nova formação, tendo Eric Kiriyama (guitarra), Wagner Fassi (bateria e vox) e Marcilio Spiti (baixo e voz). Com esse time lançaram o single Serpents of the Infernal War.

Bem produzido e com uma capa legal, o som do grupo também não decepciona. Transitando entre diversas escolas do Death Metal, apresenta momentos trabalhados a outros com muito peso e groove. Os vocais brutais e berrados são balanceados, dessa forma permitem uma audição tranquila do trabalho. Apesar de uma música não ser o melhor caminho de se avaliar um grupo, os caras mandaram bem e deixa uma boa impressão para os próximos lançamentos.

Uma vitória da persistência e competência musical.

6 de agosto de 2017

AINDA TEMOS MAIS...

Segundo DVD da coletânea de clipes, aposta em repertório que passeia do Thrash ao Rock and Roll

Por João Messias Jr.

DVD Roadie Metal Vol. 1
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Pois é, não bastou ousar fazendo uma coletânea de vídeos, mas sim bolar um DVD duplo, no qual a primeira parte fora comentada na semana passada, segue agora a segunda parte deste projeto, que aqui tem um caráter mais eclético, indo do Thrash ao Rock and Roll.

Elephant Casino - Believe: Com um vocal extremamente talentoso, o grupo chama a atenção pela sua forma de fazer Hard Rock. Não espere nada influenciado por Poison e Ratt, mas sim aquela linha mais introspectiva de grupos como Kings X, Galactic Cowboys e Dr. Sin da fase Insinity. Os solos de guitarra limpos e bem encaixados também se destacam.

SuperSonic Brewer - Blood Washed Hands: O ponto alto do disquinho. As gravações do EP são o cenário desta bela canção, que no começo soa como algo que o Zakk Wylde fez nos seus primeiros tempos de Pride and Glory ou em carreira solo. Porém o jogo de vozes (caprichadíssimas por sinal) fazem com que essa música funda Hard Rock e Southern Rock com extrema maestria. Para colocar no 'repeat' diversas vezes.

Demons Inside - Remorse Infected of Trauma: Bateria pesadona comandando tudo nesta música bem elaborada e cheia de groove. Alguns momentos lembram o clássico Dehumanizer (Black Sabbath). Só precisam encaixar melhor algumas passagens do vocal pra cair nas graças do público.

Jäilbäit - Take it Easy - Ai o bom e velho Rock and Roll, se não fosse ele, suportar o estresse cotidiano seria mais complicado. Essa é a ideia do quarteto alagoano. Tudo isso permeado por um metal classudo, de vozes esganiçadas e muita energia e como destaque a bela Wanessa Alves. Vale citar que por problemas autorais, hoje a banda se chama Prision Bäit.

Apple Sin - Apple Sin: Representantes do Heavy Metal Tradicional, os mineiros apostam numa ótima produção visual, tendo na canção um instrumental encorpado, voz na medida certa e o grande destaque: solos que nos remetem ao Mercyful Fate.

Cervical - Arquétipo: Energia e uma mensagem de conscientização. Esse é o recado dos cariocas, que transitam entre o metal e o Hardcore. Direto e sem firulas, o som é para pogar.

Galo Azhuu - Bruxa: Outro ponto alto do disquinho. Com mais que bem vindas referências do anos 70, com riffs e solos feitos com maestria e o clima místico da película deu um charme a mais na canção.

Exorddium - Heavy Metal: Assim como o título entrega, estamos diante de um som tradicional, que chama a atenção por ser simples e bem feito. Com referências diretas das primeiras bandas brasileiras do estilo, provaram aqui que "o menos é mais".

Magnéttica - Super Aquecendo: Rock and Roll despojado e feito por excelentes músicos. Apesar das boas intenções, soa deslocado pela coletânea ser "metal demais" para o som dos caras.

Basttardos - Despertar do Parto: Uma banda muito legal, num som que privilegia o peso e as vozes cheias de emoção, num som que transita entre o Hard e o Thrash.

Hellmötz - Wielding the Axe: Groove e peso mandam nesta canção.Num vídeo que lembra muito o modelo usado pelas bandas de Thrash do fim dos 80 e começo dos 90, fazem o cenário desta banda que faz um som bem feito e competente.

Burnkill - Cadáver do Brasil: Mais um exemplo de que o menos é mais. Produção simples, que tem como tema as manifestações que se fundem com os caras mandando seu Thrash de instrumental encorpado e vocais crus, que só precisam ser melhor lapidados.

Fallen Idol - The Boy and the Sea: Imagens de guerras e destruição em primeiro plano com o grupo atuando é a receita da banda, que funde o Doom Metal com o Metal Tradicional, onde o peso e os vocais, cantados de forma natural são os destaques.

The Phantoms of Midnight - Midnight:  Para aqueles que sentem falta daquele Metal Sinfônico de bandas como Nightwish, taí uma banda que podem gostar. Com os teclados na frente e executada por bons músicos, temos uma canção bem construída, porém sem novidades.

Dust Commando - P.O.T.U.S.: Outro ponto alto do disquinho. Instrumental pesado com vozes que vão do Alternativo ao Grunge e Stoner com um instrumental encorpado. Alice In Chains, Soundgarden são algumas referências desta banda que merece ser ouvida por mais pessoas.

Razorblade - Cuts Like a Razor: A bola fora da coletânea. Donos de um instrumental passável e um vocal que remete a grupos como Damien Thorne e Living Death, a banda precisa melhorar alguns pontos, como o vocal e a cozinha. Mas o pior é o vídeo, com imagens de mal gosto e clichês. Se uma banda pretende vislumbrar algo na cena, deve colocar o que tem de melhor a prova. Não o contrário.

Além dos vídeos, o trabalho apresenta extras como depoimentos das bandas participantes e um menu simples e eficaz, junto com uma bela embalagem, citada na resenha anterior.

Apesar deste segundo DVD oscilar mais entre as bandas participantes, assim como o primeiro volume, é uma bela forma de se conhecer novos grupos, talvez tendo alguns deles como suas futuras bandas de cabeceira.